sábado, 20 de abril de 2013

Ainda o comparecimento do Cel Correia Lima à CNV


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Chagas

É muito bom poder, ainda, praticar o contraditório e a liberdade de expressar pensamentos, ideias e posições sobre assuntos do nosso interesse.

Após expor minha opinião/sugestão feita ao Cel Correia Lima, que, diga-se de passagem, segundo soube, compareceu à audiência na CNV, recebi vários e-mail de amigos que concordam e que discordam da minha posição.

Entre os argumentos discordantes, destaco a falta de garantia de que as declarações dos militares serão aproveitadas e divulgadas na íntegra ou em parte, ou se o que for dito será considerado verdadeiramente, ou, ainda, que devemos usar o nosso direito de ficar calados.

Considero que todas estas e outras ponderações e receios são válidos e ensejam cuidados que podem e devem ser tomados para garantir a fidelidade e a publicidade do que for dito e, o que for dito, pode e deve, previamente, passar pelo crivo do bom senso e do direito de não produzir provas ou suspeitas contra os depoentes.

Preparar-se para ir à luta é uma atitude óbvia e profissional dos soldados que, na ação, devem deixar de lado quaisquer demonstrações de ódio ou ressentimento e responder focados no que interessa para a preservação da verdade, enfatizando que a luta foi travada contra os que, pela força das armas e do terror, queriam implantar uma ditadura comunista no País e não contra "jovens estudantes lutando por democracia".

As deturpações das declarações serão evitadas pela simples gravação em vídeo, o que pode ser feito, ostensivamente, por qualquer acompanhante indicado pelo convocado. Esta providência inibirá a deturpação das declarações e, ainda, se for o caso, provará a desonestidade da CNV quando da publicação do relatório.

Independente destes cuidados ou de outros, ou de nenhum, se não tomarmos parte no processo não haverá nenhuma possibilidade de que alguma verdade seja dita e registrada, além do que, será, para a sociedade, uma forma de confissão de culpa ou de falta de argumentos para desmentir ou rebater as acusações.

Como expressei na mensagem ao Cel Correia Lima, há muito a ser dito, desmentido e justificado!

O risco é inerente à nossa profissão! Temos que aceitá-lo, porque, há muito, ouvimos e sabemos que "mais vale a lagrima da derrota, do que a vergonha de não ter lutado". Se assim não fosse, o Tenente Antônio João Ribeiro e seus 14 comandados teriam entregado, sem luta, a Colônia Militar dos Dourados ao invasor paraguaio, entre outros exemplos a serem seguidos.

Que a firmeza e a convicção do Cel Correia Lima, ao responder ao chamamento da sua consciência cívica, oriente a conduta dos que o seguirem, como, em Itororó, fizeram os brasileiros!

Fraterno abraço a todos, que vença a verdade e que viva, para sempre, no Brasil a liberdade de discordar, pensar e opinar!

Paulo Chagas é General na Reserva Ativa.

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