sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A mania de falar mal de nós mesmos


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Antônio Monteiro

Sim, é claro, estamos todos tristes com os escândalos pipocando em nosso país. Mas isso não é fenômeno nacional. Poucos países ocupam a honrosa posição de corrupção zero:  os escandinavos, juntos com Nova Zelândia, e uns poucos mais. A enorme maioria ultrapassa o Brasil nessa triste classificação.

Isso não significa que devemos ficar de braços cruzados e nos igualar aos piores. Nada disso. Compete-nos lutar, individual e coletivamente, para mudar esse estado de coisas; e as mudanças, gostemos ou não, têm de começar em nós mesmos. Significa, também, que temos argumentos para não aceitar críticas alienígenas: "Quem tem telhado de vidro não atira pedras no vizinho".

Muitos anos atrás, meu guru, Swami Vijoyananda, perguntado sobre como encarava as mazelas dos lugares que visitava, respondeu com essa pérola: "Yo nunca miro las cloacas sino la belleza alrededor". (É assim que todos agem no estrangeiro, só que temos o mau habito de falar mal de nós mesmos) Infelizmente, durante meus últimos anos de comando, irritado com críticas de estrangeiros, fiz justamente o contrário: coletei um calhamaço com as burrices dos outros países. Apenas para me defender.

Corrupção de alto escalão (Kakuei Tanaka, 1º Ministro japonês, Mariano Rumor, da Itália, e o Príncipe Bernard da Holanda), preconceitos absurdos, choques de trens (na Suiça, sim senhor!), superstições, incêndios evitáveis (Copenhagen e Tóquio), desabamento de viadutos (na Baviera, ninguém acredita) e, sobretudo, os “serviços de inteligência” (?) incompetentes que permitiram atentados e assassinatos a três por dois. Na Venezuela um juiz deu voz de prisão... a uma cobra. Nosso saudoso Comte. Rui da Cunha e Meneses ria a mais não poder com aquelas notícias e as enfiou goela abaixo em seus esnobes (melhor dizendo, ex-nobres) parentes d’além mar.

Ai do gringo que falasse mal de meu país: receberia em troca as suas próprias mazelas


Luiz Antônio Monteiro é Comandante de Longo Curso. –  luizeneida@yahoo.com.br

8 comentários:

Loumari disse...

A Portugalite

Entre as afecções de boca dos portugueses que nem a pasta medicinal Couto pode curar, nenhuma há tão generalizada e galopante como a Portugalite. A Portugalite é uma inflamação nervosa que consiste em estar sempre a dizer mal de Portugal. É altamente contagiosa (transmite-se pela saliva) e até hoje não se descobriu cura.

A Portugalite é contraída por cada português logo que entra em contacto com Portugal. É uma doença não tanto venérea como venal. Para compreendê-la é necessário estudar a relação de cada português com Portugal. Esta relação é semelhante a uma outra que já é clássica na literatura. Suponhamos então que Portugal é fundamentalmente uma meretriz, mas que cada português está apaixonado por ela. Está sempre a dizer mal dela, o que é compreensível porque ela trata-o extremamente mal. Chega até a julgar que a odeia, porque não acha uma única razão para amá-la. Contudo, existem cinco sinais — típicos de qualquer grande e arrastada paixão — que demonstram que os portugueses, contra a vontade e contra a lógica, continuam apaixonados por ela, por muito afectadas que sejam as «bocas» que mandam.

Em primeiro lugar, estão sempre a falar dela. Como cada português é um amante atraiçoado e desgraçado pela mesma mulher, é natural que se junte aos demais para chorar a sua sorte e vilipendiar a causa comum de todos os seus males. Assim sempre se vão consolando uns aos outros. Bebem uns copos, chamam-lhes uns nomes, e confortam-se todos com o facto de não sofrerem sozinhos. Às vezes, para acentuar a tristeza, recordam-se dos bons velhos tempos em que Portugal, hoje megera ingrata que se vende na via (e na vida) pública, era uma namorada graciosa e senhora respeitada em todos os continentes. E, quando dez milhões de lágrimas caem para dentro do vinho tinto que seguram nas mãos, todos abanam as cabeças, dizendo em uníssono «e hoje é o que se sabe...».

Não é só o facto de não saberem nem poderem falar noutra coisa que prova a existência duma paixão. Como qualquer apaixonado arrependido, o português acha Portugal má como as cobras, mas... lindíssima. O facto de ser tão bonita de cara (as paisagens, as aldeias, a claridade, o clima) só torna a paixão mais trágica. O contraste entre a beleza à superfície e a vileza subterrânea dá maior acidez às lágrimas. É por isso que só há um tabu naquilo que se pode dizer de Portugal. Pode dizer-se que é bárbara e miserável, traiçoeira e ingrata, e tudo o mais que há de aviltante que se queira. O que não se pode dizer é «Portugal é um país feio». Nunca. Também neste aspecto se comprova a paixão.

Em terceiro lugar, os portugueses só deixam que outros portugueses digam mal de Portugal. Só quem sofreu nos braços dela (e que ela vai tratando ignobilmente a seu bel-prazer, por saber que nunca lhe hão-de fugir), se pode legitimamente queixar. Isto porque Portugal, sendo uma lindíssima meretriz, engata os estrangeiros descaradamente, desfazendo-se em encantos e seduções para com eles. Esta ideia exprime-se no dogma nacional que reza «Isto é bom é para os turistas», como quem diz «A viciosa da minha mulher a mim não me dá nada, mas atira-se a qualquer estranho que lhe apareça à frente». Qualquer estrangeiro que tenha a ousadia e o mau gosto de se fazer esquisito frente aos avanços despudorados de Portugal está condenado ao maior desagrado de todos.

Esta atitude é lógica, porque só há uma coisa pior do que se ser atraiçoado por quem se ama — é não se ser atraiçoado só porque o outro a acha feia e não a quer. À traição da mulher junta-se o insulto do outro, ao não achá-la sequer digna de um pequenino adultério. É como dizer-nos: «Não só estás apaixonado por uma pega, como ela é feia como breu.»

Os estrangeiros que nos visitam nunca compreendem isto. Lêem e ouvem dizer por todo o lado as maiores infâmias acerca de Portugal e não percebem porque é que todos lhe caem em cima no momento em que ele se atreve a dizer que um pastel de nata não está fresco, ou que tem a impressão de ter sido enganado no troco por um motorista de táxi.

Loumari disse...

Em quarto lugar, apesar do português passar o tempo a resmungar e a queixar-se quando está perto de Portugal, sabe-se o que lhe acontece quando está há muito tempo longe dela. Os grunhidos transformam-se em gemidos e as piscadelas de olho já não vencem senão lágrimas. E pensa invariavelmente: «Portugal é uma bruxa, mas antes mal tratada por ela do que bem por outra donzela...»

Em quinto e último lugar (e o «Quinto» não é fortuito), temos a derradeira prova da paixão do português por Portugal. Tem a ver com a ideia que ele tem do que Portugal podia ser. Para cada português, «isto podia ser o melhor país do mundo se...» (Segue-se uma condição invariavelmente impossível de se cumprir). A miragem deste país potencial é um paraíso que agrava substancialmente o inferno que os portugueses já supõem aturar. Isto porque os portugueses graças a Deus, têm expectativas elevadíssimas. Nada abaixo do Quinto-Império pode garantir satisfazê-los. Nenhum português se contenta, por exemplo, só com pertencer à Europa. Aliás, só começaria a contentar-se caso fosse a Europa toda a pertencer a Portugal. (E mesmo assim, qual não seria o português, com um cepticismo que provém de um longo e civilizadíssimo cansaço cultural, que não desconfiasse logo que «isto agora da Europa pertencer a Portugal traz água no bico, com certeza...?»)

Estas expectativas insaciáveis revelam-se na saudável mania que têm os portugueses de comparar Portugal só com a pequena minoria de países que se encontram em muito melhor situação. Para um português, Portugal é o país mais pobre do mundo. Isto é, do mundo «que interessa». Se lhe falarmos nos demais 75% que estão piores que nós, diz logo: «Está bem, mas isso nem se fala...» Nem é preciso ser a Nicarágua ou o Bangladesh — basta mencionar a Grécia ou a Turquia para ele se virar para nós com ar despeitoso e incrédulo e dizer: «Ó filho, está bem, mas isso...»

É curioso notar que a Espanha goza de um estatuto especial nestas comparações. Nem conta como «melhor» nem «pior». A Espanha é sempre até, e a frase «Até na Espanha...» tem o significado precioso de chamar a atenção para um país reconhecidamente rasca onde, neste ou naquele aspecto, já estão escandalosamente melhores do que em Portugal. De qualquer modo, os espanhóis não são como nós. Acham, por exemplo, que é motivo de orgulho ser-se espanhol. Nisso pelo menos, estão muito piores que nós. Entretanto, compreende-se que o difícil não é amar Portugal — o difícil é deixar de amá-lo, também porque é sempre difícil nós sermos felizes.

"Miguel Esteves Cardoso, in 'A Causa das Coisas'

Caio Germano disse...

O SR. LUIS ANTONIO É NO MINIMO UM BRINCALHAO, MAS DE MAU GOSTO. UM PETISTA INFILTRADO.
COM ESSA TEORIA, DA A ENTENDER QUE SE CHEGAR EM CASA E PEGAR A MULHER COM OUTRO EM CIMA DO SOFA, A CULPA É DO SOFA. OS FATOS QUE ELE CITOU PARA DEFENDER O BRASIL SÓ PODE SER SACANAGEM ! É O MESMO QUE COMPARAR UM USUÁRIO DE MACONHA COM O PABLO ESCOBAR.
É ÓBVIO QUE EM OUTROS PAÍSES ACONTECEM AS MESMAS DESGRACEIRAS QUE NO BRASIL, MAS EM UM GRAU E INTENSIDADE INFINITAMENTE MAIOR DO QUE VEM OCORRENDO AQUI.
POR FAVOR NAO TAPE O SOL COM PENEIRA E NAO QUEIRA JUSTIFICAR O INJUSTIFICAVEL.

Anônimo disse...

Ou seja, somos fodidos, mas os outros estão também! Que consolo, hein? Típico de perdedores e de quem gosta de ficar na rabeira... rs

Anônimo disse...

Esse artigo é extremamente ridículo e desnecessário.

Anônimo disse...

O articulista errou quando disse que a maioria dos países ultrapassa o Brasil em termos de corrupção. Esta visão é petralha, que não corresponde à verdade. Somos e sempre seremos um dos países mais corruptos do mundo. Está no DNA.

Loumari disse...

Há aqui nos comentários alguém que se acha gênio e ousa dizer que: "esse artigo é extremamente ridículo e desnecessário".

Mas eu acho que este artigo de maneira que o autor aborda o sujeito, exagerou certo, mas foi para levar a gente a ver mais além da ponta dos nossos narizes.

O que se deve apropriar-se deste texto é: certo que o Brasil vai mal, mas, não é pelo tanto que devemos abondonar o navio. Todo mundo, mesmo os países mais desenvolvidos têm suas altas e baixas, mas, eles, se assumem, buscam os erros de modo a corrigí-los. Todos problemas têm solução, a partir do momento que se abordar as verdadeiras questões.

E para aclarar as antenas aí ao nosso gênio que disse que esse artigo é extremamente ridículo e desnecessário; olha que não basta com condenar de ofício uma coisa. Há que começar por virar a questão sobre todos os ângulos, examinar cada detalhe e buscar a falha. Só assim, podemos achar o que não funciona na máquina e buscar uma solução.

Eu não me adiantei em comentar este artigo porque quiz esperar ver os comentários primeiro, ver a reação da gente, para depois passá-los ao crivo.

Minha conclusão! Num mundo de idiotas, é impossível um giro alternativo. Tudo o que esta gente não compreende o condena de ofício. Ele acha que é o mundo de se adaptar a ele, não ele de aprender como funciona o mundo.

Mas, como puderam constatar o texto intitulado Portugalite, a mesma idiotice ocorre nos portugueses. E não só nos Tugas, mas também nos franceses.

Estamos no que predia o Albert Einstein quando falava de geração de idiotas.


"Não perguntes o que a tua pátria pode fazer por ti. Pergunta o que tu podes fazer por ela. "
( JFK )

Anônimo disse...

Concordo em parte com o articulista, afinal se refere ao trato com estrangeiros, no momento em que se proponham a tirar sarro dos nossos problemas. Nada contra a réplica imediata.
Entretanto, houve equívoco quanto à posição brasileira no ranking mundial da corrupção, sobretudo se considerarmos o nosso potencial de recursos face aos que se encontram em situação pior.
Temos sim de falar mal e sempre, não para os estrangeiros é claro, mas nos blogs, nos comentários, nas cartas e em todo lugar onde ainda haja liberdade para tal. Parece-me uma tentativa dissimulada de censura, típica do comunismo moderno, apelando para o nosso emocional.
Numa democracia "saudável", a contrapartida de parar de falar mal seria aguardar a justa ação do Estado diante das mazelas; é o que acontece nos EUA, na França, no Japão. Roubou, é preso (preso mesmo) ou se suicida de vergonha (mais comum no japão).
Numa democracia doente como a nossa, a contrapartida de parar de falar mal seria ratificar o roubo e a omissão do Estado. Ora, por acaso os grandes mensaleiros não comemoraram com um braço levantado e sorridentes? Já não estão soltos após cometerem o maior atentado à democracia da história do mundo moderno? Imaginem como seria se o ministro relator - Joaquim Barbosa - não fosse apoiado pela pressão de sites como esse. Imaginem o juiz Moro sendo transferido de comarca através de uma promoção por exemplo, a fim de abandonar o caso do Petrolão e todos nós calados para não falar mal do país. Se as autoridades não se dão ao respeito como o nosso ministro da Justiça, se as autoridades mentem deliberadamente acobertando máfias por elas próprias encetadas, escarnecendo de quem possui um mínimo de decência e inteligência, o que fazer? Aplaudi-las? Calarmos?
Não senhor. A vaia recebida por Dilma na Copa do Mundo não foi desrespeito. Antes o povo foi e está sendo desrespeitado. Aproveitemos, pois, para falar mal de quem deixa na reta e merece, até que nos retirem esse direito, o que aliás já está ocorrendo na Venezuela. Não estamos em Cuba ou Cuba ainda não está integralmente aqui.
PS. Noticiou-se hoje que o embaixador da Indonésia retornou ao seu país, após desfeita da nossa diplomacia que não recebera suas credenciais. É que lá não se precisa falar mal da Justiça, o que é intolerável por cá...