segunda-feira, 6 de julho de 2015

Informação sobre a Sete Brasil


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Brandão

Prezados Participantes e Assistidos da PETROS: O projeto da criação do empreendimento Sete Brasil tem como objetivo a construção específica de navios sondas para atuar na produção de petróleo existente no Pré-sal e visa, também, a geração de empregos no país e proteção à indústria brasileira pelo uso de material de procedência nacional. Contou com a participação de Bancos, Fundos de Pensão de base estatal e de base privada e de outras empresas de capital nacional e estrangeiro.

O maior acionista, o Banco BTG PACTUAL, é investidor tradicional em negócios bem sucedidos e, da mesma forma que BRADESCO e SANTANDER, conta com equipe de especialistas em análise de investimentos.

Informamos adiante, para esclarecimento e entendimento da composição do investimento e estágio da execução das construções das sondas e do planejamento para manutenção do sucesso do empreendimento, em face dos problemas causados pela situação financeira da contratante PETROBRAS, em virtude das consequências do que foi apurado pela operação Lava Jato.

Sete Brasil Part. S.A.:

A Companhia tem por objetivo a gestão de portfólio de ativos de exploração do setor de óleo e gás, com o propósito de contratar a construção, operar e/ou afretar ativos de exploração de petróleo em águas ultraprofundas e tem atualmente como único cliente a Petrobras.

FIP SONDAS:

Veículo de investimento do capital social da Sete Brasil.

Ø  Gestor e Administrador: Caixa Econômica Federal;
Ø  Capital Comprometido pelos quotistas: R$ 7,9 bilhões;
Ø  Patrimônio atual: R$ 6,9 bilhões (avaliação econômico-financeira independente maio/2015);
Ø  Prazo de Duração: 20 anos, sendo 10 anos de investimento e 10 anos de desinvestimento, prorrogáveis, ao final, ano a ano; e
Ø  Auditor: PricewaterhouseCoopers (PwC) Auditores Independentes.

Relação dos atuais quotistas do FIP Sondas, acionista da Sete Brasil o qual detém 95% do capital da Companhia, sendo os demais 5% pertencentes à Petrobras. BTG Pactual, Petros, Funcef, FI-FGTS, Santander, EIG, Petrobras, Luce, Bradesco, Valia, Previ e Lakeshore.

 Em relação ao cronograma físico-financeiro das obras, cumpre destacar que, devido aos problemas supra mencionados, a evolução da construção junto aos estaleiros encontra-se abaixo do projetado, porém, o avanço financeiro, quer seja, os pagamentos realizados aos estaleiros, encontra-se ainda mais defasado em relação ao planejado.

Plano de Reestruturação Sete Brasil:

Ø  Desde o final de 2014, uma série de eventos vem impactando negativamente o andamento dos negócios da Sete Brasil, principalmente relacionado às investigações da Operação Lava Jato, que levaram o BNDES a interromper as negociações para a concessão do financiamento de longo prazo (fev/15).
Ø  Como consequência, os credores de curto prazo, em fevereiro de 2015, não aprovaram a extensão das dívidas, o que levou a Sete Brasil ao estado de inadimplência no montante de mais de USD 4,0 bilhões (Debêntures e Empréstimos-Ponte).
Ø  Para evitar a execução destas dívidas, a Sete Brasil celebrou, em 31/03/2015, o Instrumento de “Standstill”, o qual estabelece que até 29/06/15, os credores não poderão tomar qualquer medida ou exercer qualquer direito decorrente das dívidas atualmente existentes contra a Companhia ou suas subsidiárias, objetivando a definição de um Plano de Reestruturação da Companhia.
A estruturação do Plano de Reestruturação possui com expectativa os seguintes pilares:

Estratégicos:
·       Redução do número de sondas, em linha com a capacidade atual de financiamento e a necessidade do cliente Petrobras.
·       Deverá ocorrer uma negociação direta com a Petrobras para identificar a quantidade e os prazos exigidos e demandados, o que poderá alterar o cronograma proposto no plano de reestruturação.
Financeiros:
·       Estrutura de capital adequada ao fluxo de caixa operacional da Companhia, captação de dívidas de longo prazo, para fazer frente aos investimentos, bem como alongamento das dívidas atuais.
Operacionais:
·       Alteração do modelo societário para viabilizar o plano de reestruração da Companhia, podendo a Sete Brasil passar a operar diretamente as sondas.
Principais objetivos do Plano de Reestruturação :

1. -Redução dos riscos de financiamento, construção, operação e execução do projeto, por meio da diminuição do número de variáveis e parceiros envolvidos e da simplificação de sua estrutura;

2. -Garantia da financiabilidade de um projeto reduzido, com plano de investimento mais adequado à disponibilidade de “funding” e necessidades da Petrobras;

3. -Fortalecimento da estrutura de capital e reperfilamento dos passivos de curto prazo, de modo a adequar o pagamento dos passivos financeiros ao fluxo de caixa e disponibilidades de curto prazo;

4. -Pagamento dos passivos junto aos estaleiros e retomada da construção das sondas;

5. -Garantia de rentabilidade mínima que possibilite a captação de novos recursos próprios e, eventualmente, com novos acionistas.

6. -Redução do risco de construção, concentrando os recursos disponíveis nos estaleiros de melhor performance;

7. -Adequação do início dos Contratos de Afretamento com o novo cronograma de entrega dos Contratos de EPC; e

8. -Ajuste do modelo de negócios da Companhia, a qual passará a operar suas unidades e, com isso, reduzir custos, permitir maior agilidade na implementação do Plano e na tomada de decisões.

Cabe ressaltar que a efetivação deste Plano depende da aprovação das diversas partes envolvidas, como: Credores, Estaleiros, Petrobras e Acionistas (Sete Brasil e Operadores), sendo certo que, a viabilização da quantidade de variáveis envolvidas no Plano de Reestruturação irá requerer enorme esforço adicional, com negociações específicas e individuais.

O fato real que não se pode entender diferente é o esforço de todos os investidores na solução do problema causado pelo esquema de corrupção que levou a Petrobras a ter que refazer drasticamente seu Plano de Negócios.

Exatamente por essa razão o Governo que incentivou a criação do empreendimento para manter atuante a indústria de construção naval nacional e a Petrobras para a execução da sua obrigação legal como operadora única da exploração do Pré-sal, tem a obrigação de participar efetivamente para o sucesso do projeto, inclusive mantendo o financiamento através do BNDES e inclusão como prioridade no Plano de Negócios da Petrobras.


Paulo Brandão é Presidente da Fenaspe e Conselheiro Deliberativo da Petros.

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