terça-feira, 1 de setembro de 2015

A Petrobras e o inferno de Dante


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Hélio Duque

No mundo medieval os fundamentos da fé cristã predominaram por séculos. Dante Alighieri, vivendo nesse tempo, escreveu a sua obra prima “Divina Comédia”, imaginando o que seria o inferno, o purgatório e o paraíso. O inferno é o sofrimento dentro da terra onde não existem portas, nem cadeados e está sempre aberto. O purgatório seria a alternativa de saída através grande montanha que serviria de escada na escalada para o céu. O paraíso, o topo do purgatório onde as almas arrependidas, pelas virtudes demonstradas, chegariam ao céu. O arrependimento e a confissão de todos os pecados cometidos no mundo temporal garantiria a ascensão confortável do mundo extratemporal.

Os três estágios da magistral obra alighieriana encontram eco na história, recentíssima, da Petrobrás. Foi lançada no Portal do Inferno, onde um mundo subterrâneo invadiu a empresa em verdadeiro crime de lesa pátria praticado contra o patrimônio nacional. Os governos Lula/Dilma são os responsáveis pelo assalto planejado envolvendo políticos, diretores delinquentes e empresários poderosos na mutilação patrimonial da empresa considerada “joia da coroa”. Foi capturada e esquartejada no mercado da incompetência e da corrupção.

Foi salva das garras de Satanás, antes de atravessar o arco do inferno que proclamava: “uma vez dentro deve-se abandonar toda esperança de alcançar o céu.” A salvação da Petrobrás deve-se à “Operação Lava Jato”, pela ação histórica do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da Justiça Federal, no momento em que o mar subterrâneo da corrupção ameaçava transformar-se em imenso oceano. A sua nova administração, através o presidente Aldemir Bendini afirma: “Recuperar a Petrobrás é projeto de 5 anos”.

Vive agora o caminho de chegar ao purgatório, buscando a escalada difícil e pedregosa da subida na grande montanha objetivando alcançar o paraíso. A travessia na expurgação dos tempos de inferno não será fácil. O seu Plano de Negócios e Gestão 2015-2019, determinou corte dos seus investimentos de US$ 206 bilhões para US$ 130 bilhões como base estrutural na escalada da montanha. Forçando a redução do seu tamanho com a venda de partes do seu ativo no total de US$ 58 bilhões. Hoje a Petrobrás é a empresa mais endividada do mundo no montante de US$ 104 bilhões. Ao nomear incompetentes para a sua direção, o estágio da anomia, caracterizada pela desintegração das normas que regem a conduta empresarial, nocauteou a maior empresa da América Latina.

Felizmente os fundamentos sólidos da empresa resistiram (com enorme prejuízo) aos roubos e rombos. Os seus acionistas minoritários são grandes vítimas. No 2º trimestre de 2015, o lucro operacional foi de R$ 9,48 bilhões, mas o lucro líquido que refletirá nos dividendos foi de R$ 531 milhões. No seu estágio de purgatório, deduziu do resultado R$ 2,8 bilhões para quitar parcelas atrasadas do IOF, questionadas na Justiça. Pagou R$ 1,4 bilhão à Receita Federal de impostos atrasados, igualmente optou pela baixa contábil de ativos de R$ 1,2 bilhão. Resultado: o lucro líquido foi 89% menor em relação ao mesmo período do ano passado. A reorganização administrativa e financeira da empresa passa por essa etapa desagradável, onde os brasileiros são os grandes perdedores.

Adentrar as Portas do Paraíso, no médio e longo prazo, é a etapa que precisa ser planejada e executada com autonomia e independência. Sem subserviência ao irresponsável governo que colocou a empresa nessa tempestade que vem vitimando o desenvolvimento nacional. Contudo, já começa a despontar no horizonte desempenho operacional relativamente positivo. Dona de reservas comprovadas superiores a 12 bilhões de barris, acima da média internacional, deve focar investimentos na produção e elevação da extração de petróleo e gás. O pós-sal e o pré-sal serão o “filet mignon” na sua lenta recuperação. Felizmente a evolução dessa produção vem ocorrendo em nível ascendente.

Por fim, um fato relevante: a revista norte americana “Fortune”, especialista em economia, acaba de publicar o “ranking” mundial das 500 maiores empresas do mundo. A Petrobrás ocupa o 28º lugar, definida como a maior empresa da América Latina e dona de ativos de US$ 300 bilhões, mas ressalta que as suas cicatrizes vão demorar algum tempo para cicratizar. Projetando os números da “Fortune” em perspectiva de futuro, sem interferência política, empecilhos burocráticos e investimentos irresponsáveis, a empresa poderá se reencontrar com a sua história, alcançando o paraíso e voltando a ser orgulho dos brasileiros. Para que isso ocorra, é fundamental fazer do respeito e cumprimento das Leis Anticorrupção e de Improbidade Administrativa, dogma intocável.


Helio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

4 comentários:

Anônimo disse...

Dr. Hélio

Me desculpe decepcioná-lo, mas a Petrobrás nunca foi, não é e nunca será meu orgulho. Tenho mais idade que a Petrobrás e acho que ela não fará falta nenhuma ao Brasil. Que fique no vinagre que ela está.

Anônimo disse...

Foro de São Paulo ameaça Brasil


http://radiovox.org/2015/08/31/foro-de-sao-paulo-ameaca-intervir-no-brasil-em-favor-da-narcoditadura-do-pt/

Anônimo disse...

A UNICA COISA QUE AMEAÇA O BRASIL É UM MONTE DE DR. DUQUE, COMPAREM A MERDA QUE O BRASIL ERA NA ÉPOCA DELE COM A DE AGORA, E VEREMOS QUE ESTAMOS NO LUCRO... BOSTA POR BOSTA EU TRUCO, QUEM FOR HOMEM BOTE SEIS, EU METO NOVE E DOZE, PREFIRO O FORO DO QUE A MAÇONARIA, POIS CACHORRO QUELATE NÃO MORDE E ESSES BODES SÓ CAGAM E JÁ CAGARAM DE MAIS...

anônimo disse...

Anônimo das 11:30, vc é daqueles que tem derrame contínuo da artéria intestocerebral (artéria que sai do intestino grosso em direção ao cérebro).
Tem cura. Caminhão limpa fossa.