quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

A inflação sem vergonha no Brasil


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

O Banco Central do Brasil e o Conselho Monetário Nacional vazam para os deuses mercadológicos a boa intenção de reduzir o percentual da meta anual de inflação – fixada em 4,5% desde o ano de 2007. O Boletim Focus, oficial do BC do B, em seu Relatório de Inflação de dezembro, estima uma inflação de 3,6% no cenário de referência e de 4,5% no cenário de mercado. Políticos, acadêmicos e divindades do mercado terão muito a debater, enquanto os brasileiros sentem, na pele e no bolso, os efeitos perversos da tal “inflação”- que na prática é a perda do poder de compra da moeda, nosso irreal Real.

Os debates sobre combate à inflação no Brasil pecam por uma insistente ou renitente briga contra a realidade. Primeiro, os preços relativos no Brasil estão completamente desalinhados na comparação básica com vários países do mundo. Produtos vendidos aqui, idênticos aos lá de fora, às vezes da mesma marca e, por ironia, alguns até fabricados aqui mesmo em Bruzundanga, são negociados, lá fora, a preços muito abaixo dos praticados aqui dentro. Não adianta tentar justificar o fenômeno com “nossa carga tributária elevada”, ou porque “nosso custo trabalhista também é muito alto”.

Nossa carestia é fruto da mentalidade (uma ideologia) rentista. Praticamos uma especulação quase automática, cultural, baseada na famosa Lei de Gérson (a idéia é sempre levar mais vantagem em tudo, certo?). A indústria e o comércio brasileiros preferem obter lucros mais facilmente vendendo caro ou iludindo as pessoas com falsas promoções. Um cinismo economicamente suicida impede que se pratiquem preços mais baixos, ou compatíveis com os custos de produção e margens de lucratividade não abusivas. Parece que cobramos por serviços ou vendemos tudo muito caro por um “prazer mórbido”. Psicologicamente, parece que odiamos um livre mercado que fomente o consumo pela via dos preços justos.

É por isso que a maioria esmagadora dos industriais e comerciantes não reage, de maneira devidamente contundente, contra os 92 impostos, taxas e contribuições em vigor na economia capimunista rentista de Bruzundanga. As empresas comerciais e industriais – em sua maioria - têm o vício da sonegação de impostos, caixa dois e comercialização de mercadorias por fora, no câmbio negro do mercado informal, mesmo que o regramento excessivo da máquina de triturar tributária ofereça a ilusão de que consegue impedir as bandalheiras, graças a um suposto rigoroso controle e fiscalização.
Muitas empresas tiram onda de bem sucedidas e lucrativas não porque faturam, de forma justa, com as vendas. Na verdade, elas têm “excelentes resultados” porque aplicam alto na especulação rentista – e não na produção e produtividade, fomentando o consumo com preços justos, mais baixos. É por isso que, dificilmente, alguém consegue um desconto na compra de um produto pago a vista. Para quem vende, pouco importa oferecer vantagens reais no preço final ao consumidor. A preferência é por “ganhar” na aplicação financeira – e não na atividade realmente comercial.

O Brasil é viciado no rentismo e no capimunismo cada vez mais estadodependente. Por isso, a missão de baixar a inflação é quase impossível. Os preços agora estão sendo “abaixados” na base da porrada: o clima de recessão (ou estagflação) força algumas baixas. Mesmo assim, algumas coisas seguem elevadíssimas e fora da realidade. Vide preços absurdos de aluguéis, de metro quadrado por imóvel a venda e de muitos serviços. Experimente pegar um produto, dolarizar (ou eurorizar) seu preço e comparar com o idêntico objetivo vendido fora do Brasil. Tudo aqui será mais caro.

Portanto, a “inflação” brasileira tem um componente altíssimo de sem-vergonhice e rentismo-filhodaputa (termo que é uma redundância nele mesmo). Não precisa ser economista para constatar tamanha sacanagem praticada no prostituído mercado tupiniquim. É por isso que nossa economia vai de pior e mais ruim ainda. Quem tem muito dinheiro, via rentismo, para consumir o que quiser, aperta o botão phodda-se e paga o que pedirem. Já quem vive de salário – ou de ganhos na economia informal – precisa fazer milagres para pagar contas, impostos e fazer compras taxadas absurdamente pelo Estado-Ladrão (que tem uma máquina cada vez mais voraz por recursos para sustentar seus marajás).

É por isso que não adiantam paliativos como a Medida Provisória que institui dois preços distintos para compra com cartão ou pagamento à vista (com dinheiro ou com aquele anacrônico cheque que quase ninguém mais usa). Os brasileiros – produtor e consumidor – precisam romper com a ideologia rentista. Do contrário, seremos condenados a viver no quarto mundo, onde ganhar dinheiro honestamente parece um “pecado” em um mercado onde o Crime Institucionalizado tem a hegemonia.

Nós, brasileiros, precisamos tomar muita vergonha na cara. Do contrário, não temos moral para criticar a mamação permanente dos políticos que sustentamos de forma consciente, inconsciente ou compulsória...

Só uma Intervenção Cívica Constitucional poderá reorganizar e repactuar o Brasil de maneira civilizada e democrática. O resto é papo de sem vergonha...

Garoto Verão


Bico seco


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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 29 de Dezembro de 2016.

6 comentários:

Anônimo disse...

Bom artigo, só podemos lamentar pela falta de vergonha na cara das pessoas que exploram seus compatriotas e que compactuam com esse sistema tributário falido e injusto.

Índio/SP

Anônimo disse...

O sacrifício fica para os idiotas: nós, os eleitores!!!
AQUI
http://www.tribunadainternet.com.br/militares-precisam-reagir-e-pressionar-pelo-fim-dos-privilegios-nos-tres-poderes/



Sérgio Alves de Oliveira disse...

Realmente,o maior problema da economia tupiniquim,após a roubalheira na política,é justamente o tal "rentismo",como diariamente denunciado no "Alerta Total". Suplantando o ânimo da efetiva produção e proodutividade,o rentismo é um cancro iunstalado na mentalidade brasileira que ninguém consegue combater. O problema chega a ser "filosófico". As empresas preferem investir no mercado financeiro que produzir. E toma contornos especiais nos fundos de pensão,onde a própria lei obriga essas entidades a aplicar todo o seu patrimônio,pertencente aos seus participantes,nas atividades rentistas,a exemplo dos bancos parasitas. Tentei modificar essa cultura no Rio Grande do Sul quando nos anos 90 presidi a Associação Gaúcha de Entidades Fechadas de Previdência Privada,tentando mudar os investimentos para a efetiva produção Mas "quebrei a cara". O "mudado" fui eu.

Anônimo disse...

A sem-vergonhice, o sarcasmo, o deboche e cinismo viraram coisa comum nos discursos e ações dos políticos brasileiros. O povo? Que se dane. Estamos vendo vários aumentos salariais de deputados e vereadores, descaradamente apesar da crise que assola a todas as administrações publicas. Os Estados falidos, vão receber novamente a ajuda federal com o nosso dinheiro que deveria ser aplicado em educação e não em presídios.Não vai ter Lava Jato que dê jeito e presídio que tenha vaga para todos eles.

Anônimo disse...

O pior é que a charge mostra uma porca gorda e deitada amamentando seus filhotes.E "de muito gorda a porca já não anda...",mas continuará a amamentar os fiolhotinhos que proliferam como capim na várzea.

Sérgio Alves de Oliveira disse...

Outro aspecto: Essa "traição" do Lula com a cervejaria Brahma,que inclusive deu-lhe esse apelido em certos meios,no passado,considerando as suas promíscuas relações de hoje com a cervejaria Itaipava,talvez fosse motivo suficiente para que ele tivesse que respondesse com indenização perante Brahma, por "uso não autorizado de imagem e traição"