quarta-feira, 15 de julho de 2015

Acordo Nuclear com o Irã: Cedo ou tarde demais?

Obama comemora acordo com Irá (foto Evan Vucci, AP)

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Mortean

O acordo nuclear finalmente alcançado entre o Irã e as potências ocidentais expõe destrezas e fraquezas de ambos os lados, o que dificulta uma prévia análise do fato. Seria imprudente comemorar tal fato – apesar de não deixar de ser um ganho diplomático importante para as partes envolvidas – justamente pelos efeitos que o citado acordo irá (ou não) surtir. Abaixo seguem pontos relevantes a respeito: 

Uma questão de sobrevivência

Que este acordo vem melhorar relações bem estremecidas, sem dúvidas. Entretanto, o programa nuclear iraniano é a barganha política para a sobrevivência do regime em Teerã. E isto não tem nada a ver com ameaças a Israel ou retóricas antiocidentais, que frequentemente são ecoadas pelo governo iraniano, mas sim com política doméstica. O regime teocrático do Irã é extremamente impopular entre a população – já são 34 anos de vários tropeços sociais, políticos e econômicos. Apesar do país ser signatário do TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o que teoricamente compromete o desenvolvimento de armas atômicas) e de ter declarado uma “fatwa” (condenação islâmica) ao desenvolvimento de tais artefatos, uma eliminação do programa nuclear deixaria o regime iraniano politicamente mais vulnerável, para a alegria do Ocidente e de boa parte da sua própria população. 

Importante para quem? 

Lá pelos idos de 2010, quando vivia em Teerã, lembro da Declaração de Teerã sendo concluída entre Itamaraty e os persas, na presença do ex-presidente Lula, e as indagações dos iranianos com relação ao assunto: “Mas por quê vocês ocidentais se importam tanto com algo que nós não damos a mínima? Nem lembramos que isso existe!”. Os iranianos, de modo geral, pouco se interessam, nem dão importância, pelo fato de seu país desenvolver tecnologia nuclear.

O rechaço vem, sobretudo, da única potência nuclear da região, Israel, coincidentemente arquirrival política da nação persa. A agitação política regional, ressoada na mídia internacional, com base no desespero israelense em ver seu vizinho desenvolver um programa atômico faz com que o Irã seja pressionado com sanções ocidentais que afetam diretamente sua saúde econômica.

Fazendo as contas

O Congresso norte-americano tem ainda 60 dias para ratificar tal acordo. Caso isso seja alcançado, a remoção das sanções (prevista no acordo) será uma questão gradual de tempo. Com a ausência de sanções, empresas europeias (e triangulações de outras norte-americanas), bem como empresas de todo o mundo, voltarão a operar no Irã e injetar bilhões na economia persa.

Ganham a diplomacia norte-americana e o Ocidente – lucrando ainda mais, e ganha o regime teocrático de Teerã – um fôlego extra. Perdem Israel e os países árabes, que sempre viram o regime como uma ameaça existencial. Afinal, o Irã é o maior país em território do Oriente Médio, com 75 milhões de consumidores jovens (70% da população tem menos de 35 anos), com uma renda média razoável, ávidos por adquirirem bens ocidentais. Um enorme mercado.

Mudança para quê? 
Politicamente falando, nada substancialmente muda no governo teocrático iraniano, para a infelicidade de seus inimigos internos e externos. Nada muda para os Estados Unidos e seus aliados, que voltarão a lucrar naquele imenso mercado pago em petrodólares. Os iranianos continuarão a viver sob um regime o qual estão extremamente cansados, seu programa nuclear será deveras diminuído (mas não interrompido) e o Ocidente, ao comando de Israel, continuará demonizando o governo de Teerã. O que deveria ter um impacto político, acaba mais como um acordo econômico. Sendo assim, excluindo o fato diplomático louvável, pergunto se não está tarde demais para celebrarmos uma boa intenção que chega já fora de tempo, tardia.

Jorge Mortean é Geógrafo, bacharel pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Estudos Regionais do Oriente Médio. Pesquisador das relações diplomáticas entre a América Latina e o Oriente Médio, é doutorando em Geografia Política, também pela USP e Professor do curso de Relações Internacionais da FAAP - Fundação Armando Alvares Penteado. www.linkedin.com/in/jorgemortean

Um comentário:

Anônimo disse...

Comemor ??? essas, não devemos esquecer o grande sonho comunista e muito menos esquecer quem é hoje o poder político no Brasil. Provavelmente o sonho da Rússia esteja fortalecido no Brasil, como um país posicionado em liderança dos países da América do Sul faça sentido mesmo a U.R.S.A.L União das repúblicas socialista da América do Sul. ACORDE U.S.A o mostro comunismo mundial está sendo criado por aqui. Deu a tenha piedade dos cegos de guia.

A/C ANTI COMUNISMO