sábado, 18 de fevereiro de 2017

O Brasil na Era Trump


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Darc Costa

A América do Sul é a maior prioridade no relacionamento internacional do Brasil. Na primeira década deste milênio foi assim. A rejeição à ALCA, a criação da Unasul, a inserção da Venezuela no Mercosul — a ideologia passa, mas a Venezuela fica —, tudo demonstrava essa prioridade. Contudo, na segunda década deste milênio pouco foi feito. Hoje, o projeto de integração da infraestrutura física da região jaz natimorto, na falta dessa priorização.

Nos últimos anos, os Estados Unidos relegaram a um segundo plano a América do Sul. Contudo, isto pode mudar. Os EUA, com sua nova administração, tendem a se afastar da agenda anterior, que buscou escolher parceiros na região, como o Paraguai e o Suriname, e procurou acordos multilaterais, como a parceria entre os países banhados pelo Oceano Pacífico. Trump nos favorece, na medida em que ele se opõe a acordos multilaterais de livre comércio com esses países e coloca México, Colômbia, Peru e Chile com grandes embaraços na sua diplomacia comercial.

Desde a virada do século, a China tem tido uma prevalência crescente nos negócios na região. Por conveniência e por interesses de longo prazo de seu projeto nacional, vê a América do Sul como um espaço de expansão de sua atuação internacional. A penetração do capital chinês se fez sentir até em setores estratégicos, como a engenharia brasileira. Isso pode levar a que a articulação interna do espaço da região observe uma lógica chinesa de disponibilização dos recursos naturais da América do Sul para si. A China também vai procurar defender o livre comércio e nos enredar neste processo pela nossa presença no BRICS. Temos, por aí, fichas para colocar na mesa.

Olhando o futuro, a diplomacia brasileira deveria aproveitar o resultado das recentes eleições americanas e posicionar o país na região como um terceiro interessado na disputa que ocorrerá entre a China e os EUA, pelo domínio do comércio mundial.

Seria o momento de fomentar uma reestruturação, tanto na Aliança do Pacífico quanto do Mercosul, fundindo-os e dando início a um efetivo mercado comum na América Latina. Esta iniciativa poderia resolver tanto a inoperância sistêmica do Mercosul quanto a perda de sentido da Aliança do Pacífico e fortaleceria, em muito, a presença política e comercial do país na região. Ir além do Mercosul, ir além da Unasul, não será uma ousadia, mas uma resposta à chegada do tempo do protecionismo que Trump propõe.

Como já foi dito, desde 2010 o país não atua de forma coerente na América do Sul. Sem o Brasil, os demais países da região ficam expostos às ambições globais. Mas isso só é possível ser coerente se a nossa política na região estiver inscrita nas alternativas de desenvolvimento que oferecermos aos nossos vizinhos no âmbito de nosso próprio projeto nacional.


Darc Costa, ESGuiano, é Presidente da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul. Artigo originalmente publicado no jornal O Globo (7/02/2017). 

3 comentários:

Loumari disse...

Muito estranho isso que os brasileiros que sempre se estimaram como muitos superiores de todas as outras gentes do mundo, e onde eles falam sempre se gabam de que são sempre mais que, mais que, mais que... E resulta que até hoje século XXI ainda não alcançaram a capacidade intelectual para poder assumir-se como indivíduo na íntegra do seu potencial humano livre e independente e mestre de seu próprio destino e incluso dono e mestre na autogestão da sua própria soberania como povo e nação?
Agora esperam o que mesmo dos Estados Unidos? Que os americanos venham vos colonizar e tomar a conta da gestão do vosso país? Para vos ensinar o que é o mundo civilizado e o que é a autogestão? A esperteza do brasileiro já chegou ao seu nível de esgotamento. A máscara já caiu e a sua ignominia já se revela aos olhos do mundo inteiro. O vosso deus brasileiro é corrupto, ladrão, assassino, velhaco, macumbeiro, prostituta, mentiroso, homem falso e muito astuto e sagaz, deus da máfia, do tráfico de drogas e de seres humanos, um deus sem moral nem princípio algum. Uma nação que foi edificada ao longo dos anos com mentiras, falsidades, espertezas e sagacidade, o que faz que hoje não têm por onde apoiar-se porque foi uma casa edificada na areia.
Se confiais no governo da administração Trump como vosso deus salvador, vede que aquilo ali é um barco na deriva cujo capitão é um tipo com natureza imprevisível que muda de cabo a cada estado de ânimo.
Por acaso viram a cobertura do TIME, na sua última revista? Aquela revista por muitas vezes fez aparecer na cobertura de sua revista uma imagem com ares cuja mensagem é premonitório.


Pela muita preguiça, se enfraquece o tecto, e pela frouxidão das mãos, goteja a casa.
(ECLESIASTES 10:18

Nas palavras da boca do sábio há favor, mas os lábios do tolo o devoram.
O princípio das palavras da sua boca é a estultícia, e o fim da sua boca um desvario péssimo.
Bem que o tolo multiplique as palavras, não sabe o homem o que será; e quem lhe fará saber o que será dele depois?
(ECLESIASTES 10:12)

Loumari disse...

The first month of Donald Trump at the White House summarized in a cover
More
MEDIA - A president in a storm. Unveiled Thursday, February 16, this "one" of the magazine Time is striking: one sees Donald Trump at his desk, hair and tie to the wind, while the clouds gathered over him. Swept by gusts of rain, the Oval Office of the White House looks like a drifting boat.

"Nothing to see here", simply titles the weekly, which specifies on its site that it is the cover of its edition of 27 February to 6 March. Its author, artist Tim O'Brien, wanted to depict the "chaos" surrounding the debut of Donald Trump, who will "celebrate" Monday his first month as President of the United States.


Le premier mois de Donald Trump à la Maison Blanche résumé en une couverture
Plus
MÉDIAS - Un président en pleine tempête. Dévoilée ce jeudi 16 février, cette "une" du magazine Time est saisissante: on y voit Donald Trump à son bureau, chevelure et cravate au vent, tandis que les nuages s'amoncellent au-dessus de lui. Balayé par des rafales de pluie, le Bureau ovale de la Maison Blanche a des allures de bateau à la dérive.

"Nothing to see here" ("rien à voir ici", ou "circulez y'a rien à voir"), titre simplement l'hebdomadaire, qui précise sur son site qu'il s'agit de la couverture de son édition du 27 février au 6 mars. Son auteur, l'artiste Tim O'Brien, a voulu dépeindre "le chaos" entourant les débuts de Donald Trump, qui "fêtera" lundi son premier mois en tant que président des Etats-Unis.

Anônimo disse...

A ambição global é que se formem esses blocos que o articulista defende.