quarta-feira, 24 de abril de 2013

As alegrias de um aposentado


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por João Baptista Herkenhoff

Algumas pessoas celebram a aposentadoria. Outras a recebem com um certo sofrimento. De minha parte tive um sentimento de vazio quando me aposentei.
Juiz aposentado, professor aposentado? Isto não é profissão. A condição de aposentado não desmerece ninguém.  Contudo não define uma profissão.

Certo dia veio a inspiração e eu me autodefini: sou um Professor itinerante. E é isso que tenho feito. Ministro seminários e profiro palestras Brasil afora.
Se o aposentado sentir-se feliz, sorvendo simplesmente a aposentadoria, essa atitude não merece qualquer reparo. Ele fez jus ao que se chama ócio com dignidade (otium cum dignitate).

O pedagogo tcheco Comenius ensina:

“No ócio, paramos para pensar. Paramos externamente para correr no labirinto do autoconhecimento. Não se trata de perder o tempo, mas de penetrar no tempo para mergulhar no essencial.”
Se quem se aposentou deve desfrutar da aposentadoria serenamente, numa situação inversa a aposentadoria não tem de marcar, obrigatoriamente, um encerramento de atividades.

O aposentado tem experiência e pode transmitir experiência, o que resulta num benefício para a sociedade.

Triste é constatar que, em algumas situações, a aposentadoria é insuficiente para os gastos da pessoa e de sua família obrigando o aposentado a trabalhar para complementar o parco benefício que lhe é pago. Nestas hipóteses, estamos diante de um grande desrespeito à dignidade da pessoa humana.

Se alguma diferença devesse ser estabelecida entre ativos e inativos seria para aquinhoar com favorecimento os inativos, uma vez que a idade provecta cria gastos com saúde que normalmente não alcançam os servidores mais jovens.
No meu caso não continuei trabalhando para suplementar renda, mas sim para atender um apelo existencial.

Gosto de viajar, alegra-me conhecer lugares e pessoas, minha mulher também gosta e aí vamos nós desbravando o Brasil.

João Baptista Herkenhoff, 76 anos, é Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo. Acaba de publicar Encontro do Direito com a Poesia – crônicas e escritos leves (Editora GZ, Rio de Janeiro). Homepage: www.jbherkenhoff.com.br - E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br

Um comentário:

Marcio Cardozo disse...

Pode ser que ao aposentado esteja destinado o ócio. Mas o pior é que estou querendo me aposentar e não consigo. Quando faltavam 6 meses para eu conseguir a minha aposentadoria, vieram dois cabras sem-vergonha (FHC/LULA) com a tal reforma da previdência , principalmente a EC41(Lula) e me infligiram mais 9 anos de trabalho. Até hoje não posso acreditar. A minha vida enrolou. Planejei tudo certinho e sofri um esbulho! A EC41 tem que ser somente para aqueles que entraram no Serviço Público após a data de sua publicação. Alguém poderoso vai ouvir e corrigir este escândalo. A EC41 não pode retroagir para prejudicar.