sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Espionando, mas para quem?

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gelio Fregapani

A Polícia Federal, a pedido da ABIN, prendeu em flagrante um espião infiltrado em seu pessoal. Isto é: o nosso órgão de Inteligência Estratégica- a ABIN estava sendo espionado por um de seus oficiais de inteligência na própria sede. Até ser descoberto, o espião já havia conseguido “hackear” 238 senhas dos investigadores que trabalham em nossas informações estratégicas.

A existência de um inimigo íntimo não é de admirar – Os órgãos de Inteligência são feitos para espionar, e os alvos principais são os serviços Secretos dos outros Países. Não fomos os únicos a descobrir traidores dentro do próprio Serviço; Os EUA já descobriram mais de uma dezena, entre eles John A Walker que durante 17 anos forneceu ao KGB importantes conhecimentos - chaves de códigos, movimentação dos submarinos nucleares e até antecipadamente os alvos de bombardeio no Vietnã. Sabe-se lá quantos ainda não foram descobertos. O mesmo pode-se dizer do excelente Serviço Secreto Britânico; do Russo e até do Mossad israelense, sem dúvida o melhor de todos. Que haveria tentativas de infiltrar um espiã o na ABIN, todos sabíamos. Face a incrível vulnerabilidade, por escolhermos nossos agente por concurso público, só não colocou lá um espião quem não quis.

Não é de admirar a existência de um espião infiltrado (só um?). É de admirar a ABIN tê-lo identificado; sinal que a contra-inteligência da ABIN não é assim tão ineficiente,.mas é decepcionante a ABIN ter que chamar a polícia para prender o traidor. Isto deve ter servido de chacota em todos os Serviços Secretos do mundo.

Bem, o que se espera que um Serviço eficiente faça ao descobrir um espião? - Em tempo de paz, quando um espião é descoberto, deve ser tomada uma decisão entre eliminá-lo silenciosamente, submetê-lo a julgamento ou utilizá-lo em proveito próprio.

A crença geral é que só se raciocina com as opções mais violentas, mas os peritos em contra-inteligência sabem que um espião capturado pode ter grande valor, caso sua captura não seja conhecida.

Quanto menos se falar sobre o assunto, melhor, pois se procura utilizá-lo para enviar informações falsas e para saber de sua rede. Pode-se até remunerá-lo para isto. Se não der, é melhor que morra de “morte natural”.

Um julgamento é a opção reservada para quando o assunto já é de domínio público, quando interessa fazer propaganda ou uma troca. Há exceções: quando se trata de um espião de um país “amigo”, que seja inconveniente a sua morte ou um julgamento, pode ser preferível deixá-lo fugir.

Em outros países, quando um espião é apanhado pode-se ter a expectativa de que será submetido a tratamentos especiais para arrancar-lhe informações, que vão desde a relativamente suave lavagem cerebral, passando pelas drogas e chega, em muitos lugares do mundo, à primitiva tortura até a morte, para arrancar dele tudo o que sabe. Esses métodos raramente falharam, de tal forma que muitos espiões, na iminência da captura, preferiram dar fim a própria vida a entregarem as informações ou ainda para se livrar de cruéis sofrimentos.

Os Serviços eficientes costumam ser muito mais duros quando apanham um de seus membros espionando para o inimigo. Esse dificilmente terá perdão. Não se espera que vá a julgamento, pois nenhum Serviço gosta de mostrar suas entranhas ou expor seus fracassos.

Neste ponto é que avultam nossas dúvidas: O espião estava a serviço de quem? De algum país estrangeiro? – Provavelmente! Qual? Que informações realmente buscava? Para que, exatamente?

Poderia ele estar a serviço de um partido? - Claro, é possível! Mas qual? O que poderia querer?

Quem sabe se a serviço de uma organização religiosa ou comercial? – É difícil, mas não deve ser descartado a priori

Quem sabe até a ABIN já tenha essas informações e tenha um plano para utilizá-las. É difícil, mas quisera acreditar. Esses “elementos essenciais a conhecer” estão sendo buscados? Certamente não. Com as restrições impostas ao Órgão desde o Collor e ainda agravadas pelo Lula, o nosso Serviço de Inteligência parece transformado em um arremedo de Serviço que só dá despesas. Dizem, a ABIN e a Polícia Federal, que tomarão as medidas administrativas cabíveis. O servidor foi enquadrado por violação de sigilo funcional, crime previsto no Artigo 325 do Código Penal, com pena de seis meses a dois anos de detenção ou multa. Só depois disso, o arapon ga traidor poderá ser expulso do serviço público.

Parece uma brincadeira. Será?

Gelio Fregapani é escritor e Coronel da Reserva do EB, atuou na área do serviço de inteligência na região Amazônica, elaborou relatórios como o do GTAM, Grupo de Trabalho da Amazônia.

5 comentários:

Anônimo disse...

"O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva."

Acho melhor começar de novo. O objetivo não foi alcançado.

Anônimo disse...

Nosso país tem sido alvo de inúmeros ataques internos (politica corrupta, educação deficiente, segurança inexistente,forças armadas sucateadas,etc) e ataques externos (interesses internacionais, nossas riquezas, nossa amazônia, o petróleo, etc..). É visível a conformação do povo e do Estado diante de tudo isto, porque somos um povo pacífico e ordeiro. É decepcionante saber que somos espionados por compatriotas e que a pena será semelhante a um puxão de orelha. Aonde colocaram os valores de nosso povo?

Anônimo disse...

A contra-inteligência não è para todos, nem serviços nem pessoal.

A ABIN nesse campo ainda anda na Idade da Pedra. Escolher espiões por concurso, de fato só pode ser piada brasileira no seu melhor. Por isso estão infiltrados. Conquistados, colonizados e por aí adiante.

Mais! Esse espião estar solto, denota um amadorismo profissional e patético.

Quem lá fora vai mais partilhar informações com a ABIN?

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

Coronel Gélio Fregapani fala sabiamente sobre o assunto em pauta, apesar de discordar dele em outros. É inocência ou má fé no mínimo terem libertado tal espião; mas certamente estupidez em não terem interrogado ou talvez 'virado' tal sujeito e tal serviço deveria ter sido feito por especialistas, não por concursados, ou a PF. Em serviços de inteligência que se prezem, é procedido recrutamento por escolha ou indicações, não por concurso publico -isso é ridículo e constrangedor para nossa Nação que deve ser alvo de chacotas por parte de outros serviços estrangeiros-. Sugiro ao distinto e culto coronel que entre os melhores serviços de inteligência, ao de Israel como de ponta, deva ser ajuntado o russo como extremamente eficiente que também trabalha a longo prazo, com visão de futuro.

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

Coronel Gélio Fregapani fala sabiamente sobre o assunto em pauta, apesar de discordar dele em outros. É inocência ou má fé no mínimo terem libertado tal espião; mas certamente estupidez em não terem interrogado ou talvez 'virado' tal sujeito e tal serviço deveria ter sido feito por especialistas, não por concursados, ou a PF. Em serviços de inteligência que se prezem, é procedido recrutamento por escolha ou indicações, não por concurso publico -isso é ridículo e constrangedor para nossa Nação que deve ser alvo de chacotas por parte de outros serviços estrangeiros-. Sugiro ao distinto e culto coronel que entre os melhores serviços de inteligência, ao de Israel como de ponta, deva ser ajuntado o russo como extremamente eficiente que também trabalha a longo prazo, com visão de futuro.