domingo, 27 de novembro de 2011

No Brasil Louco, bom negócio é Controlar...

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão

A sabedoria popular proclama: “Maluco é aquele que rasga dinheiro”. Por tal lógica, somos um Brasil de loucos varridos. De janeiro a outubro deste ano, o setor público tupiniquim jogou fora (no cofrinho dos bancos) R$ 197 bilhões e 732 milhões apenas com o abusivo pagamento de juros da dívida pública trilionária – que não para de crescer, porque o nosso Estado Capimunista só opera na gastança, no desperdício e no mais completo descontrole social.

O dinheiro desperdiçado na usura pelos governos federal, estaduais e municipais corresponde a 5,9% de tudo o que o País produz em um ano – o tal Produto Interno Bruto (PIB). O chefe do Departamento Econômico do Banco Central do Brasil, Tulio Maciel, tenta explicar o aumento do volume de gastos com juros.

Os culpados por tamanha loucura são os indexadores que corrigem a dívida: a inflação e a taxa básica de juros, a Selic. Ambas tiveram alta no início deste ano. O paciente Brasil continua internado em tratamento de câncer. Mas os governistas juram que tudo está bem por aqui, apesar do pior dos mundos possíveis ser pintado, todo dia, pelo noticiário vindo lá de fora.

Só não ver quem não quer a desaceleração da economia do Brasil. O ICE (Índice de Clima Econômico medido pela Fundação Getúlio Vargas) recua claramente. Caiu de 5,8 pontos (em julho) para 4,8 pontos (em outubro). A indústria paulista cortou 18 mil vagas de trabalho em outubro.

O BC do B está com o dele (por conseguinte, o nosso) apertadinho. A tal da crise mundial já dá seu ar da desgraça por aqui. Na região mais próspera do País, Sorocaba e adjacências, no rico interior de São Paulo, a indústria já começa a demitir, cancelar encomendas de máquinas e equipamentos e a rever planos de expansão.

Os empresários já estão com a varinha curta para frente porque já começam a sentir o aperto por trás. Seria assunto para o doutor Jacinto Leite no Rego, mas o entendido especialista é exclusivo da turma do Casseta e não presta consultoria para o Alerta Total. Aliás, não queremos o dedão dele se metendo em nossos assuntos.

Indo de um extremo a outro, falemos do drama do Gilberto Kassab. O principal industrial das multas de trânsito no Brasil está com o dele na reta (e não é porque hoje é dia dele entregar o troféu aos vencedores do GP Brasil de Fórmula 1). Quase foi cassado da Prefeitura de São Paulo e teve os bens pessoais bloqueados por causa de uma picaretagem chamada “Controlar”.

Kassab sente a dedada da Justiça por causa da empresa privada (com ou sem trocadilho) que faz uma obrigatória e questionável inspeção veicular em São Paulo, tungando R$ 61,98 anuais de cada “propriotário” de veículo. A renovação do contrato para a prestação de tal (des)serviço, sem licitação foi questionada pelo Ministério Público.

A Controlar pertence à CCR – que tem como acionistas a Camargo Correa e a Serveng. Apenas por mera coincidência, na campanha eleitoral passada, a primeira doou para Kassab R$ 3 milhões, e a segunda, R$ 1,2 milhão. Será que parte do rico dinheirinho foi bancada pelos otários obrigados a pagar a taxa da “Controlar”?

Aqui ou lá fora, o melhor negócio é mesmo controlar. Laboratórios de Engenharia Social produzem programas neurolinguísticos para enganar, tentar manipular e influenciar as pessoas com conceitos errados, a partir de informações prévias sobre elas e seus hábitos monitorados on line.

Quem ainda duvida disso veja o FootPath Technology que monitora o movimento de clientes através de cada loja de um shopping center. Com uma série de antenas internas, o sistema captura o número de identificação único que existe em cada aparelho celular. Depois, é só bisbilhotar à vontade.

Com tais informações analisadas, os analistas de consumo preparam “a maioria”, psicologicamente, para adoção de comportamentos programados e padronizados pelo esquema consumista de Poder Real. Os alvos da propaganda e publicidade consumistas sofrem modificações do comportamento. Sem informação real e reflexão, tornam-se o midiota ou imbecil coletivo.

Os esquemas de poder Capimunista ampliam o controle social. Vamos deixar nos controlarem facilmente?

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

© Jorge Serrão 2006-2011. Edição do Blog Alerta Total de 27 de Novembro de 2011. A transcrição ou copia deste texto é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas.

2 comentários:

Marcos Bueno disse...

Cada automóvel paga R$ 61,00. São 6 milhões de automóveis cadastrados em SP. Isto significa que a receita bruta anual chega em R$ 366 milões.
O automóvel não deveria passar por controle ambiental ( e na verdade passa) na linha de produção? Então pq nós é quem temos que pagar?

Dr. Traffic Calming disse...

Só lembrando que outra industria de arrecadação, a de multas, gerenciada pelos CETralhas, é apenas a ponta do iceberg de negócios suspeitos que ocorrem nessa empresa mista. Lá temos a industria (ou máfia?)dos gastos: com publicidade, placas, semáforos e por aí vai. São Paulo, pobre cidade rica, gerenciada por ratos que falam e loteada entre máfias.