domingo, 31 de maio de 2015

Movimentos de rua e a escolinha de futebol do Lênin


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Tempos de Fifagate são inspiradores... Imitemos o "treinador" $talinácio e vamos usar metáforas futebolísticas para demonstrar que o Brasil precisa passar, urgentemente, por uma ampla transformação estrutural, com conceitos corretos, definições estratégicas transparentes e valores morais claros para todos, como pré-condição histórica para que tenha a chance de chegar a ser um País no rumo concreto de desenvolvimento. Até a presente data, continuamos nos comportando como aquela pátria de chuteiras que tomou uma goleada de 7 a 1 (de quem mesmo?), mas insiste em permanecer refém dos erros históricos de sempre.   

Desenhemos na prancheta do técnico! Meu time, o Flamengo, tomou do Corinthians do $talinácio o atacante Guerreiro - que tem um histórico de eficiência em fazer gols. O problema é que o rubro-negro tem uma deficiência tática crônica: o meio campo não funciona corretamente, e não faz a bola chegar ao artilheiro que deve cumprir a missão precípua de meter bola na rede. Além do problema de fragilidade psicológica do time, que não consegue segurar um placar favorável e se desespera facilmente quando o quadro é desfavorável, o clube padece do mesmo problema estrutural de tantos outros no decadente futebol brasileiro: seus dirigentes têm visão rentista, dando mais importância ao equilíbrio de caixa que aos resultados positivos concretos que a equipe precisa ter até para se sustentar suas finanças.

O desgoverno federal, e maioria esmagadora dos estados e municípios, apresentam a mesma deficiência estrutural daquela que é considerada a "Nação Rubro-Negra". O Capimunismo, combinado com a visão pragmático rentista que exige resultados no curto prazo, senão não presta, está inviabilizando o Brasil. Não é possível que nossos "treinadores" não percebam o suicídio tático de continuar fingindo acreditar que tenha chances de se desenvolver um País com juros estratosféricos, noventa e tantos "impostos" elevadíssimos e tanta corrupção institucionalizada. Marcamos um gol contra por segundo na gestão da coisa pública. Os negócios privados ficam reféns do mesmo esquema que tudo depende do poder estatal.  

Pela mesma ótica ludopédica de análise, tem algo muito errado na estratégia e na tática dos movimentos que tentam se organizar para promover grandes protestos contra o desgoverno, pelos mais variados objetivos e fins. Alguns aparentemente parecem legítimos e outros claramente se comportam como oportunistas e sem legitimidade democrática. O que mais chama atenção é que todos eles carecem hoje de propostas concretas para sensibilizar e mobilizar o povo para as mudanças estruturais que o Brasil precisa, mas vive adiando. A pergunta mais comum é: "O que fazer?".

O líder da revolução russa Vladimir Lênin escreveu um livro sobre o assunto. Independentemente da ideologia, a obra pode ser muito útil para brasileiros perdidos na hora de mexer com a massa ignara - que não está a fim de nada, ou até tem boa intenção, mas não consegue traçar objetivos e metas bem claras e possíveis de serem cumpridas, em favor da Pátria (que não é aquela de chuteiras - muito bem explorada economicamente pelas as empresas CBF e Globo). Frases soltas de Lênin rendem excelentes reflexões. Afinal, foi ele quem disse: "Ideias são mais letais que as armas"

O pragmatismo de Lênin é objetivo: "Toda cozinheira deve aprender a governar o Estado". Lênin definiu: "O Estado é a organização especial de um poder: é a organização da violência". Lênin acrescentou: "Salvo o poder, tudo é ilusão". Lênin conceituou: "Ditadura é o poder baseado diretamente na força e irreprimido por quaisquer leis". Lênin também constatou: "O crime é produto dos excessos sociais". Lênin salientou: "Muitas vezes, é verdade, que, em política, você aprende com o inimigo".  Lênin proclamou: "A morte de uma organização acontece quando os de baixo já não querem e os de cima já não podem". O mesmo Lênin observou: "Um imbecil pode, por si só, levantar dez vezes mais problemas que dez sábios juntos não conseguiriam resolver".

Um dos conselhos úteis de Lênin trata da relação entre o sonho das pessoas e o mundo real: "É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com o nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias. Sonhos, acredite neles"... Tanto é assim que Lênin também filosofou sobre o tempo real: "Há décadas em que nada acontece e há semanas em que décadas acontecem". E Lênin, grande frasista, tem outra muito útil aos brasileiros no momento presente: "Se você não é parte da solução, você é parte do problema".

Divertindo-me com tais frases soltas, juntadas em um texto de forma cinicamente maniqueísta, chego a conclusão que Lênin daria um belo treinador para o Flamengo. Infelizmente, não dá para dizer o mesmo do companheiro $talinácio ou da torcedora Dilma - mais "prestigiada" que técnico de time que não para de perder de goleada... Ou mais "prestigiada" que dirigente da Fifa no torneio de futebol do FBI...

Partindo dos entretantos para os finalmentes, como proclamaria o Presidente Odorico, o Brasil carece de uma Elite Moral que consiga definir rumos estratégicos para o País, obtendo o milagre comunicacional de conseguir convencer os "jogadores da nação" da estratégia e da tática correta para virar nosso jogo - há muito tempo em permanente derrota política, econômica e, pior ainda, cultural e civilizatória.

Não precisamos estudar na escolinha de futebol do professor Lênin... Mas não podemos continuar sob risco de sermos treinados por falsos mitos de visão egoísta como o treinador $talinácio. Da mesma forma, não podemos esperar que, milagrosamente, o time das Forças Armadas entre em campo para salvar um jogo que é perdido pela incapacidade de cada jogador brasileiro - que ignora ser a gestão de uma nação uma obra coletiva.

Enfim, não adianta achar que tudo no Brasil se resolverá com jogadas mágicas de uma partida de futebol. Impeachment, intervenção constitucional, renúncia ou derrubada do governo por outro fim, combate inocente à corrupção sistêmica... Tudo parece distante do cenário real previsível.

Precisamos, de verdade, criar as pré-condições históricas para a mudança. Isto dá trabalho, consome tempo, neurônio e dinheiro. Exige debate sincero, sem paixões ideológicas - que mais parecem manifestação de torcida de futebol. Tal trabalho tem de começar ontem, para que o hoje chegue até amanhã. A militância cidadã vai exigir, antes, que cada indivíduo cuidem bem da própria vida e da família, para não terminar morto em campo...

O jogo é jogado... E não é para principantes nem amadores... Amador que deu certo só o Aguiar, do Bradesco... No entanto, se ninguém principar, nada vai acontecer...

Por isso, a dica aos organizadores de movimentos de rua e aos ativistas da internet é que desenvolvam, imediatamente, a capacidade de produzir soluções que as pessoas comuns entendam e constatem que têm capacidade real de, no mínimo, ajudar a realizar.

Se não for assim, manifestações públicas (na rua ou nas redes sociais) serão completamente inúteis. Nem adianta se matricular na escolinha do professor Lênin que o time continuará perdendo... E tomem cuidado com oportunistas, empresariais ou politiqueiros, que tentam se aproveitar da boa vontade e do voluntarismo das pessoas, principalmente as mais jovens...

Vamos sair do negativo e virar o jogo... Soluções, já! Ou, então, seremos o problema...      

Salvem o presidente


Que time é teu, Dilma?

O "Observador dos Pampas" manda um recado, injuriado e corretivo, porque erramos o time da Dilma lá no Sul:

"Apenas para esclarecer, DILMA  torce, desde os “velhos tempos” da dita-dura, pelo Internacional de Porto Alegre, o dito colorado, como ela mesma declarou (e não pelo Grêmio, graças a Deus!)".

Nota da redação: Eu também agradeço a Deus que ela não torce pelo Flamengo, embora o time hoje mais se pareça com o desgoverno dela: finge que tem poder ofensivo, até contratando um atacante de renome como o Guerreiro, mas é muito ruim na gestão do meio campo, o que compromete a eficiência e a meta do time que parece fragilizado psicologicamente dentro de campo.

Aventuras de Marco Polo


Rompendo o círculo vicioso

De Régis D. C. Fusaro, um comentário relevante sobre o artigo do Vice-Almirante Paulo Frederico Soriano Dobbin, publicado neste Alerta Total de 29 de maio de 2015:

"Uma das primeiras atitudes para romper o ciclo vicioso, muito bem apontado pelo Vice Almirante, é recusarmos qualquer outra eleição que nos apresente a mesma URNA ELETRÕNICA fraudável. Bem a propósito seria oportuno levantar esse problema já, enquanto há tempo suficiente para as adaptações necessária à emissão de comprovante de votação. E que todos nós pensemos em outros enfrentamentos pacíficos e inteligentes ao governo. Afinal, para quem mesmo o governo deveria atuar?" 

Alguém acha que Lula vai?


Requerimento 726/2015 do deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS) convocando Luiz Inácio Lula da Silva a prestar esclarecimentos na CPI da Petrobras, acerca das denúncias de que praticou tráfico de influência no BNDES e nos esquemas de corrupção na Petrolífera.

Alguém, em sã consciência, acredita que o Grande Mito em Decadência vai aparecer na CPÌ?

Se Andrezinho delatar...


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Neste momento em que estruturamos mudanças para melhor no Alerta Total, que coincide com uma brutal crise econômica, reforçamos os pedidos de ajuda financeira para a sobrevivência e avanço do projeto.

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III) Depósito no sistema PayPal, para doações feitas no Brasil ou no exterior.

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!


O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 31 de Maio de 2015.

Vestuário no Bestiário


"Com que roupa eu vou" - clássico de Noel Rosa.

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Uma das formas de ataque à burguesia foi destruir os seus hábitos de vestimenta.

Nos últimos quarenta anos sofremos mais essa decadência.

No auge da elegância mundial (de 1900 a 1940 aproximadamente) usavam-se roupas adequadas às diferentes cerimônias e ou situações. Tentamos estabelecer uma tabela dos trajes, em ordem decrescente de formalidade, nos diferentes idiomas:

Português Inglês Francês Espanhol Italiano
traje attire tenue atuendo vestito,veste

casaca swallow tail frac frac marsina
(white tie) (grand tenue)
fraque morning dresses ? vestidura giubba a coda

“smoking” black tie tenue de soiré ? ?
passeio suit tenue de ville ambo àbito
(costume:paletó,
calça e, às vezes,
colete[terno]
do mesmo tecido+
gravata
“blazer” blazer paletot saco giacca
(paletó azul
marinho e
calça cinza,
sem gravata)
esporte fino
calça comprida,
camisa de manga
comprida,sapato
e meia

Pedimos aos amáveis leitores eventuais correções e ou explicações.

Os jovens de hoje, mesmo os de famílias distintíssimas, talvez nunca venham a usar um sapato de couro ou uma gravata; pobres vítimas da destruição deliberada dos hábitos e tradições civilizadas.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

A revolta dos "idiotas"


"Contribuir para a defesa da Democracia e da Liberdade, traduzindo um País com projeção de poder e soberano, deve ser o nosso Norte!"

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marco Antonio Felício da Silva

É impressionante como um sem número das ditas autoridades, instaladas nos diferentes poderes da República, nos mais altos postos, a começar da Presidente da República, tratem como “idiotas” grande parcela da população esclarecida, falando de um País inexistente, manipulando e sonegando informações diante da conhecida e escabrosa situação por que passamos e que envolve, criminalmente, diversas dessas autoridades.

Quais as razões que impedem a investigação criminal de Dilma Roussef e de Lula da Silva? “Mensalão” e “Petrolão” não passam de esquemas armados pelo PT, desviando criminosamente dinheiro público para enriquecimento ilícito e financiamento de campanhas políticas que levaram Lula e Dilma à Presidência. Lula, não é de hoje, antes de 2003, de forma comprovada, já usava dinheiro extorquido ou público, desviado, para tal.

Delações premiadas recentes confirmam tais financiamentos criminosos. Como não saberiam eles, Lula e Dilma, de tal corrupção, principais favorecidos e pertencentes à cúpula do Partido, ainda mais que José Dirceu e Delúbio Soares, condenados no Mensalão, e o tesoureiro do PT, hoje, preso, João Vacari, são figuras exponenciais dos esquemas citados ?

Como acreditar num STF aparelhado que mostra juízes, com todo um passado ligado a Lula e ao PT, agindo como advogados de defesa de réus petistas ou tudo fazendo para bllndar o ex-presidente e Dilma. Tribunal que dá guarida a juíz sem saber jurídico ou militante do PT e defensor do MST, que, privilegia a imoralidade, não se sentindo impedido de julgar, apesar dos laços com os acusados de interesses e amizade ou de companheirismo presentes.

Primorosa, no sentido de manipular fatos e negar a gravidade da situação e o envolvimento criminoso de seus companheiros, é a entrevista à “Época” (04/05/2015), de Jaques Wagner (MD), também um dos citados como recebedor de propinas para sua campanha, através de delação premiada de empreiteiros e do corrupto doleiro Youssef, já preso. Segue, ele, a mesma linha do manifesto do PT (30/03/2015), que, apesar dos escancarados fatos de envolvimento criminoso no “Petrolão”, afirma, cretinamente, que o PT está sendo “atacado por suas virtudes”. Assim, nos classifica como “IDIOTAS”, como crédulos de mentiras comprovadas.

Afirma Wagner que a sua tristeza com as manifestações de ruas, “já que estavam fazendo tudo certo”, esquecendo-se da situação degradante em que se encontra o País, resultante dos governos ineptos e corruptos do PT, é a bandeira levantada, negativa, o pedido de “impeachment” de Dilma, para ele acima de qualquer suspeita. Esquece, entre outros “malfeitos” da Presidente, que o atraso de repasse de recursos para os bancos públicos, escamoteando o déficit público e manobrando para aumentar gastos que facilitariam a sua propaganda eleitoral e consequente eleição, é crime de responsabilidade que leva ao impeachment.

Os “IDIOTAS”, cada vez mais pisados, se voltam para as ruas, até mesmo não só para reivindicar mais intensamente contra as mentiras e descalabros impostos à Nação, por este bando de corruptos, como também, possivelmente, incitados à revolta e desespero crescentes, para fazer justiça pelas próprias mãos face a esse total e imoral desgoverno.


Marco Antonio Felício da Silva é General de Divisão, na reserva. Originalmente publicado no jornal O Tempo, de Belo Horizonte, em 30 de maio de 2015. 

MBL mente e prejudica a todos


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Daniela Schwery

MBL mente, mas cobra união e foco desde que seja para dar ibope a eles. A marcha composta por andarilhos foi fraca que dói, dia 27 foi fajuto (infelizmente, pois prejudica a todos). Não teve repercussão, não teve adesões, não acrescentou nada de útil ao combate contra o petismo. Pelo contrário, só serviu para fazer muitas piadas sobre as nádegas de seu líder.

Parece que o ditado é claro: quem planta bosta, colhe merda!

MBL, sem querer generalizar boas pessoas que ainda não perceberam o cenário na sua complexidade, é composto por trolladores que se sentem acima do bem e do mal, tudo neles é virtude, nos outros tudo é defeito.
Conhecem essa atitude de algum lugar?

Ah, claro! No PT! (No PSDB também, diga-se de passagem)
Cobram “união” e “foco” só quando interessa a eles, mas ao vosso reino, nada! Quantos que pediram ou ofereceram ajuda e foram “trollados” pela panelinha da justiça – panelinha super descolada (só eles são legalzões)? Arrisco dizer que quase todos.

Conhecem essa atitude de algum lugar?

Ah, claro! No PT! (No PSDB também, diga-se de passagem)

Daí, você expressa a sua opinião e recebe mensagens com tom de intimidação, como por exemplo, você “esta se queimando” e é isolado pela “cúpula”, neutralizado. Uma ditadura e censura do “nosso lado”.

Conhecem essa atitude de algum lugar?

Ah, claro! No PT! (No PSDB também, diga-se de passagem)

O que podia ser ressaltado nesse meio tempo que se tentou desviar a atenção para a marcha:

- impeachment do Haddad;
- Toffoli e Fachin;
- reforma política;
- ajuste fiscal;
- favorecer uma ala do PSDB em detrimento de outra (avacalhar o Aécio, merecidamente é claro, mas aliviar para o Aloysio Nunes (???), ou aceitar o teatralismo do Carlos Sampaio – o embusteiro!);
- paralisações que ocorreram de fato dos caminhoneiros dia 28, 29 e 30 de abril que não foram noticiadas mas chegaram a causar transtornos reais, caminhoneiros pediram apoio e não tiveram o devido respaldo;
- 17MAIO, manifestação de rua que o Lobão ajudou a divulgar no twitter e no The Noite com o Danilo Gentili;
- fator previdenciário,
- terceirização;
- etc!

O que mais impressiona é que o que eles cobram, não fazem com os outros ou pelos outros, por exemplo, não apoiam atos dos demais quando não podem roubar a autoria com atitudes que aborreceu a muitos, como “VPR organizou” (e não organizou nada, veio no embalo para variar), “manifestantes do MBL” (pessoas normais que sempre foram ativas e sem vínculos, prejudicadas pelas intrigas criadas pelos movimentos desagregadores) , venda de KITs, pedir doações para autopromoção e não promoção da causa, e por aí vai.

Exemplos do que podia ser apoiado que surgiu a ideia antes mesmo da tal da marcha (antes que venha aquele mimimi de separatismo):


Mas, até aí pode aparentar rixas de cunho pessoal, porém mentir já é demais – o que mostra a intenção clara deles de só se beneficiarem, marketing pelo marketing (deles, claro, não o da causa em si, o que seria louvável).

Eles sim que protocolariam o impeachment e bem o deles é que seria o tal! HAHAHA #SQN

Além de não ser bem assim e enfraquecer a causa, eles mentem, não ajudam o que não seja do interesse deles, como é o caso do pedido de impeachment protocolado após 15MAR pelo Jair Bolsonaro, o pedido de impeachment protocolado pelo Edson Claro após o 12ABR, a campanha de vídeos virtuais que visava justamente cobrar o Eduardo Cunha para por o impeachment para votação e cobrar a “oposição” através dos vídeos abaixo.



Acabou por aí? NÃO!

A mais nova bomba e apresentada pelo nosso lado, afinal, nem tudo é obra da MAV petista ou de “infiltrados” como é a moda dizer, é:


Vamos combinar que o assunto VPR, agora unido ao MBL novamente, visto a pizzada com a participação do Chequer, acrescida da participação do Collin Butterfield junto aos andarilhos lá no dia 27 conforme a foto da postagem acima, esta indigesto para muitos, pois pese o nosso lado ser contra o comunismo, não quer dizer que seja favorável as falhas do capitalismo, em outras palavras, lobby pesado para tão apenas favorecer uma panelinha restrita – o que caracteriza alternância de poder pelo poder, apenas isso.

Daniela Schwery é Ativista.

Muito Além de uma gripe...


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arthur Jorge Costa Pinto

No último dia 22 de maio (sexta-feira), foi mais do que notada,a primeira ausência do ministro da Fazenda Joaquim Levy na proclamação do lendário contingenciamento de R$ 69,9 bilhões, para formalizar a tesourada nos gastos públicos. As especulações tomaram conta do mercado financeiro e da classe política, sobre o motivo pelo qual o ministro não compareceu ao anúncio, repassando a sua responsabilidade e deixando os holofotes para o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

Levy declarou à mídia que se encontrava bastante gripado e transpirou também a sua desconfiança de que sua presença levasse os jornalistas presentes a questioná-lo exclusivamente sobre a elevação dos impostos. Ficou evidente, nas entrelinhas da sua justificativa oficial, que há divergências que entrelaçam o PT, o Governo e o ministro da Fazenda. Entretanto, esta desarmonia vem modelando a sua desconexão com grande parte do governo e especialmente com a seita petista.

A partir daí, Levy manifestou indiretamente sua insatisfação sobre os cortes no Orçamento;também confidenciou uma possível discórdia na esfera governamental,o que trouxe de imediato uma natural dúvida ao mercado financeiro, quanto ao desejo da presidente em manter na rota o redirecionamento da atual política macroeconômica.

Os analistas políticos afirmam que as discordâncias entre Levy e Barbosa não estão apenas no montante de cortes do Orçamento que o ajuste fiscal impõe. Fontes do governo não escondem que as divergências compreendem também a desoneração da folha de pagamento das empresas e especialmente as alterações aprovadas no cálculo do fator previdenciário.

Na semana passada, outra omissão de Levy se deu igualmente em importante encontro e foi amplamente percebida. Esteve distante da reunião dos líderes com o vice-presidente Michel Temer, com as presenças de Barbosa (Planejamento) e Gabas (ministro do Trabalho). Mais uma vez, o titular da Fazenda alegou problemas médicos para não estar presente. Possivelmente, não foi a sua saúde o real motivo das coincidências para ambas as ausências.

A situação começa a encrespar, pois o PT não aprova o modelo de ajuste apresentado pelo ministro e demonstra forte resistência sobre o pacote. Cabeças coroadas do governo também caminham no mesmo sentido de um ajuste mais brando que fortalece a base, nesse sentido dificultando a sua aprovação e aumentando o clima de instabilidade.

Lembro-me de quando Dilma, no início do seu segundo desgoverno, dirigiu-se com determinação aos brasileiros, justificando o convite formulado a um homem público e reconhecido economista ortodoxo, oriundo da famosa escola de economia de Chicago para comandar a nossa deteriorada economia. Na época, ressaltou que sua intenção era organizar o seu segundo período governamental em duas etapas distintas.

Nos dois primeiros anos de ajuste, adotaria o modelo desenhado por Levy, e os dois últimos seriam dentro de uma linha que é amplamente defendida pelo economista Nelson Barbosa (ministro do Planejamento),egresso da primeira gestão inconsequente de Dilma, que é visto como um aliado das políticas desenvolvimentistas mais ao feitio da seita petista.

Atualmente, notamos o temor dos analistas econômicos e o anseio dos petistas que já iniciaram uma fase de pressões contra a nova política econômica,com o objetivo de encurtar o período inicial destinado aos ajustes recessivos e o início de uma flexibilização já no decorrer do próximo semestre.

O ministro do Planejamento defendeu um corte abaixo de 70 bilhões, não transparecendo até então, um propósito de iniciar uma perigosa “queda de braço” na área econômica. Como notamos, os dois simbolizam estilos completamente diferentes e Levy, já carimbado como um tocador de uma política de uma nota só, a do ajuste, com isso está inquietando o seu colega de equipe econômica.

Embora Levy já tenha dito que apresentará propostas para a segunda fase da política econômica mais direcionada aos investimentos, alerta, entretanto, que o País somente chegará a ela através do compromisso inicial na efetivação do dever de casa. Jáestá sendo criticado por alguns segmentos da sociedade por ainda não apresentar uma consistente saída para a crise em que estamos envolvidos.

Me dá meu boné

Embora diante das sutilezas nas discussões sobre o ajuste, Dilma ainda não transpareceu que pretende “encurtar” a gestão de Levy na Fazenda, mas este propósito já é iminente nos planos do seu criador, o ex-presidente Lula, que já se encontra plenamente conspirando a sua fritura nos bastidores da política nacional.

A sua saída será interpretada pelo mercado, como uma derrota no nascedouro de um novo modelo econômico, sustentado por ele, e que atualmente é visto até pela comunidade financeira internacional como indispensável para evitar o caos financeiro do nosso setor público.

Em alguns instantes, o seu comportamento revela estar praticamente isolado. Além da presidente, que desfruta do ápice de sua fragilidade política e sem poder de mando, somente sobressai um sombrio apoio do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

Caso venha a ser aprovado o ajuste fiscal como se planeja, parece que Levy terá maior desenvoltura para tocar sua estratégia de restabelecer a recuperação da confiabilidade que falta a este desgoverno petista. Não resta dúvida que enfrenta um imenso desafio; a economia brasileira encontra-se em plena desaceleração, o que deverá ser acentuado no segundo trimestre desse ano, comprimindo a arrecadação e consequentemente impedindo o cumprimento da meta de superávit primário de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) ao final de 2015.

Caso essas dificuldades venham a se consolidar, breve deveremos apreciar um embate arriscado entre os atuais titulares da Fazenda e do Planejamento. No Congresso, PT e PMDB já começaram um discurso para aprovar uma emenda à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para o exercício de 2016, recomendando redução na meta deste ano de 1,1% para 0,80% do PIB, o que traria grande satisfação a setores governamentais. Essa possibilidade jamais agradará Levy, pois ele considera este um caminho estratégico para quem quer suavizar os cortes do orçamento.

Esses episódios mostram a grande desordem política e ideológica que dominam o País, em função do elevado grau com que Dilma contradisse suas promessas inexequíveis durante a sua última campanha eleitoral.  Além disso, a melhora da economia em 2016 e o crescimento econômico começam a ficar prejudicados. É importante aguardar os próximos passos para ver se Levy continua no governo ou se infelizmente não resistirá a outras pressões gripais.


Arthur Jorge Costa Pinto é Administrador, com MBA em Finanças pela UNIFACS (Universidade Salvador).

O fim de Carlos Lamarca e da VPR


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I.S. Azambuja

Uma cuidadosa ação da Inteligência colocou fim à carreira do terrorista Carlos Lamarca, mas os homens que lutaram contra o terror comunista nunca foram reconhecidos pelos governantes de plantão.

No dia 7 de dezembro de 1970, uma segunda-feira, um grupo de militantes da Vanguarda Popular Revolucionária, chefiado por Carlos Lamarca, seqüestrou Giovani Enrico Bucher, embaixador da Suíça no Brasil. O seqüestro ocorreu na rua Conde de Baependi, Catete, no Rio de Janeiro. O embaixador viajava em seu carro, um Buick, dirigido por seu motorista, Hercílio Geraldo e, como sempre, acompanhado do agente da Polícia Federal Helio Carvalho de Araújo, designado para prover sua segurança. 
Após o carro ter sido interceptado, Carlos Lamarca, utilizando o codinome de "Paulista", bateu no vidro da janela do agente de segurança, abriu a porta e desfechou-lhe dois tiros com um revólver calibre 38 à queima-roupa. O agente, conduzido para o Hospital Miguel Couto, faleceu 3 dias depois. 

Desse seqüestro, tomaram parte diretamente seis militantes, além de Carlos Lamarca: Adair Gonçalves Reis, Gerson Theodoro de Oliveira, Alex Polari de Alverga, Inês Etienne Romeu, Maurício Guilherme da Silveira e Herbert Eustáquio de Carvalho. José Roberto Gonçalves de Rezende e Alfredo Helio Sirkis participaram do transporte do embaixador para o "aparelho" da VPR na rua Paracatu, em Rocha Miranda. O militante Paulo Brandi de Barros Cachapuz, nesse mesmo dia - e nos dias seguintes - deu seguidos telefonemas desinformando a polícia sobre o paradeiro do embaixador. 

Essa data – 7 de dezembro de 1970 – marcou o início do fim da VPR.
Naquele mesmo dia a VPR distribuiu aos meios de comunicação o "Comunicado nº 1", um "Manifesto ao Povo Brasileiro" e uma "Carta Aberta à embaixada suíça", bem como uma carta de próprio punho do embaixador. 

No dia 9 de dezembro, o Ministério da Justiça, através de uma nota oficial, afirmava que "o governo brasileiro, no empenho de preservar a vida e a liberdade do embaixador", aguardava a relação nominal dos terroristas a serem liberados. Nesse mesmo dia, a VPR expediu o "Comunicado nº 2", dizendo que somente divulgaria a lista dos 70 presos a serem liberados depois de cumpridas as exigências de divulgação do "Manifesto ao Povo Brasileiro" por dois dias consecutivos na primeira página dos jornais e em todas as rádios e TVs do país, às 6, 12, 18 e 20:30 horas, o que não foi feito. 

Quatro dias depois, a VPR cobrou do governo o cumprimento dessa exigência através do "Comunicado nº 3" e, no dia 16 de dezembro com o "Comunicado nº 4". 

No dia 17, o governo deu garantia de que libertaria os 70 presos e, no dia seguinte, a VPR enviou o "Comunicado nº 5", com a lista dos 70. 
Na segunda-feira, 21 de dezembro, o governo respondeu que aceitava libertar apenas 51 presos constantes da relação. Não concordava com os outros 19 por vários motivos: 6 haviam participado de seqüestros, 4 estavam condenados à prisão perpétua ou a penas elevadas, 3 haviam cometido homicídios, 1 não estava identificado, 1 não queria ser banido do país e 4 já estavam em liberdade. 

A partir desse documento teve início uma discussão dentro da VPR para ver se o embaixador seria morto ou não, sendo realizada uma votação a respeito com o resultado de 15 a 3 a favor do "justiçamento" do embaixador. Os 3 que votaram contra foram Carlos Lamarca, Alfredo Hélio Sirkis e José Roberto Gonçalves de Rezende que não vislumbravam dividendos políticos na morte do embaixador. Lamarca, como comandante-em-chefe da VPR, exerceu seu direito de veto e sustou o "justiçamento" enviando ao governo outra lista dos presos a serem liberados. 

No dia 28 de dezembro, o governo divulgou que, da nova lista, alguns não poderiam ser também libertados. No dia 30, a VPR enviou uma outra relação e, no dia 4 de janeiro, o governo divulgou a preterição de mais 9 presos, substituídos no dia seguinte, por uma nova lista enviada pela VPR. No dia 6 de janeiro, nova preterição de 4 nomes e, no dia seguinte, nova lista substituindo esses 4. 

Finalmente, no dia 11 de janeiro, uma nota oficial do Ministério da Justiça condicionou a liberação e embarque para o Chile dos 70 presos a um Comunicado da VPR comprometendo-se a liberar o embaixador. No dia seguinte, a VPR cumpriu essa exigência e, às 24 horas do dia 13 de janeiro de 1971, os 70 presos, escoltados por três agentes da Polícia Federal embarcaram no Galeão, em um Boeing da Varig e, às 4:15 horas de 14 de janeiro desembarcaram no aeroporto Puhaduel, em Santiago, sendo fotografados ao lado do avião com os punhos cerrados e saudados por dezenas de militantes, brasileiros e chilenos, postados nas varandas do aeroporto, entoando a Internacional Socialista. 

Dos 70 presos banidos do Brasil, 24 eram militantes da VPR e os demais 46 pertenciam a outras organizações. 

No dia 15 de janeiro de 1971, Lamarca abandonou o "aparelho" em que se encontrava e, no alvorecer do dia 16, o embaixador foi deixado próximo ao penhasco da igreja da Penha, em um Volks, por Alfredo Helio Sirkis e Gerson Teodoro de Oliveira. Pouco tempo depois, Gerson Teodoro de Oliveira, a bordo desse Volks, que estava registrado no nome frio por ele utilizado, foi morto pela polícia.

Após esse tremendo desgaste de ter que manter o embaixador confinado por 39 dias, de fazer e refazer relações de presos e de impedir o "justiçamento" do embaixador, conforme desejava a maioria da VPR, a liderança de Carlos Lamarca estava irremediavelmente desgastada. 

Acolhido em um "aparelho" do MR8, na região dos Lagos, juntamente com sua amante Iara Iavelberg, Lamarca, em 22 de março de 1971, enviou um Comunicado à VPR escrito de próprio punho. Abaixo, uma cópia literal desse documento: 

"Ao Comando da VPR. Assunto: Pedido de Desligamento. Caráter: Irrevogável. 

Apresento, conforme normas internas da Org, o meu pedido de desligamento para apreciação no meu órgão de militância. Considero essa apreciação como necessária para a formalização de crítica e auto-crítica.

Dou caráter de irrevogabilidade à este pedido em virtude de:

1) divergir da linha política da VPR, conforme coloquei em diversos documentos internos;

2) ter constatado desvios ideológicos da VPR e a deformação que acarreta em muitos dos seus quadros;

3) não ter conseguido levar a luta interna que iniciei há um ano com a devida serenidade;

4) não conseguir romper com o culto ao sectarismo existente na VPR;

5) discordar do método de direção (apesar de ser Cmt-em-Chefe); a Org impede a liberação de potencial, não forma quadros, aliena militantes, deforma dirigentes, elimina a criatividade, impede a prática leninista – tudo como já coloquei em documentos internos. 

Considero-me também deformado – na Org em que vou militar farei auto-crítica na prática. Coloco-me como deformado porque constatei, na prática, essa deformação. Na VPR não há lugar para uma auto-crítica revolucionária, em todas as vezes que fiz, foi politicamente capitalizada para a defesa de posições – persistir é aceitar a deformação. 

Estarei sempre atento para responder questionamento da VPR sobre qualquer acontecimento na organização – de 24 de janeiro de 1969 até esta data 22 de março de 1971 – se me chegar por escrito. Aguardarei a análise crítica da VPR, solicitando o direito de resposta, assim como apuração de responsabilidade pessoal, em qualquer época, e no nível desejado pela VPR. Condicionarei a minha entrada em outra Organização a isto, para que fique clara a minha predisposição de assumir a responsabilidade dos meus atos na militância individual ou coletiva na VPR. 

Sempre travei a luta interna e procurei a coesão sem conciliar – saio sem travar uma luta desagregadora – apesar de ter cometido uma violência ao escrever o documento CONTRA O CUPULISMO. Uma violência, mas uma deformação. A deformação é uma necessidade da VPR. Sem a violência as posições políticas não afloram – e, de deformação em deformação à degradação política. 

À VPR só resta um caminho, o CONGRESSO – um longo processo de discussões e um profundo imobilismo – se tentar andar quebra. 

Tenho contribuições a dar para a Revolução no Brasil, e aqui ficarei e, na Organização em que for militar farei um comunicado à esquerda apresentando os motivos do desligamento e do ingresso em outra Organização Revolucionária. 

O que sei, e que possa afetar a segurança da VPR morre comigo. 

OUSAR LUTAR
OUSAR VENCER
Claudio – 22 MAR 71"

O original do documento acima foi apreendido pelo CISA no "aparelho" de Alex Polari de Alverga, pertencente ao Comando Nacional da VPR, quando de sua prisão, em maio de 1971. 

Em 22 de junho de 1971, Carlos Lamarca e Iara Iavelberg, em frente a uma loja do Bob’s, na Avenida Brasil, Rio de Janeiro, embarcaram em uma Kombi que, precedida por um Volks, os levou a Salvador/BA. Nas proximidades de Salvador, ambos passaram para o Volks e a Kombi retornou ao Rio com seu motorista.

Investigações posteriores indicaram que a Kombi tinha placa de Belém/PA e pertencia a um paraense, estudante de Economia na Universidade Gama Filho, no Rio; e que o Volks, de cor branca, tinha placa de Petrópolis/RJ. O levantamento do proprietário do Volks foi fácil, pois, na época, só existiam  dois Volks de cor branca registrados no Detran de Petrópolis.

Com base nesses dois informes foram levantadas as identidades dos proprietários, dois colaboradores do MR-8. O Volks pertencia ao filho de um ex-Ministro do STF, cassado, e a Kombi pertencia, realmente, a um estudante paraense. Seus nomes serão preservados. Eles nunca foram presos. Passaram a ser monitorados, pois poderiam, no futuro, passar a colaborar e eram uma forma da Inteligência não perder contato com a Organização. 

Menos de três meses depois, em 17 de setembro de 1971, Carlos Lamarca era morto no sertão da Bahia e o MR-8, no Rio de Janeiro e na Bahia, desmantelado. Lamarca foi o último dos chamados grandes comandantes da guerrilha a ser eliminado. Os dois outros, Carlos Marighela, e seu sucessor, Joaquim Câmara Ferreira (“Toledo”), morreram em novembro de 1969 e dezembro de 1970.

Em 1971, o balanço geral dos militantes da VPR era de que as organizações da esquerda armada haviam sido derrotadas em razão da ação da chamada “repressão” que levou ao seu isolamento social e político. Os remanescentes da VPR no Brasil já haviam jogado a toalha com a divulgação, no dia 7 de agosto de 1971, de três documentos históricos:

O Comunicado nº 1 (Novo Comando) afirmava que “em vista dos últimos acontecimentos, fica estabelecido um novo comando na organização”; que esse novo comando “assume a organização praticamente extinta e vai tentar salvar o que sobrou”;

O Comunicado nº 2 (Medidas Imediatas) assinalava que “atualmente o que existe é o final da derrota, alguns elementos que devem ser preservados para que se possa tirar do fracasso desta experiência as lições necessárias (...) e, para isto, determina de forma imediata: a) a organização está desmobilizada; b) está convocado o II Congresso Nacional (...) por desmobilização entendemos a suspensão das ações armadas (...)”;

O Comunicado nº 3 (Aos Companheiros no Exterior): “A organização chegou agora ao esgotamento total. Estamos sem as mínimas condições de atuação e sem possibilidades por mais remotas de tirar uma definição conseqüente, que sirva de guia para uma prática revolucionária (...) A crise política da organização que se seguiu à ação do embaixador suíço levou a uma aguda crise no Comando em abril/maio deste ano, tendo como conseqüência o desligamento inusitado de dois dos companheiros do Comando Nacional. Um desses companheiros caiu a 3 de maio, outro pediu ingresso em outra organização (...) O companheiro do Comando, restante, estabeleceu uma assim chamada ‘Coordenação Provisória’ que teve vida curta. Sua finalidade era coordenar discussões na organização, mas já a 12 de maio caíam dois companheiros da Coordenação, restando dela um único. Na realidade, porém, a situação era muito pior: a Unidade de Combate da Guanabara perdeu de março até maio quase todos os seus quadros. Restaram alguns poucos, dos quais caíram dois entre maio e agosto. Em São Paulo já não existe Unidade de Combate, sendo alguns quadros recém recrutados, que não têm condições de, sozinhos, montar uma UC (...) Entre 1 e 5 de agosto caíram dois companheiros fundamentais no NE (...) A organização está desmobilizada (o que significa apenas reconhecer com palavras uma situação de fato que se estendia desde maio deste ano e buscar salvar o que sobrou). Convocamos o Congresso, mas para realizá-lo precisamos que os companheiros nos enviem dinheiro (...) Sem dinheiro certamente não sobrará um único remanescente no Brasil. Esperamos, com urgência, a colaboração dos companheiros”.

O ato final da VPR foi realizado no Chile, em julho de 1973, às vésperas da deposição do governo Allende: uma reunião de avaliação, da qual participaram os militantes que se encontravam foragidos ou banidos naquele país. Essa reunião formalizou a extinção da Vanguarda Popular Revolucionária e sua desmobilização por completo, pois voltar ao Brasil naquele momento para prosseguir na luta armada não fazia parte da agenda pessoal da quase totalidade dos militantes.

A VPR, constituída em março de 1968, por um grupo partidário da teoria do “foco guerrilheiro” que havia deixado a organização Política Operária, mais conhecida como POLOP, e por diversos sargentos e marinheiros expulsos das Forças Armadas, muitos com treinamento em Cuba, remanescentes do falido Movimento Nacional Revolucionário de Brizola, durante os cinco anos em que atuou, seqüestrou embaixadores, matou, “justiçou”, assaltou bancos e carros-fortes, estabelecimentos comerciais. Os que sobraram, no entanto, foram anistiados e a maioria recompensada financeiramente por não terem conseguido transformar o Brasil em umarepública popular democrática. 

Na realidade, apesar da audácia, da lenda e do mito, Lamarca foi um desertor e um traidor do Exército Brasileiro.

E é assim que deverá passar à História.

Entretanto, aquele pequeno grupo de militares e civis – alguns dos quais não mais estão entre nós - que erradicaram o terrorismo, os seqüestros, os assaltos, os justiçamentos e os assassinatos de cunho político, que sacrificaram suas vidas e a de seus familiares, não receberam o reconhecimento da Pátria ou de seus governantes.


Carlos I.S. Azambuja é Historiador.