quarta-feira, 19 de junho de 2013

Analfacopa e o Pacto de Favores

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Fabrizio Albuja

Todo mundo já passou por uma situação em que gastou dinheiro à toa em alguma coisa que, no fim das contas, não tem utilidade nenhuma.

Esses canais de televisão que vendem aquelas bugigangas fantásticas que fazem tudo em poucos segundos e no fim das contas dá tanto trabalho para a preparação do evento que fazer as coisas à moda antiga é mais prático.

Uma dos exemplos muito comuns é a tal da bicicleta ergométrica. É vendida como esperança de emagrecimento, melhoria do condicionamento físico, qualidade de vida e no fim o legado é a diminuição da calça jeans na cintura.

No começo são horas de tortura e suor gastando os pedais e fazendo a pessoa se sentir um atleta profissional peso pesado. Logo após, a rotina se transforma em obrigação moral e em seguida uma chatice.

Com o tempo, a bicicleta ergométrica passa a ocupar espaço no meio da sala, vira mancebo para pendurar roupas, perde a sua função e na primeira oportunidade ela some mediante um simples anúncio de internet. O investimento passou a ser um grande arrependimento, além de jogar dinheiro fora.

Pois bem, guardadas as devidas proporções, a Copa do Mundo se transformou na nossa bicicleta ergométrica de 28 bilhões de reais. No começo é empolgação, propaganda e até certo ganho imediato, mas após isso, o tal legado vai trazer apenas construções inúteis que ocupam espaço e somente os “corretores” desses imóveis saíram ganhando.

No lugar da bicicleta poderia ter comprado um livro... Imagina investir 28 bilhões em educação?

Pacto de favores

Num país de terceiro mundo, a maioria das pessoas não tem interesse algum pela política. Principalmente porque a política não se faz interessante, já que para entender o significado real de política há que simplifica-la ao máximo e não há cultura suficiente para tal.

Criada na Grécia Antiga, política no fim das contas é troca de favores. E favor não tem valor exato, inflaciona, nunca equilibra, é subjetivo, possui variáveis, é incrédulo, falso, dinâmico e emocionalmente chantagista.

Assim, o Governo atual chegou ao poder mediante a troca de favores. Quem o garantiu foram as empresas automobilísticas nas quais ele teve seu casulo gerado. Em seguida evoluiu como um tumor e no fim se transformou numa bela estrela vermelha. Que coincidência, nunca se vendeu tanto carro neste país.

Para isto foi necessário um novo favor, a abertura do crédito. A tal melhoria na economia é uma falsa ideia de elevação das classes sociais. As classes C e D têm a oportunidade de algumas regalias das classes A e B, mediante um pacto com o diabo ou, melhor dizendo, o pagamento parcelado.

Assim foram gerados esquemas oficiais de agiotagem que vivem em base da amarração dos juros e do tal rotativo, desta forma, novos favores apareceram. Foi então que a derrocada da lógica da ideia do significado de política dá lugar ao “rabo preso”. Chamamos isso de corrupção.

Se o crédito é facilitado para supérfluos, também deve ser para conhecimento, para tecnologia, para informação. O grande erro estratégico da estrela vermelha foi justamente subestimar as variáveis nas quais, por mais chata e desinteressante que seja a politicagem, as pessoas estão tendo acesso a esse tipo de informação, cada vez mais.

Não deixaremos de ser um país de terceiro mundo por conta dos atos revolucionários, mas quem sabe essa educação autodidata da taxionomia da política nacional gere uma ação quimioterápica na administração pública.

Fabrizio Albuja é Jornalista e Professor Universitário.

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