sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Coronel Ustra: o heróico "Doutor Tibiriçá" - o vigilante da terra


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Eduardo da Rocha Paiva

“Viver é lutar. Se o duro combate os fracos abate, aos fortes, aos bravos, só pode exaltar”.

Em 15 de outubro do corrente, no velório do herói que partia, foi esse trecho do final da Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias, que, emocionados, ouvimos recitar a valorosa viúva, D. Joseíta, acompanhada por suas filhas e família.

Na capela pairava o espírito imortal do Exército de Caxias, encarnado naqueles que, assim como o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, sempre colocaram a Instituição e a Pátria acima de interesses e ambições e, por isso, se tornaram exemplos lembrados pelas gerações que lhes seguiram.

Ao som do Toque de Silêncio e sob a sagrada Bandeira Nacional, o Exército entregou seu ilustre soldado ao comando do Arcanjo São Gabriel, Príncipe da Milícia Celeste. A Bandeira do Brasil, símbolo da Pátria a quem ele tanto amou e honrou, foi entregue à guarda de D. Joseíta pelo Comandante Militar do Planalto. Ao velório compareceram centenas militares da ativa, fardados, inclusive oficiais-generais servindo em Brasília, além de outros tantos companheiros da reserva e civis.

Em São Paulo, no início dos anos 1970, o então Major Ustra conduziu as ações que iniciaram o desmantelamento dos grupos da esquerda radical e a neutralização de sua tentativa de implantar o terror e criar a guerrilha urbana no País. Ustra se tornou um dos símbolos da vitória da Nação sobre os que pretenderam estabelecer o sanguinário regime socialista no Brasil, ideologia do atraso e da violência fratricida, hoje, reconhecidamente fracassada. Ele era o Doutor Tibiriçá, comandante destemido e líder da gloriosa Operação Bandeirante - a OBAN - honraria que o fez alvo de permanente perseguição revanchista, alimentada por representantes da antiga esquerda revolucionária, encastelados nos altos escalões da República após o início dos anos 1990.

Nos idos de 1970, havia uma grande incerteza sobre o futuro da democracia no País, pois as ações da luta armada vinham em uma escalada difícil e, para muitos, impossível de se deter. Foram tempos de elevada insegurança, que não podem ser avaliados, seja por analistas sentados em confortáveis poltronas, diante do computador e no ar refrigerado; seja no papo amigável e descontraído em uma mesa de bar, sem a devida contextualização; e muito menos por pretensos historiadores que, ideológicos e facciosos, são mestres em distorcer a verdade.

É preciso imaginar o cenário vivido pelos irmãos de armas que deixavam a família em casa e saiam para enfrentar o guerrilheiro violento, radical, disfarçado, misturado ao povo ordeiro e que era preparado para matar, sequestrar lançar ou plantar uma bomba, sem se importar se entre suas vítimas estariam crianças, mulheres e idosos não combatentes.

Companheiros cientes de que o inimigo interno (isso mesmo: o inimigo interno) descobrira seus endereços e ameaçava suas famílias, obrigando-os a constantes mudanças de moradia, com todas as atribulações decorrentes. Irmãos de armas que viam seus camaradas serem feridos ou mortos em emboscadas, atentados e outras operações conduzidas pelos grupos da esquerda armada revolucionária.

Foi nesse clima de incertezas e insegurança que nossos companheiros e famílias passaram alguns anos de suas vidas, para que a grande maioria dos brasileiros seguisse vivendo normalmente, usufruísse das benesses do milagre econômico, que realmente existiu como lembram os cidadãos e cidadãs que o vivenciaram, e visse concretizada a redemocratização, propósito sempre anunciado e buscado pelos governos militares.

Nossos irmãos de armas fizeram o que teríamos que fazer todos nós, soldados, se estivéssemos no lugar deles naqueles anos decisivos para o futuro da liberdade no Brasil. Porém, é sabido que Deus e os soldados só são lembrados nos momentos de insegurança e incerteza. Passadas as dificuldades, Deus é esquecido, os soldados são perseguidos e, às vezes, deixados para trás pelos companheiros que teriam de protegê-los.

Por isso tudo e muito mais, é inconcebível abandonar irmãos de armas ante a injustiça que correm o risco de sofrer. Por outro lado, é hipocrisia a condenação de governos nos quais tenham ocorrido excessos na reação à luta armada, por sucessivos governos que remuneram, apoiam e confraternizam com o MST, cujas ações resultam, impunemente, em ameaças, invasões, destruições e mortes; que idolatram regimes totalitários e lideranças ditatoriais criminosas como as de Cuba e do Irã; que concedem asilo político a terroristas estrangeiros condenados ao mesmo tempo em que entregam a Cuba fugitivos daquela ditadura; e, ainda, pagam indenizações milionárias a assassinos, sequestradores e terroristas anistiados, e suas famílias, mas não às vítimas de seus crimes•.

Em 2013, assisti ao depoimento do Coronel Ustra em audiência pública da nefasta, e indevidamente chamada, Comissão Nacional da Verdade. Ustra enfrentou, com indescritível e admirável coragem moral, inteligência, lucidez e segurança, o cenário montado com o propósito de intimidar e enfraquecer o mais relevante símbolo da vitória do Exército contra a luta armada.

Seria uma forma de abrir espaços na mídia para a opaca e desacreditada comissão, de maneira a respaldar o prosseguimento de trabalhos vistos como facciosos pela maioria da sociedade. Ledo engano daqueles que não sabem do que é capaz um soldado com têmpera de aço e consciência tranquila de ter cumprido dignamente a missão que o Exército e a Nação lhe confiaram.

Teu grito de guerra retumbe aos ouvidos d’imigos transidos por vil comoção; e tremam d’ouví-lo pior que o sibilo das setas ligeiras, pior que o trovão (Canto VI da Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias).

Ao entrar no auditório, a presença do Coronel Ustra transmitiu uma silenciosa mensagem de força interior, que se impôs ao público presente. Iniciada a inquirição, as respostas precisas e a voz do comandante se impuseram à audiência e desarmaram os inquisidores que, surpreendidos, foram ficando inseguros e sem argumentos convincentes para embasar os questionamentos que faziam.

Ah, como foi bom ver os membros da comissão, fisionomias espantadas e mentes desorientadas, na realidade, totalmente perdidos, caírem do pedestal onde pretendiam brilhar sob os holofotes da mídia, tripudiando sobre uma ilusória fragilidade do emblemático alvo da esquerda radical.

Arrogância, vaidade, revanchismo, injustiça e ambição midiática - uma ausência total de grandeza de propósitos - desmoronaram diante da autoridade moral de quem sempre teve a Nação, o Exército e a família como razões de viver. A audiência foi encerrada, apressadamente, após o tumulto provocado por antigo preso da OBAN, nos anos 1970, frustrado pela intervenção de militares que assistiam ao evento e cuja reação obrigou a comissão a fazer cumprir as recomendações estabelecidas por ela mesma ao início do evento.

Por causa desse fracasso, a comissão da omissão da verdade nunca mais fez uma audiência pública durante seus trabalhos, cuja finalidade, de fato, nunca foi revelar a verdade histórica sobre violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988 e promover a reconciliação nacional, propósitos surrealistas após centenas de obras escritas sobre o regime militar e mais de trinta anos da redemocratização. Seus objetivos, claros desde o início, eram provocar a revisão da Lei de Anistia, para punir apenas os agentes do Estado que combateram a luta armada, condenar os governos militares e os chefes do passado e imobilizar as Forças Armadas, contribuindo com o projeto da liderança política no poder de implantar o socialismo no Brasil.

As Histórias do Brasil e do Exército, inclusive nos anos 1960 e 1970, não hão de ser conhecidas apenas pela versão dessa esquerda socialista radical, derrotada e anistiada pelos governos militares, e descompromissada com os feitos históricos e os heróis nacionais. A verdade não será sufocada pelos apóstolos de Lênin e Mao, seguidores de Fidel, Lula e Chaves e serventes da atual liderança política, pouco afeita à verdade, mentora dos escândalos do mensalão e do petrolão.

O Exército não cometerá tal injustiça com seu passado longínquo e com sua contribuição decisiva para a implantação, condução e consolidação da democracia no Brasil. Não permitirá que neguem sua indissolúvel união e lealdade à Nação, nem que seja vilipendiada a memória de antigos e honrados chefes e camaradas, entre eles o Coronel Ustra, que lideraram e defenderam a Nação da agressão comunista. Seria o suicídio da autoestima e do autorrespeito, além de uma desonrosa rendição à esquerda radical, em seu propósito de quebrar a coesão do Exército e promover o rompimento das futuras gerações de soldados com o honroso legado da Instituição.

A História do Exército, cuja reputação e credibilidade são irrefutáveis, há de ser contada, também, pelos herdeiros de Caxias, Mascarenhas, Castello e Médici. O Coronel Ustra, um herdeiro dessa nobre linhagem, deixou relevante contribuição para as Histórias do Brasil e do Exército com seu livro A Verdade Sufocada, um cativante e bem documentado relato do combate à luta armada. A saga vivida por Ustra, como líder e testemunha ocular, nos faz lembrar o trecho final do célebre poema I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias:

Assim o Timbira, coberto de glória, guardava a memória do moço guerreiro, do velho Tupi. E à noite nas tabas, se alguém duvidava do que ele contava, tornava prudente: Meninos, eu vi!".

Tibiriçá (1440? – 1562) - “O Vigilante da Terra” na língua Tupi: era um cacique tupiniquim e foi o primeiro indígena a ser catequizado pelo Padre Anchieta. Liderou com bravura a sua tribo na defesa da povoação de São Paulo, em seu nascedouro, quando atacada por uma confederação de tribos indígenas.

“A Viúva do Che”: artigo deste autor, publicado em vários sites da internet em 2009, inclusive no site “A verdade Sufocada”.

Luiz Eduardo da Rocha Paiva é General de Divisão, na reserva.

7 comentários:

Anônimo disse...

Estes merdas, fdp mereciam ter passado o resto da vida na cadeia. A impunidade me faz querer justiça com as próprias mãos e cada vez que eu vejo um canalha mafioso proteger o que um assassino torturador fez para um povo a vontade aperta... Bosta é bosta mas este bosta não servira nem para esterco...

Loumari disse...

Rentabilizar o Tempo

Sempre que damos algo como adquirido deixamos de sentir a plenitude, abdicamos da essência e acabamos por nos esquecer do «Agora», o único momento de ação que temos e que é verdadeiramente real. O que pretendo afirmar com estas linhas é tão simples como isto: o facto de sabermos do fim aproxima-nos de tudo o que realmente vale a pena e nada é mais imponente que a natureza, as pessoas e os afetos. Nada é mais importante que a forma como escolhemos rentabilizar o tempo finito que temos. Damos mais valor à vida quando temos a certeza absoluta que vamos morrer e quanto mais cedo adquirirmos essa consciência, mais sentimos, mais nos damos, mais sabemos receber, mais arriscamos, mais desfrutamos, mais celebramos, mais inspiramos e, por conseguinte, mais felizes somos também.

"Gustavo Santos, in 'O Caminho'

Loumari disse...

O Inseguro

A eterna canção: Que fiz durante o ano, que deixei de fazer, por que perdi tanto tempo cuidando de aproveitá-lo? Ah, se eu tivesse sido menos apressado! Se parasse meia hora por dia para não fazer absolutamente nada — quer dizer, para sentir que não estava fazendo coisas de programa, sem cor nem sabor. Aí, a fantasia galopava, e eu me reencontraria como gostava de ser; como seria, se eu me deixasse...
Não culpo os outros. Os outros fazem comigo o que eu consinto que eles façam, dispersando-me. Aquilo que eu lhes peço para fazerem: não me deixarem ser eu-um. Nem foi preciso rogar-lhes de boca. Adivinharam. Claro que eu queria é sair com eles por aí, fugindo de mim como se foge de um chato. Mas não foi essa a dissipação maior. No trabalho é que me perdi completamente de mim, tornando-me meu próprio computador. Sem deixar faixa livre para nenhum ato gratuito. Na programação implacável, só omiti um dado: a vida.

Que sentimento tive da vida, este ano? Que escavação tentei em suas jazidas? A que profundidade cheguei? Substituí a noção de profundidade pela de altura. Não quis saber de minerações. Cravei os olhos no espaço, para acompanhar a primeira fase de ascensão dos foguetes, ver passar os satélites. Olhei muito em redor e para cima, nada para dentro ou para baixo. Adquiri uma ciência de ver, ou perdi outras, que não eram ciências, eram artes de vi-ver?

Bom, é verdade que as circunstâncias não foram lá muito propícias. Houve de tudo, menos sossego. Quem pôde dedicar-se a certos trabalhos de geologia moral, como dizia o velho Assis? Mas as circunstâncias nunca foram favoráveis a nada, nenhum progresso jamais se fez à sombra de copada mangueira. Havia guerra, e daí? Injustiça, e daí? Explosão de ressentimentos, recalques, revoltas, e daí? Era precisamente o instante para você afirmar-se, meu velho: ou revelando a sua palavra ou pesquisando a sua verdade. Mas você se deixou ir empurrado, machucado, embolado, bola caindo fora do gramado, ou, na melhor, resvalando na trave.

Continua

Loumari disse...

Eu sei que você cultivou — mas vamos capar essa alienação da terceira pessoa — que cultivei ótimos sentimentos, isso não há dúvida. Por mim, era tudo compota de alegria, licor de anjos, flores de ternura na face da Terra. Exagerei tanto nesse bem-querer universal que, se fosse obedecido, isto aqui se tornaria insuportável, de tão doce e melenguento. Corrigi mentalmente a aridez do mundo sem me dar ao trabalho de mover o dedo mindinho para corrigi-la de fato. O que me dói mais são meus bons sentimentos; envelhecendo, assemelham-se a calos. Ou pedras. Tão aéreos, como pesam! Devia ser proibido cultivá-los em estufa.

Ora, estou empretecendo demais as faltas do homem qualquer que presumo ser (não tão qualquer, afinal: tenho meus privilégios de pequeno-burguês, e quem disse que abro mão deles?). Devo alegar atenuantes em minha defesa. Não nasci descompromissado com o mundo tal qual é, em seu aspecto rebarbativo. Deram-me genes tais e quais, prefixaram-me condições de raça e meio social, prepararam-me setorialmente para ocupar certa posição na prateleira da vida. Meus ímpetos de inconformismo são traições a esse ser anterior e modelado, em que me invisto. Donde concluo que preciso reformar-me, antes de reformar os outros.

Como? Procurei fazê-lo este ano? Que significa um ano para reforma de tal envergadura? Queria eu chegar a 1970 de estrutura nova, que nem edifício construído no lugar de casa velha? Às vezes me assalta uma espécie de simpatia criminosa pelas minhas velhas paredes, meus podres alicerces: é tão bom a gente ser a mula velha que pasta o capim do hábito, ir trotando em silêncio pela estrada sabida... A burrada moça que se aventure a outras pastagens, entre abismos. Pensando bem, não perdi meu ano, pastei sem risco. Mas este "pensando bem" dura um segundo. Quem pode terminar o ano satisfeito consigo mesmo? Quem não faltou, não se esqueceu de alguma coisa, não perdeu um gesto de ouro, não renunciou a um ato de grandeza? Agora estou generalizando uma omissão pessoal, procuro arrimar-me em possíveis faltas alheias. Olha aí esse malandro diante do espelho, procurando ver outras caras no lugar da sua! Mas é tempo de parar com a eterna canção — e celebrar: os que não morremos estamos — ó milagre — vivos. Depressa, o copo, a dose dupla!

Carlos Drummond de Andrade, in 'O Poder Ultrajovem'
Brasil 31 Out 1902 // 17 Ago 1987
Escritor/Poeta/Cronista

Loumari disse...

A minha vida é muito boa para que possa desprezá-la. A solução é viver o dia-a-dia. Relaxa e goza.
(Millôr Fernandes)

Paulo Ribeiro disse...

Anônimo, bosta que não serve nem para esterco é você seu comuna covarde que nem se identifica, tá aí a cara de vocês, são todos iguais ao covarde do Zé BOSTA Genoíno que se cagou todo e mentiu entregando a companheirada quando foi pego pelo pelotão do Cel Lício. Vocês são uns esquerdopatas malditos, perderam a guerra três vezes e irão perder de novo seus vagabundos vermelhos do inferno! Salve Cel Ustra!!!

Paulo Ribeiro disse...

Anônimo, bosta que não serve nem para esterco é você seu comuna covarde que nem se identifica, tá aí a cara de vocês, são todos iguais ao covarde do Zé BOSTA Genoíno que se cagou todo e mentiu entregando a companheirada quando foi pego pelo pelotão do Cel Lício. Vocês são uns esquerdopatas malditos, perderam a guerra três vezes e irão perder de novo seus vagabundos vermelhos do inferno! Salve Cel Ustra!!!