quinta-feira, 20 de junho de 2013

O Príncípio do Fim

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luís Mauro Ferreira Gomes

Há muito tempo, alertamos nossos leitores de que caminhamos para uma ditadura de esquerda, sem possibilidade de saída institucional. Esse fatalismo se deve a que o grupo que se apoderou do poder conseguiu desmoralizar e submeter, pela cooptação, pela coação ou pelo suborno, todas as instituições que poderiam e deveriam inibir a trajetória criminosa que nos pretendem impor. Se alguém duvida dessas intenções, basta uma pesquisa nos “sites” do partido do governo e das instituições que o apoiam, para ver que querem, sim, consolidar o regime ditatorial com qual sonham desde muito antes de 1935.

É nesse contexto que se insere o ataque furioso às Forças Armadas, única instituição que consideram ainda poder abortar tal projeto, já em tão avançado estado de gestação. Tornou-se indispensável mantê-las acuadas, desprestigiadas, preocupadas apenas com a própria sobrevivência, incapazes atender aos apelos da Nação, se ou quando viessem a acontecer.

Também, dissemos que a alternativa para esse cenário seria um regime autoritário em oposição à ditadura sinistra, porque o grupo radical dominante não aceitaria ser apeado do poder em nenhuma das duas condições em que isso poderia ocorrer: deposição, caso o governo perdesse o controle sobre o Estado, ou derrota eleitoral pelo agravamento da crise político-econômica. Em qualquer das hipóteses, alegariam ser vítimas de golpe de estado e convulsionariam o País de tal modo, interna e externamente, que os sucessores teriam de munir-se de poderes discricionários para garantir a governabilidade.

Muitos poderiam pensar que seria muito difícil o governo brasileiro perder o controle sobre o Estado ou ser derrotado em eleições, em virtude da estrutura que criou, cujos tentáculos se infiltram por todas as Instituições e as controlam. Contestamos, em artigo, que, embora fosse impossível prever quando, isso fatalmente ocorreria mais cedo ou mais tarde, e que esperávamos viver para vê-lo. 

É verdade, os políticos abusam, e o povo parece aceitar a inevitabilidade do poder avassalador do Estado, posto à disposição da minoria dominante. Esses abusos se sucedem incontáveis vezes, da mesma forma, sem que nada, visivelmente, aconteça. Não obstante, sem aviso prévio, o mesmo povo parece que se cansa das exorbitâncias e, subitamente, vira as costas para aquelas “autoridades” que, até então, parecia apoiar.

Como exemplos, usamos a Revolução Democrática de 31 de Março, a Redentora, que salvou o Brasil da ditadura comunista, e que, quem diria, é, hoje, satanizada e chamada de ditadura militar pelos mesmos terroristas que derrotou, e o presidente Collor, que tantas vezes apelou, com sucesso, aos seus “descamisados”, e viu-se abandonado, inesperadamente, quando, mais uma vez, pediu que usassem fitas verde-amarelas, como aprovação, e todos o repudiaram com fitas pretas. Quem poderia ter previsto esses desfechos?

Ainda estamos vivo e já vemos o Brasil dominado por manifestações de Norte a Sul e de Leste a Oeste, além das muitas ocorridas no exterior.

Um movimento desse porte dificilmente surgiria espontaneamente. É provável que tenha sido iniciado por organizações ou grupos adversos, nacionais ou estrangeiros, interessados em favorecer seus objetivos, contudo, parece que a criação atropelou o criador. Tornando-se autônoma, independente, passou a traduzir toda a frustração do povo brasileiro e fez coro com as estrondosas vaias dedicadas à presidente da República, no Estádio Mané Garrincha.

É o que dá corromper, desviar recursos públicos, ostentar e esbanjar, praticar “caridade” com o dinheiro alheio, desprestigiar e hostilizar os militares, constrangê-los ilegalmente com a comissão dita da verdade, comprar votos com “bolsa-isso” e “bolsa-aquilo”, enquanto esquece o povo e deixa de governar.

Há, portanto, um fortíssimo movimento pré-revolucionário, cujos resultados são imprevisíveis. Podem colocar-nos, novamente, no bom caminho, ou contribuir com o pretexto que falta para a consolidação final da ditadura no País, pelas mãos do próprio governo. Cabe às forças vivas da Nação, como as chamava um Presidente já falecido, apoiar o movimento e o conduzir para salvação, evitando o desastre certo, se viesse a ser controlado por ideologias radicais e sectárias.

E temos pouco tempo. É gigantesca capacidade de recuperação que têm, pois controlam os meios de comunicação, os institutos de pesquisa, e têm militantes infiltrados em todas as instituições, controlando-as, também. Além disso, vampiros já tentam reviver com o sangue do movimento. Quem viu o programa político do PMN e as inserções do PSB percebeu que tentam apresentar-se como porta-vozes das reivindicações difusas da maioria dos manifestantes. Por outro lado, alguns prefeitos apressaram-se em baixar alguns centavos nas passagens dos transportes urbanos, mostrando total falta de compreensão da gravidade da situação. E a presidente da república, rapidamente, reuniu-se com seu mentor e com seu marqueteiro, para preparar-se para o patético discurso eleitoreiro. “O Brasil saiu mais forte!”

Quem te viu, quem te vê...

A vocação ditatorial dos governantes, porém já se tornara evidente, pela forma violenta como foram reprimidas as manifestações, logo no início. Somente depois que elas cresceram e se tornaram incontroláveis, desistiram da repressão, que talvez precipitasse o fim do atual regime político, para encarar o movimento como “democrático”, e inibir a ação policial. As repressões mais violentas ocorreram no Rio Grande do sul, Estado cujo governo tem patrocinado os “escrachos”, assédio moral e violência de toda ordem contra militares idosos, que não têm nem os seus direitos fundamentais garantidos pelo Estado.

É impossível deixar de perceber as semelhanças do quadro atual com o que antecedeu a Revolução de 31 de Março: degradação dos serviços públicos, corrupção generalizada, caos político, subversão dos valores mais caros da Nação, falência das Instituições, sucessão de greves, desrespeito às Leis, à Constituição, à propriedade privada, e o povo nas ruas, bradando contra tudo isso, que acontece com o apoio do governo. 

Diferente, apenas, alguns focos isolados de violência, provavelmente, provocados por militantes radicais de esquerda, infiltrados para desacreditar os manifestantes. Em 1964 e nos anos que se seguiram, também foram eles que praticaram as violências de que, hoje, acusam os militares. É bom que experimentem um pouco do próprio terrorismo.

Lembramos, em vários artigos, a necessidade de estarmos preparados para o dia em que a Nação se revoltasse contra o governo. Infelizmente, penso que não estamos, ainda, mas precisamos começarmos a participar do jogo imediatamente.
Aceitar riscos é inerente à profissão do Militar.

O primeiro passo é esquecermos todas as bobagens ideológicas com que nos lavaram os cérebros e passarmos a interpretarmos os fatos como eles realmente são.
Sem isso, continuaremos omissos e seremos derrotados independentemente de quem venha a vencer a revolução que está em curso, nesta reedição da luta do bem contra o mal.


Luís Mauro Ferreira Gomes é Coronel-Aviador reformado.

4 comentários:

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

Em todo e qualquer movimento social que envolva multidões ou grandes grupos, onde estejam conflitos, sempre, repito, sempre acontecem exageros, desvios de conduta, agressões, saques e até estupros.

Acontece assim agora nas manifestações populares que não contam nem ao menos com um comandante, uma chefia; iniciou com uma bandeira mas agora evolui para outras, pois nossa Nação está insatisfeita e descontente com os rumos imprimidos por sucessivos governos civis, sem exceção. Verdade é que até agora, felizmente, não aconteceram casos de violência sexual.

E a maioria dos senhores que vem até aqui, inclusive outros da mídia como Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Jorge Serrão, Olavo de Carvalho e uma penca mais de jornalistas estão a descer o sarrafo nos manifestantes, chamando-os de "nóias, vândalos, inimigos da nação, desocupados, etc.etc.”, mencionando e apontando insistentemente principalmente as depredações e outros atos reprováveis, dando pouca ênfase no lado positivo que são as palavras de ordem, cartazes e pronunciamentos contra a corrupção, impunidade, etc.etc.

Todos os mencionados acima utilizam dois pesos e duas medidas; uma medida e um peso para as recentes manifestações, e outro peso e outra medida para alguns acontecimentos que se deram durante os governos militares que principiaram em 1964. Claro, como era inevitável nos conflitos que se deram durante os governos militares aconteceram atos condenáveis, desvios de conduta, exageros não só sob a ótica atual, mas também baixo a ótica daqueles tempos, mas que foram tolerados sem um mínimo de reproche da sociedade; aliás, ainda sem condenações pela maioria dos senhores e senhoras.

E agora os “guardiões da sociedade, guardiões da boa moral, guardiões da fé religiosa” mencionados acima não hesitam um instante em repudiar as manifestações populares em pauta, utilizando como desculpa os reprováveis atos de exceção de parte dos manifestantes.

De minha parte, considero que alguns acontecimentos que se deram durante os governos militares devam ser relegados ao esquecimento, pois durante conflitos erros são inevitáveis devido à condição humana, e que devemos sim buscar pontuar o lado positivo daquele movimento que iniciou em 1964, olhar o lado bom. Mas também agora ao observarmos os movimentos populares, precisamos olhar o lado bom deles e apoiá-los no que de bom se faça.

Pararam um momento para pensar se os generais de ‘costas brancas’, respeitáveis militares da reserva, saíssem às ruas e formassem um cordão entrelaçando os braços e à frente dos manifestantes com cartazes e tudo, cantassem em altos brados o repúdio à corrupção, impunidade e destruição de nossa Nação? Pensaram por um momento que fosse mostrar publicamente a justa indignação que sentem?

Sugiro que parem de atirar nos próprios pés, e que passem a raciocinar com bom senso.

MARCELO VICTOR disse...

Uma reforma política urgente parece ser a melhor forma de combater o terrível mal de termos ignorantes, guerrilheiros e quadrilheiros no poder da nossa nação.

Creio que uma boa solução seria destacar um funcionário público de carreira, do nível Diretor/Presidente/Comandante, de cada órgão central da administração pública brasileira para compor o Congresso Nacional por 4 anos ou mais.
As vantagens são muitas:
1 - Tais pessoas já conhecem a administração pública (diversamente da maioria dos políticos);
2- Elas já residem em Brasília (diversamente dos políticos);
3 - Elas continuariam recebendo o mesmo salário com algum pró-labore (diversamente dos políticos);
4 – Elas podem debater os projetos de lei com conhecimento de causa (diversamente dos políticos);
5 – Tratam-se de brasileiros que estudaram e foram aprovados em concursos públicos (diversamente dos políticos);
6 - Trariam significativa economia para a nação, pois são em menor número do que a verdadeira ilha da fantasia que se transformou o Congresso (mais de 500 deputados e mais de 80 senadores);
7 – Não há qualquer prejuízo para a democracia, pois são gente oriunda do povo e de todos os Estados do Brasil;
8 – Dar-se-ia um fim na eleição de pessoas patrocinadas por empresas nacionais e estrangeiras, as quais são postas no Congresso unicamente para defender os interesses dessas corporações;
9 – Eliminar-se-iam os risco de criminosos, patrocinados pelo crime organizado, FARC e outros organismos nefastos, ascenderem ao poder, criando leis para defende-los.

Imaginem só termos pessoas capacitadas para elaborar nossas leis e nos representar em qualquer parte do mundo.
Pessoas que passaram pelos diversos filtros institucionais ao longo de suas carreiras e que galgaram os postos mais altos de suas instituições por mérito.

Eu me refiro a instituições como: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, os diversos Tribunais Superiores, TCU, Banco Central, Polícia Federal, FFAA, Ministérios, Secretarias, Agências Nacionais, Receita Federal, entre outros órgãos.

Poderia fazer parte ainda um membro da Confederação das Indústrias e do Comércio, e um representante religioso de um órgão central.

No caso da Presidência da República, a fórmula seria a mesma , ou seja, um Diretor/Presidente/Comandante, desses mesmos órgãos, de forma rotativa, seria destacado, para ser o legítimo representante da Nação.

Abaixo a IGNORÂNCIA e os fins POLÍTICO-ELEITOEIROS.

Anônimo disse...

Parabéns, Cel. Ferreira Gomes.
Texto preciso. Visão clara. Redação impecável.
.
Já não suporto mais ter de trabalhar cinco meses a cada ano para sustentar esse governo corrupto, hipócrita.
Já não suporto mais esse assistencialismo governamental improdutivo, gerador de dependência e castrador da emancipação e do crescimento individual e coletivo.
Já não suporto mais esse populismo traiçoeiro de uma besta quadrada de nove dedos e língua presa, esse sujeito nefasto e nefando, ludibriador dos menos esclarecidos e sustentador dos parasitas aboletados no comodismo do bordão: "Hay gubierno? Tô dentro!".
Que raio de país é este em que a impunidade campeia livremente, a corrupção é apanágio da classe política e o jogo imundo de interesses sórdidos é colocado acima do bem-estar social?
O Brasil desperta! O gigante acordou!
Começa uma nova revolução! Uma revolução, espero, conducente à materialização do espírito da bandeira brasileira: Ordem e Progresso.
É por essa luta que eu também estou nas ruas, participando das manifestações firmes, de caráter pacífico, mas jamais passivo.
Por um Brasil limpo, arejado. Digno e sério.

Zé Bastos disse...

O Sr. Marcelo Victor escreveu e escreveu muito bem! Concordo plenamente com a frase "Abaixo a IGNORÂNCIA e os fins POLÍTICO-ELEITOEIROS". O sistema politico e eleitoral tem que sofrer uma grande remodelação para que se possa pensar em eliminar o elemento corruptivo das mais diversas instituições deste País. Os Prefeitos das mais diversas cidades mandam e desmandam como querem e entendem, sómente se preocupando com seus bolsos e suas barrigas.

Por um Brasil Sériamente Democrático.