terça-feira, 10 de novembro de 2015

Era uma sociedade feliz vivendo na mentira


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Hélio Duque

No início de 2012, a presidente Dilma Rousseff  tinha aprovação popular de 92%, sendo 65% de “ótimo e bom” e 27% de “regular”. Retrata o comportamento de uma sociedade mercurial alienada da realidade. A “festa de arromba” e os “bailes a fantasia” nos círculos do poder, alimentada por marqueteiros e farta propaganda inebriava os brasileiros. Os sinais de inconsistência do modelo econômico eram visíveis. Empresários, trabalhadores e classe média acreditavam estar vivendo um novo nirvana.

Quem ousasse advertir do irrealismo e da crise que viria, era considerado pessimista e estigmatizado como inimigo da classe trabalhadora. A elite econômica, bancos, empreiteiras e grandes grupos se refestelavam na obtenção de vantagens e privilégios, onde o BNDES foi carro-chefe, mas não o único. O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, vinculado à Presidência da República, era presidido pelo poderoso empresário, Jorge Gerdau Johann Peter e tinha outros ilustres integrantes, a exemplo do notório José Carlos Bumlai.
                           
Como diria o malandro: “estava tudo dominado”. A sociedade, ao aprovar o governo com 92%, concedia o “agrément” para a autossuficiência e o voluntarismo dilmista e lulista. Artificialmente a taxa de juros foi rebaixada para 7%; a energia foi reduzida e anunciada em cadeia nacional de televisão; os preços administrados foram congelados, a exemplo da gasolina e toda a cadeia de petróleo; o corte seletivo de impostos por setores eleitos e elevação dos gastos públicos sem critério, detonaram as contas públicas, elevando a nível recorde a dívida pública e desorganizando caoticamente a economia brasileira. 
                           
Em 2015, Dilma reeleita, legitimamente com 54,6 milhões de votos, a conta chegou radiografando a deterioração das finanças públicas do governo. Historicamente, o “superávit primário”, mesmo nos momentos de crise, sempre foi obtido por diferentes administrações da república. Quando Dilma Rousseff assumiu o governo, era de R$ 128 bilhões.

Agora, de maneira inédita, a situação é inversa: o “déficit primário” consolidado seria de R$ 60 bilhões, com o agravante de o Tesouro ser obrigado a pagar as “pedaladas fiscais” (dívidas atrasadas no BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica), estimadas pelo Tribunal de Conas da União em R$ 40,2 bilhões com outros penduricalhos ultrapassará o montante de R$ 117 bilhões. Ele foi construído naqueles anos onde a fantasia marqueteira era vendida aos brasileiros que aprovavam e aplaudiam o governo com marcas recordes de popularidade.
                           
Em 2014, na eleição presidencial, esta realidade era visível, mas ignorada pelos candidatos Dilma, Aécio e Marina. Todos eles se omitiram preferindo edulcorar os seus programas de governo. “Campanha escondeu a crise, dizem marqueteiros”, é o título de excelente matéria do jornalista Pedro Venceslau, publicada em “O Estado de S.Paulo (25-10-215), diz que “jogaram para debaixo do tapete” a crise que viria pela frente. Nominado no livro “De como Aécio e Marina ajudaram a eleger Dilma” de autoria de Fernanda Zuccaro e do marqueteiro Chico Santa Rita, para quem: “As outras campanhas foram incapazes de ver as inverdades da campanha da Dilma e atacar isso corretamente”.

Naquela matéria jornalística, o testemunho inacreditável do publicitário Paulo Vasconcelos, comandante da campanha do Aécio Neves: “Poderia parecer alarmismo ou irresponsabilidade dizer que o Brasil caminhava para uma situação tão crítica. De qualquer forma, essa informação não estava disponível para a oposição.”
                           
Os testemunhos demonstram como a “pequena política” domina o debate público brasileiro. Nesse cenário de mistificação a sociedade é engabelada, aceitando passivamente  a realidade que lhe é vendida pela propaganda massacrante. Quando desperta do sonho enganador, o desastre já ocorreu, atingindo em cheio as famílias, as empresas e o próprio governo.
                           
Não por consciência (pela razão de ser uma sociedade desinformada),  mas pelo desespero ante a adversidade econômica e social, afloração reação como a retratada pela última pesquisa do Ibope. Nela a rejeição aos políticos vai de A a Z. Repete o grito de frustração dos indignados argentinos na crise de 2001: “Qué se vayan todos”. A impopularidade atinge governistas e oposicionistas na mesma proporção.

Os políticos sérios, que são minoria, dotados de ética pública, deveriam refletir sobre o cenário de reprovação, oriundo do divórcio entre os detentores de mandatos e a representação popular. A existência de caricaturas partidárias destituídas de doutrinas amplia a frustração da sociedade.

Desde tempos idos, realidade adversa só pode ser mudada por duas maneiras: pela política ou pela violência. Não existe na história da humanidade terceira alternativa.


Helio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

2 comentários:

Anônimo disse...

Prof. Dr. Hélio Duque

Cuidado com suas citações. O jornalista Pedro Venceslau é militante de esquerda que beira a paranoia. Ele costuma fazer o seu trabalho sujo nas páginas do Estadão. O seu trabalho divertido é realizado no semanário "Contato", publicado em Taubaté, no qual ele fala de novelas, fofocas do show biz e outras amenidades. Ele inclusive tem um blog chamado "Trocadalho do carilho", mas não deixa de ser um intelectual orgânico ativo a serviço da "causa". Sua outra citação de jornalista também envolve outra profissional a serviço da revolução...

Embora eu não tenha procuração nem queira fazer a defesa dos outros concorrentes na eleição 2014, é inverídica a sua afirmação de que as campanhas dos adversários de vovó Dilmona não falaram dos problemas a enfrentar. Refresco sua memória, lembrando que por inúmeras vezes os economistas Armínio Fraga e Roberto Gianetti da Fonseca (Aécio e Marina) falaram, escreveram, alertaram para as dificuldades a enfrentar no campo da economia caso um dos dois ganhasse a eleição. Até o divertido Levy Fidélix falou dos descalabros da economia articulados por Guido Mantêga a mando de Stalinácio e de Dilma Vana...

Dizer que todos os candidatos ignoraram igualmente os futuros problemas da economia no Brasil é fazer o jogo da desinformação, igualando as porcarias, o que interessa a petistas, petralhas e assemelhados.

Pof. Hélio - salvo meu engano o senhor não quer nos desinformar, ou quer?

Sds

Loumari disse...

Quando eu postei aqui nas vésperas das eleições presidenciais no Brasil dizendo que Aécio Neves mentia e muito; e fui sujeito a toda sorte de agressões verbais. Acho que até fui tratada de Maria vai com as outras! Havia no meu texto naquele dia este paragrafo:
"A Dilma mente e todo mundo sabe disso. Mas o Aécio Neves mente muito também, e está a besuntar a povo com mentiras e vai arrastando a gente com engano. O que adianta mudar de cueca sem lavar o rabo primeiro? O horrendo permanece."

E ao ler aqui este artigo de Hélio Duque notei o seguinte:

"Os testemunhos demonstram como a “pequena política” domina o debate público brasileiro. Nesse cenário de mistificação a sociedade é engabelada, aceitando passivamente a realidade que lhe é vendida pela propaganda massacrante. Quando desperta do sonho enganador, o desastre já ocorreu, atingindo em cheio as famílias, as empresas e o próprio governo.
Não por consciência (pela razão de ser uma sociedade desinformada)

SOCIEDADE DESINFORMADA senhor Duque? Há no Brasil excelentes jornalistas na imprensa escrita que não cessaram e se matam a divulgarem as informações no seu estado verdadeiramente verídicas. E como você salta para fora e se exonerar de sua parte de responsabilidade e por cima caucionar uma sociedade destituída de instrução, para não dizer burra, de sua responsabilidade sobre a situação qual esta mesma sociedade gerou? Há que assumir sua ignorância caro senhor Duque.
Eu sou estrangeira e fora do Brasil, como é que eu estou inteirada de tudo o que ocorre no interior do Brasil? Senhor, porque eu leio a imprensa brasileira, analiso a veracidade de cada artigo, esquadrinho detalhadamente as informações projectadas e capto a verdade e com isso me faço uma opinião sobre a amplitude da situação.
O senhor Duque diz que "pela razão de ser uma sociedade desinformada"???
Agora senhor Duque, lhe surpreende mesmo quando todos os que vos governam dizem que não sabe de nada, não viram nem ouviram nada? Este fenómeno é de vossa cultura. No Brasil ninguém sabe nada, ninguém viu nada, ninguém viu nada. São todos INOCENTES. ANJINHOS DA SILVA.
SOIS VÓS VERDADEIRAMENTE RIDÍCULOS.
Estes todos que são hoje dirigentes, saíram desta mesma massa popular que você cauciona como sociedade desinformada.
Sociedade desinformada não, sociedade BURRA, isso SIM.