domingo, 12 de fevereiro de 2017

Subversão Cognitiva – Pós-verdades e dissonâncias como fraudes políticas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Rodolpho Heggendorn Donner

Em livro recentemente publicado, o título classifica como “golpe” os procedimentos parlamentares que depuseram a presidente Dilma.

O ministro Lewandowski e o senador Renan, por abusivas e personalistas interpretações da Constituição e do Regulamento do Senado, mantiveram os direitos políticos da presidente deposta.

Temer, mestre no engodo e em presunção discursiva, referiu-se à chacina da penitenciária de Manaus apenas como “acidente”.

Mentiras constantes encenadas por Lula em palcos politicamente arregimentados desfiguraram fatos incontestes das realidades política e jurídica atuais.   

Políticos orgânicos, simpatizantes e beneficiários também têm sido hábeis em transformar fatos, ajustando-os convenientemente aos dogmas políticos de seus partidos.

Por essas e muitas outras, as ordens social, constitucional e política vêm sendo frequentemente subvertidas. Subverte quem visa a derrubar, destruir, perverter moralmente ou transformar evidências para satisfação de próprios interesses.

O dicionário Oxford elegeu o termo “pós-verdade” como a palavra do ano para 2016. Trata-se de adjetivo  que identifica modos de comunicação usando apelos emocionais, crenças e interesses destinados a influenciar a opinião pública pela transformação de fatos para que tenham melhores significados do que os próprios fatos em si mesmos. Questionam, valorizam, negam, deformam evidências, não raro causando preocupações e prejuízos.
Em 2016, política e juridicamente não nos faltaram pós-verdades maquiando com tonalidades muito pessoais os fatos vergonhosos patrocinados pelo Congresso e pelo STF.   

Também tudo a ver com as manipulações políticas de 2016 são os estudos sociais desenvolvidos por Leon Festinger (1).   Tratam do que acontece com nossa razão quando confrontando convicções racionalmente estabelecidas com o surgimento de evidências contraditórias.  Forma-se um estado mental que Festinger chamou de dissonância cognitiva. Seus trabalhos mostraram como o pensamento atua diante desses conflitos perceptivos.

A teoria das dissonâncias cognitivas ajuda-nos a entender dissonâncias políticas fabricadas intencionalmente para desmerecer e desorganizar fatos politicamente contrários.

Lula, o PT e respectivas cortes sempre foram mestres nisso, demonstrando grande capacidade para contestar, negar, transformar, descaracterizar e inverter fatos adversários, criando pós-verdades e dissonâncias, buscando promoção para si e vantagens que a outros seriam destinadas.  Tais atitudes oferecem-me liberdade para ampliar o conceito de dissonância cognitiva criado por Festinger, passando a classificar como subversões cognitivas os falsos contraditórios, pós-verdades ou dissonâncias, que vierem de forjas empenhadas em desfigurar a realidade política.
Se tais engodos ficam claros e evidentes para quem bem se informa e acompanha a política nacional, o mesmo não acontece na enorme maioria da massa votante, onde ganham perigosa importância pela aceitação como verdades.

Aí mora o perigo. Quando bem produzidas e plantadas têm capacidade de influenciar votos e moldar opiniões vulneráveis em favor de interesses pessoais, quadrilhas e corruptos ameaçados de prisão. Vide Lula e a razão da persistente campanha explorando candidatura dele à presidência. Tais atitudes precisam ser identificadas como dissonantes e assim tratadas, amplamente denunciadas pela imprensa para não iludirem votantes, desacreditando a justiça, a verdade e a decência da ordem política.

(1)    Leon Festinger: Psicólogo norte-americano, autor de importantes trabalhos de psicologia social no final da II Guerra Mundial.


Rodolpho Heggendorn Donner é Coronel – Psicólogo. Publicado no Jornal Inconfidência,  B HORIZONTE, 03 DE FEVEREIRO DE 2017 - ANO XXII - Nº 235 - Site: www.jornalinconfidencia.com.br 

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