domingo, 6 de dezembro de 2015

Análises e Comentários


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Márcio Matos Viana Pereira

Hoje, no Brasil, o Poder parece estar acéfalo, pois a Presidente da República, figura exótica criada e esculpida pelo apedeuta Lula para sucedê-lo no governo, estando aparentemente perdida, desorientada e sufocada pela crise já por mim comentada em artigo anterior, plena em incompetência, parece haver abdicado da autoridade que o cargo Presidencial lhe assegura, tornando-se, com a reforma ministerial que lhe foi imposta, dependente do PMDB e fantoche do seu criador, o qual, sem cerimônia e falastrão, opina e se faz obedecer tanto no Governo, quanto no PT.

Como é terrível ter de reconhecer que, no Brasil, quem governa é teleguiada por absoluta falta de competência administrativa;  que o Parlamento, com frequência abusiva, é transformado em balcão de negócios, onde a mercadoria negociada é a troca de apoio por obtenção de vantagens, ocasiões em que, olvidando a vergonha, a honestidade e a dignidade, jamais são levados em consideração os legítimos interesses nacionais;  e que, até no Judiciário, o TSE é presidido pelo Ministro Toffoli, cujo saber jurídico é nitidamente inferior ao dos seus pares, ficando isso demonstrado quando do mensalão, oportunidade em que, possivelmente induzido pela gratidão, portou-se como se ainda fosse advogado do PT.

O Brasil é o país da incoerência !  Sendo o Governo Dilma o grande responsável pela crise que sufoca os brasileiros, face haver gasto de maneira perdulária e leviana, praticando absurdos, com o objetivo de se reeleger, entre os quais as já famosas pedaladas fiscais, com o deliberado propósito de, pela burla, mascarar o imenso déficit nas Contas Públicas, obteve do Congresso, como se dolo nenhum houvesse praticado, a aprovação da DRU para o exercício de 2016, podendo novamente, com a mesma notória incompetência e enrustida má fé, a seu bel prazer, dilapidar os recursos espoliados de todos nós cidadãos contribuintes.

Tratarei agora de um assunto difundido pela mídia e que se tornou tema de especulação nacional, envolvendo o Exército Brasileiro.  O assunto, difundido em todas as mídias, foi referente a uma entrevista proferida pelo Sr. Gen. Ex. Antônio Hamilton Mourão, então Comandante do Comando Militar do Sul e que motivou a sua exoneração do aludido Comando, punição imposta pelo Comandante do Exército, o Sr. Gen. Ex. Eduardo Villas Boas.

Não conheço pessoalmente nenhum dos dois Generais, mas, os sei brilhantes oficiais, ambos merecedores do respeito e da admiração dos pares e dos subordinados.  Desconheço em que nível o assunto foi tratado e as razões de cada um.  Sei apenas que o Comandante do Exército discordou da entrevista do Gen. Mourão, bem como não teria assimilado o fato de haver o Gen. Mourão aceito que, em uma Organização Militar integrante de sua área de Comando, fosse homenageada a memória do Coronel Brilhante Ustra, recentemente falecido.

Como apenas ao Comandante do Exército cabe falar em nome da Instituição sobre assuntos institucionais, é possível que por ser ele fiel ao princípio de que autoridade, liderança e comando não se dividem, decidiu punir o Gen. Mourão, não tendo praticado com a sua decisão nenhum arbítrio, violência ou abuso de autoridade.

Tendo lido a entrevista, afirmo com ênfase concordar com as assertivas do Gen. Mourão, assim como também concordo e achei ser um dever de justiça a homenagem póstuma prestada ao Coronel Brilhante Ustra que, heroicamente injustiçado, lutou com destemor contra a doença que lhe consumia a vida e contra a perseguição cretina dos apaniguados do Governo Dilma e dos parciais e facciosos membros da CNV, que de tudo tentaram para desmoralizar e desacreditar a sua biografia, como dedicado Comandante do DOI/CODI de São Paulo (OBAN).

Acredito haver o Gen. Mourão considerado que, hoje, a tropa não mais incorporando analfabetos, é bem mais preparada do que no passado;  que a maioria estuda e todos são bombardeados pelas informações da mídia, urgindo, com maior ênfase num instante de crise nacional, que em cada Comando os subordinados sejam orientados sobre qual a posição do Exército ante os fatos noticiados.

Não tendo feito o Gen. Mourão comentários sobre o Impeachment, nem sobre assuntos de caráter político partidário, suponho que o Comandante do Exército deve ter tido uma razão não revelada, que embasou a sua decisão de punir um General de Exército do prestígio e com os atributos do General Mourão.

Confio que a punição aplicada tenha resultado apenas de uma decisão pessoal do Comandante do Exército, sem interferência do Ministério da Defesa.

Nos últimos anos, mudo, o Exército tem aceitado sucessivas afrontas impostas pelos governos petistas.  Não há nas Forças Armadas clima de golpe, nem pretensão de interferir na vida política partidária, entretanto, é inadmissível aceitar calado afrontas governamentais, tais como as muitas acontecidas.  Urge o momento que, com a mesma decisão e energia como foi decidida a punição ao Gen. Mourão, seja repelida nova e qualquer afronta à Instituição Exército, parta de onde partir.

É que, objetivando com o silêncio preservar o postulado da disciplina, os Comandantes anteriores tacitamente concordaram com as humilhações impostas. É imprescindível, entretanto, não olvidar que afronta não repelida macula a imagem da Instituição Exército, agride a dignidade militar, deslustra a mística da farda, e tisna o compêndio histórico das gloriosas tradições da Força.

O mais trágico, porém, é que o silêncio ante a afronta pode ser confundido ou entendido como subserviência, atributo incompatível com a ética e com o sempre ardoroso e altivo espírito militar.


Márcio Matos Viana Pereira é Coronel reformado do EB.

3 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Sr Cel Márcio Matos Viana Pereira


Li com atenção o artigo do senhor e penso que a tese de Vossa Senhoria é relevante.
No texto o senhor escreve “Como apenas ao Comandante do Exército cabe falar em nome da Instituição sobre assuntos institucionais, é possível que por ser ele fiel ao princípio de que autoridade, liderança e comando não se dividem....”
Na minha visão os comandantes do Exército (desde a criação do Ministério da Defesa) tem sido subservientes e completamente alinhados com o “sistema”.
Concordo com a colocação do senhor quando afirma que a subserviência é incompatível com a ética e com o sempre ardoroso e altivo espírito militar.
O “clima no meio militar” atual, definitivamente, não contribui para o “altivo espírito militar” a que o senhor se refere.
O Exército possui sérios problemas institucionais, estruturais e não possui uma política de pessoal (reconhecimento, promoções e remuneração) condizente com a atualidade. Estes problemas têm desmotivado os militares com sérios reflexos para “o moral da tropa”. Penso que perdemos a “liga”.
Como somente cabe ao Comandante se manifestar institucionalmente – pois autoridade, liderança e comando não se dividem – é dever do Comandante fazê-lo.
Quando o Comandante não lidera e comanda, perde autoridade e deixa uma lacuna que será ocupada por outrem (subordinado ou estranho a estrutura).
Prezado Comandante do Exército, solicito a Vossa Excelência, o maior empenho possível para a solução dos problemas acima elencados.
A coesão da tropa e o altivo e ardoroso espírito militar em proveito do bem comum – interesse público – dependem muito da atuação de Vossa Excelência – como Comandante – e também de todos nós militares.
Torço para que, a partir de agora, nenhum militar mais precise se manifestar. Que o Comandante do Exército seja realmente (com toda a legitimidade) nosso Comandante/Líder/Referência.
Todos nós somos responsáveis pelos destinos do Exército e do Brasil.
QUE DEUS ILUMINE A TODOS NÓS.
QUE ILUMINE, AINDA MAIS, O COMANDO DA INSTITUIÇÃO PARA QUE TENHAM SABEDORIA NA CONDUÇÃO DESTA TÃO IMPORTANTE INSTITUIÇÃO NACIONAL.

Loumari disse...

Apenas nas Crises Atingimos as Nossas Profundezas

Tudo o que o nosso corpo faz, excepto o exercício dos sentidos, escapa à nossa percepção. Não damos conta das funções mais vitais (circulação, digestão, etc.). O mesmo se passa com o espírito: ignoramos todos os seus movimentos e transformações, as suas crises, etc., que não sejam a superficial ideação esquematizante.
Só uma doença nos revela as profundezas funcionais do nosso corpo. Do mesmo modo, pressentimos as do espírito quando estamos em crise.

Cesare Pavese, in 'O Ofício de Viver'
Itália 9 Set 1908 // 26 Ago 1950
Escritor

Anônimo disse...

Em 1964 quem disparou o golpe que levou à ditadura foi o general Olímpio Mourão Filho, movido, sobretudo, por uma ideologia reacionária da Guerra Fria.
FONTE:
http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2015/12/cunhistas-ja-tentaram-tambem-2018impichar2019-o-rodrigo-janot-893.html