terça-feira, 28 de junho de 2016

Os militares voltaram ao poder?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

Observados os passos dados até agora pelo Governo Provisório de Michel Temer, após mais de um mês da sua posse, em virtude do processo de impeachment contra Dilma, em andamento, o que já se pode antecipadamente concluir é que nada mudará de substancial, na hipótese de confirmado,ou não,o impedimento.

A fim de dar uma aparência de mudanças, assim ludibriando mais uma vez o povo brasileiro, rotineiramente presa da pior escória da sociedade, atraída a fazer política, o governo deu uma grande mexida nos cargos da Administração Federal, trocando nomes, porém  nunca mentalidades. Deu-se o que o povo já se acostumou a dizer: trocaram as moscas, mas a “m...” continuou a mesma!

Apesar de toda a “mexida” nos cargos de confiança do Governo, de  primeiro, segundo e terceiro escalões, onde foram aproveitadas em altos postos  pessoas envolvidas até o “pescoço” com as falcatruas governamentais que hoje estão sendo apuradas na Justiça, SURPREENDENTEMENTE não tocaram nos Comandos Militares das 3 Forças, permanecendo os mesmos nomes que deram sustentação, na base da “moral armada”, ao governo substituído, apesar de ali ter sido instalado o maior núcleo de corrupção já visto no mundo, superior mesmo à situação antes vivida pela Itália, que deu origem a “Operação Mãos Limpas”, que inclusive tem servido de inspiração para o Juiz Federal Sérgio Moro, de  Curitiba, no combate à corrupção local. Mas esse “apoio armado” não pode ter qualquer outra interpretação que não seja total CONIVÊNCIA com a criminalidade que se instalou fundo nos governos do PT/PMDB (e outros delinquentes menores), o que fica muito distante dos princípios éticos cultivados na caserna pelos militares decentes.

Várias são as hipóteses que podem ser cogitadas. Mas em qualquer delas há  em comum uma forte INTERDEPENDÊNCIA entre o Poder Executivo e o Poder Militar. Para se manter no poder, assim evitando qualquer eventual  contratempo de interrupção anormal dos mandatos eletivos, sem dúvida é atitude inteligente do Governo investir pesado no Poder Militar, na verdade o único que teria a força necessária para desbancar qualquer governo, a qualquer tempo, nem importando os motivos, ”comprando” os seus principais comandantes, na verdade a preço muito barato,quase de um quilo de “banana”, com o fim único de garantir-lhes a "permanecência" nos cargos desejados, ao contrário dos políticos onde o preço de apoio é mais caro.

Por essa razão o “investimento” militar é sempre mais barato. Desse modo a “troca” de garantias  recíprocas  se dá mediante poderes concentrados em poucas mãos, pelo lado do Poder Executivo Federal, no Presidente da República, e pelos militares nos  comandos das 3 Forças Armadas. Neste sentido é até bem provável que os 3 Comandantes Militares que foram nomeados no governo do PT tenham agora “trocado a camiseta”, vestindo  a do atual Governo. Suas posições parecem bastante cômodas para o futuro próximo. “Eles” devem permanecer, independentemente do resultado final do impeachment, com  Dilma ou Temer. E as tropas que se... danem.

Restaria ainda uma derradeira hipótese: não estaria havendo uma troca recíproca de garantias entre a “banda podre” do Poder Executivo (Presidência da República), com a outra “banda podre” do Poder Militar, seus  comandantes?

Mas nessa relação espúria mantida entre o Governo e os comandos militares que permanecerem ,apesar da troca de “patrão”, o que mais chama a atenção é o fato da manutenção das PUNIÇÕES do Governo substituído pelo atual Governo, uma  das quais aquela que aplicaram ao então Comandante Militar do Sul, General  Hamilton Mourão, tirando-lhe o comando, por  ter este  manifestado em círculo restrito, em Porto Alegre, a sua opinião sobre a situação vigente do Brasil político, as quais não merecem nenhum reparo em vista das verdades ali contidas.

Mas o pior de tudo é que essa iniciativa de punição teve origem exatamente numa “exigência”do Senador Aloysio Nunes, ex-guerrilheiro e “capanga” de  Carlos Marighella,”naqueles tempos”, de  quem foi motorista, que  inclusive foi um dos autores do assalto ao trem-pagador, em agosto de 1968, de onde levaram 108 milhões, e que, para espanto dos que ainda conseguem pensar, está tão prestigiado pelo atual governo que chegou a ser brindado com a sua liderança no Senado Federal.

O resultado não é outro: premia-se e prestigia-se um (ex?)-bandido , e pune-se um militar decente  de alta patente só pelo fato de dizer a verdade. Porventura estaríamos regredindo aos tempos da Grécia Antiga, época do império dos Sofistas, onde  o maior dos crimes era dizer a verdade? Pior que matar, roubar e estuprar?

Essa relação dos comandos militares “fieis” aos dois governos (ao do PT e ao do PMDB), na verdade é de difícil interpretação. Não se sabe ao certo quem está mandando, ou quem está usando quem. Talvez o Governo Temer estaria servindo justamente à “banda podre” das Forças Armadas, para garantia da sua própria sustentação? Ou seriam as Forças Armadas, pelos  seus altos comandos, que  estariam a serviço da “banda podre” da política ?

As respostas deverão ser buscadas por cada leitor no fundo da sua consciência.



Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

Um comentário:

ALVARO disse...

SÓ MUDA AS MOSCAS, OU SE TEM UM GOVERNO FIRME E DURO OU VAI TUDO VOLTAR A SER O QUE ERA. "SAFADEZA MIL"