segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Atentado terrorista com seus bombas


Presente de Aniversário ao Flamengo e os seus 120 anos de glórias

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marcelo Baglione

Meu falecido pai era de Livramento/RS, mas era flamenguista. Tinha o hábito de levar-nos em todas as torcidas. No entanto, se o jogo anterior tinha sido do Flamengo, o seguinte seria na outra torcida. Encalhou de no fatídico 15 de novembro de 1972 ter sido a vez de ir na torcida do Botafogo - logo dus alemãum.

Era aniversário do mengão, a nação estava em festa e o Brasil já tinha vencido a Mini Copa ou Taça Independência, contra Portugal com um gol de cabeça do Jairzinho, o Furacão da copa de 70. O Mais querido do Brasil, já tinha se sagrado campeão Carioca de 1972, em cima do flu - com um modesto público de quase 140.000 pagantes.

Mas quis Deus - e o meu Pai - que fôssemos exatamente na torcida à direita das cabines de rádio, onde se posicionava a torcida alvinegra naquele trágico dia.

Não desejo me alongar nestas memórias sombrias que marcaram o niver do Mengão em 72. Não! Vou apenas dizer que eu, em silêncio, na torcida do fogão, contava, triste e solitariamente nos dedos de uma das mãos, as primeiras picas-bombas que entravam em nossas redes. Eu não me esqueço disso: eu caladinho, contando os gols nos dedos de minha mão. O problema, é que não imaginava que teria que usar, também, mais um dedinho da mão esquerda. Foi uma chuva de gols e um show de bola que o Botafogo aplicou em nós, Jorge Serrão.

Meu pai, Serrão, tinha um outro hábito: sempre saia do Maraca, alguns minutos antes do fim da partida. Dependendo do jogo e do placar, sai até com 30 minutos de jogo - no segundo tempo. Eu pensei que tinha me livrado da chuva de bombas - gols -, mas eu saia do Maracanã, o antigo, o verdadeiro Maraca que não mais existe, e o Mengão só levando bomba. Os gols não paravam, porra!

Contagem de corpos: No aniversário do Flamengo, o Botafogo nos venceu, nos humilhou - com um gol de letra do Jairizinho! - por 6x0.


Desde essa data e no curso dos anos que se seguiram, eu passei a ter pavor de ir ao Maracanã, em jogos contra o Botafogo, pois quem viu aquele jogo, sabe que foi algo profundamente traumático. Eu ia pra os jogos contra o alvinegro, com medo e justificado pavor, imaginando se não levaríamos outra chuva de gols.

Os anos se passaram, e este era o sentimento que eu carregava, como uma pesadíssima cruz, sempre que ia ao clássico Flamengo x Botafogo. Como se não bastasse a genial geração de Garrincha & Cia, o Botafogo teve a sorte de ser abençoado com uma segunda e espetacular cepa de craques como Gérson, Paulo Cesar Lima (o Caju) e Jairzinho, por exemplo. Coube a parte desta geração, nos marcar a ferro e fogo com este placar que nos humilhou por quase uma década.

A Nação foi marcada por uma dor - que parecia eterna.

Durante estes nove anos, eu odiava ir ao Maraca e ver o desfile de bandeiras do fogão; em especial, aquela faixa, sempre nos lembrando e saudando com o desafortunado e humilhante placar: 6x0!

Mas no backstage da evolução, o início dos anos 70 gestava uma geração que se tornaria um diamante para o Mengão, na passagem desta década para os anos 80.

Serrão, era 08 de novembro de 1981, e eu fui ao nosso quintal, na certeza de que o "Dia D(vingar)" tinha, enfim, chegado. Fui num ônibus lotado, apinhado de flamenguistas que atravessava o Aterro, carregado de esperanças.

Eu sentia, cara! Eu sabia, Serrão, pois lá dentro daquela criança que contou gols nos dedos de ambas as mãos, que o dia da revanche tinha, enfim, chegado.

Não é metáfora ou simples narrativas que vão traduzir o que eu sentia, à medida em que me encaminhava para o Maraca: uma fortíssima intuição me dizia que a oportunidade de devolução estava se apresentando. Eu sabia, sentia, porra!, pois eu não poderia crescer como flamenguista, estando preso - ainda! - àquela tragédia. Eu queria crescer, mas para isso, precisava me libertar deste traumático dia, marcado por um placar que me apavorava em todos os jogos no período pré-Zico.

Na ida, dentro do ônibus, escutei a fofoca no rádio, que o time do Botafogo estava desunido, que tinha almoçado rabada - vejam só! Rabada? Isso não existe em cardápios de pré-jogo. Era mais um sinal, Serrão.

Ser flamenguista é, em si, uma graça; as vitórias, são expressões naturais desta graça maior. Logo, a devolução dos 6x0 ao Botafogo foi, de longe, uma das minhas maiores alegrias em toda a minha carreira como rubro-negro. Como eu fiquei feliz e pude deixar, finalmente, a criança que contou gols em ambas as mãos no ano de 1972, viver sua vida tranquilamente e em paz, dentro da minha psique.

Feliz Aniversário, Flamengo, pelos seus 120 anos de alegria, junto à Nação do Mais Querido do Brasil e seu Manto Sagrado!!!

Que emoção no coração!

Saudações Rubro-Negras!!!

P.S.: Ainda bem que o texto foi concluído. Impossível segurar às lágrimas!



Marcelo Baglione é Torcedor do Mengão.

4 comentários:

Anônimo disse...

À medida em que fui lendo o texto, tive que segurar as lágrimas. Parte da minha vida de torcedor do Flamengo (desde 1953), particularmente no período de 1972/1981, passou pela retina.
Fico imaginando a emoção do autor do texto. Só quem é flamenguista pode avaliar o impacto de tanta emoção, principalmente ao lembrar-se daquele dia em que devolvemos aos "foguinhenses" aqueles ultrajantes 6x0. O melhor de tudo foi ver o mesmo Jairzinho, de 1972, em campo, sendo testemunha ocular da história.
É sempre bom lembrarmos e pouca gente se lembra, que no dia 24/03/1985, pouco menos de quatro anos após a devolução dos 6x0, nós enfiamos uma outra goleada de 6x1 neles pelo Campeonato Brasileiro do ano de 1985.

Anônimo disse...

É a minha paixão!Puxa!Fiquei emocionada,parecia que tinha vivido esse drama do texto!AMO MEU FLAMENGO!!!Amo tanto que já não me importa mais o placar do jogo!Se ganha ou se perde,serei sempre MENGÃO!Costumo falar:nem a morte nos separa!Viva o MENGÃO!Parabéns pelos 120 anos!

Marcelo Baglione disse...

Prezados Anôminos 1 & 2, boa tarde,

Muito obrigado pelo carinho e pelas palavras emocionadas - em vermelho e preto. O Anônimo 1, lembrou muito bem: Jairzinho estava em campo, sim, e quase estragou a festa, lembra? Mas o Dia era de Vingança! Lembrou, também, os 6x1. PARABÉNS pelas citações históricas.

Sejam bem vindos ao meu Facebook: Marcelo Mahler.
Abração e beijos.
Saudações Rubro-Negras!!!

M

Anônimo disse...

Marcelo como um Rubro-negro apaixonado sofri muito, ouvindo em um radinho motor rádio,que o dono era Botafoguense louco, mas por ironia do destino, a devolução do placar foi em uma tv Philco, que comprei com meu primeiro Salário de Bancário, foi uma maravilha.