domingo, 20 de setembro de 2015

Soluções Econômicas para o Dia Seguinte


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

A tomada de decisões para organizar a economia brasileira deve ser precedida de um estudo geopolítico global.

Qualquer novo governo sério deve reordenar os preços relativos, hoje completamente distorcidos.

A liberação total do câmbio é condição sine qua non para a reconstrução nacional.

Inimigos do Câmbio livre

A oligarquia financeira internacional, luta conta o câmbio livre, porque quer implantar o governo ditatorial global que é chamado eufemisticamente de Nova Ordem Mundial.

O primeiro grande ataque foi a criação em 1913 do Federal Reserve Bank (System) que é um banco privado e não um órgão de governo dos Estados Unidos da América como querem nos iludir. O “Fed” usurpou do Tesouro Americano o poder de emissão de moeda (dollar).

Foi o primeiro sinal da decadência do país mais poderoso do mundo. Hoje já existem políticos naquele país cientes do perigo. (vide “O Fim do Fed”, Ron Paul, I.S.B.N 9788580330618)

Com o avanço da informática, a oligarquia pretende extinguir o papel-moeda, para que todas as transações financeiras sejam feitas eletronicamente. Se isto acontecer, seremos todos escravos de quem tiver o poder de bloquear nossas contas e cartões bancários.

Os Estados Unidos da América já emitiram no passado notas de 500 (quinhentos) e de 1.000 (mil) dólares, com um poder de compra muito superior aos mesmos valores de hoje.

A Inglaterra ainda tem um banco central governamental (Bank of England) mas sua maior nota é de 50 (cinquenta) libras esterlinas. Na Escócia existem notas de 100 (cem) libras esterlinas e bancos privados emissores.

O Euro, em nossa opinião, não é uma verdadeira moeda, pois não conta com um poderio bélico garantidor de seu curso internacional.

Com o fim do lastro de todas as moedas (ouro, prata, etc.) hoje elas refletem apenas a qualidade dos governos que as emitem e uma perfeição gráfica que impeça (ou muito dificulte) sua falsificação.

Cabe aos indivíduos do mundo inteiro optar por fazer suas poupanças nas moedas cujos governos respeitam seus cidadãos e nunca promoveram confiscos, bloqueios ou formas mais sutis de se apropriar da poupança alheia, tais como a inflação ou hiperinflação provocadas.

Diferenças entre as moedas

Atualmente só há em circulação, para valores expressivos, o papel-moeda.
As moedas metálicas representam apenas pequenos valores e sua utilização está quase restrita a máquinas automáticas. Nos países em que há inflação, quase sempre são deixadas nas gavetas.

Deduzimos, portanto, que todas as notas do mundo inteiro são apenas papel pintado. O que as diferencia é o prestígio do emissor; sua credibilidade e seus escrúpulos.

É por este motivo que a impressão das cédulas deve ser de alta qualidade gráfica, impedindo (ou muito dificultando) sua falsificação. De tempos em tempos, são mudadas as estampas. Os emissores sérios trocam notas antigas por novas, sem prejuízo para os detentores; já os malandros, dão prazos curtíssimos para a troca e as pessoas que não puderem fazê-la, perdem os valores.

Todas as moedas tem três funções principais, nesta ordem:

-meio de troca;
-medida de valor e
-reserva de valor.

As pessoas tendem a economizar nas moedas que são reservas de valor (isto é, emitidas por entidades de grande credibilidade).

Há moedas não confiáveis para poupança, mas que ainda servem de medida de valor. É o caso do real brasileiro no momento.

O prenúncio da morte de uma moeda é o fato de a mesma servir apenas de meio de troca e para transações de pequeno valor. É o caso do peso argentino; em 2001 um peso valia um dolar estadunidense. Hoje o mesmo dolar vale mais de quinze pesos.

A Flutuação das moedas

Como todas as moedas (papel-moedas) são atualmente apenas papel pintado, o que as diferencia é o prestígio e a tradição de seriedade de seus emissores e a não violação pelos governos das leis e garantias individuais.
Além disto, é necessária uma altíssima qualidade de impressão das notas e que se façam dentro do território nacional, sob a supervisão de um governo leal a seus governados.

No passado, Portugal mandava imprimir suas notas em Londres. Houve uma fraude espetacular que se tornou objeto do livro “O homem que roubou Portugal” (Murray Teigh Bloom, editora Zahar, ISBN 9788537801116).

As moedas são, portanto, meras commodities e assim, seu preço pode variar para cima ou para baixo, conforme a lei de oferta e procura.
Numa analogia com a soja, o preço sobe se há perdas na produção ou cai se esta é abundante. Também há o risco de perecimento da soja estocada; confisco governamental, rompimento criminoso de bolsas-silos, etc.

Uma moeda tende a valer mais em relação a de um país vizinho do que a de um outro longínquo.

Em caso de crise política ou calamidade, é mais fácil atravessar uma fronteira já com alguma quantidade da moeda local do destino.
Um governo despótico pode criminalizar a tenência de moedas estrangeiras. O remédio é ter alguma quantidade das mesmas em poder de parentes ou amigos , habitantes do país vizinho, para onde se pretende fugir.

Sugerimos também a leitura do livro “O Inventor do Papel” (Janet Gleeson, editora Rocco, ISBN, 8532519113).

As cotações das moedas entre si

Um campeonato de futebol sério é feito em dois turnos; todos os times se enfrentam duas vezes: uma como local, outra como visitante.
Assim é o livre mercado de câmbio. Uma moeda A pode se valorizar (ganhar) em relação a moeda B; pode se desvalorizar (perder) ou ficar estável (empate).

O mesmo ocorrerá no confronto de A com C; depois de B com C e assim, sucessivamente. No fim do torneiro é campeã a moeda que obteve mais aceitação nos mercados (pontos).

Como no futebol pode haver fraudes de árbitros (juízes), bandeirinhas (funcionários públicos) e/ou cartolas (banqueiros inescrupulosos).
O que hoje respalda uma moeda é o poderio bélico do país onde é emitida. Qualquer opinião em contrário é mera tentativa de esconder o sol com a peneira.

Às vezes, uma moeda de menor qualidade é preferida por questões práticas. O dono de um restaurante num país distante prefere que o turista cliente pague com cartão (moeda virtual).

Se sair a tripinha de papel da maquininha ele sabe que receberá o valor da refeição, na sua própria moeda. Uma nota de dollar ou libra esterlina, talvez fosse falsa e ele ainda teria o trabalho de trocá-la.

A regulação dos preços relativos

Os economistas franceses da escola Fisiocrática tinham por lema: “Um dia de trabalho vale uma galinha”.

No regime feudal a economia era regulada pelas corporações de ofício. No absolutismo, pelo rei ou seus prepostos. A Revolução Industrial foi o começo da existência dos livres mercados.

Daí em diante os poderosos buscam interferir na lei da oferta e procura, com o mesmo resultado da tentativa de revogar a Lei da Gravidade.
Tabelar, sob pena de severos castigos, o preço de bens ou serviços é a maneira mais segura de gerar o desabastecimento e o caos na economia.

Se numa cidade há muitos barbeiros o preço cai; se, poucos, o preço sobe.
Preço é diferente de valor. O valor pode ser de uso ou de estima. Toda propaganda moderna ter por objetivo aumentar ao infinito o valor de estima de objetos e serviços para que o preço de venda seja muito superior ao preço de custo.

Idiotas pagam fortunas por bolsas de grife, feitas em série num país subdesenvolvido, que fornece até a etiqueta “Made in (país de primeiro mundo). A manipulação da vaidade alheia sempre foi o meio de vida dos espertalhões.

Mas todos os bens e serviços, de valores corretos ou manipulados, tem um preço relativo. Governos totalitários procuram usurpar a fortuna de seus cidadãos (melhor dito, súditos).

A televisão derrubou o Muro de Berlim ; a internet derruba a manipulação de preços e derrubará, em breve, os governos totalitários.

O Dia seguinte do Câmbio Livre

Teremos uma sensação parecida com a do “congelamento de ativos” do Plano Collor.

Perplexidade, medo e insegurança. Imagino que faltarão a raiva e a indignação. Afinal não nos tomam nada; ao contrário, nos dão um direito que não tínhamos: onde amarrar nosso burro (o rico dinheirinho).

Num primeiro momento o dollar subirá muito. Talvez quatro vezes a cotação da véspera. Foi assim na Argentina em 2.001/2.002. Os economistas de lá pensam que se vencer as eleições um opositor e liberar o câmbio, o dollar será cotado ao redor de cinquenta pesos. Atualmente  está cotado por volta de 15,50 pesos.

Vide o link do jornal La Nacion de 10/09/2015, artigo de Luis Majul. http://www.lanacion.com.ar/1826505-el-escenario-que-mas-preocupa-a-scioli“El equipo económico de Scioli, comandado por Miguel Bein, agita el fantasma del miedo al ajuste y la devaluación con decenas de argumentos incomprobables. Como Mauricio Macri declaró que cuando sea presidente va a levantar el cepo de un día para el otro, el jefe de gabinete del gobernador de la provincia, Alberto Pérez, lo acusó de alentar una megadevaluación que podría llevar el precio del dólar a 50 pesos.”

Depois haverá um refluxo da maré; se estabilizará entre 60 ou 70 por cento do valor de pico.

A economia se ajustará rapidamente porque estará baseada na verdade.

Teremos também a extinção de impostos estúpidos, que inibem a geração de riquezas.

Como na Europa, será criado um imposto sobre o valor agregado (acrescido). Assim, incentiva-se o empreendedorismo e ganham todos.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

2 comentários:

Loumari disse...

Viver sem Sofrimento

Os prazeres ardentes são momentâneos, e custam graves inconvenientes. O que devemos cobiçar é viver sem sofrer muito. Aquele que sofre foge-Ihe uma parte da existência. O mal é nocivo à plenitude da vida por que é sempre causa do aniquilamento. Quando o sofrimento nos ameaça, e receamos que as forças defensivas nos faleçam, suspendem-se os outros movimentos do nosso coração, e então pouco há que esperar de nós, por que se torna incerto o nosso destino. O bem-estar de grande numero de individuos, que vivem retirados das agitações, depende mais da sua disposição habitual de pensamento que da influência de causas exteriores. A crise moral pode surpreendê-los e magoá-los momentaneamente; mas a força dos acontecimentos é meramente relativa. Os sofrimentos são mais ou menos intensos, conforme a época em que nos oprimem. O que ontem poderia aniquilar-me, levemente me incomoda hoje. Cinco minutos de reflexão me bastam. A maior parte dos objectos encerram e presentam, indirectamente pelo menos, as propriedades oportunas. Pô-las em acção é no que assenta a industria da felicidade. Ha aí que farte instrumentos fecundos de prazeres úteis; ponto é saber meneá-los. Quem não sabe trabalhar com eles, fere-se. Discernir, isto é, reflectir é o que mais importa...

"Camilo Castelo Branco, in 'Cenas Inocentes da Comédia Humana (1863)'
Portugal 16 Mar 1825 // 1 Jun 1890
Escritor

Loumari disse...

Vivemos num sistema de mentiras organizadas, entrelaçadas umas nas outras. E o milagre é que, apesar de tudo, consigamos construir as nossas pequenas verdades, com as quais vivemos, e das quais vivemos.
(José Saramago)



Começamos a morrer quando só somos capazes de nos copiar. «Escolhe-se morrer?». Às vezes, escolhe-se não viver, que é uma forma de estar vivo e estar morto ao mesmo tempo.
(Eduardo Sá)



Viver à defesa é frequente mas não deixa de revelar uma certa fraqueza nossa. Sabemos que sem risco não há crescimento e que tudo o que não cresce, decresce.
(Laurinda Alves)