quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Crime sem Fronteiras


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

O Estado por meio dos seus agentes políticos se permitiu delinquir e com isso espalhou o sentimento criminoso sem fronteiros em parte da sociedade e principalmente dentro dos presídios. O que acontece hoje no Brasil é o exemplo mais vivo da inabilidade do Estado, falta de planejamento, de inserção do preso e estudo a respeito de seu grau de periculosidade e ligação com facções criminosas. Em poucos dias pipocaram diversas rebeliões e motins pelo País e a primazia seria o domínio do trafico entre fronteiras e controle de ida e vinda da droga.

Nossas autoridades têm pleno e total conhecimento a respeito, ainda que vivam de olhos fechados para a macrocriminalidade. Impossível não ter detalhes hoje com o mundo da tecnologia, das gravações e câmeras espalhadas em todos os cantos de nossa vida privada. No entanto, se a remuneração é parca dos agentes penitenciários, agora se deflagra greve no Rio de Janeiro e mais barulho nem Minas Gerais. Do Norte, passando pelo Nordeste, o movimento ameaça contaminar todo o Brasil, enquanto isso nossos governantes discutem um plano de segurança e a retomada do controle prisional.

Combater as máfias parece ser o primordial foco, mas a crise do Estado e a falência de muitos deles deriva disso a falta de recursos financeiros, escassos valores para investimentos em inteligência e rastreamento das facções criminosas. O Governo Federal é sempre o culpado e embora ocupado com tantas funções tem o dever de apagar o fogo e controlar o conflito. Esse estopim não é recente ao menos temos conhecimento por uma década das consequencias de falta de mobilidade e do presídio de Pedrinhas no Maranhão alvo de denuncia perante organismos estrangeiros.

Os tempos dentro do presídio são piores do que a escravidão a separação entre casa grande e senzala, ninguém fica sensibilizado por não ter o retorno do voto e do apoio político dos presos. Essas organizações criminosas movimentam bilhões de reais no Brasil, na América Latina e nos demais Países, praticando-se com habitualidade e de forma costumeira o crime sem fronteiras, armazenam-se armas pesadas, explodem caixas eletrônicos à luz do dia, quebram agencias na calada da noite, implodem empresas transportadoras de valores e assim por diante, nada pode deter ou impedir que ajam com tamanha destreza e a junção de forças haja vista os enormes interesses cercados pelo tráfico da droga gerando
fortunas incalculáveis.

Comandam seus séquitos pelos celulares cotidianamente alvo de furto e roubo nas ruas e locais do País, e não somos capazes de cortar o sinal ou fazer escuta para transmitir as informações para os órgão de vigilância e segurança. E se já temos uma segurança pública péssima aquela dos presídios esta fora de qualquer avaliação ou conceito.

Dizem que o Estado de São Paulo seria o responsável na medida em que mandou para fora do Estado presos perigosos. Quem teria a obrigação de fazer a ponte e a respectiva intermediação seria o Governo Federal. Todos batem boca e cabeça. O Ministro da Justiça a cada entrevista denota que o controle está longe de ser alcançado. O Presidente quer uma comissão de estudos e mais 5 presidios federais. O judiciário ao se pronunciar diz que a questão é exclusivamente do Executivo.

Em pleno recesso dos poderes republicanos, ao menos em Brasilia, qualquer um já teria convocado os representantes para que medidas enérgicas fossem adotadas e implementadas antes que tenhamos mais explosões incontidas de violência com mortes que nos rebaixam no contexto internacional. Depósitos de presos a céu aberto, um lixão, destacam que necessitamos de mais de 10 bilhões de reais para colocar a casa em ordem, mas tanto gasto que sai pelo ralo, a privatização que
se cogita e a parceria que se adota, donde teremos uma seletividade fundada na livre escolha do Estado em classificar e triar a destinação do seu preso.

Muitos já cumpriram sua pena e encontram-se no limbo no aguardo da boa vontade do setor de execução criminal para apuração e efetiva liquidação. Exemplifico aqui o funcionamento do presídio em País Europeu avançado e muito desenvolvido. O preso recebe uma marcação constante e permanente de sua vida no cárcere e no dia em que a pena estiver cumprida o seu cartão serve como chave para abertura da porta e sua saída mediante códigos específicos.

Estamos bem distantes desse marco. Aqui tudo é improvisado e chovem milhares de HC diários em todas as cortes do País, notadamente em Brasília. Perdemos substancialmente o rumo e tentamos catalogar uma sociedade violenta não pela falta de distribuição da riqueza, mas sim por pequenos delitos cometidos com frequencia em razão da forte crise social.

Basta dizer que 6 pessoas mais ricas do mundo possuem o equivalente a cem milhões de brasileiros um triste e clamoroso retrato desse filme que ataca a cidadania e causa vilipendio a forma digna de viver. Enquanto não estruturarmos as riquezas e estancarmos as misérias continuaremos a dar um péssimo exemplo para as futuras gerações e escancarar as portas do crime sem fronteira dos nossos presídios.


Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

2 comentários:

Anônimo disse...

AS POLICIAS NÃO ESTÃO APENAS NAS FRONTEIRAS, ENTÃO O X DO PROBLEMA É FACIL DE RESOLVER, SE PASSAREM COM DROGAS E ARMAS EXISTEM AS POLICIAS FEDERAL, CIVIL, MILITAR, MUNICIPAL E O CIDADÃO PARA DENUNCIAR E PRENDER ESSES BANDIDOS... JÁ O OLHO DO FURACÃO OU A RAIZ DO PROBLEMA É O SISTEMA OU SEJA QUEM COMANDA TUDO NOS MUNICIPIOS, O DESEMBARGADOR JÁ PERCEBEU QUE EM TODOS OS MUNICIPIOS EXISTE UM PONTO DE VENDA DE DROGAS, UMA LOJA DE CONTRABANDO OU UMA BANCA DO JOGO DO BICHO,BINGOS, CAÇA NIQUEL, QUE SÃO INTOCAVÉIS OU SEJA NÃO ADIANTA DENUNCIAR POIS NEM UMA PROVIDENCIA SERA TOMADA... O DESEMBARGADOR SABE PORQUE??? TODAS ESSAS ATIVIDADES SÃO COMANDADAS PELO JUDICIARIO, POLITICOS E MAÇONARIA QUE OBRIGAM A OAB E A PROMOTORIA SE CALAREM QUE CORROMPEM AS POLICIAS QUE NOLUGAR DE FAZER A SEGURANÇA PUBLICA VIRAM BANDIDIS NA CARA DURA...

Marilda Oliveira disse...

Dizem que o Estado de São Paulo seria o responsável na medida em que mandou para fora do Estado presos perigosos, mas não dizem que Santos (Colômbia) assinou o falso acordo de paz com as FARC para tomar o corredor "ecológico" Andes ao Pacífico já em andamento pelo Foro de São Paulo, utilizando as FARC, facção FDN, abrindo o caminho, tomando o norte do Brasil, para o transportador Venezuela que já tem dentro o Irã administrando, e supervisionado pela Rússia.