sábado, 11 de junho de 2016

Um depoimento de Ion Mihai Pacepa, ex-chefe do Serviço de Inteligência da Romênia (1)

ION MIHAI PACEPA

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O Tenente-General ION MIHAI PACEPA foi Chefe do Serviço de Inteligência da Romênia e o principal conselheiro do ditador Nicolae Ceausescu. Desertou para os EUA em julho de 1978, onde vive até hoje. A seguir o seu depoimento:

Ao fim da II Guerra Mundial, numa época em que eu não sabia nada sobre marxismo, também acreditei na DESINFORMAÇÃO marxista sobre as maravilhas que a redistribuição de renda pode realizar. Durante esses dias, agora distantes, nunca suspeitei que ao ajudar o marxismo se apoderar da Romênia eu estivesse cometendo um crime contra meu próprio país, assim como os milhões de alemães que deram apoio ao Nacional-Socialismo de Hitler, por também estarem convencidos de que assim ajudavam seu país.

Nesse período, milhões de outros romenos também foram persuadidos, graças à “ciência” soviética da DESINFORMAÇÃO, a acreditar que a redistribuição da riqueza, propalada por Marx, resgataria o seu país. Havia bem poucas pessoas em situação financeira cômoda, e a mídia, controlada pelo governo, fez imensas campanhas de DESINFORMAÇÃO, para persuadir a todos, pertencentes a quaisquer classes sociais, de que a Romênia poderia ser transformada em um país próspero, pelo simples expediente de confiscar a riqueza da população.

Roubo se tornou política nacional no dia 30 de dezembro de 1948, quando o reino da Romênia foi abolido e a República Popular da Romênia foi criada. O novo governo marxista confiscou a riqueza do Rei, apropriou-se da terra que pertencia a romenos ricos, nacionalizou os bancos e as indústrias do país e enviou a maioria dos proprietários de terras para gulags. Então, em 1949, o governo marxista voltou seus olhos cobiçosos na direção oposta, para as pessoas mais pobres do país. Forçando os camponeses a irem para fazendas coletivas, roubou-lhes suas terras, nem como seus animais e ferramentas de agricultura. Em poucos anos, praticamente toda a economia romena era gerada em propriedades roubadas.

“Roubar do do capitalismo é algo moral, kamarada”, escutei Nikita Kruschev dizer várias vezes. “Não ergam as sobrancelhas, kamaradas! Usei de propósito a palavra roubar. Roubar do nosso inimigo é algo moral”, costumava explicar.

“Roubar dos capitalistas é um dever marxista” costumava pregar meu ex-chefe,o presidente da Romênia, Nicolae Ceausescu, quando eu era seu conselheiro de Segurança Nacional.

Ambos esses homens ascenderam à liderança de seus países sem nunca terem ganhado um centavo sequer em algum emprego produtivo. Nenhum dos dois tinha a mais vaga idéia do que faz uma economia funcionar, e cada um deles acreditava apaixonadamente que roubar dos ricos era a varinha de condão que curaria todos males econômicos de seus respectivos países. Ambos estavam liderando países que já tinham sido livres, que foram transformados em ditaduras comunistas por meio de redistribuição de renda em imensa escala, o que, por fim, tornou o governo pai e mãe de TUDO.

Tanto Kruschev quanto Ceausescu, contudo, não viveram o suficiente para aprender que, a longo prazo, o roubo marxista não compensa, mesmo quando cometido pelo governo de uma superpotência, como o provou de maneira devastadora o colapso econômico da União Soviética.
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O texto acima é o resumo de um dos capítulos do livro “Desinformação”, escrito pelo Tenente-General Ion Mihai Pacepa – foi chefe do Serviço de Espionagem do regime comunista da Romênia. Desertou para os EUA em julho de 1978, onde passou a escrever seus livros, narrando importantes atividades do órgão por ele chefiado, e que influenciaram diretamente alguns momentos históricos do Século XX -, e pelo professor Ronald J. Rychlak - advogado, jurista, professor de Direito Constitucional na Universidade de Mississipi, consultor permanente da Santa Sé na ONU, e autor de diversos livros -. “Desinformação” foi editado no Brasil em novembro de 2015 pela editora CEDET.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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