terça-feira, 22 de março de 2016

Buccellati


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Amáveis leitores, continuem tranquilos.

Não se trata de parte da mina que poderia ladrar por furibunda (lado B).

O famoso joalheiro fabrica jogo de talheres de alto luxo, que o boi talvez compre após devolver o que, por engano, do palácio levou (e não era seu) para o sítio que também não era seu.

Em teoria, tudo é possível, até que o povo fique impassível.

Não podendo mais entrar em restaurantes, o capa preta verá que o país jamais será como dantes; nem sua escória, em toda sua história.

Desesperado, o anticristo fará entrar em cena o quarto elemento.
Filho de égua com jumento, burro, pensa conjugar um verbo de nova declinação; o Ben-Hur: “ eu bem-hurro, tu bem-hurras...”

Por trinta anos o povo foi massacrado para acreditar que dona Onça é malvada.

Assim, ela o faz ver que as instituições são “boas” e estão “funcionando”.

Como o paraquedas solidário, diz: “estou contigo e não abro!”

Se o cenário tornar-se macabro, com morte e violências de toda sorte, talvez os filhos de Mavorte, farão no tumor um corte.

Estirpado o carnegão e feita a assepsia, chamarão civis que não sejam ladrões nem vis.

Então reinará a paz no antigo feudo do ferrabráz.



Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

6 comentários:

Loumari disse...

Soberanos mas Escravos

Os homens que estão em altos lugares são escravos de três modos: escravos do soberano ou do Estado; escravos da reputação; e escravos dos negócios. Não gozam de liberdade, nem nas suas pessoas, nem nas suas acções, nem no seu tempo. Estranho desejo é o de ganhar o poder e perder a liberdade, ou de buscar o poder sobre os outros para perder o poder sobre si-próprio. A ascensão às altas funções é laboriosa; através de canseiras chega o homem a maiores canseiras; a ascensão é por vezes humilhante, e por meio de indignidades é que o homem chega às dignidades. Manter-se à altura é difícil, e a descida é uma queda vertical; ou pelo menos um eclipse, coisa melancólica.
Além disso, os homens não se podem retirar quando querem; nem querem quando seria razoável; não se compadecem com a aposentação por idade ou por doença, quando necessitam estar à sombra; tais como os velhos das vilas e das aldeias que querem estar sentados à porta de casa, expondo assim a velhice ao escárnio dos outros. Certamente, as altas personalidades necessitam de pedir aos outros homens opiniões que as façam felizes; porque a julgarem-se pelos próprios sentimentos jamais conseguirão a felicidade; mas se considerarem à parte o que os outros homens pensam a respeito delas, e que os outros homens desejariam ser o que elas são, nesse momento sentem-se indirectamente felizes, mediante a fama, se bem que no íntimo talvez pensem o contrário.

"Francis Bacon, in 'Ensaios - Das Altas Funções'
Inglaterra 1561 // 1626
Filósofo, Ensaísta, Politico

Loumari disse...

A Mentira é mais Interessante que a Verdade

«O que é a verdade»? Perguntava Pilatos gracejando, talvez que não esperasse pela resposta. Há quem se delicie com a inconstância, e considere servidão o fixar-se numa crença; há quem se afeiçoe ao livre-arbítrio tanto no pensar como no agir. E se bem que as seitas de filósofos desta espécie hajam desaparecido, sobrevivem alguns representantes da mesma família, apesar de nas veias não lhes correr tanto sangue como nas dos antigos. Não é somente a dificuldade e a canseira que o homem experimenta ao perseguir a verdade, nem sequer o facto de, uma vez encontrada, se impor aos pensamentos humanos, o que leva a conceder às mentiras os maiores favores; é sim, um natural mas corrompido amor da própria mentira. Uma das últimas escolas dos Gregos examinou esta questão, mas deteve-se a pensar no que leva o homem a armar as mentiras, quando não o faz por prazer, como os poetas, ou por utilidade, como os mercadores, mas pelo próprio mentir.
Não sei como dizê-lo, mas a verdade é uma luz nua e crua que não mostra as máscaras, as cegadas e os cortejos do mundo com metade da altivez e da graciosidade com que aparecem iluminados pelos candelabros. A verdade pode, talvez, atingir o preço da pérola que mais brilha durante o dia, mas não alcança o preço do diamante ou do carbúnculo que tanto mais brilham quanto mais variadas forem as luzes. Com a mistura da mentira mais se acresce o prazer. Haverá alguém para duvidar que, tirando ao espírito humano as opiniões vãs, as esperanças lisonjeiras, as falsas valorações, as imaginações pessoais, etc., para a maior parte da gente tudo o mais não seria senão uma espécie de pobres coisas contraídas, cheias de melancolia e de indisposição, enfim, desagradáveis?

"Francis Bacon, in 'Ensaios - Da Verdade'
Inglaterra 1561 // 1626
Filósofo, Ensaísta, Politico

Loumari disse...

Mentira
A mentira é um manto esfarrapado e curto, que não consegue jamais esconder a verdade. A mentira é como uma baforada de fumo que logo se desmancha no ar.
Henrique Maximiano Coelho Neto
Brasil 1864 // 1934

Loumari disse...

A Inveja Passeia pelas Ruas

O homem que não tiver virtude própria sempre invejará a virtude dos outros. A razão disso é que a alma humana nutre-se do bem próprio ou do mal alheio, e aquela que carece de um, aspira a obter o outro, e aquele que está longe de esperar obter méritos de outrem, procurará nivelar-se com ele, destruindo-lhe a fortuna.
As pessoas que são curiosas e indiscretas são geralmente invejosas; porque conhecer muito a respeito da vida alheia não pode resultar do que concerne os próprios negócios. Isso deve provir, portanto, de tomar uma espécie de prazer teatral a admirar a fortuna dos outros. Aliás, quem não se ocupa senão dos próprios negócios não encontra matéria para invejas. Porque a inveja é uma paixão calaceira, isto é, passeia pelas ruas e não fica em casa.

"Francis Bacon, in 'Ensaios - Da Inveja'
Inglaterra 1561 // 1626
Filósofo, Ensaísta, Politico

Loumari disse...

Lágrimas

É a mensageira da saudade, é o relicário da prece, é a cristalização da mágoa. É imortal, porque deriva da alma. É a água que não seca, a lágrima, água do coração - salgada porque vem de um oceano sem praias, que é o desespero, estrela porque demanda o céu.
Henrique Maximiano Coelho Neto
Brasil 1864 // 1934

Loumari disse...

Contra o Abuso das Crianças

Estejam sempre vigilantes, peçam responsabilidades aos governos, lutem pela paz e pela justiça. Não descansem nem um momento, pois não há circunstância alguma em que a negligência ou o abuso de crianças possa ser tolerado. (...) Neste mundo de tamanha abundância, podemos certamente encontrar os meios para assegurar que nenhuma criança passe fome, nenhuma grávida esteja demasiado fraca para sobreviver ao parto e que cada uma dos quase seis milhões de crianças que deverão morrer no próximo ano por malnutrição seja salva.

"Nelson Mandela, in 'Discurso (2000)'
África do Sul 1918 // 2013
Estadista, Nobel da Paz