sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Stalin - Triunfo e Tragédia


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O autor do livro, cujo título está acima, Coronel-General do Exército Soviético DMITRI VOLKOGONOV (1928-1995), teve total acesso aos arquivos do Partido Comunista da URSS. Oficial da arma de Propaganda, responsável pelas publicações militares e pela instrução política na Academia Militar, foi assessor de Segurança Nacional de Boris Yeltsin. Escreveu “Lenin, Trotsky e os Sete Líderes”, uma breve história dos chefes da União Soviética de Lenin a Gorbachev. Leiam a Introdução:

STALIN MORRIA. Deitado no assoalho da sala de jantar de sua datcha em Kuntsevo, ele desistia de tentar levantar-se e apenas erguia a mão esquerda, de tempos em tempos, como se pedindo por socorro. Seus olhos entreabertos não podiam ocultar o desespero com que fitava a porta. Debilmente, seus lábios formavam palavras silenciosas. Algumas horas decorreram desde o derrame, mas não hav ia ninguém ao seu lado.

Finalmente, alarmados com a falta de qualquer sinal de vida no interior da casa, seus seguranças entraram cautelosamente na sala de jantar. Não estavam autorizados a chamar um médico de imediato. Uma das mais poderosas figuras da história humana não pôde contar com eles para que o fizessem, já que era necessária a intervenção pessoal de Beria. Quando, afinal, Beria foi encontrado, achou que Stalin apenas pegara num sono profundo depois de um pesado e tardio jantar, e só depois de 10 a 12 horas médicos aterrorizados foram trazidos para examinar o líder moribundo.

Foi um modo profundamente simbólico e por demais irônico de morrer. O lider, em sua agonia de morte de muitas horas, não foi capaz de convocar ajuda quando dela precisou. E aquele era o homem, o semideus, que com poucas palavras poderia mandar milhões de pessoas de uma extremidade do país para a outra. No momento era refém da “ordem” burocrática que ele mesmo aperfeiçoara.

A linha invisível entre o ser e o não-ser só pode ser cruzada numa direção. Mesmo os líderes não podem retroceder. Saberia Stalin que enfrentava não só a morte física, mas também a política? Para seus contemporâneos, sua morte era uma grande tragédia. Eles não achavam então que aquele homem encarava as mortes de milhões como nada mais que um segredo de Estado. A morte deixou para seus sucessores a interminável tarefa de tentar entender o que ele tinha criado, e de discutir acirradamente o “enigma” do próprio Stalin. A morte não o isentou. Todas as suas ações e seus crimes seriam submetidos ao julgamento da História. Os mitos desmoronam por si mesmos, mas só podem ser totalmente banidos pela verdade.

Apenas Stalin sabia toda a verdade sobre ele mesmo. Gostava das coisas em preto-e-branco, porém fez de tudo para assegurar que sua história de vida fosse contada em cores vivas. Não sei se ele tinha consciência da antiga lei romana do “julgamento da memória”, segundo a qual qualquer coisa que não fosse do gosto de determinado imperador tinha que ser jogado no esquecimento pelos historiadores. De qualquer forma, essa lei meramente sublinhava a inutilidade de se tentar arregimentar a memória humana.

A lembrança vive – ou morre – segundo leis muito diferentes. A história vai sendo continuamente feita. Ela não tem rascunhos. Só na mente pode-se rebobinar o passado, como um filme. Stalin entendia isso e se esforçava para garantir que não ficassem imagens desnecessárias na crônica. Sabia-se sobre ele apenas aquilo que ele queria que se soubesse.

Ao perder Lenin num momento crucial, quando decisões históricas eram necessárias sobre os métodos a empregar ara construir o socialismo, o Partido Comunista entrou numa fase de ferrenha luta interna. A velha-guarda leninista não estava suficientemente alerta para o perigo que Stalin representava, tanto para o Partido quanto para o Estado ainda inseguro. Isso levou os novos administradores políticos a medidas crescentemente punitivas, em vez de construtivas.

Sabemos agora que Stalin não seria objeto de ma biografia como essa se não tivesse apela para a força como instrumento decisivo na consecução de seus planos políticos, sociais e econômicos. A mudança de direção política, que começou ao final dos anos de 1920 e que se tornou marcadamente aguda depois do XVII Congresso do Partido Comunista, em 1934, resultou num período de anos amargos, durante os quais apenas a grande carga de energia social gerada pela Revolução de Outubro e a lealdade do Partido ao leninismo, impediram que o povo duvidasse dos valores socialistas e interrompesse o processo de reestruturação do mundo, começado por Lenin.

Portanto, não surpreende que a avaliação da personalidade de Stalin tenha sofrido alteração importante à medida que a verdade foi emergindo.  
Hoje, a maioria, quando pensa sobre Stalin, lembra-se dos anos trágicos de 1937 com sua repressão e o esmagamento dos valores humanos. Mas, para ser preciso, deve-se dizer que aquilo que pensamos em 1937, teve início, na realidade em 1 de dezembro de 1934, quando Kirov foi assassinado, e seus contornos podem retraçados ainda mais cedo, ao final dos anos de 1920.

Com o conhecimento de Stalin, começou a formar-se um monstruoso abcesso de ilegalidade. Não pode haver perdão para os responsáveis, mas devemos também lembrar que naqueles anos foram construídos a usina hidrelétrica do Dnieper e o complexo metalúrgico de Magnitogorsk e Stakhanov. Foi quando o patriotismo do povo soviético cresceu, chegando aos píncaos na Grande Guerra Patriótica – como é chamada na Rússia a Segunda Guerra Mundial -. Por isso, quando condenamos Stalin por seus crimes, é política e intelectualmente errado, e moralmente desonesto, negar, em princípio, as conquistas do sistema e suas possibilidades. Tais conquistas não foram conquistadas ao modo de pensar e agir de Stalin, mas a despeito dele. Mais se poderia alcançar se fossem aplicados métodos mais democráticos.

Ao condenar Stalin e seus cúmplices, não devemos estender mecanicamente nosso julgamento aos milhões de pessoas comuns, cuja fé na sinceridade dos ideais da Revolução permaneceu inabalável.
Durante toda a vida Stalin tentou – com algum sucesso – transformar uma de suas fraquezas em virtude. Já durante a Revolução, quando tinha que visitar alguma fábrica, ou um Regimento, ou comparecer a algum comício na rua, ou misturar-se à multidão, experimentava uma sensação de insegurança e medo que, com o tempo, aprendeu a esconder. Não gostava de falar para platéias, nem era bom nisso. Conquanto seu estilo fosse simples e claro, sem vôos fantasiosos, frases de efeito ou poses teatrais, o pesado sotaque georgiano e a forma monótona de se expressar, tornavam seus discursos inexpressivos.

Stalin sempre foi um mestre em fazer passar seus erros, omissões e crimes, como conquistas, sucessos, visão, sabedoria e constante preocupação com o povo.       

No dia em que Lenin morreu, Stalin enviou o seguinte telegrama a Trotsky, que estava no Sul: “Dizer camarada Trotsky, que camarada Lenin morreu subitamente 21 de janeiro, 6 horas e 50 minutos. Morte causada paralisia centro respiratório. Funeral sábado, 26 de janeiro. Stalin”. Ao assinar a mensagem, Stalin deve ter pensado que era chegada a hora da guerra sem piedade pela liderança. Mas saberia que, mesmo que sobrepujasse Trotsky, não se livraria dele? Os métodos de uma burocracia autoritária, usando a coerção e o “aperto dos parafusos” que Stalin aplicaria, eram exatamente os que Trotsky advogava. Talvez tenha sido essa uma das razões da tragédia que despontava. A luta política travada pelos dois, que durou até o momento em que Trotsky foi assassinado, em agosto de 1940, influiu profundamente na perspectiva de Stalin, que considerava Trotsky seu principal inimigo político.

Stalin logo se habituou ao uso da força como atributo obrigatório do poder ilimitado. É lógico presumir que a máquina punitiva, que ele colocou a pleno vapor no final dos anos de 1930, capturou a imaginação não só dos funcionários dos escalões mais baixos, mas do próprio Stalin. É possível que o deslizamento para a coação como método universal tenha ocorrido em vários estágios. Primeiro, a luta contra os inimigos reais, que bem reais eram; depois, a supressão de seus inimigos pessoais, também verdadeiros; no estágio seguinte, a máquina funcionou com seu momento próprio e, finalmente, a força foi vista como um teste de lealdade ao líder e à ortodoxia, sendo que a a sombra da ameaça externa criou uma mentalidade de cerco na população.

Finalmente, sendo verdade que os ideais socialistas foram preservados pelo povo, também é verdade que o povo jamais descreu da “idéia russa”. As muitas tentativas de introdução de reformas receberam, naturalmente, a poderosa resposta reacionária. Dos dezembristas de 1825 a Bukharin nos anos de 1920 e a Kruschev nos de 1950, os reformadores sofreram derrotas. O fato de Stalin ser derrubado do pedestal não significou a erradicação do stalinismo, e não se pode desprezar a possibilidade de alguma forma de neo-stalinismo igualmente maléfico ser restaurada. Não se trata de uma profecia, apenas de um alerta da História.   

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

2 comentários:

Anônimo disse...







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acp

Escreva um seu artigo seu a desmentir o falso decalogo de lenin que desde que a internet existe engana tolos. Aquele, sobre greves, libertinagem, armas... Nem lenin nem nenhum comuna o escreveu.

Ou pesquise e publique artigo de outrem.

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