Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por João Vinhosa
Continuam a serem denunciadas, sem que ninguém do Governo se manifeste, as várias facetas da Gemini – espúria sociedade por meio da qual o cartório nacional de produção e comercialização de Gás Natural Liquefeito (GNL) foi entregue a uma empresa privada pertencente a um grupo norte-americano.
Esse silêncio do Governo é normal, pois fingir-se de morto é a melhor estratégia para quem não tem como explicar aquilo que é inexplicável.
O que não é normal é a impressionante omissão da oposição, fato destacado em artigo publicado em 27 de janeiro de 2012 no blog do jornal Tribuna da Imprensa sob o título “Privilégio concedido pela Petrobras à multinacional (...) precisa ser investigado. A acusação é grave demais.”.
Em tal artigo, o jornalista Carlos Newton – depois de esclarecer que o caso já havia sido infrutiferamente denunciado “à então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, que na condição de ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, avalizou a criação de tal sociedade” – foi no âmago da questão: “Não dá para compreender é porque a oposição não se interessa em apurar nem cobra uma manifestação de Dilma a respeito das graves denúncias”.
Cumpre informar que inúmeras vezes denunciei – de maneira clara, precisa e enérgica – às mais diversas autoridades e a políticos da oposição, atos lesivos ao interesse nacional envolvendo a Gemini.
A curiosidade de Serra
Depois de já estar denunciando há anos o autêntico crime de lesa-pátria representado pela Gemini, levei o assunto ao pessoal da campanha do candidato Serra para que ele questionasse a candidata Dilma logo nos primeiros debates para as eleições presidenciais.
Enquanto Serra era atacado sob a alegação que, se eleito fosse, iria privatizar a Petrobras, Dilma – que não teria como se explicar diante das maracutaias que beneficiaram enormemente uma empresa privada em detrimento da Petrobras – navegava tranqüila na imensa incapacidade do pessoal da campanha de Serra.
A situação se tornou ridícula no último debate, realizado na TV Record em 25 de outubro de 2010. Pelas regras de tal debate, um candidato perguntava, o outro candidato replicava; porém, não havia possibilidade de tréplica. como nos debates anteriores.
Só nessa última precária oportunidade, Serra tentou imprensar Dilma com o caso Gemini, afirmando: “O atual governo cedeu para a (...), uma multinacional, a sociedade do fornecimento de gás liquefeito. A Petrobrás ficou com a menor parte, 40%. Ela favoreceu uma multinacional em relação à ação da Petrobras, que tinha toda a condição para fazer esse trabalho”.
Embora Serra tenha citado duas vezes tal espúria sociedade, Dilma, que sempre se recusou a falar do caso Gemini, não se manifestou sobre o assunto.
Só restou a Serra, em entrevista concedida ao final do debate, afirmar pateticamente que havia ficado “curioso” para saber o pensamento de Dilma sobre “essa associação estranha da Petrobras com a (...), que entregou a essa multinacional o controle do gás liquefeito no Brasil”.
Interessante é que Serra fez um papel ridículo, e deve continuar, até hoje, curioso para saber o pensamento de Dilma a respeito da Gemini; porém, tem medo de perguntar, pois não é do feitio de nossa oposição contestar quem tem alto índice de aprovação popular, por mais suspeita que sejam as pesquisas.
Tráfico de influência para blindar a Gemini
Entre minhas denúncias, uma das mais recentes encontra-se no artigo “Escândalo Gemini: Dilma questionará Graça Foster - sua preferida para presidir a Petrobras?”, publicado no Alerta Total (http://www.alertatotal.net/) em 28 de novembro de 2011.
Em tal artigo – que é, na realidade, uma carta-aberta à presidente Dilma – acusei, entre outras coisas, o fato de a Diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, ter se mantido em silêncio diante da denúncia por mim formulada ao Procurador-Geral da República em 19 de outubro de 2010.
Referida denúncia – que se encontra anexada a uma carta não respondida pela citada Diretora – trata de evidências sobre uma rede de cumplicidade para praticar tráfico de influência com o objetivo de blindar a Gemini.
Para piorar a situação, tal denúncia foi considerada altamente ofensiva à honra da presidente Dilma pelo Ministério Público Federal (MPF). A seguir, são reproduzidos alguns trechos do documento em que o Procurador Paulo Roberto Galvão de Carvalho decidiu pelo arquivamento da denúncia.
1 – “O objeto destas peças informativas é, exclusivamente, o suposto tráfico de influência imputado à Presidenta da República”;
2 – “A alegação de tráfico de influência praticado pela então Ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, foi mera ilação”;
3 –“Aprovação da formação da sociedade pelo CADE, ilícito este que teria sido praticado pela Presidenta da República Dilma Rousseff”;
4 –“Quanto ao suposto tráfico de influência, deve-se dizer que não há um mínimo de lastro probatório para dar suporte a tese de que a Presidenta da República Dilma Rousseff, então Ministra das Minas e Energia e Presidenta do Conselho de Administração da Petrobras tenha praticado atos ilícitos”;
5 –“A mera correlação feita pelo representante entre os cargos ocupados à época e a fusão das empresas não permite a presunção de que tenha ocorrido intermediação ilícita entre a então Ministra de Minas e Energia e os Conselheiros do CADE, a ensejar a irregular aprovação da criação da empresa. Trata-se, assim, de mera ilação”.
Cabe informar que, para confrontar com o acima transcrito entendimento do MPF, escrevi o artigo “Dilma foi caluniada no escândalo Gemini?”, no qual afirmei que as interpretações do MPF seriam por mim pulverizadas em outra oportunidade – caso a presidente Dilma se julgasse por mim caluniada e, em defesa de sua honra, me processasse judicialmente.
Finalizando, deixo no ar a pergunta: onde anda a oposição?
João Vinhosa é Engenheiro - joaovinhosa@hotmail.com
4 comentários:
O Carlos Newton na Tribuna da Internet, editor, fez um artigo com os dados que você sempre nos traz na ...
"sexta-feira, 27 de janeiro de 2012 - 04:10
Privilégio concedido pela Petrobras à multinacional White Martins precisa ser investigado. A acusação é grave demais.
Carlos Newton"
Por incrível que pareça, não obstante ter muitos comentaristas defensores de qualquer ato praticado pelo Lulla já no seu 3º mandato, nenhum deles se manifestou. Lamentável.
Se esse crime tivesse sendo acobertado pelos que eles chamam de direita, no mínimo teríamos greve e passeatas.
Esses são nossos "nacionalistas". Aliás, está mais do que na hora de acabar com essa dicotomia esquerda x direita, que só desune e não trás nenhuma vantagem para a sociedade.
Busco apoio para debatermos um novo contrato social, pois o atual não tem mais remendo que dê jeito.
http://capitalismo-social.blogspot.com/
Faltou minha assinatura no comentários das 1:10 PM
Bom dia Jorge,
A cada dia que passo m convenço de o PSDB faz mesmo é jogo de cena, no fundo estão contentes com toda essa canalhice promovida pela PTralhada vez que, e você sabem disso melhor do que eu, são todos da esquerda.
O comentário do colega Fuchs vai no ponto quando é preciso acabar com esse discurso direita x esquerda. A direita praticamente não existe mais no Brasil.
Sem precisar ir fundo na questão basta observar que tanto FHC quanto Serra foram exilados políticos, logo contra a ditadura.
Loucura !!! Como esperar desses caras que façam uma oposição como queremos e precisamos para o país se as atitudes dessa esquerdalha aí presente vai de encontro em cheio ao que pensam os chamados cardeais do PSDB.
Precisamos de um partido genuinamente de direita com valores conservadores e que faça oposição verdadeira ao circo montado pela esquerda atualmente para roubar e saquear o Erário nas três esferas de Poder.
Se isso não acontecer vamos de fato virar uma Cubra, mistura de Cuba com Brasil e aí meu amigo, pego meu boné e so long....
Sds
1:10 PM
Não existe nenhuma dicotomia
esquerda x direita no Brasil, simplesmente porque não temos direita alguma. Isso è utopia! A que existe, è sim uma direta silenciosa e sem qualquer legenda representativa.
Somos e seremos sempre por covardia e comodismo, uma nação de esquerdistas, politicos esquerdistas, eleitores esquerdistas, governantes esquerdistas porque o Brasil é um país que foge inteiramente dos parâmetros politicos. A participação política dos cidadãos é mínima e vive de espasmos, depois dos quais tudo volta logo à rotina, acrescenta. Embora se tenha que votar obrigatoriamente nas eleições à boa maneita ditadorial soviética com urnas eletrônicas 100% manipulaveis, a democracia ainda está muito longe de se consolidar no País.
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