sábado, 1 de dezembro de 2012

Eleições - nos EUA e por aqui

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Adriano Benayon

Analistas qualificados dos EUA confirmaram o que sabemos: havia pouca diferença entre os dois candidatos à presidência.

Mais de 90 milhões de eleitores não compareceram, e parcela importante dos que votaram preferiu Romney, mais radical que Obama, em militarismo e desprezo pelos direitos sociais dos estadunidenses e pelos direitos humanos dos povos massacrados pela política imperial.

Ambos estão a serviço da oligarquia financeira, que inclui o complexo industrial militar e as mega-empresas de energia (entre outras) concentradoras de ganhos absurdos e destruidoras do meio-ambiente.

Como assinala Paul Craig Roberts, Obama e Romney posicionam-se a favor do prosseguimento da política intervencionista dos EUA, notadamente no Oriente Médio, e da confrontação militar contra a Rússia e a China.

Nem o “democrata” nem o “republicano” questionam as leis e medidas, instituídas por Bush e pelo próprio Obama, que significaram rasgar a Constituição dos EUA, ao suprimir as garantias do Estado de direito aos alvos da repressão política, estrangeiros e nacionais, inclusive as dezenas de milhões de estadunidenses vítimas da depressão econômica.

Essa é a “democracia” do país que emprega a força militar, bem como a corrupção, sob a direção dos serviços secretos, para intervir em todo o mundo a serviço da oligarquia predadora, acusando os países visados de não ter regime democrático e de desrespeitar os direitos humanos ou o meio-ambiente.

De modo semelhante, embora mais discreto, agem o Reino Unido, outro líder do sistema imperial, e os coadjuvantes, membros da OTAN. Em todos, os bancos e as corporações transnacionais controlam o Estado.

Onze anos de guerras imperiais e políticas econômicas que tudo permitem aos grandes bancos e transferem para eles dezenas de trilhões de dólares, oneraram os EUA com fabulosos déficits orçamentários. Esses – lembra Roberts – resultam em hiperinflação e na perda de posição do dólar como divisa mundial.

Esse privilégio é altamente prejudicial para o Mundo, e todos se beneficiariam com o fim dele. Os próprios EUA, privados do parasitismo, passariam a cuidar de sua infra-estrutura deteriorada e a investir mais produtivamente, em vez de exercerem pressões militares para coagir os países exportadores de petróleo a vendê-lo por dólares e fazer guerras destruidoras contra os que resistem a essa imposição.

No Brasil

Tivemos eleições municipais, nas quais as qualidades de um candidato a prefeito e a nulidade ou perversidade de outro podem fazer diferença. Nas eleições à presidência da República, a probabilidade disso é praticamente inexistente, porque a importância da política federal leva o sistema de poder a afastar candidatos propensos a mudar as coisas.

Dilma é um pouco menos alinhada com o império que os políticos do PSDB. Entretanto, a continuação dela também implica que a situação do Brasil prossiga deteriorando-se.

O mesmo não se dá na Argentina, Equador e Venezuela, países nos quais os atuais mandatários têm dado passos na direção da autonomia nacional, enquanto as oposições são totalmente caudatárias do império.

O Brasil apresenta um dos maiores descompassos do mundo, entre o potencial e o que realiza, porquanto a política econômica é ditada por transnacionais estrangeiras e bancos. Não, pelos interesses nacionais.

O extraordinário potencial do País, notadamente a dotação de recursos naturais, fez com que as potências imperiais atuassem intensamente para inviabilizar o desenvolvimento econômico e social, além de promover a destruição da cultura e da educação.

Nos raros períodos em que o Brasil caminhou para o desenvolvimento, as potências imperiais, EUA à frente, desestabilizaram e derrubaram os governos, como os de Getúlio Vargas em 1945 e em 1954.

Vargas foi extremamente clarividente nas medidas econômicas e chamou gente competentíssima para assessorá-lo. O prosseguimento de suas políticas teria levado o País ao progresso econômico e social. Além disso, conquistou grande apoio popular.

Entretanto, faltou-lhe força de vontade ou de percepção política, ao dar espaço aos agentes de sua desestabilização, promovida pelas potências hegemônicas.

Ele se havia composto com os EUA no contexto da Segunda Guerra Mundial. Não havia como não autorizar as bases norte-americanas no Nordeste, que, do contrário, seria invadido, pois o País carecia de poderio militar, sequer de longe, comparável ao das potências.

Vargas cometeu o erro desnecessário de enviar tropas para combaterem na Itália, fazendo improvisar a Força Expedicionária, que lutou bravamente, mas subordinada a uma divisão dos EUA.

Envolvidos pela interessada “amizade” dos estadunidenses, oficiais brasileiros adotaram a ideologia prevalecente nos EUA. Esses lideraram a facção militar atuante nos golpes de 1945, 1954 e 1964.

Acusado de ditador, Vargas tolerou, mais que devia, os abusos, inclusive ilegais, de opositores, ávidos de poder a qualquer custo, como Carlos Lacerda, grandemente difundidos pela mídia comprada por dinheiro externo.

Além disso, consciente da influência política e econômica dos interesses estrangeiros, pôs no governo, na tentativa de aplacá-los, gente que, como João Neves da Fontoura, contribuiu para desestabilizar o presidente. Permitiu, ademais, que militares nacionalistas fossem alijados, em vez de neutralizar os partidários dos EUA.

As conquistas da Era Vargas começaram a ser destruídas, de 1946 a 1950, com Dutra na presidência. De novo, desde agosto de 1954, teve andamento, não mais interrompido, o favorecimento às empresas transnacionais.

A calamitosa gestão de FHC (1995-2002) concluiu o processo de destruição da Era Vargas, com as escandalosas privatizações e a desestruturação do serviço público.

Antes, em 1985, Sarney, o primeiro presidente civil desde 1964, encontrou enormes dívidas externa e interna, cujos montantes haviam crescido absurdamente com a submissão do País às imposições dos banqueiros mundiais.

Além disso, quase todas as indústrias importantes já estavam sob controle das transnacionais, a nova classe dominante, graças às doações e aos demais subsídios da política econômica.

Isso explica que o poder econômico tenha tido êxito ao sabotar as medidas de Sarney favoráveis à população e que ele se rendesse, entregando o ministério da Fazenda a um elemento da Federação dos Bancos.

Daí, favorecida por uma fraude no texto da Constituição de 1988, a sangria do serviço das dívidas aumentou assustadoramente. Em cima dela e da inflação, o descalabro acentuou-se sob Collor. Sobreveio o interregno inconclusivo de Itamar e a ruína cavada por FHC. Seguiram-se os petistas, conservadores do essencial das políticas desastrosas.

Ainda assim, a mídia entreguista quer a volta do PSDB, por ser mais radical. A mesma mídia que trabalhou para derrubar Getúlio Vargas, reforçada, desde 1968, pela VEJA.

Adriano Benayon é doutor em Economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

10 comentários:

PiToquio disse...

Este cidadão e um IDIOTA, vermelho de alto coturno, gostaria de debater com este demente.

Anônimo disse...

Este blog é realmente interessante: tem de tudo, de fofocas a "dotôres" petralhas querendo dar uma de "intelequituais". O artigo em tela é típico de esquerdopatas, pois recheado de citações aleatórias que não passam de meras especulações. Que há imperialistas todos sabemos, pois sempre os houve na história da humanidade. Quem não gostaria de ver o Brasil como uma potência imperialista? Infelizmente não a somos, talvez, por incompetência de nossos governantes. Risível mesma é a citação, no artigo, de Argentina, Venezuela e Equador como países que estão no caminho certo. Porque o "dotô" não vai morar numa desses países já quase destruídos pela loucura socialista? Ora, temos mais o que fazer...

Anônimo disse...

FA JA

Ronaldo disse...

Patriotismo e nacionalismo não tem nada a ver com ideologias.

O Brasil precisa de mais patriotas venham da direita ou da esquerda.

Abaixo o ridículo dos extremistas de direita e de esquerda.

Parabéns ao doutor em economia Adriano Benayon pelo seu nacionalismo.

Anônimo disse...

parabenizo o blog por dar espaço para os comunistas dizerem o que pensam, já que é impossivel para nós conservadores dizer o que pensamos nos blogs deles. e viva a republica.

Anônimo disse...

Ah, o Olavo de Carvalho para ler essa aberração.

Além disso, o obama está falindo as modernas usinas de energia à base de carvão.

Império? Só se for o comando internacional que criou todas as revoluções e a política canalhocrata do Brasil.

Anônimo disse...

Agora qualquer papagaio da esquerda é chamado de "doutor."

Skorpio disse...

"A calamitosa gestão de FHC (1995-2002) concluiu o processo de destruição da Era Vargas, com as escandalosas privatizações e a desestruturação do serviço público."
Que absurdo!
O sujeito se forma, pega um diploma e sai por aí dizendo besteira e sendo chamado de doutor.
Jamais gostei do FHC, o Lula com diploma. O PSDB é chamado de PT "light". Foi FHC que nos deixou Bolsas Ditadura, Bolsas Miséria, O Paulo Vanuchi e outros merdas que infestam o país. Foi FHC que criu essa excrescência chamada Ministério da Defesa (Não nos esqueçamos que esse nanico Celso Amorim foi também ministro de FHC). Contudo, não podemos negar que o Plano Real foi sim um sucesso, algo digno de Prêmio Nobel de economia. Só par o "dotê" saber, antes do Plano Real, na minha cidade existiu um doleiro que investia em linhas telefônicas. Tinha centenas delas. Será que o "dotô" se lembra? Eu mesmo tinha que declarar minha linha telefônica à Receita Federal. Sejamos racionais, endeusar Getúlio Vargas? Tenha a santa paciência. Ter que ler uma droga dessas?

Skorpio disse...

"A calamitosa gestão de FHC (1995-2002) concluiu o processo de destruição da Era Vargas, com as escandalosas privatizações e a desestruturação do serviço público."
Que absurdo!
O sujeito se forma, pega um diploma e sai por aí dizendo besteira e sendo chamado de doutor.
Jamais gostei do FHC, o Lula com diploma. O PSDB é chamado de PT "light". Foi FHC que nos deixou Bolsas Ditadura, Bolsas Miséria, O Paulo Vanuchi e outros merdas que infestam o país. Foi FHC que criu essa excrescência chamada Ministério da Defesa (Não nos esqueçamos que esse nanico Celso Amorim foi também ministro de FHC). Contudo, não podemos negar que o Plano Real foi sim um sucesso, algo digno de Prêmio Nobel de economia. Só par o "dotê" saber, antes do Plano Real, na minha cidade existiu um doleiro que investia em linhas telefônicas. Tinha centenas delas. Será que o "dotô" se lembra? Eu mesmo tinha que declarar minha linha telefônica à Receita Federal. Sejamos racionais, endeusar Getúlio Vargas? Tenha a santa paciência. Ter que ler uma droga dessas?

Anônimo disse...

Algo nos aglutina, a nosso contragosto. Seria uma força atrativa que nos puxa em direção ao Brasil suprapartidário, ao BraSil dos brasileiros? Sou um expectador cético do IMPONDERÁVEL - que parece ser indiferente ao nauseabundo... Podemos imaginar o asco que um conservador sente diante de um socialista e vice-versa. Todavia, somos milhões enojados de todos os partidos, de todos os blábláblás ideológicos, estamos cansados de todo Jugo. Do jugo da dívida, do jugo do desperdício - da empulhação sem fim.
Apenas o suposto IMPONDERÁVEL nos faz suportar a todos.
Praças, ruas e vielas: UNI-VOS!