segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Foras Brasis


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laercio Laurelli

Ao que tudo indica e faz crer o Brasil saiu mais dividido pós impeachment do que quando entrou no processo e seu clamoroso julgamento, uma situação de política patética que enervou ao cidadão comum e trouxe dúvidas e inquietações mundo afora. Superado o momento, e com uma economia pífia, combalida e um Estado falido, não será fácil convencer a sociedade civil à união e ao fortalecimento da democracia, haja vista que muitos ficaram endemoniados com a saída de uma presidente eleita com mais de 54 milhões de votos, mas não se esqueçam que a crise do presidencialismo não é recente.

Desde a república velha, passando pela nova, já enfrentamos casos graves na era Getúlio Vargas, no governo de Jânio Quadros e em dois impedimentos que demonstram a jovialidade democrática e a inviabilidade ​do sistema representativo. Nossos políticos, lamentavelmente, só se ocupam e se preocupam com as próximas eleições e administram o Brasil como se fosse um modelo de capitanias hereditárias. Há até um deputado federal no Congresso com sobrenome bisavô, o que evidencia quantas gerações trilharam o caminho profissional.

O grito das ruas agora deve ser fora corrupção, fora desgoverno, fora gastança desmesurada, e pelo fim da imoralidade, do endividamento de estados e municípios e também pela letargia de uma reação nos mercados externos.
Vários erros foram cometidos - reconhece o notável professor Mangabeira Unger que auxiliou os dois últimos governos: a exuberância da democracia do crédito  facilitado e sem compromisso, ausência da concorrência de uma maior oferta e por se acreditar que partidos de coabitação não fossem almejar o poder.

O nosso vanguardismo oscila entre frentes populares e marcos regulatórios de interesses econômicos e de classes empresariais, as quais vão bater às portas do BNDES para pegar dinheiro mais barato ou incentivos fiscais com
​redução dos riscos. Devemos ter em mente que o Brasil é repleto de micro e pequenos empresários os quais navegam em ondas de maior e menor intensidade e capazes de naufragar os sonhos de desenvolvimento.

Com a situação específica de grandes empreiteiras, a roubalheira também fora apimentada por obras do porte da copa do mundo e das olímpíadas, a ganancia subiu e os lucros facilitados sucederam de forma inapelável.

Agora dizer que vamos com sangue nos olhos protestar e cobrar eficiência e invadirmos as propriedades rurais não passa de uma balela, já que a reforma agraria somente ficou no papel e os milhares de títulos irregulares foram denunciados pelo TCU numa investigação que ainda não terminou.

O grito agora deve ser uníssono e na direção do fim da divisões entre brasileiros da maior ou da menor classe, com a ruptura de preconceitos, precisamos lutar contra a inflação, a desvalorização da moeda e criar um estado menos intervencionista.

Quando retiramos da iniciativa privada a sua atividade,pulmão da economia e coração dos negócios, o Estado corre o sério risco de fracassar e não ter expectativas de reconstrução de sua ideologia viciada. Baseados num excesso de demandas pelos bens de capital, deixamos de lado as obras públicas e grandes realizações de infraestrutura, agora o tempo é de não mais ficar discutindo picuinhas e avançar, com as reformas.

Muitos perderão, é verdade, e a classe trabalhadora tem todo o direito de gritar e pretender salvaguardas, mas não pode se esquecer nos últimos anos a monstruosidade contra ela praticada pelos desgovernos que criaram uma dívida pública cuja rolagem se hospeda nos bancos e lhes garante juros suficientemente altos para reduzir o consumo e manipular a vontade dos que pedem acesso ao estado de dignidade.

Repensando o que é melhor para o Brasil e refletindo sua gente que forma uma população de mais de 205 milhões de brasileiros, a constituição cidadã garante tudo mas não oferece nada é uma carta vazia e formalmente rasgada por quem mais deveria seu respeito na aplicação, uma mini reforma constitucional é imprescindível e inadiável com o esquartejamento da representação política e criação do unicameralismo com um regime semi presidencialista para evitar novas tempestades e crises constantes.

A rediscussão sobre a inabilitação em nada favorece o avanço e a retomada de medidas talvez impopulares agora mas fundamentais para debelarmos todos os males praticados impune e longamente por aqueles que somente tinha um programa que seria o empoderamento a qualquer custo e sacrifícios maiores da sociedade civil.

Não temos muitas alternativas. Tentar criar um plebiscito para antecipar eleições não irrigará o crédito ou produzira alavancas para a indústria ou deixará de fechar milhares de empregos no comércio. Enquanto não dermos sinais fortes e irretorquíveis que as mudanças vieram para ficar e que somos uma Nação que busca a reconstrução com os foras do atraso e do subdesenvolvimento, não teremos pavimentado o caminho da normalidade democrática.


Carlos Henrique Abrão (na ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

4 comentários:

Anônimo disse...

O QUE ENERVA O PAIS DE VERDADE É O JUDICIARIO, POR SUA INCOMPETENCIA, CRIMES DIGNOS DE MÁFIA, SEUS SALARIOS E PREVILÉGIOS MILIONARIOS...

Marcos ABrao disse...

vagabundo safado e alcoolatra anonimo sem vergonha seus dias estão contados o caveirao vai te esmagar e fazer de ti um pó da terra

Anônimo disse...

cidadao esccroto que não tem coragem de se identificar e um cagao medroso e pau de arara nele já dizia joseph stalin

Anônimo disse...

UM BOSTA DE GATO ASSINOU ANONIMO TAMBÉM O OUTRO TEM O SOBRENOME DO MAFIOSO E O MEU 38 ESTÁ ENFERRUJANDO VEM QUENTE QUE ESTOU FACINHO...