sexta-feira, 14 de agosto de 2015

União contra quem? União contra o quê?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

É um espanto... O governo através o articulador político e vice-presidente, Michel Temer/PMDB, prega união e paz, antítese do presidente da Câmara, Eduardo Cunha/PMDB, que propõe a ruptura com a “presidenta” Dilma.  As crises política e econômica têm origem perfeitamente definidas sob a administração do petismo de Lula e Dilma.

Sem pretender vincular uma coisa à outra, parece a cena do ladrão correndo com outros a persegui-lo e que vislumbra a solução de gritar com a massa “pega ladrão”, “pega ladrão”. Mimetismo e orquestração que se repete nas marchas estimuladas a pedir paz contra os assassinos cruéis e falta de segurança, quando no íntimo o que se almeja é que os responsáveis pela governança do país assumam a obrigação de combater o banditismo. Ora, todos de branco, inclusive os governantes, unidos pela paz, pedindo socorro ao olimpo. E o bandido dando risada junto com os responsáveis, fazendo top-top.

No presidencialismo, quem preside tem o poder e a responsabilidade, em especial se conta com a maioria do Congresso Nacional, fato explícito nos 13 anos de PT. Assim, se há crise econômica e política, estas estão entrelaçadas à sigla com maior peso na sustentação parlamentar e ao governo atual, com nome e sobrenome: Dilma Roussef.

Neste viés se encontra a corrupção sob o foco da operação Lava Jato a envolver gente da cúpula petista, como o tesoureiro e José Dirceu, este já condenado no processo do mensalão e agora, preso para  investigação no escândalo da Petrobras. Junto e misturado às denúncias de fraude por conta da urna mágica, dos valores doados para a campanha oriundos de propina, de crimes de responsabilidade fiscal devidos às chamadas pedaladas fiscais, aos prejuízos da Petrobras, como a compra de Pasadena e ao estelionato eleitoral, tipo redução dos preços referentes ao consumo de energia, etc.

Tudo isso como fonte das crises, econômica, pela má administração com nódoa da corrupção e política, fruto da indignação e revolta popular pelo descrédito nas instituições com o sentimento de que o projeto podre de poder é a matriz do mal estar e repulsa que envolve o cidadão nos limites do seu esgotamento físico e mental. Cidadão que não vive bem, reflexo da má gestão nos outros campos, como da saúde, da educação, do transporte, ao contrário da boa vida, bons salários e planos de saúde dos políticos e cúpulas das empresas públicas e dos três Poderes. Um desses cínicos com salário de 60 mil reais ainda se vende e declara as propinas que recebeu...

Não é admissível que Temer esteja convocando união contra Dilma. Ou é? Intenção de iludir? O povo sabe o que deseja, o que repele. Tem consciência de que todo o poder emana do povo e os vereadores têm sentido na pele a insatisfação face à corrupção e ao tratamento excelente que outorgam a si próprios, como carros, gabinetes, empreguismo de compadres, tantos quantos lhes satisfaçam às expensas do contribuinte. Chega! Basta!

Dinheiro para pagar um médico concursado, efetivo, a prefeitura não tem, mas aumentar subsídios e o número de vereadores tem? Santo Antônio da Platina, pequeno município do Paraná, deu o recado.

A empresária Adriana (vale citar) mereceu o seguinte elogio de uma cidadã: Ela fez o que todo mundo tem vontade de fazer, mas não tem coragem. Os munícipes, sob a sua liderança, se reuniram na Câmara, e no grito impuseram corte nos subsídios dos vereadores, que de R$ 3.745, passaram para R$ 7.500, reduzindo para R$ 970; do prefeito que de 14 havia passado para 22 mil, ficou em 12 mil.

O bom exemplo foi seguido em Jacarezinho/PR, onde a redução nos subsídios foi de 30% e, revogada a lei que aumentou de 9 para 13 o número de vereadores para a próxima legislatura. Respingou na cidadezinha o fétido cenário nacional.

A revolta está patenteada no elevado percentual de rejeição ao governo Dilma — 71% — tempos de carrinho do supermercado com menos produtos, juros altos e desemprego. Assim, o cidadão se junta para fazer da pressão o insuportável e demonstrar que explode a razão, pois a emoção já explodiu faz tempo.


Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia e Estado Maior, reformado do EB.

3 comentários:

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

Senhor cel Ernesto Caruso: o que marcou em mim no seu texto foi a frase..."quando no íntimo o que se almeja é que os responsáveis pela governança do país assumam a obrigação"; marcou pois nela percebo a tendência brasileira de sempre esperar que alguém cuide de si, providencie a mamadeira, lhes coloque a fralda, que troque a fralda ao estar plena de fezes, e que a conduza a um mundo onde a cornucópia seja algo real.

Porque depositar responsabilidades em outros? Qual é o óbice, o impedimento para que exerçamos o direito a auto defesa, o livre arbítrio, exerçamos o direito inalienável de proteger nossas famílias, parentes, amigos, a sociedade e nós mesmos?

Eu por mim não almejo que governo algum faça por mim, o que eu mesmo posso fazer.

Ou mudamos nossas concepções de vida, nossas crenças, nossas atitudes, ou sempre seremos reféns de grupos e organizações,inclusive dessa que hoje por meio de militares melancia, pretende só trocar as moscas e mudar o nome da merda para fezes.

Anônimo disse...

Sábias e duras palavras, espero que cheguem aos ouvidos dos governantes. Concordo plenamente com o Coronel Caruso - estamos esgotados, mas só existe uma saída e é a reação a estes desmandos, como foi feito nas duas cidades do Paraná.

augusto.a disse...

Cada vez somos mais estorquidos para dar boa vida a vagabundos. Nao podiamos esperara outra coisa dessa quadrilha que manda no pais,e o exemplo a ser seguido por todos os ladroes , em cargos publicos.