quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O conjunto da obra ou um caso de polícia


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gilberto Pimentel

Durante as sessões do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, no Senado Federal, esteve quase proibido o uso da expressão “conjunto da obra” para fazer referência à íntegra dos desmandos que ela praticou ou permitiu que ocorressem durante seu mandato.

Idem para avaliar os treze anos do lulopetismo quando uma autêntica máfia encastelada no poder, e que nada ficou a dever às mais poderosas e temidas em qualquer tempo e em qualquer parte do planeta, promoveu o mais completo assalto aos cofres públicos de que se tem conhecimento na história das nações.

Dilma devia ser inquirida, segundo o entendimento dos responsáveis pelo julgamento do processo que pedia seu afastamento, tão somente pelos “eventuais” crimes de responsabilidade ocorridos durante o seu segundo mandato. Àquela altura eram até irrelevantes diante do caos político, social e sobretudo econômico a que foi levado o Brasil sob governos que ela integrou, exercendo sempre os mais altos postos de mando, desde os tempos em que seu mentor político chegou à presidência da República pela primeira vez.

Pois bem, além disso, Dilma Rousseff foi ainda “perdoada” de parte essencial da pena que lhe cabia, condenada que foi pelos juízes senadores, sob os auspícios dos presidentes do próprio Senado e do Supremo Tribunal Federal, mesmo que para tal fosse vilmente rasgada a nossa Carta Magna.

Mas esse triste episódio não pode impedir que o povo ludibriado, meus amigos, conheça a exata dimensão do estrago causado pelo “conjunto da obra” e ver todos os responsáveis atrás das grades. Isso vem se tornando possível graças à efetiva ação do Ministério Público, dos responsáveis pela Operação Lava-Jato e da Polícia Federal.

A lista de ex-governantes, de políticos dos mais diversos partidos aliados, de ex-ministros de estado, de funcionários de primeiro escalão que estão hoje presos, na iminência de serem ou sob investigação é muito extensa e parece não ter fim. Isso sem falar nos empresários que corromperam ou foram corrompidos, nos familiares que se envolveram ou foram envolvidos no esquema fraudulento, nos marqueteiros das campanhas eleitorais, todos fazendo parte de um esquema sujo de luta pela manutenção do poder e enriquecimento ilícito não conhecido em qualquer tempo ou parte do mundo.

Falar em preconceito, perseguição das elites (que elite será essa, senão eles próprios?) e outros argumentos vazios e desprovidos de qualquer sentido diante da realidade que se apresenta é arma dos que desejam permanecer impunes e manter privilégios criminosamente conquistados. O conjunto da obra é um caso de polícia, devemos conhecê-lo na integra e aplicar nos responsáveis a punição que merecem, pois seus efeitos devastadores para o país estão e serão sentidos por muitos e muitos anos.


Gilberto Pimentel, General, é Presidente do Clube Militar.

Um comentário:

Anônimo disse...

Bom dia, caro General.
Espero que o Sr. acompanhe os comentários relativos ao teu texto. Não só o Sr., mas também, os oficiais da ativa.
Então vai:
Achar, crer, auto-enganar-se dentro dos ditames impostos às FFAA que tudo está normal é viver no Nirvana! Dizer que as instituições (com "i" minúsculo, mesmo) estão funcionando plenamente é verdade: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário funcionam plenamente ao punir os bandidos acima citados com as penas as mais leves e possíveis, aplacando a ira do povo consciente e fazendo a vontade dos patrões estrangeiros.
Esperar o que do Judiciário? Todos tem medo dos bandidos! O Judiciário tem o mal enraizado nele, todos sabem! O Judiciário não faz Justiça!
Enquanto os Comandantes das FFAA ficarem aguardando tudo pegar fogo para, somente após agirem, pessoas inocentes continuarão sofrendo, morrendo, com dores, com medo, nas ruas e nas filas. O problema é que a Inteligência sabe disso, a TV, os jornais mostram isso. Os parentes de vocês sofrem isso também. Por que? Por que tanta demora? É patriótico esperar, esperar, esperar, enquanto o mal prospera e se enraiza cada vez mais na sociedade?
A coisa é simples, General: é só a polícia que prende bandido. Vocês são a Polícia para por fim a tudo! Vocês tem o Supremo Tribunal Militar para julgar os bandidos!
Esperar o que?
Será que as FFAA estão rachadas?