sábado, 6 de outubro de 2012

A indigesta escolha de cada um

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Valmir Fonseca

Algumas pessoas que olham para uma parede pintada de amarelo poderão dizer que “bela parede pintada de verde, de rosa, de branco, de preto” ou qualquer cor diferente do amarelo.

Da mesma forma, algumas pessoas ao verem um cisne branco deslizando num lago poderão dizer que “belo cisne”, outros poderão dizer que “um feio urubu preto está se afogando no lago”.

Logo, divergências existem. Mas, evidentemente, apesar da opinião diferente de alguns, não será a sua obtusa percepção que mudará a realidade do visto ou do analisado.

O amarelo é amarelo, assim como o cisne é um cisne.

Sem contar que a opinião divergente poderá ser externada para atender a algum propósito.

Se alguém oferecer algo do nosso interesse, podemos até chamar o cisne de urubu, de gavião, de marreco, e o amarelo, de cor de rosa, de preto...

Mas um pedaço de pau é... um pedaço de pau. Simples assim.

Um pedaço de pedra, idem, mesmo que um luminar diga exatamente o contrário.

Outro tacanho exemplo é o de dois cegos apalpando um elefante, e quando chegarem à tromba, um poderá dizer é “uma tromba” outro, mais pernicioso, argumentar que é um grosso vocês sabem o quê.

No STF não é diferente, ou melhor, não deveria ser tão diferente, pois é composto por indivíduos de formação similar, com bases de conhecimento apoiadas em profundos estudos e, dificilmente, deveriam discordar de forma tão gritante.

Mas é o que acontece.

Onde um vê crime, prevaricação, corrupção; outro vê..., bom, é difícil dizer o que o outro vê, ou melhor, o que ele não vê.

O que vê, acusa, o que nada vê, muito pelo contrário, defende fervorosamente os acusados. Um espanto.

Para vários, o Dirceu era o “gerentão” do Mensalão, para outro (s), era apenas um inocente transeunte nas proximidades da patifaria. Enfim, um santo. Embora o seu turbulento currículo aponte - o como capaz de tudo por uma boa patifaria. E o Mensalão cabe como uma luva no seu conhecido poder de persuasão e ambicioso papel de papagaio de pirata.

Mas os que nada veem, corroboram as suas convicções, alegando que o Delúbio e outras figuras fizeram o que fizeram por sua própria conta. São os famosos alopradíssimos cheios de exemplar iniciativa.

Hoje, assistimos na mais alta cúpula jurídica, a uma fenomenal questão de identidade, na qual alguns (dois?) optam pela falta de, como uma esplendorosa maneira de viver livre de aporrinhação; e outros (a maioria?), em momento de salutar emancipação, e resolveram engrandecer a mais Alta Cúpula de Justiça do País.

Como um poder independente, como reza a Constituição.

Nós, meros espectadores, torcemos uns poucos pela independência do Poder Jurídico; o restante, uma boçal maioria, para que o STF coloque a viola no saco e não perturbe o partido do povo, o baluarte do trabalhador com julgamentos que destoam do clima de impunidade que enobrece a nossa Pátria.

Seja tudo o que Deus quiser, desde que não desagrade a vocês sabem a quem.

Valmir Fonseca Azevedo Pereira, General de Brigada Reformado, é Presidente do Ternuma.

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