domingo, 15 de maio de 2016

A Arte da Guerra


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo é de autoria de Sun Tzu, que foi o homem mais versado que jamais existiu na arte militar. Segundo ele, é melhor ganhar a guerra antes mesmo de desembainhar a espada. O inimigo não deve ser aniquilado, mas deve, de preferência, ser vencido. As qualidades de um general super-homem devem ser o segredo, a dissimulação, a astúcia e a surpresa. Esse general deve evitar cinco defeitos básicos: a precipitação, a hesitação, a irascibilidade, a preocupação com as aparências e a excessiva complacência. Para vencer, deve conhecer perfeitamente a terra (a geografia, o terreno) e os homens (tanto a si mesmo quanto o inimigo). O resto é uma questão de cálculo. Essa é a arte da guerra. 

“Se conheces o inimigo e conheces a ti mesmo, não precisarás temer o resultado de mil batalhas. Se tu te conheces, mas não conheces o inimigo, para cada vitória ganha sofrerás também uma derrota. Se tu não conheces o inimigo nem a ti mesmo, perderás todas as batalhas” (Sun – Tzu).

Sun Tzu disse: Comandar muitos é o mesmo que comandar poucos. Tudo é uma questão de organização. Controlar muitos ou poucos é uma mesma e única coisa. É apenas uma questão de formação e sinalizações.

Lembra os nomes de todos os oficiais e subalternos. Inscreve-os em um catálogo, anotando-lhes o talento e as capacidades individuais, a fim de aproveitar o potencial de cada um, quando tiveres oportunidade. Age de tal forma que todos os que deves comandar estejam persuadidos que teu principal cuidado é preservá-los de toda desgraça.

As tropas que farás avançar contra o inimigo devem ser como pedras que arremessas contra ovos. De ti até o inimigo, não deve haver outra diferença senão a do forte ao fraco, do cheio ao vazio.

A certeza de sustentar o ataque do inimigo sem sofrer uma derrota baseia-se na combinação de forças diretas e indiretas.

Utiliza forças diretas para desfechar a batalha, e forças indiretas para consolidá-la. Os recursos dos que são hábeis na utilização de forças indiretas são tão infinitos quanto os do céu e da terra, e tão inesgotáveis quanto os mananciais.

Ataca a descoberto, mas vence em sigilo. Eis, em poucas palavras, em que consiste a habilidade e a perfeição do comando das tropas. As luzes e as trevas; o aparente e o secreto; eis toda a arte. Aqueles que a possuem assemelham-se ao céu e à terra, cujos movimentos nunca são aleatórios. Assemelham-se aos caudais e aos mares inexauríveis. Mesmo mergulhados nas trevas da morte, podem reviver. 

Como o sol e a lua, eles têm um tempo para aparecer, e um tempo para desaparecer. Como as quatro estações, revestem-se de mil nuanças. Só há cinco notas musicais, mas quem jamais ouviu todas as melodias que podem resultar de uma combinação? Só há cinco cores primárias, mas quem jamais viu o espetáculo de todas as cores matizadas?  Só há cinco paladares, mas deles podem resultar infinitos sabores. Quem jamais experimentou todos?


Na arte militar, e na do bom caminho das tropas, há apenas duas espécies de forças. Suas combinações, entretanto, são ilimitadas. Ninguém pode abarcá-las. Essas forças interagem. Assemelham-se, na prática, a uma cadeia de operações interligadas, como anéis múltiplos ou como a roda em movimento, que não se sabe onde principia e nem onde termina. 

Na arte militar, cada operação particular tem partes que exigem a luz do dia, e outras que pedem as trevas do segredo. Não posso determiná-las de antemão. Só as circunstâncias podem ditá-las. Opomos grandes blocos de pedra às corredeiras que queremos represar. Empregamos redes frágeis e miúdas para capturar pequenos pássaros. Entretanto, o caudal rompe algumas vezes seus diques, após tê-los minado aos poucos, e os pássaros, as peias que os aprisionam, à força de se debaterem.
É por seu ímpeto que a água das torrentes corrói os rochedos. É regulando a distância que o falcão se orienta para estraçalhar a presa.

Possuem verdadeiramente a arte de bem comandar aqueles que souberam e sabem potencializar sua força; que adquiriram uma autoridade ilimitada; que não se deixam abater por nenhum acontecimento por mais desagradável que seja; que nunca agem com precipitação; que se conduzem, mesmo quando são surpreendidos, com o sangue frio que têm habitualmente nas ações meditadas e nos casos previstos antecipadamente, e agem sempre com a rapidez. Fruto da habilidade, aliada a uma longa experiência. Assim, o ímpeto de quem é hábil na arte da guerra é irrefreável, e seu ataque é regulado com precisão. 

O potencial desse tipo de guerreiro é como o dos arcos retesados. Tudo verga sob seus golpes, tudo é derribado. Como um globo que apresenta perfeita esfericidade em todos os pontos de sua superfície, eles são igualmente resistentes em toda a parte; em todos os pontos sua energia é a mesma. No auge de uma confusão e de uma desordem aparente, sabem conservar uma disciplina de ferro. Sabem brotar a força no seio da fraqueza. Despertam a coragem e a determinação no meio da covardia e da pusilanimidade. 

Mas saber manter uma ordem impecável, inclusive no meio da desordem, exige profunda reflexão sobre todos os acontecimentos que podem suceder.

Transformar a fraqueza em força só é dado àqueles que têm uma energia absoluta e uma autoridade ilimitada. Pela palavra “força” não se deve entender “dominação”, mas sim a faculdade que permite que se transforme em atos tudo aquilo que se propõe. Saber engendrar a coragem e o valor no meio da covardia e da pusilanimidade significa tornar-se herói e, mais do que isso, colocar-se acima dos mais intrépidos.

Um comandante hábil busca a vitória baseando-se nas circunstâncias e não a exige de seus subordinados.

Por mais maravilhoso que tudo isso pareça, exijo algo mais dos que comandam as tropas: é a arte de manipular o deslocamento dos inimigos. Aqueles que dominam essa arte admirável dispõem de ascendência sobre o próprio exército, de tal forma que manipulam o inimigo sempre que julgarem apropriado. Sabem ser liberais quando convém. Agem da mesma forma em relação aos que querem vencer: dão e o inimigo recebe; abandonam e o inimigo recolhe. Estão prestes a tudo. Aproveitam-se de todas as circunstâncias, sempre desconfiados; vigiam os subordinados e, desconfiando destes também, não descuram de nenhum meio que lhes possa ser útil.

Consideram os homens que devem combater como pedras ou troncos que tivessem de despencar de um penhasco.

A pedra e a madeira não têm movimento próprio. Uma vez em repouso, não se mexem por si mesmas, mas seguem o movimento recebido. Se são quadradas, mantêm-se paradas. Se redondas, rolam até encontrar uma resistência mais forte do que a força recebida.

Age de forma que o inimigo seja, entre tuas mãos, como uma pedra redonda que teria que precipitar de um penhasco; a força necessária é insignificante; os resultados espetaculares. É nesse ponto que se reconhecerá tua força e autoridade. 

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá

Parabenizando-o, peço informações sobre o lancamento do livro A HIDRA VERMELHA, aqui em Curitiba.

Já haviam sido marcadas duas datas, no hotel nikko, e parece que não aconteceu.

Quero assistir sua palestra.

Grato

Walber

Anônimo disse...

Lula tinha as qualidades, preconizadas por Sun Tzu, para a implantacao dos ditames do Foro de Sao Paulo na America Latina, infelizmente contra seu proprio povo, porque nem mesmo os pobres, supostamente os mais beneficiados pelas manobras secretas, quiseram aceitar um regime que atenta contra a dignidade humana.