segunda-feira, 31 de março de 2014

Lição Pós-1964: será que aprendemos?


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

O julgamento histórico costuma ser muito simplório, quando é feito na base da “torcida” ideológica. A visão comuno-socialista – que opera segundo cartilhas autoritárias - os rotula de ditadores e torturadores. A visão do outro extremo – mesmo sem entender direito como a banda da História toca – os conclama como heróis que precisam sempre estar prontos a intervir para salvar o Brasil.

Por falta de uma análise historicamente equilibrada - sem rótulos de mocinhos, monstros e bandidos -, continuamos sem gerar aprendizado de tudo que aconteceu antes, durante e depois dos 50 anos do movimento civil-militar – que tem a data simbólica de 31 de março de 1964 como marco histórico – que acaba celebrado ou odiado, sem jamais ser corretamente entendido.

O Brasil é uma rica colônia de exploração que se deixa manter subdesenvolvida e submetida aos interesses de uma Oligarquia Financeira Transnacional. Sempre fomos periferia e não demonstramos vocação para metrópole. Não conseguimos formular um Projeto para o Brasil se tornar, de fato, um País Civilizado, Desenvolvido, Justo, Ordeiro Progressista e comprometido com valores humanos e democráticos.

O Brasil é um País tão sem soberania e independência que não tem Forças Armadas em condições reais de cumprir seu papel fundamental: ter poder de dissuasão. O globalitarismo, que usa e abusa do extremismo ideológico para impedir a união nacional, aposta na desmoralização da expressão nacional do Poder Militar. A sociedade brasileira – formada majoritariamente por ignorantes – não entende a verdadeira importância essencial das Forças Armadas.

O Brasil é Capimunista. Misturamos práticas do capitalismo com ações socialistas ou comunistas. Somos submetidos a um regime de Estado de Direito, cinicamente democrático, que tenta intervir em tudo e em todos, através de um confuso aparato pseudolegal, que varia entre o autoritarismo e o totalitarismo, dependendo das conveniências dos grupos políticos que detêm a hegemonia dos conflituosos e desequilibrados poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Os desgovernos dos últimos 100 anos não avançam. Especializaram-se em repetir erros históricos primários. Por isso, sempre variamos entre pouco ou mais autoritarismo, mas sempre com o discurso de uma democracia (segurança do Direito, com exercício da razão pública) – que nunca existiu. Aliás, nossa República (obra dos militares) ainda não foi implantada... E, para piorar, estamos submetidos ao “império” da governança do crime organizado...

O desgoverno brasileiro é uma carranca do caos institucional. O grupo hegemônico é o mesmo de sempre. A variação é apenas na rotulagem ideologia do purgante. Os políticos, sempre os mesmos, trabalham para seus interesses pessoais ou cumprem a função de agentes conscientes do poderio econômico transnacional que sempre nos governou de fato. Não conseguem e nem querem ter uma visão nacional para desenvolver, de fato, o Brasil. Preferem apenas usar e abusar do Estado Capimunista a seu bel prazer e deleite.

Tudo ficou ainda pior porque os militares (garantidores da soberania) foram transformados em uma “guarda nacional”, com verbas contidas, escalados para ações humanitárias de emergência ou para agirem como “força policial auxiliar” na tal GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Aqueles que foram “interventores” em 1964 e em outras datas atrás agora operam como “guardas de esquina” - PMs de um falido Capimunismo gerador de desigualdade, vagabundagem, ignorância, extremismos e violência.

A farda se transformou em fardo. Alguns, ainda milagrosamente idealistas, acreditam e entendem o verdadeiro papel das forças armadas. Outros preferem se comportar como meros funcionários públicos fardados, seguindo uma carreira pública com salário e promoções que parecem seguras, até se transformarem em aposentados guerreiros da reserva – ou da reforma, por tempo ou invalidez. Na ativa, uns ainda tem a coragem e honra de um samurai. Outros preferem o pragmatismo das gueixas.

O Brasil vive o momento mais ridículo e vergonhoso de sua história republicana. Antes e após 1964, os militares, em parceria com civis, cometeram grandes erros e acertos. Seu grande pecado foi não terem entendido como os verdadeiros inimigos do Brasil operam. As legiões se focaram no combate aos agentes conscientes e ideológicos do inimigo, mas não perceberam que o inimigo lhes destruía e desgastava pelas beiradas, investindo no autoritarismo e na corrupção institucional. Os generais-presidentes foram saídos do poder pela garagem do Palácio do Planalto.

Curiosamente, como último ato, os militares tiveram de garantir a posse da vanguarda do atraso na Presidência da República. Ela continua no poder, com variações ainda mais dantescas. Basta olhar para o legítimo filhote da tal ditadura capimunista. O monstrinho concebido pelo padrastro-general Golbery do Couto e Silva no meio sindical foi alçado ao poder e, desde então, tenta comandar, por trás, as ações daquela que posou, um dia, de guerrilheira para implantar o comunismo no Brasil, mas foi parcialmente derrotada pelos militares. Agora, posando de vencedora, sacaneia os milicos sempre que pode.

O Brasil tem solução. Basta tirarmos, primeiro, os lixos do poder. A vasoura precisa ter Legitimidade e Ordem, para viabilizar a Paz Social, o Progresso e a Democracia – utopias a serem perseguidas. O problema começa a ser resolvido por cada cidadão – a partir dos próprios indivíduos e de seu lar. Só o amor à família, instituição onde começa a Pátria, permitirá que avancemos. Sem ordem e legitimidade não há progresso – só desrespeito, violência e barbárie. Sem a valorização da base familiar não teremos Pátria.

Por isso, o grande investimento que cada um precisa fazer, de imediato, é na Educação. Sem ela, não há civismo possível e nem patriotismo viável. O esforço educacional, a partir do ambiente familiar, vai nos devolver a auto-estima, a vontade de produzir e a força para empreender. O capital necessário para isto o Brasil tem de sobra. Basta ser canalizado para a solução correta.

O projeto urgente é derrotar o PT e seus aliados na vanguarda do atraso. Este esforço começa em cada cidadão de bem e sua família para ter hegemonia na sociedade. Que cada um faça sua parte, do jeito que puder e com as ferramentas que tiver. Temos de superar o Capimunismo até aboli-lo no Brasil. Vamos estudar, trabalhar, gerar renda, investir, fazer parcerias com outras pessoas de Bem e progredir.

Governar (algo ou a si mesmo) é uma arte. A governança (pessoal ou corporativa) depende de alguns princípios fundamentais: Vontade Política, Visão Humanista, Ética, Transparência, Equidade, Justiça, Legalidade, Responsabilidade, Prestação de Contas, Qualidade e Verdade. A obra não é fácil. Mas precisa ser tocada com competência, eficiência e senso prático de realidade.

1964 ensinou direitinho. Não precisamos de déspotas – fardados ou travestidos de pretensos democratas civis. É preciso que cada um cumpra o seu dever, e pare de se acomodar, jogando apenas a culpa nos outros.

Acredite em você, na sua família, nos seus amigos, nos seus parceiros e vá em frente. Faça. Acerte. Se errar, tente de novo, até acertar. Nossa contrarrevolução para tirar do poder as vanguardas do atraso precisa começar imediatamente. Cumpra o seu dever!

Viva a Liberdade. Não às censuras, repressões e totalitarismos políticos, econômicos e psicossociais. Superemos as ilusões ideológicas de torcida organizada, e vamos cuidar da organização pessoal. Se cada um não cuidar de si e da família, o Brasil não evolui para melhor. Mude e melhore você, primeiro. Depois, cobre isto dos ignorantes. O seu sucesso é a derrota dos idiotas, canalhas e ladrões.

Seja seu herói. Tenha fibra e vença!

Basta!


 Fora!


Bomba no Congresso


Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 31 de Março de 2014.

31 de Março de 64


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Aileda de Mattos Oliveira

Não, as águas de março não fecharam o verão de 64.
Foi a Contrarrevolução que cerrou o mês para um balanço geral e avaliar as condições de governança, após os abalos causados pelos sectários de Moscou, não só à Instituição Militar, mas a toda organização estrutural do Estado.
O Movimento Militar de 31 de Março de 64 consolidou-se nestes cinquenta anos, tornando-se efeméride substantiva na história contemporânea brasileira, integrada ao ritualismo castrense e, por essa razão, imune a qualquer apagamento temporal, por já estar inscrita nos anais dos atos humanos, em favor do respeito e da lei, portanto, sacralizada.
Os fatos históricos são indeléveis e se mitificam pelos anos afora por todos que reconhecem, na sua concretização, atitudes únicas, inevitáveis, de líderes que surgiram em momentos cruciais de salvaguarda da Nação.
Por essa razão, as efemérides fazem parte de outra realidade, imperceptível aos medíocres donos do poder, que se mantêm cativos à ideia fixa e negativa de corrupção das almas pequenas.
Por defender-se a coerência e a postura cívica, não se reconhece na presidente, cujo passado, ideologicamente, relaciona-se aos fatos que ocasionaram a Contrarrevolução e que a denuncia como autora de ações que ofenderam a integridade nacional e a de inocentes pessoas físicas, nenhuma autoridade para invadir o recinto militar, e contaminá-lo com as suas idiossincrasias.
Repete-se: não se reconhece nela autoridade para determinar aos Comandantes das Forças que impeçam os seus subordinados de praticarem o ritual simbólico, intrínseco ao reduto militar, levando-os a profanarem a data que solenemente revive, no tempo, os momentos em que civis e militares se irmanaram para manter a ordem, regulamento de conduta inscrita na própria Bandeira, à qual juraram defender.
Se o revisionismo comunista tem em mira à retirada desta efeméride incômoda do calendário militar, por relembrar mais um fracasso das estratégias vermelhas da tomada do poder, apenas cumpre uma norma de sua democracia de fachada, na qual a unilateralidade é parágrafo único e absoluto.
O que não se pode acalentar nos braços da lealdade à Nação, por total incoerência, é a leniência de Comandantes que se sujeitam a despir-se de sua dignidade para se deixarem apascentar no redil da pastora Dilma. Omissão é um ato de traição à Pátria, que juraram defendê-la em quaisquer circunstâncias, e morrer por ela se preciso for. Mentirosos! Juraram em falso! Juraram em vão! A ela se igualam!
A História registrará o silêncio de todos que, pelo perjúrio, renunciaram ao seu dever de se oporem às arbitrariedades de quem alimenta os cofres de outras nações, politicamente contrárias aos interesses do Brasil, à custa, justo, do tributo do contribuinte brasileiro.
Não se esquecerá, também, de que, dóceis, fingem que não veem a sua pastora alimentar os lobos para, em breve, saciar-lhes a fome despótica com eles próprios, ovelhas, e comemorarem, pastora e lobos, a sórdida trama urdida contra a soberania do país.
Na página final desse lamentoso capítulo, relativo aos nomes dos que seguiram as trêmulas e obedientes palavras de recuo, ler-se-á um terrível adjetivo acusador: cúmplices.
Este é um dia de júbilo para os íntegros civis e militares que, ombreados, seguiram as palavras e as ações de todos os líderes das Forças, que deixaram para a posteridade, exemplos de bravura e de honradez, sem se submeterem aos apelos traiçoeiros das hostes adversárias.

Aileda de Mattos Oliveira é Dr.ª em Língua Portuguesa e membro da Academia Brasileira de Defesa. 

Lembranças de 64


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net 
Por João Baptista Herkenhoff

Dentre os muitos atos de arbítrio praticados pela Revolução de 1964, um dos mais revoltantes foi a pena de silêncio imposta a Dom Hélder Câmara. Dom Hélder não podia fazer palestra em lugar algum. Quem se atravesse a furar o bloqueio podia ser punido. O nome do Bispo não podia ser mencionado nos jornais, no rádio ou na televisão.

Não obstante a proibição, tive a honra de homenagear Dom Hélder num artigo publicado no semanário “A Ordem”, de São José do Calçado, cidade e comarca onde exercia, na época, a função de Juiz de Direito. O texto contestatório foi estampado na edição de 4 de agosto de 1969, quando estava em plena vigência o Ato Institucional Número 5. Escolhi para o artigo um título ameno (Reflexões após um período de férias), título que, de alguma forma me protegia e protegia também o Prefeito, responsável pelo bom comportamento do jornal, que era editado pelo Município.

Os censores (que como todo censor não prima pela inteligência e tem preguiça de ler um texto até o fim) não poderiam imaginar que o articulista, após o gozo de merecidas férias, estivesse refletindo sobre a brutalidade de calar o Profeta Hélder Câmara. Lembre-se que, nesses tristes tempos de Brasil, os magistrados tinham sido privados da garantia de vitaliciedade. Um simples decreto mandava o juiz vestir pijama. Até ministros do Supremo Tribunal Federal foram então compulsoriamente aposentados.

Mencionar estes fatos é importante, principalmente para conhecimento dos jovens, a fim de que compreendam o valor da Democracia e da Liberdade e estejam vigilantes. Atrás de teses nobres e justas (defesa da família, luta contra a corrupção) escondem-se muitas vezes propósitos espúrios. É preciso cuidado para separar o joio do trigo e surpreender o lobo camuflado na pele de cordeiro.
         
Não obstante todos os problemas e dificuldades que o país está enfrentando, ninguém pode hoje ser punido pelo que pensa, fala ou escreve.
         
Não devemos rememorar 64 com ódio ou sentimento de vingança. O que cabe é celebrar a reconquista do estado de direito, que foi fruto da luta do povo unido reclamando “Diretas já”, anistia ampla, geral e irrestrita, convocação de uma Assembleia Constituinte livre e soberana.
         
Há muito ainda a ser feito. Temos de acabar com a fome. Todos os seres humanos têm direito ao repouso noturno numa casa, ainda que modesta, mas de cujas janelas possam ser contempladas as estrelas. Lugar de crianças e adolescentes é numa escola de excelente qualidade, não é numa prisão, por mais românticos que sejam os vocábulos concebidos para significar cadeia para menores.

João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado e Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo. Foi um dos fundadores e primeiro presidente da Comissão de Justiça e Paz, da Arquidiocese e Vitória. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2197242784380520 - E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br

domingo, 30 de março de 2014

Por que Dilma perderá a reeleição?


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

“O bando tem elevado nível de organização e controle de suas atividades no crime, talvez pelo fato de contar com vários ex-militares em suas fileiras”. (Trecho de um recente relatório reservado da Polícia Federal sobre a prisão do narcotraficante “Menor P” – que teve treinamento de elite na Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército, onde passou por curso especial de comando – e que se preparava para seguir o plano estratégico do também “reeducando” Marcola, da famosa facção paulista PCC, unificando os grupos criminosos no Rio de Janeiro).

“O corpo técnico da Petrobrás precisa ser respeitado. O dia a dia da empresa é de crescimento da produção e eu trabalhando para que a autoestima esteja lá em cima. Mas sem fantasia, dentro da realidade da vida. Não fantasie porque o mundo é duro”. (Palavras da Presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, em entrevista concedida a O Globo, em 25 de março, comentando o momento de uma estatal de economia mista que sofre questionamentos em sua governança corporativa, sendo alvo de escândalos bilionários de corrupção, capazes de envergonhar a mais safada CPI – cuja sigla real é: Comissão Para Impunidade).

Os dois trechos entre aspas confirmam a importância e necessidade da boa gestão – até para a governança do crime organizado (estamos falando do narcotráfico, e não da administração do capimunismo tupiniquim). Aliás, a prisão do “Menor P”, que liderava o tráfico em 11 favelas da Maré, foi um exemplo de boa gestão pós-moderna. A PF contou com a colaboração da operacionalidade israelense, no uso de um sofisticado veículo aéreo não tripulado, que localizou, com precisão, onde estava o gestor do narcotráfico.

O (mal) exemplo do “Menor P” é uma demanda real do mercado – espaço onde ocorrem as trocas reais e simbólicas de informações, produtos ou serviços. A Era da Comunicação Digital, marcada pela revolução dos smartphones e da difusão instantânea de informações, exige Educação. Escolas, universidades e empresas têm de formar Profissionais de verdade. O Brasil Capimunista, com democracia capenga, cheia de malandragem autoritária, peca neste quesito básico...

O trabalhador produtivo deste presente do futuro precisa combinar humildade para aprender, domínio das línguas e da matemática, alto nível técnico, vontade política, criatividade, motivação, visão empreendedora, bom senso administrativo, capacidade de decidir com base em conceitos corretos, compreensão pragmática de como fazer marketing e visão humana para estabelecer parcerias políticas, táticas e estratégicas focadas em resultados concretos.

Tais qualidades devem ser aplicadas aos indivíduos. Cada um de nós tem obrigação de conhecê-las, descobri-las e desenvolvê-las, aplicando-as ao dia a dia da vida profana – ou sagrada. Só dá para sobreviver, evoluindo para melhor, se aprendermos a gerir. Gestão é a manifestação prática da vontade política e estratégica, aplicada a uma racionalidade administrativa, para mobilizar, organizar, decidir e agir.

A boa gestão depende de Comunicação e Marketing. Comunicação é o intercâmbio de informações entre seres humanos, através de objetos, meios ou sistemas. Marketing é a gestão da política e estratégia de comunicação focada em resultados para o mercado – que lida com sua mercadoria mais valiosa: a informação, com seus valores de uso, troca e estima. Política é a arte de definir o que fazer. Estratégia é a arte de colocar a política em prática, usando os conceitos e os meios corretos.

Governar (algo ou a si mesmo) é uma arte. A governança (pessoal ou corporativa) depende de alguns princípios fundamentais: Vontade Política, Visão Humanista, Ética, Transparência, Equidade, Justiça, Legalidade, Responsabilidade, Prestação de Contas, Qualidade e Verdade. A obra não é fácil. Mas precisa ser tocada com competência, eficiência e senso prático de realidade.

Uma breve análise da situação brasileira mostra que vamos muito mal de governança. Aliás, historicamente, sempre fomos horríveis nisto. O vício capimunista delega ao poder estatal – e a quem parece estar no comando dele – o papel de tocador da História. Na realidade, quem deveria tocar a História, com seu trabalho, é o cidadão-eleitor-contribuinte. O desafio é: como fazer isto no País da Vagabundagem, da Corrupção, da falta de respeito aos valores éticos, humanos e democráticos?

Missão quase impossível... No Brasil, nada funciona direito. A Gestão parece uma utopia. PT da vida na fila de um ônibus para o trabalho – porque a moto resolveu pirar o cabeçote e detonou o motor -, ouvi a queixa de um micro-empreendedor injuriado com a desgovernança em São Paulo – aquele lugar que deveria ser a locomotiva do Brasil, mas onde a governança pública funciona no melhor estilo do Terceiro Mundo:

“Há 12 anos abri uma fabricazinha calçados femininos na Zona Leste. Dou emprego a 44 pessoas. Não aguento mais. Não vejo a hora de poder me aposentar e sair fora. O governo só me rouba. Botei uma faixa anunciando uma promoção. Apareceu um fiscal engravatado, mandou tirar e avisou. Você levou R$ 15 mil de multa. Avisei a ele que não vou pagar. Dane-se. Qualquer hora chuto o balde. Fecho essa merda e vou me embora. O governo fica com ela”.

Eis o incômodo de quem ousa ser empreendedor na Terra arrasada do Nunca, que é o Brasil. Por aqui, os insumos mais altos são energia, salários e impostos. Ninguém aguenta ter o governo – ineficiente e corrupto – como sócio compulsório, indesejável, que rouba do produtor e do cidadão assalariado, em média, 40% do resultado do trabalho e do esforço produtivo, sem proporcionar a devida contrapartida em benefícios sociais: Educação, Saúde, Transporte e Infraestrutura com qualidade.

O pequeno empresário injuriado do final de tarde da última sexta-feira, no bairro paulistano da Saúde, rumo ao aperto em um desconfortável e atrasado microônibus para São Bernardo do Campo, ainda soltou uma outra bronca, antes do embarque: “Todo mundo está falando que o Lula e a família dele estão construindo torres de edifícios e colocando à venda, por valores altíssimos, em São Bernardo. De onde sai tanto dinheiro?”

    
Talvez quem tenha a resposta é o inimigo-aliado número 1 do governo petralha. O deputado federal Eduardo Cunha explicou para um amigo argentino, grande empresário, vizinho de seu prédio na Barra da Tijuca (RJ), por que entrou em guerra com o governo Dilma Rousseff: “Estou de saco cheio do PT. Só eles querem ganhar... Estão ficando bilionários... Estes caras estão acima de tudo... A imprensa sabe e nada fala...”

Por causa de desabafos como o de Eduardo Cunha, faz sucesso nas redes sociais o vídeo acima: Juro eu vou embora desse País... As pessoas estão de saco cheio... O senso comum real é este... Ninguém suporta mais o estado caótico, corrupto e violento das coisas no Brasil. Só os beneficiados pelas bolsas vagabundagem e outras benesses clientelistas do governo – nas periferias miseráveis e ignorantes – aceitam o jogo imundo da petralhada como se nada tivessem a ver com a sujeirada.

Outro Eduardo, o Campos, que sonha em tomar o trono da Dilma, também aproveitou a gravação do programa do PSB para detonar a ex-aliada: “O Brasil está cheio desse tipo de governança do compadrio, de botar gente porque fulaninho pediu, gente incompetente, gente que quer  fazer coisa errada. Esse modelo está vencido. É por isso que o Brasil vai mudar 2014 pelo voto”.

Não existe teoria do fato consumado. Não adianta a marketagem e a manipulação de pesquisas – que agora até admitem a queda da Presidenta, ainda no comecinho do desgaste com escândalos na Petrobras – que são de direta responsabilidade dela, na mais generosa hipótese, por incompetência gerencial.

A “faxineira” é foi um blefe. A “gerentona” outra farsa. Tudo criação da marketagem criada em um ambiente de mídia amestrada por mensalões da publicidade e propaganda chapa branca. Dilma Rousseff vai perder a reeleição. Se vencer, na base da fraude, não terá condições de governabilidade. Sofrerá impeachment, rapidinho. Isto não é praga, nem previsão de oposição. É risco concreto. Dilma perdeu credibilidade. Seu desgoverno não tem legitimidade.

Por ironia da História mal contada do Brasil, a velha guerrilheira Dilma não vai cair por força de Golpe Militar. Vai sucumbir pelos golpes dos Meliantes – militantes na governança do crime organizado contra o Brasil. Dilma é a o triunfo da derrota. É a vanguarda do atraso.

Como diria o técnico Joel Santana, abusando de sua arte jocosa de poliglota: “The game is over... Fora you, PT”.

No ritmo certo da Aquarela do Brasil


O imortal flamenguista Ary Barroso deve ter renascido ao ouvir esta espetacular interpretação da sua “Aquarela do Brasil” feita pelo Perpetuum Jazzile & BR6, cantada lindamente ao vivo, no festival Vokal Xtravaganzza, em outubro de 2008, lá nas bandas da Eslovênia...

Que a canção nos inspire a mandar o PT lá pra ponte que o partiu...

Que, um dia, a maioria dos brasileiros ame o Brasil de verdade, e não o deixe nas mãos de vagabundos, ladrões e bisnetos da puta...

O Brasil não merece uma PTroubras... Por isso, é tempo de Passadilma...

Releia nosso post de 6 de Dezembro de 2013 e entenda por que Dilma perderá a reeleição: Oligarquia FinanceiraTransnacional já decidiu que PT deve ser tirado do Palácio do Planalto em 2014
  
Fora Primo


Goela abaixo


Bomba no Congresso


Pedido de Impeachment da Dilma



Senador Mário Couto teve a coragem de apertar o botão da gerentona...

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 30 de Março de 2014.

Sinuca de Bico


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Márcio Accioly

Depois de idas e vindas, e algumas repercussões mais do que negativas, eis que o ex-presidente FHC, carinhosamente chamado “Boca de Tuba”, decidiu apoiar a CPI da Petrobras, tentando inflar a candidatura de seu correligionário, Aécio Neves (PSDB-MG). O escândalo que ora se encontra estacionado na estatal do petróleo deixa à mostra a modalidade de ladroeira praticada no Brasil, envolvendo as principais figuras do governo e da oposição. O país se encontra inteiramente dominado por bandidos.

A Petrobras é a galinha dos ovos de ouro e vem deixando muita gente confortável na vida: governantes que se locupletam nos cargos públicos e roem tudo como se cupins de aço fossem, perpetuando a miséria da população. Ao povo brasileiro, só resta pagar a conta e manter silêncio. O desmonte que acontece na Petrobras (agora na era petista), já teria sido motivo de providências imediatas, não fosse o Brasil um país de faz-de-conta.

Quando era diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (1999), o então genro de FHC, David Zylbersztajn, defendeu a privatização da Petrobras bem como a venda de refinarias daquela empresa. Não fez tal declaração, certamente, sem o conhecimento de FHC, pois se não houvesse concordância seria afastado imediatamente de suas funções. No Brasil, as coisas são sempre assim: os bandidos da oposição denunciam os que estão no poder apenas para lhes substituir e adotar o mesmo procedimento.

Na presidência da Petrobras, o banqueiro Henri Philippe Reichstul tentou até mesmo mudar o nome da empresa (para Petrobrax), ainda na gestão FHC (1995-2003). O presidente da estatal posou ao lado do novo logotipo da empresa, mas a grita foi tão grande que todos terminaram por recolher o trem de pouso e alçar novos voos em busca de outras privatarias. O PT, no governo, não vendeu a Petrobras: destruiu-a nas ações de rapinagem e completa desordem.

Vamos ver se agora é possível tomar novo rumo, quando se fala na possibilidade de CPI para apurar o mar de irregularidades existentes. Mas é difícil instalar a CPI da Petrobras, quando são tantos os envolvidos em falcatruas capazes de derrubar a República, pela exposição de graúdos larápios à frente das decisões. O ex-governador de São Paulo José Serra, cujo governo é acusado de receber propina no escândalo do metrô paulista, já se declarou visceralmente contra a instalação de CPI.

A prisão recente de Paulo Roberto Costa pela Polícia Federal, em operação que apura lavagem de dinheiro, traz outro enorme complicador para a instalação da CPI. Costa, funcionário de carreira da Petrobras, foi diretor de refino e abastecimento e passou por vários governos da República ao longo de 35 anos na companhia. Sabe de tudo e mais alguma coisa. Se abrisse o bico, não restaria pedra sobre pedra. Mas abrir o bico mesmo para quê?

Não se vê nenhum bandido entregando nada, delatando, dizendo o que sabe, porque a rede é bem articulada e envolve pessoas qualificadas em todos os ramos e poderes. Além do mais, as leis são lenientes. Culpa-se o Judiciário, mas quem faz as leis é o Congresso Nacional, que procura aliviar a barra dos envolvidos. Ir para a prisão no Brasil somente depois de milhões de recursos, apelos, marchas e contramarchas.

É melhor ficar calado e gozar benefícios do que se arriscar à toa e colocar a vida em risco. Quem quiser exemplo mais recente que observe a situação do “empresário” Marcos Valério, no caso do mensalão. Único condenado a penas de prisão de fato duras, depois de cansativo processo, calou-se. Ele revelou ter sido agredido e advertido na primeira vez em que esteve preso e a lição lhe foi proveitosa. Em tempos não tão antigos, iríamos para uma revolução. Para quê? Hoje, parece que só teremos desordem.


Márcio Accioly é Jornalista.

Altitudes seguras


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç

O país está à beira de um ataque de nervos! O cidadão dotado de um mínimo de consciência está tomado há cerca de três anos, por uma apreensão perturbadora. 

Não que os problemas relacionados, tanto com o melancólico ambiente político, impregnado de corrupção e de luta desenfreada pelo poder, como com a economia, conduzida com inquietante incompetência, sejam novos. Sempre existiram. 

Mas o Brasil, ao longo de sua frágil democracia republicana, parecia possuir meios de manter os atos de lesa-pátria sob um certo controle, seja por uma justiça que funcionava mesmo que espasmodicamente, como pelo próprio constrangimento de que alguns dos executores eram tomados quando descobertos ou reconhecidos como incapazes. 

De pouco tempo para cá, no entanto, o pragmatismo e os apegos aos cargos passaram a ser praticados numa taxa inédita, havendo a probabilidade de que o sistema, como um todo venha a se instabilizar, tal qual descarrilamento de um trem com velocidade descontrolada. 

Para onde se olha há espanto: suprema Corte, face-dupla, mudando vereditos já decididos, a fim de aliviar penas de meliantes políticos aliados, negociadores de votos no Congresso; transações mal explicadas envolvendo compra de refinaria sucateada, que condenam a empresa que um dia foi o orgulho do povo brasileiro a um derretimento inexorável; política externa autofágica, sem posicionamentos definidos, acolhendo e apoiando aliados equivocados que impedem o crescimento comercial ; falência dos serviços públicos e infraestrutura, simultaneamente a financiamento de porto em país estrangeiro por motivos ideológicos. 

Estas são somente algumas entre muitas aberrações. 

Com a proximidade das eleições que prometem ser as mais disputadas dos últimos tempos, é previsível uma atmosfera de superlativo vale-tudo, sem falar no que nos espera depois da carnificina eleitoral. 

Quem puder ir para altitudes seguras que se prepare porque o tsunami pode ser destruidor.


Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e guerra, reformado.

País vive o flagelo do crime institucionalizado


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Pontes

A sociedade brasileira vem assistindo nos últimos anos, talvez ainda sem entender bem suas reais dimensões, o surgimento e o fortalecimento de mais uma praga – quase – endêmica do nosso país; digo “quase” pois alguns países africanos também a experimentam.

Trata-se do que podemos denominar de “Crime Institucionalizado”.Tal fenômeno, que adquiriu contornos marcantes, que o diferenciam conceitualmente do crime organizado convencional, merece urgente atenção não apenas das autoridades policiais, do ministério público e do judiciário, mas, sobretudo, da imprensa e da sociedade como um todo, pois seu fortalecimento e sedimentação tem a capacidade de minar de forma devastadora as possibilidades de desenvolvimento nacional.

Vale dizer, grosso modo, que o “Crime Institucionalizado” estaria para o crime organizado assim como a motocicleta está para o velocípede.

Ao contrário do crime organizado, agora neste contexto rebaixado à delinquência juvenil, o “Crime Institucionalizado” não lança mão de atividades escancaradamente ilegais, como o tráfico de drogas, de armas, a prostituição, o jogo ilegal e etc.

Este novo e poderoso flagelo utiliza-se apenas da plataforma oficial, dos governos das três esferas, do estamento público, dos ministérios da república, da política partidária e das regras eleitorais para prospectar e desviar fortunas do erário público. Todo o seu faturamento tem origem nos contratos de serviços e obras, nas concorrências públicas, nos repasses para programas de governo, principalmente para ongs e oscips.

Trata-se, desta feita, de atividade infinitamente mais lucrativa e segura do que qualquer negócio ilegal convencional colocado em prática por organizações tipo máfia.

Em suma, enquanto o crime organizado viceja aproveitando-se da letargia e da omissão de alguns homens públicos, o “Crime Institucionalizado” é fruto da própria ação estruturada e pensada de um grupo de homens e mulheres que comandam determinado setor, empresa ou unidade do poder público.

Outra diferença marcante é que, enquanto o crime organizado coopta, ou, quando muito, infiltra um agente aqui e acolá, na polícia ou numa determinada repartição, o “Crime Institucionalizado” indica e nomeia, com a devida publicação em diários oficiais, dezenas de autoridades que servem aos seus propósitos tanto na empreitada criminosa propriamente dita, como na tomada de medidas garantidoras da impunidade do grupo e da salvaguarda do butim, nos três poderes da república.

Mais um nuance importante é que o “Crime Institucionalizado”, com seus exércitos de nomeados em cargos e funções estratégicas, com vista a garantir alguns aspectos vitais da atividade, isto é, para institucionalizar a própria moenda criminosa, estaria, desgraçadamente, lançando mão da elaboração e promulgação de normas administrativas, e até de leis, que facilitem sua consecução. Eles têm a faca, o queijo e, é claro, a boca faminta, ao seu inteiro dispor.

Na última década o “Crime Institucionalizado” vitaminou-se tremendamente, aproveitando-se dos seguidos recordes de arrecadação tributária. Com o ingresso de dezenas de milhões de pessoas na classe média e o consequente aumento do consumo, os cofres públicos abarrotaram-se de dinheiro. São exatamente essas divisas, oriundas do alquebrado contribuinte brasileiro, que vem alimentando o “Crime Institucionalizado”.

Uma de suas consequências práticas mais nefastas é a existência de centenas de concorrências públicas viciadas pelas fraudes do “Crime Institucionalizado” – há quem diga, inclusive, ser difícil encontrar, nos dias de hoje, uma única licitação que não seja “arrumada”.

Contudo, ainda mais desoladora é a possibilidade da existência de grandes e vultosos projetos sendo aprovados com o único e exclusivo intento de desviar verbas públicas. É de fato o pior dos mundos, onde a corrupção estaria no nascedouro das iniciativas. Não seria mais o caso do estádio de futebol superfaturado, mas o caso do estádio de futebol que nem deveria ter sido construído, isto é, a corrupção de raiz. Não é, como dizem por aí, “o malfeito”, mas o que nem deveria ter sido feito.

Esta situação tem saída, por mais difícil e desfavorável que possa parecer. E a solução passa necessariamente pela total e completa blindagem política de todos os órgãos que compõem a persecução criminal, sem prejuízos de outras medidas de proteção às instituições do estado brasileiro, mormente as agências controladoras, nas três esferas políticas.

O quadro aponta para a necessidade da edificação de uma estrutura policial, altamente preparada e fortalecida, que faça frente a tais dragões, e com capacidade de investigar aqueles que nomearam seus próprios chefes


Jorge Pontes é delegado federal e foi diretor da Interpol do Brasil.

Cadê a quadrilha que estava aqui?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Guilherme Fiúza

Nelson Rodrigues foi novamente convocado por Dilma Rousseff. Sempre que tira os olhos do teleprompter, a presidente sofre em sua árdua missão de fazer sentido. Nelson foi o primeiro a satirizar essa esquerda parasitária escondida atrás de bandeirolas do bem. Hoje talvez o dramaturgo acrescentasse ao “padre de passeata” a “presidenta de teleprompter”. Alguém precisa avisar à assessoria de Dilma quem foi Nelson Rodrigues. Era mais honesto quando ela traficava a imagem de Norma Bengell.

Ao assinar contratos de concessão de rodovias, Dilma citou o companheiro Nelson para dizer que “os pessimistas fazem parte da paisagem, assim como os morros, as praças e os arruamentos”. Por que não acrescentar: assim como as estradas estouradas, os aeroportos em ruínas e o sistema elétrico em estado de coma. A paisagem da infraestrutura brasileira hoje é tão impactante que fica até difícil enxergar nela os pessimistas — mesmo que eles desfilem pelados contra a mentira da conta de luz barata, e o desfalque de 12 bilhões de reais do contribuinte para sustentá-la.

Dilma tem razão: não há motivo para pessimismo. Basta olhar a situação dos seus amigos mensaleiros. Eles montaram um duto de dinheiro público para o partido governista, na maior engenharia já vista para roubar o Estado de dentro do Palácio do Planalto. Mas o otimista, ao contrário do pessimista, sempre espera pelo milagre. E ele veio: rasurando a sua própria decisão, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o bando do mensalão, famoso pela monumental arquitetura do valerioduto, não era uma quadrilha.

O esquema que envolvia ministro de Estado, tesoureiro e presidente de partido, banqueiro, funcionário público graduado e outros companheiros fiéis, todos ligados por um mesmo despachante e uma mesma base operacional, agindo de forma orquestrada e sistemática para o mesmo e deliberado fim, não constituía uma quadrilha. Agora o Brasil já sabe: só há quadrilha quando os criminosos que fazem tudo isso juntos são pessimistas perdidos na paisagem.

O discurso épico do ministro Luís Roberto Barroso, inocentando os otimistas do crime de formação de quadrilha — e liberando-os da prisão em regime fechado — é um marco de esperança para os bandoleiros solidários, que abominam as trampolinagens individualistas e neoliberais. E assim chega ao fim o julgamento do mensalão, com a sentença histórica prenunciando os novos tempos: agir em bando com estrelinha no peito não é quadrilha, é socialismo.

Foi emocionante ver os ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli — os já famosos Batman e Robin do PT no Supremo — voando com suas capas em defesa de Barroso e do seu Direito lírico. Todo esse otimismo permitia antever a chegada da sobremesa: a absolvição de João Paulo Cunha (o Mandela brasileiro) do crime de lavagem de dinheiro.

A tese vencedora, mais uma vez esgrimida com arte por Barroso, foi de que o então presidente da Câmara dos Deputados participou da corrupção sem saber que o dinheiro que recebia era sujo. Era o dinheiro do mensalão, operado por seus companheiros de cúpula do PT, mas ele, assim como Lula, não sabia. Os otimistas são distraídos mesmo.

O ministro Luís Roberto Barroso chegou a dizer que João Paulo não sabia da origem ilícita do dinheiro porque não fazia parte da quadrilha. Logo retificou, dizendo que o réu não fora denunciado por formação de quadrilha. Nem precisava esclarecer, todo mundo já sabe que quadrilha não existe. Inclusive o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, considerando-se o seu rolezinho na prisão da Papuda para visitar José Dirceu, o chefe da ex-quadrilha.

Disse Agnelo: “Eu sou governador, vou ao presídio a qualquer hora e visito quem eu quiser.” Está certo. Se Deus e a quadrilha não existem, tudo é permitido. Agnelo deve ter ido levar umas palavras cruzadas a Dirceu.

O companheiro Nelson Rodrigues dizia que a única forma possível de consciência é o medo da polícia. A desinibição da ex-quadrilha mostra que, para o PT, Nelson está definitivamente superado.

O recado de Dilma aos pessimistas servia também como resposta às críticas feitas à sua política econômica no aniversário de 20 anos do Plano Real. Os autores do plano disseram que esse negócio de esconder inflação com tarifas inventadas e esconder déficit público com maquiagem de contas não vai acabar bem. Mas depende do ponto de vista.

As pesquisas apontam a reeleição de Dilma em primeiro turno, com toda a política monetária do crioulo doido, a infraestrutura em petição de miséria, a pilhagem do mensalão e do pós-mensalão, a contabilidade criativa, as ONGs piratas penduradas na floresta de ministérios, a sangria do BNDES para a Copa dos malandros e grande elenco de jogadas solidárias.

Isso não vai acabar bem para a paisagem brasileira. Mas não tem problema, porque os companheiros otimistas estão a salvo dela.


Guilherme Fiúza é Jornalista. Originalmente publicado em Globo em 15 de Março de 2014.

Vigas sem vig(i)as!

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Haroldo P. Barboza
As famosas 6 vigas da Perimetral (RJ) que “desapareceram” de um depósito no Caju, podem nem ter chegado lá.
Não é uma teoria absurda se lembrarmos de um esquema muito comum praticado desde que os governantes perceberam como obter lucro com obras (muitas desnecessárias) públicas.
Em síntese, o grande esquemão funciona assim:
- o contrato da obra é superfaturado antes do início da mesma, no momento da assinatura do acordo. Aí já estão definidas as parcelas que caberão a cada signatário. Mais uns trocados para os capatazes, motoristas, vigias e fiscais. O bando a ser alimentado é grande. Por isto os valores são triplicados.
Supondo que para cimentar as bases de 500 colunas de um viaduto sejam necessárias 300 viagens de caminhões de cimento, são especificadas 600 viagens. Somente os engenheiros são capazes de efetuar os cálculos corretos. Portanto, nenhum jornalista vai contestar tal planilha. E o fiscal já está “convencido”.
Supondo que cada um dos 10 caminhões contratados consigam fazer 5 viagens por dia, nos mapas são lançadas 10 chegadas dos veículos. Uma proeza de encantar qualquer técnico de trânsito que estuda o caos nosso de cada dia.
Na retirada de entulhos o esquema é similar. Se bastam 50 viagens para limpar o canteiro de obras, são registradas 100 viagens. E grande parte deste material ainda é aproveitada para obras na residência de um figurão que possui casa numa aprazível área turística.
Já deu para perceber as dezenas de artimanhas montadas para elevar custos (que pagaremos sem chiar) e engordar as contas bancárias dos malandros.
Então a suposição abaixo tem boas possibilidades de ter acontecido.
Nas viagens (ao longo do dia, à vista de todos) para transferir as vigas da Perimetral (RJ) para um depósito no Caju, a cada 50 viagens, uma era desviada para outro endereço tomando-se o cuidado de efetuar a “chegada” da peça ao local definido no documento oficial.
Portanto, elas não sumiram furtivamente nas madrugadas sem a luz do luar.
Por isto nada foi detectado nas “imagens” de datas onde nada aconteceu.
Se Holdini não deixou nenhum aluno aqui para sumir com artefatos em seus números de mágicas, tente nos fornecer mais uma hipótese para a “evaporação” de tais peças numa época em que satélites encontram chaveiros no deserto.

Haroldo P. Barboza, Professor e Escritor, é Autor do livro: Brinque e cresça feliz.

A Cultura da Violência


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Rafael Bezerra

‘No Rio de Janeiro, uma senhora dirigia seu automóvel com o filho ao lado. De repente foi assaltada por um adolescente, que a roubou, ameaçando cortar a garganta do garoto. Dias depois, a mesma senhora reconhece o assaltante na rua. Acelera o carro, atropela-o e mata-o, com a aprovação dos que presenciaram a cena.”

No início do mês de fevereiro do corrente ano, na mesma “locação”, na Avenida Rui Barbosa, no bairro do Flamengo, um jovem negro é encontrado nu, orelha cortada com faca, amarrado em um poste, numa espécie de pelourinho improvisado, após ser espancado e torturado, acusado de praticar furtos na Zona Sul carioca, por três homens que se denominaram “Os Justiceiros”.

O primeiro trecho foi extraído de artigo do psicanalista pernambucano Jurandir Freire Costa, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Instituto de Medicina Social (IMS), publicado em 1993, na edição de 25 anos da revista “Veja”, na seção “Reflexões para o futuro”, na qual o autor busca ilustrar a “nova feição da cultura da violência” no Brasil. A segunda passagem narra a banal e naturalizada violência racista de grupos de extermínio, a qual de pronto encontrou eco no jargão midiático: “Tá com pena do marginalzinho? Adote um bandido!”

Ambas situações desafiam de forma radical os supostos consensos das sociedades ocidentais contemporâneas, em especial a brasileira, que afirmam compartilhar princípios como a igualdade e a dignidade da pessoa humana, bem como evidenciam a dificuldade que enfrentamos quando tentamos convencer indivíduos adeptos da violência de que o recurso aos meios legítimos da Justiça ainda é o melhor meio que temos de eliminar conflitos.

Episódios como estes expõem a cultura da violência, por nós já assimilada, fundada na convicção e na aposta de que o crime e a brutalidade são inevitáveis, exigindo assim dos “cidadãos de bem” a inexorável “justiça feita com as próprias mãos”.

Haveria explicação para esta persistente sombra no imaginário brasileiro acerca do nosso pretenso estado democrático de direito?

Uma linha explicativa nos leva à discussão sobre a formação da sociedade brasileira e a educação em direitos humanos. Neste sentido, observa-se que, a despeito do discurso fácil e do que dispõem a Constituição e os tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, não incorporamos culturalmente as noções de igualdade e dignidade ontológica dos seres humanos.

Em contrapartida, grassa a noção de “direito penal do inimigo”, a qual pressupõe que as condições de titular de direitos humanos e até de pessoa não são ontológicas, ou seja, não lhes seriam inerentes, derivando do simples fato de serem seres humanos, mas sim circunstanciais, relativas.

A consequência disso? O indivíduo não seria portador de direitos, mas estes lhe seriam atribuídos pela comunidade. A prática de determinados crimes poderia levar à exclusão do indivíduo da “comunidade de direitos” e gerar a perda da condição de pessoa e da titularidade da dignidade e desses direitos.

Como pano de fundo psicanalítico para esta histeria social — retornando a Jurandir Freire Costa — temos o “medo social”, para o qual a expectativa do perigo iminente de ser alvo da violência faz com que as vítimas potenciais aceitem facilmente a sugestão ou a prática da punição ou do extermínio preventivo dos supostos agressores potenciais. O “clima de persistente insegurança” torna os agredidos mais dispostos a conceder aos “justiceiros” carta aberta para fazer o que quiserem, alegando o que bem queiram.

E é neste contexto de medo generalizado, em face dos níveis alarmantes de violência urbana em nosso país, que o apelo humanitário não encontra apoio social, caindo no discurso vazio do senso comum: “Direitos humanos para humanos direitos.” Talvez aqui esteja o equívoco maior de nossa sociedade: imaginar que o tratamento conferido a indivíduos com comportamentos tidos por nós como reprováveis não repercute negativamente nela mesma.


Rafael Bezerra é Advogado e Mestrando em Direito pela UFRJ. Originalmente publicado em o Globo em 28 de Março de 2014.