quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Das guerras assimétricas ao caos construtivo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

"Estratégia de saída" é a expressão da moda entre militares e diplomatas anglo-americanos. Significa encontrar um meio de "sair com honra" - isto é, sem derrota – da situação em que se meteram no Iraque invadido e ocupado desde março de 2003.

"Vemos germinar um futuro brilhante no Oriente Médio", afirmou o então presidente George Bush na Assembléia Geral das Nações Unidas. Todavia, observadores e analistas realizaram um balanço mais do que crítico da "guerra mundial contra o terrorismo" lançada pelos EUA após o 11 de setembro de 2001, quando Washington redefiniu as ameaças e os inimigos assimétricos, distinguindo "os que estão conosco" dos que "estão contra nós", em função do humor e dos interesses dos responsáveis pela tomada das decisões, todas ou quase todas sem grande relação com as grandes ameaças reais.

Transformar movimentos clássicos de resistência anticolonial e regimes laicos em objetivos de uma guerra global contra o terrorismo, colocando-os na mesma categoria que a Al-Qaeda e outras redes criminosas, foi algo mais que um erro. Foi considerada uma catástrofe.

Posteriormente, os planificadores do Pentágono associaram as novas guerras à mundialização e analisaram a ameaça que representam para a segurança do Ocidente. Identificaram especialmente dois tipos de ameaças, denominadas assimétricas: por um lado, guerras internas, devidas principalmente ao debilitamento ou à desintegração de alguns Estados nacionais sob a pressão da mundialização; e por outro, ameaças transnacionais provenientes não de outro sistema, território ou religião e sim, de uma nova paisagem estratégica, mais violenta - com pequenas guerras provocadas por facções criminosas -, subdesenvolvimento ou transformações demográficas.

Todavia, o fato de que esses movimentos dirijam guerrilhas urbanas de baixa intensidade não se comparam - ainda quando às vezes recorram ao terrorismo - com o mesmo perigo assimétrico global. Contrariamente à “jihad contra os cruzados e os judeus", eles se apóiam em uma base popular e mostram objetivos territoriais definidos. Além do que, se declaram dispostos a soluções políticas.

A Al-Qaeda e outros grupos semelhantes tiram proveito da guerra iniciada há cinco anos para esmagar esses pequenos movimentos. Seu poder reside em sua capacidade de assegurar o apoio e a adesão de muçulmanos oprimidos e encolerizados, que se sentem afetados pela "guerra mundial contra o terrorismo"empreendida pelos EUA e seus aliados no Afeganistão, Iraque, territórios palestinos e Líbano.

O primeiro conflito contra o "terrorismo apocalíptico", no Afeganistão, foi considerado por alguns moralistas pacifistas como "a primeira guerra justa" empreendida pelos EUA. Todavia, o uso excessivo da força com relação aos objetivos declarados manchou a legitimidade da guerra, reavivou as chamas do militarismo islamita e justificou os chamados à guerra santa.

Os F-16 e os mísseis Tomahawak dominavam os céus. Segundo os analistas, os EUA teriam podido desembaraçar-se da Al-Qaeda mediante golpes dirigidos aos planificadores e executores do 11 de setembro, localizados pela Inteligência, sem necessidade de atingir toda a população afegã que se mostrava indiferente e inclusive hostil aos "afegãos árabes".

Não é por casualidade que os talibãs estejam de volta cinco anos depois, agora mais obstinados do que nunca. Recorde-se que em um discurso pronunciado recentemente, o presidente paquistanês Pervez Musharraf assinalou o risco de uma nova "talibanização" do Afeganistão. A extensão desse tipo de extremismo religioso violento é muito mais perigosa que a superestrutura da Al-Qaeda que, em sua opinião, deve ser combatida principalmente por meios políticos. O presidente Musharraf assinalou também a responsabilidade geopolítica do Paquistão, do Ocidente e especialmente dos EUA no crescimento do extremismo religioso no Afeganistão, porque nos anos 80, quando da invasão russa, fizeram vir cerca de 30 mil mujaidines do mundo inteiro para lutar, para depois abandoná-los ao final da derrota da Rússia. 

Desde o começo da guerra não se avançou nada ou quase nada fora de Cabul. A população sofre com a violência e com as privações. O caos perdurou, aumentou o tráfico de drogas (que hoje representa cerca de 90% do mercado mundial de ópio) e os chefes tribais, os senhores da guerra e os islamitas reinam sobre quase todo o país. Cinco anos após a sua queda, os chefes talibãs fustigam as tropas da OTAN e lhes causam perdas cada vez maiores. Apesar da presença de 20 mil soldados dos EUA, cerca de 2 mil pessoas foram assassinadas desde o início de 2006, incluindo parlamentares, personalidades religiosas, prefeitos, etc. Não há dúvida de que as milícias de resistência têm crescido, tanto em força como em audácia.

Segundo os meios de difusão, 60% do país está privado de eletricidade e 80% da população não possui água potável. A ausência de uma polícia confiável criou um vazio que foi preenchido por toda a sorte de forças anti-governamentais: islamitas no sul, senhores da guerra dos anos 80 no oeste, traficantes de drogas no norte. E, durante esse tempo, os combates que as forças da coalizão enfrentam com os talibãs interromperam os projetos de reconstrução e diminuíram o alcance daqueles que foram dados como concluídos. Somente a metade da ajuda econômica prometida ao país em 2001 foi distribuída, e a rota de Cabul a Kandahar, cuja reconstrução foi o maior logro dos EUA até agora, está impossível de ser utilizada por causa do nível de violência em toda a sua extensão.

Tudo isso resultou, até agora, da incapacidade dos EUA e seus aliados de concentrarem-se nos esforços de reconstrução, inclusive esquecendo o "mini-Plano Marshall", anunciado pelos EUA, a um país transformado em polígono de tiro. Um ano depois, a operação Enduring Freedom já era uma guerra esquecida, à qual os meios de comunicação dos EUA não prestavam a menor atenção, uma vez que Washington já havia embarcado em uma guerra mais vasta, no Iraque.

A ocupação do Iraque, segunda frente da "guerra mundial contra o terrorismo", não parece próxima do fim. A escalada de violência desmentiu o otimismo que se seguiu à morte de Abu Mussab Al-Zarqawi, chefe local da Al-Qaeda. Segundo o então vice-presidente Richard Cheney, "a resistência agonizava". Porém, em um recente Informe, o chefe dos serviços secretos da Marinha norte-americana no Iraque escreveu que "as forças militares dos EUA não podem fazer praticamente nada para melhorar a situação política e social". Suas perdas estão em vias de alcançar o número das vítimas do atentado de 11 de setembro de 2001 (jornal Washington Post de 11 de setembro de 2006).

A violência multiforme entre sunitas e xiitas polariza o Iraque, acentua a tirania do novo regime e alimenta mais do que nunca a escalada contra os ocupantes. O Instituto de Medicina Legal de Bagdá contabilizou, somente em junho de 2006, mais de 1.500 cadáveres de iraquianos, e em julho foram batidos todos os recordes: 1.855 mortos. O mês de agosto, apesar da chegada a Bagdá de 8 mil militares dos EUA e outros 3 mil do Iraque, terminou com 1.526 vítimas, um áspero desmentido para aqueles que se jactaram de "uma queda de 52% na violência".

Depois de mais de três anos de guerra, podem ser consideradas duas hipóteses: como se espera que a situação piore e o país "afundará no caos", como disse Mahmud Al-Mashadani, presidente do Parlamento iraquiano, ou por algum milagre, o Iraque sobreviverá ao atual estado de deterioração. Porém, o que se observa é que o atoleiro está transformando a operação "Liberdade para o Iraque" em uma guerra impossível de ser ganha. Em ambos os casos a multiplicação de grupos insurgentes, de células de resistência, de esquadrões da morte, bandos de criminosos e grupos para-militares, complicará enormemente a contra-insurreição e os trabalhos de reconstrução, os dois pilares sobre os quais se apóia o êxito.

A complexidade da situação é tal que a presença dos EUA no Iraque torna-se cada vez mais perigosa e também cada vez mais irrealista proclamar que "a batalha está ganha", enquanto o país se afunda em uma guerra civil. O fracasso no Iraque estimula outros inimigos dos EUA - como o presidente Ahmadinejad, do Irã -. 

O mesmo ocorre com a Somália que caminha em direção a uma "talibanização" desde que os tribunais islâmicos, depois de vencerem grupos tribais recrutados pelas forças dos EUA, assumiram o controle de Mogadiscio e se expandem para outras regiões. Os conflitos na Somália acentuam a desestabilização do chamado Chifre da África, em detrimento dos interesses de Washington. Já se supõe que nessa zona é que se fixaram os centros de recrutamento e treinamento onde foram preparados os atentados simultâneos em agosto de 1998 contra as embaixadas dos EUA em Nairobi/Quênia e Dar-es-Salam/Tanzânia, que causaram 250 mortos.

Por outro lado, as guerras assimétricas que Israel desenvolve no Líbano e nos territórios palestinos têm levado a becos sem saída estratégica, depois das enormes destruições e da morte de milhares de palestinos, libaneses e também israelenses. Apesar do apoio diplomático, logístico e estratégico dos EUA à guerra de Israel na Faixa de Gaza e de sua extensão ao Líbano, esses ataques amplificaram a popularidade do Hamas e reforçaram a influência do Hezbollah no Líbano.

As guerras assimétricas se revelaram muito mais eficazes para os inimigos dos EUA que as guerras convencionais, e raramente terminam com um acordo de paz e uma clara distinção entre ganhadores e perdedores. Embora os movimentos de resistência não possam vangloriar-se de terem obtido uma vitória completa quando seus países foram bombardeados, ocupados e devastados, da mesma forma seus adversários não podem pretender ter alcançado seus objetivos. Uns e outros sempre perdem; todavia, o mais débil pode reivindicar uma vitória estratégica, simplesmente porque o mais forte não logrou impor sua vontade.

Enquanto isso, o Informe publicado pela Casa Branca em setembro de 2006, o National Strategy Report for Combating Terrorism, somente se referiu às "vitórias" e aos "desafios" encontrados no Iraque, no Afeganistão e outros lugares. Nunca aos fracassos. A capacidade de Washington para continuar "fracassando com êxito" teve unicamente a conseqüência de fazer crescer a retórica e os desafios da guerra, porém tornou cada vez mais improvável a detenção da atual corrida para o abismo.

A extensão sem fim do campo da guerra contra o mal absoluto, utilizando um programa construtivo de destruição, é perigosa. Com essa perspectiva, os EUA já haviam obtido um "êxito" estratégico ao semear o "caos construtivo" levantando os regimes, grupos e etnias competitivas uns contra os outros. A falaciosa vontade de levar a guerra ao inimigo tem consistido, na realidade, em destruir, dividir e reinar. No Líbano, embora destruindo parte importante da infra-estrutura do país, forçando o êxodo de um terço de sua população e matando mais de 1.200 civis, Israel não conseguiu alcançar seus objetivos de guerra.

Tensões e guerras debilitam os governos, solapando a soberania dos Estados e abrindo espaços a atores mais eficazes. Um Estado que já não consegue proteger seus cidadãos perde toda a legitimidade. Por isso, o fato de substituir os governos do Oriente Médio, por mais representativos que sejam, por outros atores para a gestão da segurança, tem conduzido inevitavelmente a uma catástrofe. Embora o Estado possa ser reformado, a supremacia desses novos atores conduz a um "império do caos", que já se estende da Somália ao Afeganistão.

Admitindo-se por um momento que o final da guerra contra o terrorismo esteja determinado pela pergunta de Donald Rumsfeld: "Chegamos a matar ou a capturar os jihadistas mais rapidamente do que eles nascem?" Cinco anos, cinco conflitos e cinco bilhões de dólares mais tarde, a guerra planetária que Washington declarou ao terrorismo apenas fortaleceu os seus inimigos fundamentalistas. A administração aplicou estratégias preventivas unilaterais e medidas especiais de Inteligência com a finalidade de precaver-se de ataques terroristas. Mas tudo isso, na realidade, incrementou as ameaças que culminaram com o ataque de 11 de setembro.

Do Afeganistão à Somália e às comunidades muçulmanas do mundo inteiro, aumentaram as ameaças assimétricas dirigidas aos EUA e seus aliados e a única superpotência mundial, os EUA, parece cada vez mais impotente para controlar o terrorismo, ao qual declarou guerra.

A banalização da violência e a sombra dos intermináveis conflitos do Oriente Médio tiveram um forte impacto sobre as comunidades árabe-muçulmanas do Ocidente, e as linhas de fratura correm o risco de estender-se dos bairros periféricos de Bagdá e Cairo aos das grandes cidades ocidentais. Nesse sentido, Washington se afunda cada vez mais nas areias movediças do Oriente Médio porque os Órgãos de Inteligência da administração Bush relutaram em aprender as lições sobre a guerra assimétrica nessa região. Somente no final de setembro de 2006 as 16 agências de Inteligência dos EUA reconheceram, em uma avaliação conjunta, que o conflito no Iraque "criou uma nova geração de extremistas islâmicos e tornou mais grave a ameaça global que representa o terrorismo", segundo um relatório publicado dia 30 de setembro de 2006 pelo jornal The New York Times. (vide o surgimento do Estado Islâmico). 

Essa avaliação reconheceu ainda a guerra no Iraque como uma das razões da expansão da ideologia islâmica radical no mundo. Nesse sentido, o senador Ted Kennedy, do Partido Democrata, perguntou: "Quantos relatórios mais, quantos mortos mais e quão mais profundo o Iraque deve cair em uma guerra civil para que a Casa Branca desperte e mude sua estratégia?". O grande problema é que o ponto fraco dos norte-americanos é a baixa qualidade das informações de que dispõem, conseqüência da queda no nível de seus 15 Serviços de Inteligência nos últimos tempos.

O 11 de setembro deixou claro que a era da mundialização, violência e extremismo provocados por guerras, ocupações ilegais e ausência de futuro para alguns Estados, não puderam deixar de extravasar as fronteiras nacionais e regionais, pondo em perigo o coração do mundo ocidental graças às facilidades oferecidas pelos transportes modernos, pela internet, e pela transmissão por satélite, ao vivo, das imagens da guerra e de sermões nas madrassas muçulmanas que representam tantas outras provocações e incitações.

E, entretanto, os esforços ocidentais não se concentraram em medidas de reconciliação e reabilitação como, por exemplo, a reconstrução do Afeganistão ou a solução palestina, de longe a principal fonte dos sentimentos antiocidentais. Pressionada pelos grandes grupos petrolíferos e militar-industriais, a administração Bush preferiu exibir suas forças: invadiu o Iraque e suas fabulosas reservas de petróleo, apoiou as ofensivas de Israel contra os palestinos e no Líbano, o que não deixou de ser uma contribuição à desestabilização regional.

Vejamos uma segunda lição, que vem do Século XX: ninguém jamais venceu uma guerrilha ou uma insurreição, no marco de uma guerra de baixa intensidade, em solo estrangeiro, como comprovam as experiências soviética no Afeganistão e a francesa na Argélia. Assim como a sua própria história da guerra no Vietnã, os EUA deveriam saber que o arsenal mais sofisticado e mais destruidor não é capaz de evitar que suas tropas estejam muito menos motivadas que as de seus adversários, mais frágeis e, portanto, mais capazes de serem derrotadas. Em conflitos desse tipo, os soldados norte-americanos, britânicos e israelenses, melhor treinados, melhor pagos e equipados se esforçam, sobretudo para sobreviver, em guerras que julgam muitas vezes supérfluas. Enquanto isso, seus adversários, que são militantes voluntários, embora com equipamentos modestos, têm disposição para sacrificar suas vidas em um confronto que julgam necessário. 

Enquanto os norte-americanos e britânicos choram seus mortos, os grupos terroristas celebram os seus. Essa é a grande diferença.

Em cada um dos conflitos já mencionados, a fragmentação dos grupos de guerrilha, de insurgentes e de resistência tornaram maiores as dificuldades dos EUA nesses conflitos assimétricos, mormente porque os sentimentos anti-EUA aumentam, a cada dia, nos territórios devastados. O propósito de toda guerra, segundo Aristóteles, deve ser a paz, que resulta de uma negociação política. Porém, essa negociação política torna-se cada vez mais problemática porque os norte-americanos parecem não ter objetivos coerentes e bem definidos. Isso complica a "paisagem estratégica", porque os EUA têm muitos inimigos sem uma clara identificação territorial, mas dotados de projetos políticos bem definidos.

Então, surge a pergunta: que estratégia deve ser empregada na guerra contra o terrorismo?

Nos EUA, os meios de comunicação e o Congresso demonstram dificuldade para responder a essa pergunta depois dos fracassos no Oriente Médio. Em decorrência, surgem outras perguntas: a administração Bush se equivocou? Foi levada a cometer erros em suas guerras no Oriente Médio ou enganou intencionalmente o povo norte-americano com uma política deliberadamente mentirosa a serviço de alguns objetivos específicos? 

Tudo isso levou a que a expressão em moda atualmente entre militares e diplomatas anglo-americanos seja "estratégia de saída", que significa encontrar uma forma de "sair com honra", isto é, sem derrota, da situação em que se meteram no Iraque invadido e ocupado desde março de 2003. Somente no mês de outubro de 2006, cerca de 104 soldados norte-americanos foram mortos no Iraque, o maior número por mês desde o início da invasão. Desde então, 2.816 militares norte-americanos já morreram no conflito. Ainda em outubro, 1.289 iraquianos morreram em diferentes atos de violência - ataques armados, explosões, assassinatos políticos, dos quais 139 eram policiais ou militares.

O próprio governo norte-americano reconheceu, em um relatório, que o Iraque virou um imã para todo radical islâmico que deseja atacar o Ocidente, especialmente seu país mais poderoso. Tanto isso é certo que na época foi anunciada a constituição do Mando Político Unificado da Resistência Iraquiana (MPURI), que representa a unificação da base social, política e militar anti-ocupação, integrando personalidades e organizações que apesar de lutarem contra a ocupação, não tinham conexão entre si. A constituição do MPURI foi anunciada pelo jornal árabeal-Quds-al-Arabi, editado em Londres, na edição de 27 de outubro de 2006 (http://www.rebelion.org/noticia.php?id=40412).

Em meados de outubro de 2006, o comando do Exército norte-americano concluiu que o Iraque vive uma situação de caos, segundo reportagem publicada pelo The New York Times em 25 de outubro. Diz a reportagem que a segurança indica uma queda constante em direção ao caos desde o bombardeio de uma mesquita xiita em Samarra, em fevereiro de 2006.

Por outro lado, as cifras das despesas que os EUA estão tendo com a ocupação do Iraque são inacreditáveis: cerca de US$ 246 milhões por dia, mais de US$ 10 milhões por hora, segundo um trecho do livro Out of Iraque, de George McGovern e William Polk, publicado na edição de outubro de 2006 da revista Harper´s. Essa cifra, se comparada com as da ONU, torna-se ainda mais surpreendente. O orçamento anual das 16 missões de paz em andamento, além de duas outras missões políticas, é de US$ 5 bilhões. Em 1 de outubro de 2006 eram 69.740 soldados usando os capacetes azuis da Organização, além de 8.028 policiais e 125.3904 civis. Um total de 93.162 homens e mulheres.

Os EUA, por sua vez, gastaram em torno de US$ 4,5 bilhões por mês apenas com suas operações no Iraque, onde estavam 140 mil soldados e fuzileiros navais americanos.

Para o historiador britânico Max Hastings, a invasão do Iraque lembra a piada sobre o sujeito que perde as lentes de contato em um beco escuro e decide procurá-las na esquina, pois lá a luminosidade é maior. Já que o terrorismo internacional é difícil de combater, vamos ao alvo mais fácil.
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Dados Bibliográficos:

- De las Guerras Asiméticas al Caos Constructivo, Marwan Bishara, Le Monde Diplomatique  
(http://www.rebelion.org/noticia.php?id=40208). Marwan Bishara é professor da Universidade Norte-Americana de París e autor de Palestine/Israel: Peace or Apartheid (Zed Press)

- Noticiário da imprensa internacional


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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