domingo, 5 de fevereiro de 2012

Mudança de Modelo Econômico e Forças Armadas

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Adriano Banayon

Hipóteses de Agressão” é uma xcelente matéria de Paulo Metri, sempre bem informado sobre as realidades que envolvem o petróleo no Brasil e, em especial, a situação da camada do pré-sal. Como aluno de Metri nas questões técnicas referentes a essa problemática, guardei o arquivo e grifei trechos mais notáveis, para futura referência e estudo.

Observaria o seguinte em relação à parte final do escrito. Não há como não concordar com a conclamação do autor quanto à necessidade de o Brasil equipar suas Forças Armadas para a defesa dos tão valiosos como ameaçados recursos do pré-sal.

Uma das condições sine qua non para isso foi muito bem apontada na matéria: a coesão entre as FFAA e os demais segmentos da sociedade brasileira, em torno dos verdadeiros interesses nacionais.

Essa condição, claro, é necessária, porém não suficiente. Para que o Brasil tenha condições de erguer forças armadas - bem treinadas e equipadas com material capaz de dissuadir os detentores das incrivelmente destruidoras armas de que dispõem os donos do império anglo-americano – é absolutamente indispensável construir modelo político e econômico muito diverso do que prevalece no País, de há muito.

Isso porque forças armadas à altura do desafio acima resumido só são possíveis em países com estrutura industrial basicamente sob controle nacional, seja estatal, seja privado (livre de ingerências do capital estrangeiro).

Essa condição é determinante no caso, uma vez que, sem ela, não há como desenvolver sistemas de armas, com tecnologia própria que assegure seu adequado funcionamento quando necessário, pois este depende de indústria eletrônica autônoma, a começar da elaboração dos chips com seus códigos e demais elementos de seu software. Requer também adequada evolução na produção de ligas metálicas e de outros materiais de elevado desempenho.

É notável, a respeito, que o Brasil disponha da quase totalidade das reservas mundiais de nióbio, mas produza e exporte somente insumos relativamente simples, como as ligas de ferro-nióbio, e não utilize esse minério estratégico em produtos com intensidade tecnológica e alto valor agregado. O mesmo acontece com o titânio.

No próprio quartzo, matéria-prima essencial dos chips e da eletrônica, o Brasil têm também a maior produção no mundo, fica praticamente só nisso, importando bens finais à base de quartzo por mais de 50 vezes o preço daquela, por peso.

Toda a necessária, inclusive para a defesa nacional, construção de parque industrial razoavelmente autônomo depende não só da determinação para planejá-lo nas linhas acima esboçadas, mas também, se se quiser fazê-lo aceleradamente, de que o Estado brasileiro invista pesadamente em empresas estatais e privadas nacionais com concorrência interna, capazes de absorver e desenvolver tecnologia no estado da arte.

Isso seria muito ajudado, se o Brasil mudasse totalmente de política econômica, a começar por deixar de gastar grande parte da receita da União com o serviço da dívida, privilegiado na CF através de fraude realizada em 1988, com a adulteração do texto votado em 1º Turno, sem ter sido o dispositivo jamais discutido, fosse em comissões ou no plenário.

O exemplo chinês está aí diante de todos, inclusive fabricando mísseis e aviões fantásticos, e ele não veio do acaso. Foi planejado no âmbito de um Estado em que as eleições não são governadas pelo dinheiro das grandes corporações transnacionais nem dos bancos, em grande parte estrangeiros, que gozam da concessão de criar crédito e dinheiro, simplesmente do nada, com lançamentos em seus computadores.

O crédito e a moeda não são commodities para ser objeto de ganhos concentradores nem de especulações. Envolvem a prestação do serviço público mais necessário que há para o conjunto da atividade econômica.

Em suma, não é realista esperar que o Brasil, hoje praticamente indefeso e em processo de desindustrialização, reverta essa situação sem modificar as políticas que o levaram a essa lamentável situação.

Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento, editora Escrituras SP.

2 comentários:

Martim Berto Fuchs disse...

Parabéns pelo texto. Na minha modesta opinião, correto em todas colocações.

"é absolutamente indispensável construir modelo político e econômico muito diverso do que prevalece no País, de há muito."

Eis o X da questão. Estava a pouco tratando de uma matéria ligando: banqueiros x governantes x trabalhadores.
Se por um lado a Argentina fez parte do dever de casa ao peitar os banqueiros, por outro jogou praticamente toda vantagem auferido pelo ralo, pois o podre sistema de governo continuou e já começa dar mostras de suas consequências. Como sempre, partiram para o populismo e estão perdendo a vantagem conquistada.
No Brasil, se hoje renegociassemos a dívida pública, mantendo o status quo, em breve teríamos perdido a vantagem e apenas criado mais um mito populista.
O que o Brasil precisa, e não só o Brasil, é de um novo contrato social, dentro de nova ótica, um novo paradigma, que beneficie igualmente os hoje desiguais. O ponto de apoio frágil no tripé continua sendo o trabalho. Este sustenta os governantes e os banqueiros à duras penas, com muito sacrifício. Burrice deles.

http://capitalismo-social.blogspot.com/

Anônimo disse...

Esse tal adriano benayon não passa de um "intelectual orgânico" (como dizia gramsci) travestido de democrata para enganar os desavisados de plantão.

Precisamos de verdadeiros nacionalistas que apóiem o Estado de Direito e não de babacas comuno-fascistas infiltrados como você! Se acredita que a china é um bom exemplo de país que deu certo, por quê não se muda para lá?