segunda-feira, 11 de julho de 2016

Celebridade... Ministro Lewandowski


Parada indigesta em restaurante paulista: "Parabéns" irônico...

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Laercio Laurelli

A imprensa noticiou que “Um vídeo divulgado no Youtube mostra uma cena constrangedora vivida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, num restaurante de São Paulo”. Ele foi abordado por uma mulher, enquanto jantava. “Parabéns”, ela disse, apertando-lhe a mão. Esperou o ministro agradecer e continuou: “por ter aumentado seus próprios benefícios”.

A experiência e maturidade nos dá conta de que as celebridades vivem em função de uma vida na “glamourização” de transitarem diuturnamente na passarela refletiva da simpatia, da paixão, do amor, do ódio e demais sentimentos positivos e negativos. Todos são olhados de conformidade com o que representam na vida pública; amados ou hostilizados.

A história, apesar da aparência de radical complexidade e extremo emaranhado de acontecimentos, mas aparentemente regrado, apresenta-se como a efetivação de um plano. Entretanto, os atos e ações praticados estão longe de regularem o exercício consciente ao movimento de seus objetivos, se e quando representam um papel histórico, pela consciência que lhes foge de qualquer perspectiva, por perseguirem seus fins particulares, que ficarão na condição da escuridão do que ainda não se sabe, a mercê do desenvolvimento final, de onde essa própria história poderá conduzi-lo.

O melhor exemplo, revivendo a história, é a de Cesar Augusto; já quase no fim da república, em janeiro do ano 49 a.C , alegando  defender a república contra seus inimigos, cometeu um ato ilegal ao atravessar o Rio Rubicão, limite de sua província e marchar com seu exército sobre Roma. Esmagou a oposição à força, mas no ano 44 a.C, seus inimigos se reuniram e o assassinaram.

Neste exemplo a história o conduziu à morte; seguindo o mesmo Dô (caminho), o germe carrega em si a natureza inteira de uma arvore, quer pelo gosto, quer pelo formato dos frutos e, da mesma natureza, o homem quer pelos traços do caráter, da moral, da dignidade, da formação mental, da conduta e do espírito humano; cada um tem seus limites; estreitos ou amplos de conformidade com a geração da consciência.

Há grandes e notáveis homens, como há grandes e notáveis homens! A diferença está nos fins particulares que guardam o fator substancial consagrado ao direito pela fonte de evidência transparente de vida. Ocorre-me lembrar neste momento, entre outros, através dos tempos, alguns Ministros do Supremo Tribunal Federal, cuja referência traz na alma sempre incandescida a pira do reflexo da genialidade, retidão, inteligência, honestidade, caráter irrepreensível, virtuosidades outras, fincadas na realidade de suas responsabilidades perfazendo uma herança que se perde na neblina dos tempos, nobres e respeitados Ministros Viveiros de Castro, Américo Brasiliense, Thompson Flores, Xavier de Albuquerque, Francisco Rezek, Aliomar Baleeiro, Djaci Falcão, Nelson Hungria, Moreira Alves, Ayres Brito, Clóvis Ramalhete, Leitão de Abreu, Néri da Silveira,Alfredo Buzaid, Oscar Correia, Sydney Sanches, Gilmar Mendes, Celso de Mello, Ellen Gracie, LuísGallotti, Hermes Lima, Evandro Lins e Silva,Vitor Nunes Leal, Carlos Velloso, Mauricio Corrêa,José Paulo Sepúlveda Pertence, Paulo Brossard, Eros Grau...

Sábias as palavras de Jean Louis EugèneLerminier (1.803/1.857): “O Direito é a vida, porque a causa do Direito é a causa da humanidade”.

Nossos sentidos percebem as sombras da realidade, dos fenômenos e das leis; percebem igualmente, os resumos de uma ideologia mascarada, premeditada e covarde, traiçoeira, repudiada até pelas leis da guerra (vide os ensinamentos da “Arte da Guerra”- Sun Tzu).  Hodiernamente, as instituições revelam que o domínio do físico estará disposto recepcionar e enaltecer o domínio do espírito e da mente, dada a tendência sempre crescente para o verdadeiro, para o belo e para o bem, tríplice realização do Divino (Platão).

A celebridade de alguém floresce do liame entre o bem e o mal; só ao homem cabe separá-los e escolher a trilha, ou seja, o caminho, o Dô que deve abraçar, lembrando sempre que “O mal é, fundamentalmente, a privação do bem” (Rizzardo da Camino).


Laercio Laurelli – Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo ( art. 59 do RITJESP) – Professor de Direito Penal e Processo Penal – Jurista – Articulista – Idealizador, diretor e apresentador do programa de T.V. “Direito e Justiça em Foco” - Patriota.

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