quarta-feira, 17 de junho de 2015

Renuncianta?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Dizem que a Anta está na lona e porisso foi passear em Barcelona.

Entrou na Casa Antich (http://www.casaantich.net/) pra comprar artigos de viagem.

Aqui só há malas pra bandidagem.

Talvez tenha que ir para o Rio mais tarde, sabendo que a Antabrás faliu e que sua orelha arde.

Foi primeiro à loja de Consolat de Mar que é um consolo para as marolas ao som de caçarolas.

Em vão. Aquilo que queria só na outra loja havia, na Rambla del Celler (especializada em celerados atender ?).

Na verdade compraria presente, pro traidor que ainda mal pressente.

Como não fala catalão tentou falar catalanta, a língua na qual no chuveiro canta, tangos, milongas e o bolero “Pernas pra que te quero!”.

Comprou o livro épico “Tirant lo Blanc” porque da heroina, também em ruína, chama-se a criada Plaerdemivida. Nade como anta precavida. O autor, Joanot Martorell talvez seja parente do janota. (“De repente ele passa o fino pente e daí !? Lixou-se toda a macacada?”)

Soube que Mario Vargas Llosa escreveu algo a respeito: Carta de Batalla. Mas seu amor pelas letras é fogo de palha.

Para espairecer, à noite uma ópera foi ver. “A Força do Destino”. Mas o tema soltou-lhe o intestino.

Quando soube que estava na Catalunha, foi embora dos domínios de cunha.

Mas sabe que continua morando de favor no condomínio controlado pela Casa do Chatam...

Que chato! Terminar derrubada por crime na pedalada.

Deve ser por isso que Governanta rima com Renuncianta. E solução, com intervenção.

Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

2 comentários:

Loumari disse...

A Revolução da Bondade

Acho que a grande revolução, e o livro «Ensaio sobre a Cegueira» fala disso, seria a revolução da bondade. Se nós, de um dia para o outro, nos descobríssemos bons, os problemas do mundo estariam resolvidos. Claro que isso nem é uma utopia, é um disparate. Mas a consciência de que isso não acontecerá, não nos deve impedir, cada um consigo mesmo, de fazer tudo o que pode para reger-se por princípios éticos. Pelo menos a sua passagem pelo este mundo não terá sido inútil e, mesmo que não seja extremamente útil, não terá sido perniciosa. Quando nós olhamos para o estado em que o mundo se encontra, damo-nos conta de que há milhares e milhares de seres humanos que fizeram da sua vida uma sistemática acção perniciosa contra o resto da humanidade. Nem é preciso dar-lhes nomes.

"José Saramago, in " Folha de S. Paulo, Outubro 1995"

Loumari disse...

Nada é Verdadeiramente Satisfatório

Nada é verdadeiramente satisfatório. Mesmo a arte a que um artista é vocacionado, e sobre a qual e para a qual vive, está sempre aquém do seu desejo. Nunca atinge aquele nível, aquele andar que desejaria. Está sempre a tentar, a aproximar-se do limite das possibilidades. No fundo, do absoluto. Um absoluto que se não atinge, [que se] ignora mesmo. A única coisa que sabemos ao certo é: ninguém nasce senão para morrer. Morrer mais cedo ou morrer mais tarde. Tem esse privilégio: acabar com a vida antes do fim natural dela. Se estiver desesperado, acontece. Justamente quando perde a esperança. Quando perde a esperança, perdeu tudo, e então liquida-se.

[Pensou alguma vez? Houve algum momento na sua vida tão desesperançado? Teve tantos reveses...]

Não. Suponho que ninguém deixa de pensar na morte. E quando se chega à minha idade, está-se mais consciente de que se aproxima o fim. Portanto, ele tem que se preparar para esse final. Há muita gente que conheci que se suicidou por isto ou por aquilo. E há o problema da eutanásia, quando o sofrimento é muito grande, a experiência é nula e as pessoas não podem sequer matar-se, têm que pedir que alguém as mate. O sofrimento é uma coisa terrível. Eu não tenho medo da morte, mas temo o sofrimento. A gente medita sobre a morte, prepara-se para ela, quer deixar tudo em condições, para poder morrer descansado. Hoje tenho essa preocupação.

[O que é isso de deixar as coisas preparadas? É morrer com que sensação?]

Não é morrer com sensação nenhuma, a sensação da morte só se tem quando se morre! Quero dizer, deixar a vida regulada, não deixar problemas para os filhos, os netos, os amigos, a sociedade. Deixar um bom nome.

[Deixar um bom nome é muito importante?]

Naturalmente, limpar tudo. Deixar uma vida inteira. É uma reflexão que se faz sobre a vida toda que passou. É a isso que chamo morrer descansado.

"Manoel de Oliveira, in 'Selecções do Reader's Digest, 2005'
Portugal 11 Dez 1908 // 2 Abr 2015
Cineasta