sábado, 10 de novembro de 2012

Vá se queixar ao bispo

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Rui Nogueira

A liberdade em escolher os governantes em eleições é o pano de fundo que envolve as populações levadas pela ideia de democracia. Ditadura é algo execrado em todos os meios de comunicação e não raras vezes interesses políticos e econômicos distorcem informações para estigmatizar gestores que contrariam os seus interesses e ganhar posições simpáticas na opinião pública. Um governo é ditatorial quando exerce o poder com” decretos” com efeito imediato de lei, elaborados sem consultas no escondido do gabinete.

As “democracias”, entretanto, têm meios para atender aos interesses dos grandes grupos sob uma capa de falsa liberdade. Ao mesmo tempo em que fecham a observação mais direta do processo eleitoral com apurações centralizadas com máquinas, em torno de vinte pessoas do diretório partidário decidem quem pode se candidatar e, se um diretório partidário local contraria ele pode sofrer intervenção. Surgem, então, situações como a do deputado do Espírito Santo que defendia percentuais importantes para a educação e foi excluído da lista de candidatos.

O esquema atual é nitidamente autoritário, centralizador. Há governo que se movimenta com medidas provisórias idealizadas pela cúpula, que entram de imediato, em vigor.

A propaganda eleitoral está cada vez mais restrita. Nem pintar uma propaganda num muro pode ser feita. Tudo se restringe aos esquemas das empresas de marketing muito caras e ao tempo na televisão controlada pelos grandes anunciantes e muito frequentemente transnacionais. Para ocupar os tempos eleitorais, os partidos fazem acordos que ampliam os tempos, desaparece a importância dos programas para o governo. Isto permite que os grandes contribuintes para as campanhas colocarem ou apoiarem candidatos que fiquem afastados do interesse público, subjugados por conflitos de interesses-“a quem eu devo a eleição, não posso dizer não”. Assim aparecem as leis, portarias e posturas que atendem mais ao interesse das transnacionais que os da população brasileira.

Tudo com uma aparente capa, muito propagada de democracia.

A falsa elite beneficiada tem ouvidos moucos para as reivindicações da população.

Que se queixem ao bispo...

Resistir é preciso!

Rui Nogueira é Escritor. Autor de Resistir é Preciso – rui.sol@ambr.com.br  

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