domingo, 24 de junho de 2012

Fatos e fotos do poder despudorado


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão

Existem argumentos contra fatos e fotos? Graças ao bom Deus que sim! Uma experiência incrível é fazer uma releitura do famoso e derradeiro livro “A Câmara Clara” (Ed. Nova Fronteira) do sociólogo e semiólogo francês Roland Barthes – publicado poucos dias antes dele morrer atropelado, em 1980. Na obra, ele nos resume a fotografia como a eternização de um instante que já morreu: “A Fotografia não fala (forçosamente) daquilo que não é mais, mas apenas e com certeza daquilo que foi”.

A foto acima, clicada pelo repórter-fotográfico Moacyr Lopes Júnior, da Folhapress, em 19 de junho de 2012, é um documento historicamente vivo de que Barthes tinha inteira razão. O pesquisador nos ensinava que a fotografia visa à reprodução da impressão visual do fotógrafo, que faz do mundo real um objeto digno de ser estudado.

A imagem ilustra a polêmica – e para alguns surpreendente – união entre Luiz Inácio Lula da Silva (aquele que já foi, mas acha que ainda é) e Paulo Salim Maluf (aquele que sonhou em ser o que Lula foi mas nunca conseguiu), selando um apoio àquele (Fernando Haddad) que sonha em ser o que dificilmente será (Prefeito de São Paulo).

Vale rever algumas frases de Barthes que se aplicam ao episódio e – também, ironicamente – ao momento especial vivido por Lula – que a lenda médica jura ter sido completamente curado de um violento câncer de laringe. Barthes escreveu: “A fotografia é uma lição de amor e de ódio ao mesmo tempo. É uma metralhadora, mas também é o divã do analista. Uma interrogação e uma afirmação, um sim e um não ao mesmo tempo. Mas é sobretudo um beijo muito cálido”.

No caso de Lula-Haddad, o fotografado apoio de Maluf foi um “beijo da morte” para a candidatura da vice-prefeitável Luiza Erundina. A ex-prefeita, em ação perfeita, teve a hombridade de tirar o time dela daquela parceria com o político procurado pela Interpol por crimes de corrupção e suposta lavagem de dinheiro. O desapoio de Erundina praticamente sepultou a candidatura Haddad – uma invenção imposta por Lula que lhe rendeu o ódio eterno da companheira Marta Suplicy, por ele traída e preterida na disputa paulistana.

Mas voltemos aos úteis ensinamentos Roland Barthes, que também escreveu: “Quando você olha por uma câmera e dispara, tudo acontece naquele momento. O que você quer fotografar se apresenta diante de você como um instante decisivo. Às vezes você está ali para disparar, e muitas vezes você não vê. Mas eu vivo esse instante. É o que me interessa. Tudo se compõe nesse momento e é preciso saber vê-lo”.

Ainda Barthes (que parece até falar sobre Lula, Deus me livre!): “A fotografia transforma o sujeito em objeto, e até mesmo, se é possível falar assim, em objeto de museu (...)”. E mais: “Imaginariamente, a fotografia (aquele de que tenho intenção) represente esse momento muito sutil em que, para dizer a verdade, não sou nem um sujeito nem um objeto, mas antes um sujeito que se sente tornar-se objeto: vivo então uma microexperiência da morte: torno-me verdadeiramente espectro”.

Bathes esclarece ainda mais, (e Lula devia ler, pena que não gosta de livro...): “A fotografia não fala (forçosamente) daquilo que não é mais, mas apenas e com certeza daquilo que foi. Essa sutileza é decisiva. Diante de uma foto, a consciência não toma necessariamente a via nostálgica da lembrança (quando fotografias estão fora do tempo individual), mas, sem relação a qualquer foto existente no mundo, a via da certeza: a essência da Fotografia consiste em ratificar o que ela representa”.

O que Lula representa todo mundo (que pensa um pouco) sabe muito bem... Neste final-começo de semana, a Folha de S. Paulo, nos traz o emblemático depoimento de uma testemunha ocular da história em que a famosa foto foi feita. O vereador Wadih Mutran (PP), que tentará disputar seu oitavo mandato consecutivo aos 76 anos de idade, contesta a versão petralha de que o petista $talinácio ficou constrangido ao lado do rival histórico: "Foi o Lula quem pediu para tirar a foto. Se ele não quisesse, entrava no carro e ia embora, Eu renuncio se alguém provar que o Lula reclamou. Ele estava tão sorridente...".

Para dar um fecho monumental à análise da foto que movimentou a sucessão paulistana, o vereador Wadih Mutran ainda repete uma velha lição muito sabida por quem faz política (ou politicagem) no ignorante e subdesenvolvido Brasil: "A política tem disso, meu filho. O inimigo de hoje pode ser seu amigo amanhã". O azar dos brasileiros é que sofrem com os inimigos de ontem, de hoje e de sempre...

Já que falamos de riscos políticos, nada custa lembrar que o Altíssimo, lá nas alturas, mandou um recadinho à Presidenta Dilma Rousseff, na noite de sexta-feira. O Arbus 320 – caríssimo avião que transporta nossos imperiais dirigentes máximos (pouco ou nada) republicanos – sofreu uma perigosa pane em pleno voo do Rio de Janeiro para o Detrito Federal. A aeronave sofreu uma despressurização. Foi obrigada a retornar ao Galeão, onde Dilma embarcou no aviãozinho reserva para viajar até Brasília.

Em tempos de queda de presidente no Paraguai, não se tem certeza de que a pane foi um recado divino. Ou se foi mais uma divina armação, com notinha plantada na mídia amestrada, para criar as pré-condições psicológicas para que os burocratas e negociantes em torno da Presidência possam justificar a compra, urgente e imediata, de uma nova e também caríssima limousine aérea para transportar os poderosos membros do politiburo tupiniquim.

Dane-se o avião! Aqui na terra firme, os sinais evidentes são de que o Governo do Crime Organizado corre o risco de sofrer alguma ruptura. Quando, como e se realmente acontecerá, só Deus sabe. Mas é bom prestar atenção aos fatos para não ficar mal na fotografia final.Valhei-nos, São João!

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva.


A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 24 de Junho de 2012.

8 comentários:

Carlo Germani disse...

Caro Serrão-Repare o cumprimento maçônico entre o fantoche-farsante Lula e o corrupto-amoral Maluf.

Ebert disse...

Serrão. Não vale aderir ao "presidenta". Se o fizer, vai ter que falar com a "gerenta" a próxima vez que for ao banco, ou se referir ao "socialisto" quando falar de François Hollande...

Ebert disse...

Serrão; cancele a sua adesão ao "presidenta", senão logo logo Vc irá falar com a "gerenta" do banco e se referir ao "socialisto" François Hollande...

Anônimo disse...

fdp do avião que não caiu!

Paulo Figueiredo disse...

Sinceramente, se alguém perdeu com a imagem foi Maluf. E não conheço quem tenha feito acordos com o PT e não tenha se arrependido amrgamente.
Até acreditar já é perigoso.

Jurema Cappelletti disse...

José Serrão, é fácil imaginar que, daqui a um tempo, L.I. jure de pés juntinhos que seu 'causo' com Maluf se trata apenas de uma tentativa de acabar com sua imagem. Tentativa daqueles que o odeiam, como costuma dizer.

Nessas ocasiões, nada melhor do que uma foto, embora ele mesmo assim possa alegar que se tratava de outra coisa completamente diferente do que se julga.

Mentira é uma arte. Só que ninguém consegue mentir durante toda a sua vida.

Jorge Serrão disse...

Ebert, do jeito que a coisa desanda, logo terei de aderir não ao Presidenta, mas ao PresidANTA...

Anônimo disse...

Brasil só pode ser governado por ultra nacionalistas para que seja uma grande Nação. Não ultra conservadores, simplesmente de gente que gosta de seu país suficientemente para que esteja disposta a fazar uma total limpesa na classe politica e nos corruptos.

Navegamos politicamente na orbita soviética adaptada ao seculo XXI com total apoio da utopia gramscista através da midia chapa branca.

Só somos grandes em tamanho e corrupção. No resto, pouco nos resta territorialmente.