quarta-feira, 11 de maio de 2016

Saber resolver problemas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luís Portela

Há pessoas que têm dificuldade em identificar os seus problemas. Usando de uma grande capacidade de adaptação, vão-se habituando a que as coisas lhes estejam a correr menos bem, sem conseguirem perceber exatamente qual o ou os problemas que os apoquentam.

Mas também existe quem tenha tendência para pensar que o problema não é seu. Percebem que ele existe, identificam-no, mas comportam-se com alguma indiferença, como se o problema fosse dos outros, não assumindo a sua responsabilidade.

Há ainda quem fique à espera que os problemas se resolvam por si, ou que alguém lhos resolva. Embora consigam identificá-los e reconhecê-los como seus, parecem considerar que compete a outros — familiares, amigos, colegas — ou à sociedade em geral resolvê-los.

Assim como existe quem, em vez de se dedicar a procurar solução para os seus problemas, concentrando neles a sua atenção e canalizando para a sua resolução a energia possível, prefira desenvolver práticas místicas, pretendendo que uma ou várias entidades mais ou menos divinas façam o que afinal lhes compete a eles próprios fazer.

Um problema é uma coisa difícil de compreender, explicar ou resolver. É tudo aquilo que resiste à penetração da inteligência, constituindo uma incógnita ou dificuldade a resolver. Mas é uma questão para ser ultrapassada. Como afirma o psiquiatra norte-americano M. Scott Peck, «não podemos resolver os problemas senão resolvendo-os.»

Para que serve o indivíduo intimidar-se com os problemas que lhe surgem, assustando-se, desconcentrando-se, desmotivando-se, desanimando ou fugindo? Se existem, devem ser encarados de frente, com naturalidade e com responsabilidade.

Quando assim se procede, torna-se mais fácil a sua identificação, bem como das suas causas e consequências possíveis. A partir daí podem ser definidos os meios necessários para a sua resolução, a estratégia a aplicar para o conseguir e o plano de acção a desenvolver.

A tudo isso será necessário adicionar a forte vontade de resolver os problemas, que se traduzirá numa atitude de grande concentração, dinamismo e persistência. E, ainda, o bem querer, a boa intenção de encontrar soluções sem prejudicar seja quem for, antes procurando o benefício próprio, das restantes entidades envolvidas e de todos.

O bem atrai o bem. Pensar o bem cria condições à intuição apropriada. Falar no bem desenvolve o ambiente propício. Actuar por bem induz a resolução dos problemas. Assim se fortalece a autoconfiança; assim se estabelece o ciclo virtuoso de fazer bem e à primeira.

Os problemas passam então a ser olhados como algo que nós não soubemos evitar, oportunidades para corrigirmos erros ou defeitos, ocasiões favoráveis para progredirmos através da sua resolução. E parece ser na resolução dos problemas mais intrincados que o homem cresce, evolui, se aperfeiçoa.

Sempre que resolvemos um problema, sentimo-nos satisfeitos, gratificados, capazes de resolver outro da mesma dimensão e até capazes de tentar a resolução de um algo maior. E à medida que nos exercitamos na resolução de problemas maiores, vamos conquistando o direito de os resolver, sempre e cada vez mais.

Não há, assim, razão para deixar para amanhã aquilo que podemos fazer hoje, adiando a resolução dos nossos problemas. Pelo contrário, será bom sabermos esperar pelo momento oportuno da gratificação, nunca esquecendo que «não podemos resolver os problemas da vida senão resolvendo-os».

E tudo isto parece ser válido em termos individuais, mas também em termos coletivos. Não sendo de esperar que cada um de nós vá resolver os problemas de todos, tornar-se-á aconselhável que procuremos dar o nosso melhor contributo para a resolução dos problemas próximos e mesmo distantes, através do pensamento positivo, da palavra incentivadora e da atitude construtiva. 

Luís Portela é Médico, Empresário e Escritor espiritual. In 'O Prazer de Ser', originalmente publicado em Portugal, em 1958.
 

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