segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A nomenklatura e a mais-valia


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O Capitalismo é a exploração do homem pelo homem. O Socialismo é o contrário...

O texto abaixo é o resumo de um dos capítulos do livro “A NOMENKLATURA – Como Vivem as Classes Privilegiadas na União Soviética”, de autoria de MICHAEL S. VOSLENSKY, considerado no Ocidente um dos mais eminentes especialistas em política soviética. Foi professor de História na Universidade de Amizade dos Povos Patrice Lumumba, em Moscou, e membro da Academia de Ciências Sociais junto ao Comitê Central do PCUS. O livro foi editado no Brasil pela Editora Record.

NOMENKLATURA, uma palavra praticamente desconhecida pela maioria dos brasileiros, exceto por alguns especialistas, merece tornar-se tão célebre quanto o termo GULAG. Designa a classe dos novos privilegiados, essa aristocracia vermelha que dispõe de um poder sem precedentes na História, já que ela é o próprio Estado. Atribui a si mesma imensos e inalienáveis privilégios – dachas e moradias luxuosas, limusines, restaurantes, lojas, clínicas, centros de repouso especiais e quase gratuitos -.
______________

A teoria marxista considera como exploração a apropriação da mais-valia, sem fazer diferença quanto à utilização dessa mais-valia, quer se trate dos caprichos dos exploradores, ou de gestão da economia. Nesse sentido, já que no socialismo real a Nomenklatura se apropria da mais-valia, ela explora os trabalhadores. Simples, assim...

A Nomenklatura constitui a classe dos exploradores da sociedade soviética. Nenhuma propaganda poderá mascarar essa verdade. Daí,pode-se tirar imediatamente a conclusão que se impõe.  Conhece-se a afirmação, repetida sem cessar pela propaganda do Partido, segundo a qual, na URSS, a exploração do homem pelo homem está abolida. Lenin já insistia: “A justiça e a igualdade, a primeira fase do comunismo, não se pôde, contudo, ainda, realizá-la. Subsistem diferenças quanto à riqueza, e diferenças injustas. Mas, a exploração do homem pelo homem será impossível, pois não se poderá apoderar, a título de propriedade privada, dos meios de produção, fábricas, máquinas, terras, etc”.

Há tanto tempo que a economia soviética representa a propriedade coletiva da classe da Nomenklatura, e não a propriedade individual de seus membros, que a exploração dos trabalhadores se reveste aparentemente do caráter de uma exploração do homem pelo Estado, e não do homem pelo homem. Mas, os nomenklaturistas não podem esconder que cada um deles recebe pessoalmente sua parte da mais-valia produzida, pois a sonegação coletiva é evidentemente seguida pela apropriação individual.

Do contrário, de onde viriam os rendimentos elevados dos nomenklaturistas, que dinheiro permitiria manter as casas e as datchaspostas à disposição deles, suas estadas nas estações de repouso do Comitê Central, ou seus carros oficiais. De que cornucópia abundante proviriam os víveres destinados ao Kremlin?

Como a mais-valia passa, de início, pelo cofre comum do Estado da Nomenklatura, antes de ser repartida entre os indivíduos, é impossível estabelecer qual membro da Nomenklatura explora tal trabalhador. Mas, a impossibilidade de nomear este ou aquele não muda nada no fato de que ele, membro da Nomenklatura, explora pessoas físicas, apropriando-se da mais-valia que elas produzem. Explora-as como os escravagistas exploram seus escravos, como o senhor feudal explora seus servos.

A diferença só reside na forma de exploração. Existe uma exploração do homem pelo homem na Rússia. Ela existe, e os cidadãos do “socialismo real” começam a compreendê-la. Não é sem razão, por isso mesmo, que a anedota colocada em epígrafe neste texto seja tão popular na Rússia. A realidade da exploração no “socialismo real” é incontestável, precisamente do ponto de vista marxista. Eis porque as tentativas para contestá-la parecem tão irrisórias.

A propriedade de Estado significa que, nos países socialistas os meios de produção estão nas mãos de todo o povo. Pode-se afirmar que, em tais condições, a propriedade do Estado é administrada por uma NOVA CLASSE de proprietários que dispõe dela? Não. É impossível. Na sociedade socialista, os homens que trabalham são co-proprietários de todos os meios de produção, não vendem sua força de trabalho, e não podem fazê-lo, pois isso significaria que estariam se vendendo a si mesmos. Nessas condições, seria absurdo falar de uma relação de exploração.

A exploração do homem pelo homem só existe quando a fração da sociedade que tem nas mãos os meios de produção se apropria do trabalho da outra fração, que é assim desapossada de seus meios de produção, e obrigada, destarte, a trabalhar para os proprietários dos meios de produção. Essa situação não existe e nem pode existir na sociedade socialista. Conhece-se a fórmula clássica: “Isto não existe, porque isto não deve existir!” Mas ela é falsa. No socialismo real existe uma mais-valia e existe a exploração do homem pelo homem. Essa é a base sobre a qual se construiu o seu sistema econômico.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

2 comentários:

O MESMO de SEMPRE disse...

Na verdade, a afirmação de Marx de que o capitalista se apropria da mais valia é falsa se sob o tal denominado capitalismo. Essa apropriação ocorre DE FATO sob o socialismo.

A classe governante se faz uma REAL CLASSE FECHADA onde nela só é possível entrar com a anuencia dos integrantes vigentes.
Assim, no socialismo, se realiza EFETIVAMENTE aquilo que Marx afirmou se realizar sob o tal de capitalismo:

Uma CLASSE FECHADA e fundada por uma IDEOLOGIA que EXCLUI o trabalhador da possibilidade de vir a integrar tal classe sem o consentimento dos integrantes vigentes.

Eis aí a "beleza" da dialética marxista: aquilo que Marx descreveu (não explicou em fundamentos) como o tal "capitalismo" é a realização do que Marx propôs como "socialismo científico" ou ditadura do proletariado.

Ou seja a CLASSE dos auto intitulados REPRESENTANTES dos proletários se tornaria a efetiva proprietária de todsos os meios de produção, inclusive PROIBINDO essa propriedade aos trabalhadores que cederiam sua mais valia a seus alardeados representantes COMPULSÓRIOS.

Mero jogo de palavras onde os trabalhadores seriam "REPRESENTADOS" e assim, "proprietários" indiretos ...rsrs

Ou seja:

DIALÉTICAMENTE o SOCIALISMO se REALIZA COMO o descrito CAPITALISMO. Afinal, aquilo que é agora não é no instante seguinte e tudo muda o tempo todo.

Portanto o que FOI descrito como capitalismo É, de fato, o SOCIALISMO no instante em que se realiza.

Anônimo disse...



.

acp

Escreva um artigo para desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

acp

.