segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A Aliança entre Dilma e FHC

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Mauricio Grillo Jr.

A crise econômica mundial que se aproxima rapidamente vai estabelecer um divisor de águas entre as elites que governam esse país. Dessa divisão, redundará uma disputa acirrada pelo butim. Serão donos do troféu aqueles que conseguirem se apoderar do maior número de jazidas naturais embutidas no sagrado solo brasileiro. Do ouro ao petróleo, a corrida e a disputa serão tão acirradas, que não restará poeira para contar a história. Estamos vivendo, nesse milênio, o fim dos tempos de um modelo agonizante e que por isso mesmo, não poupará absolutamente ninguém que se intrometa em seu caminho a fim de tentar impedir o vôo-contrabando de nossas riquezas.

E o governo brasileiro fará o que diante dessa realidade? Milagres não haverá. Aliás, não existe milagre econômico capaz de “salvar a pátria” dessa morte lenta por que passa a economia mundial. Não há reserva cambial capaz de deter essa avalanche que passará como um tsunami carregando consigo o que encontrar pela frente. Nossa combalida economia, lastreada por um dólar já em fase de extrema-unção, será também arrastada pela força dessa onda gigantesca, que nesse momento, afoga economias européias muito mais fortalecidas do que a nossa.

Haverá saída então para o Brasil? Tudo vai depender de como o governo vai diagnosticar e tratar essa doença. Essa é daquelas que somente tratamento de choque resolve. E é ai que mora o perigo. Haverá disposição do governo para salvar o barco ou os que estão lá vão aderir ao butim? De que lado estará esse governo, afinal?

A lógica nos aponta que, diante do quadro dramático dessa crise, a opção do governo vai ser o de atender as necessidades do mercado. A oligarquia financeira internacional tem claramente a certeza de que o governo Dilma é confiável o suficiente para, na hora H, responder positivamente com as atitudes necessárias que possibilitem que nossas riquezas estratégicas sirvam de reforço aos combalidos caixas dos países que estarão enterrados até o pescoço nesse lodaçal.

A questão é saber se o governo Dilma, que se aproxima rapidamente de FHC, o que é sintomático diante do quadro que se apresenta, vai adotar medidas preventivas para garantir nossa sobrevivência diante da crise. Se FHC tiver conseguindo interferir no governo, podemos esperar o pior. FHC é um dos mais influentes representantes da Oligarquia Financeira Internacional no Brasil e seu papel, nesse momento, é enquadrar o governo Dilma, definitivamente, aos interesses dessas forças econômicas. Diante disso, só mesmo um milagre pode salvar esse país. Com a crise se aproximando e com FHC como “comandante” do processo de reação à crise do governo brasileiro, só apelando a Deus.

O que devemos imaginar como solução para esse quadro é uma reação contundente e uma boa dose de remédio amargo para os investidores por parte da equipe econômica de Dilma. Não podemos mais, por exemplo, conviver com uma liberdade cambial que protagoniza o mais fantástico butim de juros do planeta, promovido pela parceria governo/especulação financeira mundial. Em tempos de “guerra” a economia deve também se comportar assim.

Resta saber então, de que lado ficará o governo. Como não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo, o governo terá que escolher baseado na realidade do país que governa. Se optar em ficar do nosso lado, terá que adotar medidas que se contraponham aos interesses estrangeiros ou, se optar em ficar contra nós, terá que assumir o ônus político dessa decisão e, a qualquer momento, defender com unhas e dentes, ou melhor, com armas e munições, o patrimônio de quem ainda mantém esse país na dependência, sempre extraindo do nosso subsolo, a riqueza que nos cabe como filhos legítimos dessa terra.

As conseqüências dessa decisão ninguém poderá prever. Talvez, o que devemos fazer enquanto sociedade é começar a nos preparar para o pior.

Mauricio Grillo Jr. é Professor de História.

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