sábado, 18 de fevereiro de 2017

Teoria e Prática da Contra-Rebelião

David Galula

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

“Teoria e Prática da Contra-Rebelião” é o título de um livro que focaliza a estratégia para o combate à rebelião. Ao abordar esse assunto o autor – DAVID GALULA - pôde valer-se de uma desusada experiência. Nascido na Tunísia em 1919, filho de um cidadão francês, passou a maior parte da sua mocidade em Casablanca e, após seu bacharelato, em 1938, optou por uma carreira no Exército Francês. Após sua graduação, em 1940, na Academia Militar Francesa de Saint-Cyr, lutou no teatro europeu durante a II Guerra. De 1945 a 1948 foi destacado para a China. Seguiram-se, em seguida, 18 meses na Grécia como observador militar das Nações Unidas. Os cinco anos restantes eles os passou em Hong-Kong como Adido Militar. Depois, de 1956 a 1958, serviu na Argélia.
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Esse é um pequeno resumo da vida militar de DAVID GALULA, autor do livro. Foi editado no Brasil em 1966 por Edições GRD, e as “Considerações Iniciais” – abaixo transcritas – são de autoria do então Serviço de Informações de Segurança da Aeronáutica, de cuja fundação e organização tenho orgulho de ter participado. Observo que as ‘Considerações’ foram escritas durante o período mais agudo da luta armada desencadeada pelos terroristas seguidores da concepção cubana, dofoco guerrilheiro, e chinesa, de guerra popular prolongada. São, portanto, palavras que nos remetem ao clima de tensão da época. Leiam.

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A defesa da liberdade, da democracia e dos direitos individuais traz a necessidade de instruir o grupo social dirigente sobre as forças que se opõem a esse trinômio, e como combatê-las, garantindo o equilíbrio e o bem-estar social.
    
Inicialmente torna-se necessário definir liberdade, direitos individuais e democracia. Estes termos, utilizados indiscriminadamente por todos os regimes políticos e sistemas econômicos, são permanentemente interpretados ao bel prazer de cada um, segundo seus interesses, muitas vezes espúrios e difusos.
     
Liberdade é a faculdade de agir de acordo com a vontade própria, sem, contudo, permitir que esta ação circunscreva a liberdade e os direitos de seus semelhantes, enquadrando essa faculdade de agir dentro de uma doutrina social que permita a integração e a subordinação à Lei, à tradição, aos costumes e à ordem jurídica e social vigentes, distinguindo-se, assim liberdade de licenciosidade e liberalismo.
     
Direitos Individuais –“o indivíduo isolado nem é sujeito e nem objeto de Direito. O Direito só aparece com a vida em sociedade”. O Direito Individual não é senão o Direito Social que emerge de um determinado grupo e imprime a esse grupo um comportamento autônomo dentro dos preceitos da Liberdade –a Liberdade que já definimos-.
    
Democracia corresponde a um ideal político em que todos os valores podem concorrer para o bem-estar comum. A organização política para a consecução desse fim varia, segundo as circunstâncias da época e o Estado de Direito. As circunstâncias da época e o Estado de Direito no Brasil são os estabelecidos pela Revolução Democrática de 31 de março de 1964, realizada para salvar o país do caos, da indisciplina, da subversão e da corrupção, instalada no governo que a antecedeu.
    
O dever de cada cidadão, civil ou militar, é a consolidação da obra revolucionária, entre cujos objetivos se encontram o combate permanente à subversão, particularmente a de caráter comunista, o combate, sempre difícil, à corrupção, a preservação da hierarquia, da ordem, da justiça e da disciplina, como fatores de coesão das forças positivas da Nação. 
    
No que tange aos militares, o preparo dos jovens oficiais, aliado ao amor à Pátria, constitui a chave-mestra para a sua conduta e sucesso.
    
No confuso ambiente da luta psicológica, sem tréguas, do mundo atual, não basta que o homem seja adestrado e possuidor de alta moral. É necessário também que sua mente, o verdadeiro campo de disputa, seja resguardada pelo trabalho dos mais experientes, seja blindada contra a facciosa propaganda do inimigo interno, que procura confundi-lo com a finalidade de dividir, objetivo essencial ao sucesso da ação subversiva.
    
Os jovens devem ser informados e alertados sobre os métodos nefastos daqueles que, traindo os mais sagrados juramentos à Pátria, se devotam a serviço do comunismo.
    
Os moços têm tanto patriotismo quanto seus companheiros mais velhos. Contudo, lhes falta a experiência que a longa vivência militar propicía, a maturidade que só os anos proporciona e a visão do conjunto acumulada ao longo da carreira.
    
Alertamos os jovens para que permaneçam incólumes à constante ofensiva das forças desintegradoras. Cumpre aprimorar-lhes os conhecimentos, a técnica, para que possam cumprir melhor os seus destinos; o maior e o mais urgente é garantir um clima de respeito, de ordem e de tranqüilidade para que o governo continuador da Revolução de Março de 1964 possa levar este país, por seus caminhos tradicionais, ao progresso, ao desenvolvimento e à felicidade.
     
O amor ao trabalho, a dedicação, o respeito ao semelhante e, sobretudo, o exemplo, devem constituir o arcabouço moral na permanente atuação preventiva e repressiva dos atos atentatórios aos princípios da liberdade, ao regime e às instituições vigentes.
    
No campo da subversão, o conhecimento dos seus componentes, dos métodos utilizados em suas ações, dos seus objetivos, de suas fontes de recursos e de suas falhas, permitirá a elaboração de diretivas para o combate em condições mais adequadas e eficientes.
    
Neste livro de David Galula surgirão conceitos e filosofias de luta – ideológica e armada -, seus métodos e objetivos, que muitas vezes poderão confundir o leitor desprevenido, pois, os subversivos, falam e doutrinam também em nome da democracia, da liberdade e dos direitos da pessoa humana, princípios que utilizam apenas como degrau para subir ao Poder.  

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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