sábado, 31 de janeiro de 2015

Por que o Impeachment da Dilma não basta


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Nos bastidores político-jurídicos, já se fala com seriedade do altíssimo risco de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. Cada nova revelação escandalosa no Petrolão confirma que Dilma Rousseff não tem condições morais de continuar governando. Qualquer bebê de colo sabe que ela sabia de tudo que acontecia na Petrobras, porque presidiu o Conselho de Administração da companhia e porque emplacou e mantém na presidência sua amiga pessoal e de confiança Graça Foster.

A paciência com a Dilma já se esgotou. A gestão dela é um esgoto sem tratamento. Seu impeachment seria algo natural. O problema é que não adianta impedir a Dilma e colocar, no trono imperial do Planalto do Palhasso, um substituto que faça a mesma coisa. O Brasil precisa é mudar seu modelo de Estado. A nação terá de se reinventar. A modelagem capimunista só serve para nos manter subdesenvolvidos, na periferia do sistema globalitário. Sem reforma política, econômica e do modelo estatal continuaremos na mesma merda. País rico, povo pobre - sobretudo de espírito - e políticos corruptos eleitos pelos ignorantes.

Dilma já era! Perder o emprego é questão de pouco tempo. O segundo mandato é ingovernável. Ficará pior se o inimigo Eduardo Cunha vencer a presidência da Câmara. Cunha só perde se o governo fabricar outro "mensalão" que será facilmente rastreável por repetição de velhos métodos corruptos de compra de voto. Além disso, Dilma sofrerá o impacto negativo do caos econômico: falta de água e carência energética que prejudicam produtores rurais, indústrias e a população que pagará mais caro nas tarifas e ficará sem produtos essenciais, endividamento das famílias, juros cada vez mais altos, crédito inviável para produção e consumo, impostos subindo, enquanto a arrecadação dos governos cai, piorando os péssimos serviços oferecidos. Sem falar que tudo isto gera carestia e inflação descontrolada.

A institucionalizada corrupção nazicomunopetralha, sob desculpa cínica de uma tática necessária para a conquista, manutenção e perpetuação no poder, não destruiu apenas o valor de mercado da simbolicamente falida Petrobras. A roubalheira do Petrolão agora produz uma quebradeira sistêmica da economia, principalmente em municípios dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. O calote da Petrobras a fornecedores e prestadores de serviços, junto com o cancelamento de projetos e contratos sob suspeita de superfaturamento com as empreiteiras indiciadas na Lava Jato, já causa queda de arrecadação e produz desemprego.

Nem as poderosas relações transnacionais que tem no mercado de óleo e bancos justifica a manutenção de Maria das Graças Foster e do diretor Financeiro Almir Barbassa em seus cargos. A Associação dos Engenheiros da Petrobras aproveitou ontem a Assembleia Geral da Petrobras para lembrar que a empresa tem dois ativos importantes que lhes garantem uma boa saída do preocupante quadro em que se encontra: uma reserva de 75 bilhões de barris descobertos, comprovados e um corpo técnico altamente capacitado. O problema é que os gestores da empresa precisam ser trocados imediatamente. Mas isto não é garantia de que nada possa melhorar. Enquanto o modelo capimunista brasileiro estiver vigorando, o Estado continuará roubando recursos da sociedade, no formato de um "Leviantão" (por favor, sem trocadilho infame com o ministro da fazenda e as antas ignorantes). 

A perversa combinação de desonestidade com incomPTência, tendo como ingredientes o cinismo, a mentira e o autoritarismo, alimentam o caos. É preciso mudar o modelo político e econômico. O Estado brasileiro é ladrão e perdulário. Ano passado, que foi eleitoreiro, tivemos mais um crescimento descontrolado das despesas. Só no governo central, as despesas cresceram 12,8%. O valor corresponde a duas vezes o crescimento do pibinho nominal. Só as despesas de custeio e capital subiram 18,1%. As receitas líquidas, descontadas as transferências, cresceram apenas 2,3%. É o que mostra um estudo de Thiago Custódio Biscuola e Everton Carneiro, da RC Consultores, de São Paulo.

Aumentar ainda mais a já absurda carga tributária é a "solução" criminosa encontrada pelo Estado capimunista Hobin Hood (que tira de todos via terrorismo fiscal e faz demagogia com as bolsas de compensação de renda para angariar votos dos carentes e miseráveis de espírito cívico). O desgoverno só sabe aumentar receitas extorquindo os cidadãos e empresas que produzem. Não existe uma transparente política de contenção de desperdícios. A máquina arrecadadora é caríssima. A máquina pública é gastadora, sem qualidade. Por isso, investimentos essenciais em infraestrutura não acontecem no tempo certo. E, quando são feitos, obedecem ao esquema de corrupção, com superfaturamentos para lavagem de dinheiro e financiamentos ilegais de políticos e suas campanhas, em troca de favores espúrios.

O modelo é maravilhoso para os bancos e especuladores. Por isso, subir os juros é sempre uma "solução" maravilhosa para eles. Só em 2014 o desgoverno brasileiro pagou R$ 311,4 bilhões em juros. O absurdo correspondeu a 6,1% do pibinho. O pagamento, no entanto, gerou um déficit nominal de 6,7% do mesmo Produto Interno Bruto. A dívida bruta brasileira atingiu absurdos 63,4% do PIB. Nada menos que R$ 3,2 trilhões. E, com os juros subindo, vai aumentar. Resumindo o estudo da RC Consultores, as despesas crescem em meio à economia estagnada.

Os brasileiros começam a se manifestar contra pagar esta conta bilionária (ou trilionária) de incompetência e corrupção legada pelo autoritarismo da máquina estatal capimunista. Por tudo isto, o impedimento de Dilma é questão de pouquíssimo tempo.    

Aécio da Silva?

$talinácio pode processá-lo por plágio...

Barba de molho

A barba do Aécio Neves, no melhor estilo da liderança petista, não tem nada demais...

Ele até pode alegar que "o visual pode mudar, só não muda o discurso".

A enquadrada que ele deu na bancada do PSDB, cobrando o apoio a Júlio Delgado (PSB) contra Eduardo Cunha (PMDB) na disputa pela presidência da Câmara, é um sinal de que tucanos e petistas são mesmo primos que brigam de mentirinha.

Delgado já fechou até um estranho acordo prévio com o petista Arlindo Chilaglia para apóia-lo, no segundo turno da disputa contra Cunha - que é o candidato efetivamente mais odiado pelo desgoverno Dilma...

Quebradeira prevista

Os empreiteiros chineses estão de olho na quebradeira sistêmica do mercado de obras no Brasil que será deflagrado como consequência das ações judiciais na Lava Jato.

Por isso, grandes investidores petistas já mobilizam os futuros sócios capimunistas da China para entrarem de cabeça tomar o que sobrar da quebradeira das maiores empreiteiras daqui.

Os chineses, junto com capital árabe, têm interesse em controlar a Petrobras, comprando suas ações na bacia das almas, ao mesmo tempo em que adquirem papéis da imensa dívida da empresa...

Não pode não, vovó! Não pode, não...


Reforço nas Doações ao Alerta Total

Os leitores, amigos e admiradores que quiserem colaborar financeiramente conosco poderão fazê-lo de várias formas, com qualquer quantia, e com uma periodicidade compatível com suas possibilidades.

Nos botões do lado direito deste site, temos as seguintes opções:

I) Depósito em Conta Corrente no Banco do Brasil. Agência 4209-9, C/C: 9042-5, em favor de Jorge Serrão.

OBS) Valores até R$ 9.999,00 não precisam identificar quem faz o depósito; R$ 10 mil ou mais, sim.

II) Depósito no sistema PagSeguro, da UOL, utilizando-se diferentes formas (débito automático ou cartão de crédito).

III) Depósito no sistema PayPal, para doações feitas no Brasil ou no exterior.
                           
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 31 de Janeiro de 2015.

A razão destas linhas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira


Escrevo para compartilhar a angústia de ver o país nas mãos de incompetentes e corruptos.

Não tenho ilusões de ser capaz de mudar as coisas. Apenas tento alertar os que podem fazê-lo.

Mas já estou certo de que depois do dia da bosta teremos o dia do Basta!

Pior do que a falta d'água ou de luz é a falta de esperança.

Muitos de nós não se importariam em morrer, desde que fosse após o fim do debochado-símbolo. Quem faz a apologia da ignorância, da esperteza, da corrupção não pode sair incólume.

Será atacado onde e quando menos esperar. Num elevador, num supermercado ou num lava a jato.

Haverá uma legião de carpideiras; será quase canonizado; não usufruirá porém, do butim de seus malfeitos.

Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Desregulação Macroestatal


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão

O  Brasil vive um momento único na sua história democrática e no seu modelo de governabilidade. O desenrolar dos fatos coloca em dúvida o que veio primeiro: o mensalão ou a lava jato? Ao nosso ver deveria haver uma inversão, pois que os responsabilizados pelo STF na ação penal 470 permeiam o que está sendo veiculado ao maior escândalo de todos os tempos ocorrido no coração da ex maior empresa brasileira, a desoladora Petrobras.

Do que adiantam os órgãos de regulação que não funcionam se o Estado Brasileiro é o pioneiro e o único responsável pela macro desregulação, por falta de competência e planejamento. Vivemos o modelo do rodízio no trânsito, de água, de luz, de telefones celulares, e isso seria fruto
da explosão de uma classe que ainda não tinha acesso aos bens de consumo. Absolutamente não!

O que precisamos antes de mais nada é uma legislação eficiente a qual confira,ao menos, 4/5 dos cargos nas empresas públicas mediante concurso de provas e títulos, por meio da meritocracia, sobrando apenas 1/5 para as indicações políticas. Fosse esse princípio obedecido não estaríamos chorando o petróleo espalhado e derramado Brasil afora, infelizmente.

A contaminação da bolsa é inevitável, quando os mais fortes papéis sofrem quedas, as blues chips, tudo poderá ser impactado, e não descartamos as bolsas regionais, pois que a concentração de tudo numa só praça e com poucas ações de repercussão esmaga a possibilidade de opção e coloca em choque o investidor, antes um mero pretendente a um bom dividendo.

Diríamos que o investidor, o acionista minoritário, não se sente machucado como afirmado há pouco tempo atrás, mas sim espoliado. Aqueles, naturalmente, que economizam seus recursos e o fazem seguros de uma seriedade e transparência do mercado, caem no engodo de uma fiscalização nula e de penalidades as quais estimulam e desencorajam os investidores.

Com isso as novas aberturas de capital demorarão muitos anos, se é que o mercado reagirá e mostrará competência na sua conotação de mudar radicalmente essa multifacetária estrutura danosa por falta de transparência e absoluta omissão na punição dos maus administradores.

Libertar o Brasil dessa corrente ignara e avara de idéias é um movimento lúcido e de realidade. Mas como sairá uma reforma política se a cada dia se amplia a idéia de aumentar ainda mais o número de partidos políticos?

É inacreditável que sem crescimento e com uma tendência somente de exportar produtos primários tenhamos caído na armadilha que o mundo globalizado poderia se associar na solução dos nossos problemas. A criação
dos Brics em nada favorece e muito menos o banco com recursos de bilhões, já que a América Latina, a maioria dos países, atravessa a sua pior crise econômica.

Nossa vizinha Argentina está sangrando sem governo e com uma economia que a cada dia que passa patina em dívidas e possibilidade bloqueio de ativos fora do País, exceção do Chile, Peru e Colômbia, nada temos que nos ufanar, e essa realidade refoge por completo dos EUA, saindo da crise da subprime e aumentando consistentemente o crescimento e aumento dos empregos.

Vivemos o modelo da monocultura e talvez tenha sido, segundo alguns técnicos, a cana de açúcar a principal responsável pela seca desértica vivida no Estado de São Paulo. E mais grave ainda grande parte das usinas paradas ou em recuperação judicial.

Esse retrato descortinado é um desenho simbólico e ao mesmo tempo emblemático no sentido de que vivemos uma macrodesregulação do Estado Brasileiro, depauperado pelo insólito desvio de recursos e dezenas de crimes de responsabilidade cometidos pelos nossos dignos representantes.

As instituições fraquejam e não funcionam. São um exemplo de ficção brasileira, desde aquelas administrativas, como nosso convívio entre sociedade civil e as organizações representativas. Escancara-se a crise do modelo de se apostar na venda de carros e aumentar o consumo interno. Mas como, se não há poder aquisitivo e os juros são os mais explosivos do planeta, além do aumento das taxas pelo governo?

A única sorte que temos é a falta real de crescimento, pois se nossas indústrias dependessem de mais energia e consumissem água o que veríamos seria um cenário ainda mais deprimente e totalmente
irrecuperável. O Estado incompetente e corrupto associado ao cartel de empresas que apenas preferem enxergar seus próprios ganhos e não oportunizar concorrência...

Essa lendária circunstância tem seus dias contados. O que será no amanhã,
definitivamente ninguém sabe. Mas se conseguirmos debelar o tumor da corrupção multisecular e minar as grandes empresas dessa vocação do ilícito sairemos mais fortes e democraticamente seguros de que o crime em nenhum solo globalizado compensa.

Caso contrário, a lei anticorrupção, se aplicada não for, deveria ter um artigo final: essa legislação ficará suspensa, enquanto o governo e as empresas não se conscientizarem de sua necessidade.


Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP, com especialização em paris, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Desafio aos novos Comandantes - EB "censurou"?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Eduardo da Rocha Paiva

Em fevereiro assumem os novos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, sobre quem recaem, entre outros, dois relevantes desafios. No âmbito da defesa da Pátria, o desafio é implantar e garantir a continuidade do projeto de dotar o Brasil de Forças Armadas (FA) com capacidade de dissuasão extrarregional.  Isto é, FA não necessariamente no nível das que dispõem as potências globais, mas em condições de lhes causar danos irreparáveis se ameaçarem interesses vitais do País.

Esse desafio só será vencido se for desenvolvido um Sistema Conjunto de Defesa Antiacesso, projeto de longo prazo que depende de investimentos elevados e permanentes no aprestamento das FA, indústria de defesa e pesquisa e desenvolvimento científico-tecnológico com alto grau de autonomia.

Tal sistema é composto por subsistemas de mísseis balísticos e de cruzeiro de longo alcance (inclusive antinavio), de defesa antiaérea, de guerra cibernética, de vigilância e contravigilância e de forças conjuntas de pronto-emprego móveis e letais.  Seu propósito é neutralizar uma força agressora ainda longe do litoral ou da fronteira oeste. 

O risco de pesadas baixas antes do choque entre forças terrestres enfraquecerá o apoio internacional e o interno no país agressor, configurando a dissuasão extrarregional sem armas de destruição em massa. O atual Plano de Articulação e Equipamento de Defesa não estabelece a integração dos projetos estratégicos de cada Força num sistema único como o mencionado.

O óbice mais relevante pode ser explicado por meio de analogia com a lei da oferta e da procura.  Se no contexto internacional (mercado) um país não tem ameaças concretas, ou seja, tem uma ampla oferta de paz e resolve contenciosos sem conflitos armados, a procura por meios de defesa terá baixa prioridade, sendo mínimos os investimentos correspondentes. 

Assim, as FA precisam convencer a sociedade da existência de ameaças potenciais - e elas existem -, a fim de mostrar que a oferta de paz conferida hoje pelo mercado não será perene e sua escassez, num momento futuro, não será sanada oportunamente pela procura, pois defesa não se improvisa.  Sem mentalidade de defesa, as FA continuarão sendo desviadas para missões secundárias, perdendo a identidade, o espírito guerreiro e o aprestamento para a defesa da Pátria.

O segundo desafio decorre do contexto político nacional e de seus reflexos no futuro das FA. O partido do governo (PT) e seus aliados radicais pretendem implantar um regime socialista, atuando sob a orientação do Foro de São Paulo e empregando o Programa Nacional de Direitos Humanos, estratégia gramscista para se perpetuarem no poder. O programa propõe, sob o véu da defesa dos direitos humanos, a criação de espaços de participação e controle social nos Poderes Judiciário e Legislativo, no Ministério Público e nas Defensorias, bem como o cerceamento da liberdade de imprensa. 

O Decreto n.º 8.243/2014, ainda não derrubado no Senado, abriu tais espaços ao criar conselhos populares a serem aparelhados pelo PT para impor sua hegemonia à sociedade, objetivo declarado na resolução política emitida pela comissão executiva nacional do partido no final de 2014. O Executivo promove o enfraquecimento do Legislativo e do Judiciário, desequilibrando os Poderes da União, alicerces da democracia.

As FA são um óbice ao projeto socialista, daí a permanente campanha para desgastá-las, a ser intensificada a partir do relatório faccioso da Comissão da Verdade, pois sua imobilização é fator essencial de êxito do projeto. A liderança petista e seus aliados tentam cindir a ativa e a reserva militar; deturpar a história do período 1964-1985, satanizando as instituições militares; romper o compromisso das FA com sua história, suas tradições e seus chefes do passado, para convencer a Nação e a juventude militar do surgimento de novas FA e novos quadros profissionais, agora democráticos, e não ditatoriais e autoritários como no passado; e mudar o ensino castrense, inserindo a ideologia socialista nas escolas militares.

Mais que um desafio, trata-se de uma ameaça.  No entanto, os novos comandantes e todos os oficiais-generais são da geração dos anos 1970 e início dos anos 1980, todos os oficiais e praças foram formados com base em valores éticos, morais e cívicos tradicionais. Comungam ideais pelos quais se dispõem a correr riscos, não se deixam enganar pelos relatórios e revisionismos facciosos da história, nem pela propaganda adversa, e não vão contaminar-se por antivalores materialistas, apátridas e antidemocráticos.

Para reverter a maliciosa campanha de desgaste as FA precisam adotar ações em reforço da autoridade moral da liderança militar, da autoestima e da coesão das Forças, evitando agravar divergências com poderosos segmentos adversos num primeiro momento.  Daí, então, investir no contraditório, de modo a que sua história não seja desvirtuada por seus detratores.  Até o momento não se reverteu a ameaça agindo com franqueza, mas dentro da cadeia de comando.

O mais provável é que, em alguns meses, os comandantes vivam o dilema entre defender publicamente as instituições e, por extensão, a democracia ou permanecer inertes.  É um dilema sem razão de ser, pois o silêncio causaria um dano irreparável à Nação e às instituições, estas, sim, e nesta ordem, credoras da lealdade do soldado.

Será necessário manifestar-se de público, pedindo ou não exoneração antecipadamente, conforme a consciência indicar como condição para preservar a hierarquia e a disciplina. Aos membros dos altos comandos das FA, dando conhecimento antecipado à liderança política, cabe deixar clara sua lealdade às crenças, aos valores e ideais comuns e às instituições defendidas por seus comandantes.  Seria criado um impasse indesejável? 

Sim, mas comandantes e cargos são passageiros e FA são permanentes.

"É uma bênção que em todas as épocas alguém tenha tido individualidade bastante e coragem suficiente para continuar fiel às próprias convicções"
(Robert G.  Ingersoll).

Luiz Eduardo da Rocha Paiva é General de Divisão na reserva. O artigo, originalmente publicado no jornal Estado de S. Paulo, em 29 de janeiro de 2015, foi estranhamente omitido da resenha feita pelo CComSEx - Centro de Comunicação Social do Exército.


Nota da Redação do Alerta Total - Em português claro, a omissão significa "censura". Tal medida, nos tempos de internet e liberdade nas redes sociais, é tão inteligente quanto botar a tropa de camiseta para enfrentar o exército russo no inverno siberiano. 

O fundo do poço


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Ricardo da Rocha Paiva

Prezados companheiros "da luta": Os 'alertas' já vem sendo dados já faz algum tempo. A mensagem do General Rocha Paiva, entretanto, tem um peso diferenciado em se tratando de um oficial-general de reconhecidos dotes intelectuais, profissionais e morais. Arrisco a dizer que, quando meu irmão enxerga, tal qual, a gravidade das ameaças que nos rodeiam é porque, realmente, se chegou ao fundo do poço.

Conheço pessoalmente o atual comandante do EB, que é companheiro de turma e grande amigo do mano e  tenho profunda fé  de que ele vai avaliar, com critério ponderado, de forma a não jogar fora o seu momento! Poderá até custar o seu cargo, mas, que ele comande, seja líder por um dia e faça por merecer nossa continência febril! 

Que ele seja o “siga-me” que todos esperamos, por um único instante, não importa, e limpe nossas feridas! Só depende dele, perpetuar-se na mesmice de quem apenas chefia ou, jamais, ser esquecido por sua tropa, por tê-la liderado, por um lapso que seja!


Paulo Ricardo da Rocha Paiva é Coronel de Infantaria e Estado-Maior na reserva.

Resiliência?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç

É admirável a aparente resiliência - capacidade de lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - da sociedade brasileira. 

Ao presenciar, sem reagir à altura, a tantas dissimulações e irresponsabilidades dos governantes, a inúmeras mentiras e absolutas ausência de transparência das lideranças nas ações e intenções, a buscas desesperadas pelo poder por parte de políticos medíocres e demagogos, sem o menor compromisso com o interesse público, a visível deterioração dos serviços tais como a segurança, a educação e a saúde, o impressionante nível de corrupção que permeia a atmosfera do país, com a correspondente impunidade, constata-se ser de fazer inveja ou, mais provável,  de inspirar pena a outras sociedades desenvolvidas mundo afora que não seriam tão pacientes diante do quadro delineado, a atitude do povo brasileiro. 

Ou a população desperta e começa a entender seu papel de partícipe do poder dentro do suposto regime democrático que tentam convencê-la existir ou chegaremos muito em breve a uma situação de completa decomposição, sem volta, do tecido social, com consequências imprevisíveis.  

Aí cabe o questionamento: trata-se de autêntica resiliência ou na verdade de uma inércia e um conformismo lamentáveis, inoculados no DNA histórico do povo? 

Se  a última hipótese estiver mais próxima da realidade, pouco há a fazer.


Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e Guerra, reformado. 

Nascentes da vida


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

Quem diria? O detentor de imensas reservas de água doce do planeta no sufoco. E nas áreas de maior densidade populacional concentradas no sudeste. A cidade de São Paulo em pânico, milhões de habitantes, sem água e sem luz, esta dependente da outra e ambas da administração pública. Não postas à disposição do cidadão que paga impostos dos mais elevados e regiamente aos seus representantes políticos e que ainda põem a culpa em Deus.

Prédios com dez, vinte andares, mesmo com água na cisterna não pode ser bombeada e distribuída por falta da energia elétrica. Nunca os comentaristas do tempo tiveram tanta audiência. Milímetros de chuva sem pontaria que não caem no Cantareira.
Nos telejornais três temas ajudam a abafar um pouco o “balanço” da Petrobrás; o maior rombo da História nunca visto “nesse” país – fala-se em 60 Bi — ainda deu “lucro”: falta da água, falta da luz e o Estado Islâmico decapitando.

Os governos discutem se fazem racionamento, nome que virou palavrão, se reduzem a pressão do sistema, inventam comissões e propagam que a “presidenta” vai alocar verbas e apoiar as iniciativas estaduais. Ah! Prevista uma obra de transposição da água do Paraíba que está sem água para chegar ao Cantareira que também está quase morto.

Felizmente, diferente da seca do nordeste, continua chovendo. Por incrível que pareça, água e, afogando São Paulo. No lugar errado.

Na TV, em louvável atitude, um que outro professor pardal engajado nas soluções caseiras de aproveitamento da água do chuveiro, da máquina de lavar roupa e até da água da chuva. Oh! Bendita água esquecida, abandonada. Presente, inundando e muito pouco utilizada, mesmo fora das crises.

O poder público não instrui, não divulga, não faz um projeto de engenharia, simples que seja, um croquis de fácil execução, econômico, integrado às calhas, no mínimo para uso nos vasos sanitários, lavagem de carros, pátios internos e calçadas. De Norte a Sul do país. De Leste ao Oeste. Cartilha e orientação técnica para os empreendedores do ramo de construção, estudo de viabilidade de inserção nos projetos de casas populares. Quem sabe integrado ao serviço de quem faz as calhas. Mais serviço, mais emprego.

Um custo que vai ser abatido ao longo da vida e compensar a despesa mensal de pagar à empresa encarregada pelo tratamento da água que literalmente vai para o ralo.

Mas, se continua chovendo, onde está o cerne da questão? A imprescindível água da chuva encharca a terra, alimenta as nascentes que formam filetes e se transformam em rios, são represados, geram energia elétrica; é tratada e distribuída ao cidadão e às empresas.

Logo, só rezar para a chuva cair no Cantareira, celebridade do momento, não resolve. Descobrir as causas é preciso. O problema parece ser de amplitude nacional, nascentes e rios mal cuidados. Um passeio em qualquer município, lá estão os rios sem a vegetação ciliar que é a vestimenta para a sua proteção, assoreados e envenenados por agrotóxicos.

Os que percorrem zonas residenciais recebem com frequência os produtos de limpeza e sabões não biodegradáveis, resíduos nocivos produzidos nas empresas clandestinas e/ou não fiscalizadas. Origem, meio e fim descuidados, mal administrados, corrompidos.

Nascentes sem vida, água sem caminhos preservados, sem medidas adequadas de represamento para produção de energia, “poupados” e, de camarote, se assistir a água escoar para oceano, demonstram o espírito contemplativo de homens públicos irresponsáveis.

A hidroelétrica de Itaipu que foi chamada de obra faraônica, com essa gente, não sairia do papel como hoje se constata na de Belo Monte. Sem citar os aquíferos tão decantados.


Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia e Estado-Maior reformado do EB.

O volume que morre a cada dia


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Sérgio Silveira Costa

Dos 39 ministérios e Secretarias do Executivo brasileiro, uma delas, a mais importante de todas, não tem merecido a devida importância e consideração: a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). E não só agora, nos governos petistas, mas antes também.

Estratégico, não é, como se pensa, assunto de militar; é tudo que é de relevante importância em qualquer setor ou atividade da vida. Nosso coração é estratégico, assim como o forno de uma pizzaria ou a prancha de um surfista. No caso de um país, não são estratégicas apenas as suas Forças Armadas, mas também as suas refinarias, hidrelétricas, rios, pontes, aeroportos, estradas, portos, linhas de transmissão......suas leis e tribunais... suas fábricas, sua indústria...seu povo, suas escolas, universidades...sua cultura...

Um governo de estadista, com real interesse na sobrevivência e desenvolvimento do país, tem que estudar profundamente a situação existente e as necessidades, e estabelecer a sua política, os seus objetivos, ou seja "o que fazer". Por isso, todas as necessidades deveriam passar pelo estudo criterioso e imparcial da SAE, feito pelos seus técnicos, ouvidos a sociedade e os realmente conhecedores do assunto.

Quando, por exemplo, se pensasse em construir uma barragem em determinado rio, a SAE é que decidiria qual seria a solução, se é  exequível (pode ser feito com os recursos humanos, materiais, a tecnologia e o tempo existentes e disponíveis) e se é adequada (resolve uma real necessidade), escolhendo a solução mais aceitável entre todas, hierarquizando-as por critérios de pesos. E ela, independentemente de pressões, decidiria se seria uma barragem-açude para apenas coletar água para abastecimento, defesa contra cheias, ou também para gerar energia, ou ainda ter eclusa, para a navegação.

É isso que se espera de um país que tem uma Secretaria de Assuntos Estratégicos, e não deixar os estudos a critério dos outros órgãos envolvidos, sempre parciais e egoístas, supervalorizando os seus objetivos, geralmente antagônicos aos outros, colocando-os, quase sempre, à frente do real interesse do País. E que seu titular seja um brasileiro notável, apolítico, experiente, sensato, corajoso, o que há muitos por aqui.

Tudo isso veio a propósito da atual e preocupante situação hídrica e de energia no Brasil. São anos e anos de incúria, de esquecer a história da formiguinha, do oba-oba de que "Deus é brasileiro", de que "o petróleo é nosso", "o Brasil tem bastante água"....de perder oportunidades, de estar sempre desconsiderando o pior. São, no fundo, anos e anos de falta de um estadista no comando do País!

Lula, em período de bonança internacional, de preços e demanda elevada de nossas  mercadorias, e com maioria no Congresso, seja por distribuição de dinheiro (mensalão) ou favores, tinha tudo para fazer, mas não fez, as reformas tão necessárias para destravar o Brasil, como: a política, responsável, entre muitas coisas, pela excrescência do senador suplente; a tributária, para enxugar esse almanaque complexo de tributos federais, estaduais e municipais; a previdenciária, que caminha com seus seguidos déficits, para a insolvência, por absurdos populismos; e a do trabalho, com suas proteções, da mesma forma populistas, não existentes em países minimamente responsáveis.

Lula não fez as reformas porque não queria discussões e marolas, sempre existentes quando se quer mudar alguma coisa, mesmo para melhor. Não esteve nunca preocupado com o Brasil, mas apenas com seus projetos de poder, e de seu partido. Quem não se lembra da estrela do PT na lapela de seu paletó e no jardim de seu palácio? É o que sempre importou para os petistas!

Dilma é o que se está vendo: uma irresponsável, leviana, sim, pelas vergonhosas mentiras e desfaçatez, pela negação da realidade, por ser uma gerente de araque, às avessas, que não pode sequer ser síndica de um prédio, destruindo a Petrobras, desmoralizando o MRE, teimando em manter uma incompetente e prevaricadora no comando da estatal, cujas ações estão virando pó,  mantendo um ministério copioso, em época de necessidade de contenção, redução, equilíbrio e sensatez, devido à sua irresponsável condução da economia do País, cujos índices pipocam dia após dia, como os piores, nunca antes na história deste País!

É um escárnio as revelações atuais, de que Lula decidiu, por simples interesse político pessoal, construir as refinarias no Ceará e no Maranhão, e que essa intenção não tivesse sido estudada por uma SAE atuante e independente, que, certamente a indeferiria. Pasmem, uma refinaria, com seu imenso custo, decidida a sua construção nas coxas, só porque seu doutor quis. E quis apenas para manter felizes seus "amigos", que o ajudariam no Congresso. É o exemplo definitivo de que é um estadista multiplicado por menos um...

Assim, com a eleição como farol, surgiram os secretos - como os gastos com os cartões corporativos -, não debatidos e nem autorizados pelo Congresso, empréstimos a outros países para obras, como se não as necessitássemos aqui. A razão delas, ou deles, os empréstimos?

É que parte do dinheiro voltava como contribuição para as campanhas petistas, com os aviões cheios de dinheiro e as "doações" dos irmãos Castro, de Chaves, e outras, de países africanos e latino-americanos...Já pensaram como esses recursos seriam auspiciosos se usados na construção de complexos de dessalinização e tratamento de água do mar, e de dutos para levá-la às cidades, ao campo e às indústrias?

Um país sobrevive graças a seus estadistas, aqueles que são capazes de se imolar, de afastar de si o cálice do populismo, de tomar atitudes e decisões em benefício do país, mesmo com o custo de perder as próximas eleições. Israel é o exemplo, um país que, diferentemente da Grécia, não se permite a populismos e irresponsabilidades, cuja sobrevivência depende de decisões estadistas, mesmo duras e de sacrifício, e não desse vergonhoso e gastador populismo-petista- bolivariano-greco-terceiro-mundista-mercosulista!

Deus, que castiga quem não cedo madruga, cansou da alienação dos brasileiros que votam nesses impatriotas, e, especialmente, dos seus políticos, no Legislativo e Executivo, que têm absurdo descaso para com o Brasil, apenas se importando as suas eleições e reeleições, eufemismo de benesses, privilégios, mordomias e patrimonialismo, como provam os casos de vários políticos, de origem humilde, ora riquíssimos, por terem longo tempo na política, usando e abusando - a vida inteira!!! -, do dinheiro público, pagando, de simples tapiocas e perfumes pessoais, a cirurgias em hospitais de ponta, como sabemos muito bem, e também muito bem os conhecemos.

Enquanto não mudar essa mentalidade do proveito, em vez de o princípio, da alegoria, em vez de o enredo, do susto, em vez de o planejamento, da decisão de soluço, em vez de a mastigada, de viver só o presente, sem perscrutar o futuro...; enquanto não nos livrarmos desse ebola petista, não surgir um estadista e a SAE não passar a ter a importância e  prioridade devida....; enquanto o País contentar-se em participar da ridícula e desprestigiada terceira posse do cocaleiro que colocou tropas em nossa refinaria, em vez de ir discutir os rumos da economia mundial, no mundo que realmente comanda..., o Brasil vai continuar perdendo de 7X1, sentindo crescer o diário desencanto e desalento de seu povo, e vendo o seu volume morto reduzir-se a cada dia.....

Como diz a canção do mestre Donato, "até um dia, até talvez, até quem sabe..."


Luiz Sérgio Silveira Costa é Almirante, reformado.

Passarinho na muda


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Amauri Meireles

A presidente Dilma impôs-se um silêncio sepulcral, motivando especulações. Somente falam alguns ministros da área econômica, tidos como os mais capacitados da nova equipe. Os das áreas política e social, de qualificação discutível para os cargos, estão em recolhimento voluntário (após um sair-se mal em programa de TV). Ditados populares, que transmitem conhecimentos sobre a vida, de forma simples e objetiva, refletem a realidade: “Muito ajuda quem não atrapalha!”

Por aqui, o governador Pimentel recomendou a seu secretariado abster-se de dar entrevistas individuais. Somente falarão em conjunto (quando, como?). A ordem teria sido dada para evitar desencontros, disse me disse, animosidades no início do governo. Certamente, aplica-se o “passarinho na muda não pia”. A lógica estaria no fato de o pássaro, sem penas, não poder voar e, então, se piar, vira alvo fácil de seu predador.

O governador foi mais prudente que a presidente. E, note-se, comparando-se as equipes federal e estadual, esta dá de goleada naquela, ainda que um jogador, da defesa, destoe do grupo. Conhecendo seu elenco, melhor que a dirigente federal, o estadual optou pelo “seguro morreu de velho... mas morreu!”, ainda que, ambos, em muitos cargos, tenham sucumbido a pressões e, consequentemente, a concessões político-partidárias, em detrimento da capacidade técnica.

Provavelmente aquelas autoridades querem ganhar tempo, o necessário para que as asas cresçam, isto é, para se capacitarem a pesquisar e operacionalizar soluções para os grandes problemas que afetam a Nação e a sociedade brasileiras. “O sapo não pula por boniteza, mas por percisão”. É tempo de diagnóstico, de fixação de políticas públicas, de estabelecimento de metas, de elaboração de planos.

Particularmente, no campo da proteção, das defesas (nacional e social) que ensejam o ambiente de segurança, estima-se que, na esfera federal, mesmo com o surpreendente e exagerado contingenciamento, a Educação seja, de fato, a prioridade nesse segundo mandato: valorização do educador, educação integral em escola integrada, esporte e lazer para crianças e adolescentes e, principalmente, civilidade.

Quanto à Estratégia Nacional de Defesa (hoje trata, apenas, da estratégia de defesa nacional, com foco maior no campo militar), urge revisão. Os recentes atentados na Europa e movimentos de grave perturbação da ordem social, em nosso país, ratificam a conveniência de se fixarem protocolos entre a força estadual, a PM, que atua preliminarmente, e a força federal que assume, caso a situação evolua para um quadro de perturbação da ordem nacional. O documento Garantia da Lei e da Ordem (GLO), do Ministério da Defesa, omite esse trespasse.  

Ainda no campo da proteção, da defesa social, na esfera estadual, a prioridade é retirar o Conselho Estadual de Defesa Social do CTI. Afinal, é o órgão que, presidido pelo vice-governador, assessora o governador e sugere políticas públicas para reduzir vulnerabilidades e mitigar ameaças ao corpo social, discutindo e corrigindo o axioma do filósofo Giorgio Agamben: “é vão, ou de qualquer modo custoso, governar as causas, é mais útil e mais seguro governar os efeitos”.

Portanto, a prioridade deve ser o exame de causas. “O pior cego é o que não quer ver”!  


Amauri Meirelles é Coronel Reformado da PMMG e Ex-Comandante da RMBH.

A Indonésia não cedeu ao "jeitinho brasileiro"


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Antônio Caleari

Quantas vezes um chefe de estado brasileiro tomou para si a defesa dos interesses de um de seus cidadãos no exterior, mobilizando todo o aparato diplomático para esse precípuo fim?
Reportam os noticiários que a presidente Dilma Roussef ligou para seu correspondente indonésio, a fim de que fizesse um último esforço para reverter a execução dos criminosos os quais tanto nos orgulham em ter introduzido quilos de cocaína naquele país.
Teria dito a presidente que a confirmação da pena de morte para os mimosos sentenciados (um deles travestido de instrutor de voo) “geraria uma comoção nacional”. Vale perguntar: a presidente tomou o remedinho matutino antes de falar uma idiotice desse tamanho?
O procurador-geral da república andou compartilhando do mesmo cachimbo da paz, tendo em vista ter encampado esse desvario, esta falta de senso de prioridade, uma completa incompreensão de qual seja a noção de justiça mais gregária e disseminada no seio popular?
Deixo a sugestão de que os institutos de pesquisa consultem a população a respeito não apenas destes casos em especial, mas também da adoção da pena capital para políticos corruptos, executivos de empresas corruptoras, maus gestores do patrimônio nacional, traficantes de drogas (crime tipificado hediondo em nossa legislação), estupradores, sequestradores e demais psicopatas que martirizam, diariamente, a sociedade brasileira.
Os ativistas moderninhos, professores universitários e analistas políticos que tanto defendem o incremento da participação popular na política, nestas horas, se escondem e fogem ao enfrentamento da “maioria democrática”, quando a mesma apoia posições ditas conservadoras e radicais (palavra esta que deveria ser antes entendida em seu sentido virtuoso: ir à raiz do problema).
Não seria legítimo, segundo as regras do jogo, que os eleitores decidissem sobre a introdução da pena de morte no país, ainda que para isso seja necessária emenda ou até mesmo uma nova constituinte? Este e outros “inconvenientes sufragistas” os hipócritas defensores de uma democracia seletiva, e que vivem em suas bolhas acadêmicas e ideológicas, ainda não resolveram.
Para quantos brasileiros vítimas de crimes no exterior a presidente já se deu ao trabalho de pegar o telefone e intermediar, pessoalmente, a defesa de seus direitos? Quantos dramas familiares, oriundos do uso de drogas, ela já assistiu de perto?
O senhor Janot, ao seu turno, alguma vez já ofereceu seus préstimos aos compatriotas que, no exterior, produzem pesquisa de qualidade, são empreendedores, artistas, atletas, trabalhadores honestos e que estão positivamente integrados em outro organismo social sem nos envergonhar? Qual o número de servidores públicos de nosso oneroso corpo diplomático é mobilizado, diariamente, para interceder a favor dos concidadãos de bem que sofrem abusos alhures?
Em matéria da BBC, reproduzida pelo portal G1, conta-nos a escritora australiana Kathryn Bonella, a qual conheceu ambos os condenados já no corredor da morte, acerca de suas escolhas e do modo de vida que experimentavam:
"Os brasileiros que encontrei tinham basicamente o mesmo perfil. Eram surfistas que viram no tráfico, em especial de cocaína, uma chance de se manter em Bali e viver uma vida de fantasia, pegando ondas, indo a festas e encontrando belas mulheres. [...] Eles eram todos de classe média, com escolaridade e conhecimento razoável de inglês. Entraram no tráfico pela curtição, não por uma necessidade econômica. Queriam viver tendo do bom e do melhor. Bem diferentes das 'mulas' (transportadores de droga), que recebem pouco dinheiro para muito risco. Um dos brasileiros que conheci em Bali podia ganhar uma fortuna com uma viagem bem-sucedida. [...] Archer dominava o fornecimento de maconha em Bali e tinha até registrado a marca de um tipo de erva que vendia, a Lemon Juice.”
Decerto os setores “progressistas”, um oportuníssimo e covarde ex-presidente, a playboyzada mimada, os neohippies e toda esta vanguarda do que não presta se levantarão prontamente em advogar em causa própria contra a nossa “atrasada política antidrogas”.
Dizem se tratar de uma “questão de saúde pública”. Resta a dúvida: quantos bilhões de reais já foram devolvidos ao erário pelos viciados (que optaram conscientemente em entrar nesse mundo, mas não conseguem sair) e drogados ocasionais, em virtude do grande fardo que essas pessoas criam justamente para o nosso já sobrecarregado sistema público de saúde?
É claro que esse e outros questionamentos a turma do “apartamentinho na zona sul do Rio de Janeiro” se exime de responder. A pseudoelite acadêmica e toda a classe de maconheiros só querem fumar seu baseado, eventualmente “dar uns tirinhos”, de forma inconsequente e sem entender a severa implicação social de sua prática “recreativa”. Em que outra ocasião, por exemplo, os alunos da USP reagiram de forma tão violenta do que quando a polícia resolveu fazer valer a Lei naquela terra de ninguém, a qual se pretende seja livre da intervenção que o resto dos mortais está sujeito a sofrer?
Coloquemos a parcela doutrinada e doutrinante dos professores de ciências sociais e seus estereotipados alunos-militantes, os quais pouco de útil produzem para a coletividade, para recrearem numa cracolândia, numa ala psiquiátrica de hospital, numa clínica de recuperação ou num território violentamente dominado por facção do crime organizado (que é financiado pela respeitável atividade de brasileiros como Marco Archer e Rodrigo Gularte).
Fôssemos um país sério, nossa presidente ligaria para a autoridade indonésia a fim de parabenizar suas forças de segurança pela bem-sucedida captura de criminosos hediondos; e se desculparia pelo inconveniente causado! Aprenderíamos com eles como punir a contento um crime de efeitos tão perversos em milhões de famílias pelo mundo afora.
Reclamamos da impunidade, ao mesmo tempo em que nossos representantes se humilham perante um estado soberano, a fim de acochambrar a justa penalidade de mais alguns delinquentes que são, agora, vendidos à opinião pública como coitadinhos. Erguerá a presidente assaltante de bancos o punho cerrado em homenagem aos fuzilados?
Às autoridades indonésias, fica aqui o apelo de um brasileiro que não é chefe de estado (e muito menos procurador-geral da bandidagem emigrada), mas que já viveu na pele (mais de uma vez) a tragédia familiar causada pela dependência química: continuem indemovíveis na defesa de seu povo. Se, porventura, nossos altivos mercadores de entorpecentes, fomentadores conscientes da escravidão alheia, voltarem a aportar em vossas terras, executem-los sem dó nem piedade. Milhões de brasileiros os apoiam e os aplaudirão.
Antônio Caleari é Bacharel em Direito pelo Largo de São Francisco (FD-USP) e autor do livro “Malleus Holoficarum: o estatuto jurídico-penal da Revisão Histórica na forma do Jus Puniendi versus Animus Revidere” (Chiado Editora: Lisboa, 2012). Originalmente publicado no site Jus Navigandi.