sexta-feira, 1 de julho de 2016

O Movimento Antiguerra



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo foi escrito pelo Tenente-General romeno ION MIHAI PACEPA, que foi chefe do Serviço de Inteligência do regime comunista da Romênia e o principal conselheiro do ditador Nicolae Ceausescu. Desertou para os EUA em julho de 1978. Atualmente PACEPA vive nos EUA com sua identidade mantida em sigilo em função dos segredos de Estado revelados em seus livros, algo que põe em risco a sua vida. 
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Em março de 2008, o mundo inteiro assistiu pasmo, ao Reverendo Jeremiah Wright, o conselheiro espiritual de um eminente senador americano que concorria à Casa Branca como candidato do Partido Democrata, gritar na tela de tevê “Deus amaldiçoe a América!”. Ele acusou os Estados Unidos da América, o país que tinha derrotado o nazismo e o seu Holocausto, de espalhar de propósito o vírus da AIDS, para matar os negros. Também insinuou que os EUA, o único país do mundo que havia declarado guerra ao terrorismo, tinha na verdade arquitetado os ataques de 11 de setembro com o próprio “terrorismo” que pratica.

Eu esperava que os líderes do Partido Democrata repreendessem veementemente o antiamericanismo venenoso do Reverendo Wright em razão da DESINFORMAÇÃO que representava. Em vez disso, a máquina de controle de danos dos democratas simplesmente pôs de lado a questão, chamando o discurso de “um produto de circulação comum em igrejas negras”
Mas, “Deus amaldiçoe a América” não nasceu em igrejas negras. Tenho muitos amigos negros e todos eles amam e respeitam profundamente a América.

Tampouco a frase, e o sentimento, são de origem islâmica, francesa, alemã ou mexicana. Os milhões de pessoas ao redor do mundo que esperam numa lista serem aceitos nos EUA não odeiam a América. Eles a admiram e é por isso que querem viver lá. ”Deus amaldiçoe a América”é um slogan lançado muitos anos atrás por um movimento religioso apelidado de “Teologia da Libertação”, lançado pela máquina dedezinformatsiya do KGB.

Na época em que recebi asilo político, eu não conseguia vislumbrar a diferença entre o Partido Republicano e o Partido Democrata. Aos meus olhos, na época, ambos os partidos eram a encarnação da liberdade e do anticomunismo. Assim foi até o memorável 19 de julho de 1979, quando o presidente Jimmy Carter, afetuosa e rapidamente, beijou o brutal governante soviético Leonid Brejnev durante o seu primeiro encontro, em Viena.

Tiranos desprezam apaziguadores. No dia 12 de abril de 1978, eu estava no carro com Ceausescu, indo embora de uma cerimônia oficial na Casa Branca. Ele pegou uma garrafa de álcool e a entornou sobre o seu rosto, depois de ter sido afetuosamente beijado pelo presidente Carter, no Salão Oval. “Imbecil”, sussurrou Ceausescu. Cinco meses após o abominável beijo de Carter em Brejnev, um esquadrão terrorista do KGB assassinou Hafizullah Amin, o primeiro-ministro, de formação americana, do Afeganistão, e o substituiu por um fantoche soviético. Em seguida, o Exército Vermelho invadiu o país.

O débil protesto do presidente Carter constituiu apenas em boicotar as Olimpíadas de Moscou, pusilanimidade que deu origem ao regime do Taliban. Sou grato ao presidente Carter por ter assinado meu asilo político, mas, na verdade, foi ele quem lançou as bases para a expansão do atual terrorismo internacional. Sua fraqueza presidencial ao abandonar o Xá pró-Ocidente do Irã, levou diretamente ao nascimento da moderna revolução islâmica, que desde então se multiplicou em organizações terroristas amplamente disseminadas, como a AL-Qaeda, que tem atacado, de maneira direta, a América.

Outra DESINFORMAÇÃO que o KGB lançou em 2004 atingiu diretamente a carreira política do candidato indicado pelo Partido Democrata para a Casa Branca, senador John Kerry. No dia 22 de abril de 1971, o ex-Tenente da Marinha John Kerry testemunhou no Comitê de Relações Exteriores do Senado que soldados americanos lhe tinham dito, no Vietnã, que haviam “estuprado, decepado orelhas, decapitado, ligado fiação de telefone portátil a genitálias humanas e em seguida ligado a energia, cortado membros fora, explodido corpos, atirado em civis a esmo e arrasado povoados”.

Embora o senador Kerry nunca tenha revelado inteiramente a fonte dessas acusações abomináveis, reconheço-as como sendo produto de outra operação de DESINFORMAÇÃO do KGB. Nos anos 1960/1970, quando eu era um dos lideres da comunidade dos Serviços de Inteligência do bloco soviético, o KGB espalhou essas mesmas acusações maliciosas, quase que palavra por palavra, em movimentos de esquerda americanos e europeus. Eram parte de uma operação de DESINFORMAÇÃO do KGB, que objetivava desencorajar os EUA de proteger o mundo contra a expansão comunista.
Não questiono o patriotismo do senador Kerry. Ele certamente ama este país esplêndido tanto quanto eu. No entanto, tenho fortes razões para acreditar que, quando era jovem, ele foi enganado por DESINFORMAÇÃO de Moscou. Durante os meus anos como Oficial de Inteligência, muitas vezes me envolvi em criação de antiamericanismo absolutamente do nada, e podia ver quão fácil era fazer os jovens odiarem a America.

Em julho de 1953, fui encarregado de ajudar a organizar um Congresso Internacional da Federação Mundial da Juventude Democrática, em Bucareste. O objetivo desse Congresso de jovens era denegrir os esforços americanos de deter a expansão do comunismo da Coréia do Norte. O meu chefe, na época, general Penteleymon Bondarenko, romanizado como Gheorghe Pintilie, deu os toques finais à preparação. Ele era um cidadão soviético, com vaga ancestralidade romena, que tinha se tornado o primeiro chefe daSecuritate romena, onde era conhecido por todos como Pantyusha, seu apelido russo. Ele mal falava o romeno, e o pouco que conseguia era temperado com forte sotaque russo, e saía num jargão antiquado de classe trabalhadora entremeado de vulgaridades.

Panthiusha me explicou que “aqueles estudantes de merda ficam empolgados com qualquer bosta de injustiça e têm uma porra de pavio curto quando vão protestar”. Isso fazia deles “uma massa maleável em nossas mãos, e podemos moldá-los como qualquer merda que quisermos”. Minha principal tarefa era moldá-los como manifestantes antiamericanos.

Como Oficial de Inteligência, eu ainda era novato, mas, por fim, tive de vir a concordar que Pantyusha conhecia os seus estudantes. Os jovens que foram ao Congresso eram colocados emhostels separados para eles, em Bucareste, e eu lá me acomodei com eles. As paredes dos hostelseram preenchidas com reportagens e fotografias que supostamente documentavam os abomináveis crimes cometidos pela força militar da América, gerando reações antiamericanas nos jovens visitantes. Álcool corria livre nos hostels, o que ajudava a inflamar a revolta.

De noite, a maioria dos jovens, levada pelos delegados suíços do Congresso, andavam completamente nus de quarto em quarto, procurando aventuras sexuais. Em suma, o Congresso foi uma imensa festa desinibida, cujo único preço de admissão era a diversão especial de gritar palavras de ordem antiamericanas.

No dia 27 de julho daquele ano, enquanto o Congresso prosseguia a todo o vapor, a rádio romena anunciou que se chegara a um armistício na guerra da Coréia. “O imperialismo americano foi absolutamente derrotado”, retiniu na rádio. A devassidão começada nos hostels dos jovens se espalhou pelas ruas, desenvolvendo-se numa histeria antiamericana diuturna. Fui parte disso. No dia seguinte, o governo romeno organizou uma reunião “popular”, em Bucareste, para celebra a ocasião. Foi a primeira derrota americana na arena internacional e foi regiamente festejada. Lembro de me juntar à festa, gritando ”Yankes, go home!”.

Em retrospecto, recordo que não se fez menção alguma no Congresso da Juventude ao fato de que a guerra, na verdade, tinha sido iniciada, quando tropas da Coréia do Norte, em tanques russos T-34, cruzaram o paralelo 38 no dia 25 de junho de 1950, numa tentativa de exportar a revolução comunista. Ninguém queria ouvir que a China comunista decidira entrar na guerra no mês de outubro seguinte, embora isso tenha mudado o curso do conflito. Em vez disso, o Congresso Mundial da Juventude Democrática passou todo o tempo condenando as “atrocidades” de guerra da América, tais como tinham sido mostradas nas cenas de horror falsificadas que haviam sido apensas às paredes das salas de reuniões doshostels dos jovens.

Olhando para aquele período da minha vida, percebo o quanto é fácil mudar de opinião política entre os 25 e 30 anos. Cinco décadas depois, enquanto eu assistia ao espetáculo televisionado de milhares de jovens protestando em Paris e Berlim contra a “guerra criminosa da América” no Iraque, me imaginei entre eles. Eles pertencem à nova geração, mas estão condenado o mesmo tipo de “atrocidades americanas”, cuidadosamente forjadas, que condenei em 1953, e estão somente a alguns milhares de milhas distantes da verdadeira América, como eu mesmo estive.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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