quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

"Un paso al frente': el libro donde Hernández Norambuena desclasifica sus días en el FPMR

Hernández Norambuena
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Desde o presídio de Alta Segurança no Brasil – onde cumpre pena de 30 anos pelo seqüestro do publicitário  Washington Olivetto) escreve o ‘Comandante Ramiro”, Maurício Hernandez Norambuena, que agora apresenta um livro com as suas memórias. O autor, que durante os últimos 15 anos permanece em isolamento absoluto, e que, no Chile, já havia sido condenado por fatos de alto impacto político,  - os assassinatos de Jaime Guzman, do coronel Luis Fontaine e do agente Roberto Fuentes Morrison-“Wally”, os seqüestros de Cristian Edwards e do coronel Carlos Carreño, bem como a emboscada ao presidente Augusto Pinochet, em 1980 – agora escreve sobre “las razones de una guerra e sus combatentes”, sem esquecer seus própios erros.

Em Un Paso al Frente (Ceibo Ediciones, 2016), relatará detalhes e antecedentes inéditos acerca de numerosas operações da Frente Patriótica Manuel Rodriguez (FPMR). O texto é definido como “um documento fundamental para compreender os motivos e as repercussões da violência política no Chile durante as décadas de 80 e 90”. No momento em que foi diminuída a sua dupla condenação à prisão perpétua para 15 anos de um dia de prisão, e quando a sua extradição do Brasil ao Chile se converte em uma possibilidade concreta, o livro abordará diversos temas convergentes, como se verá, a seguir, segundo a sua própria descrição:
    
1. Detalhes operativos a respeito do atentado ao presidente Pinochet em 1986.
    
2. O seqüestro do coronel Carlos Carreño, as conseqüências que essa operação ocasionou ao negócio de exportação ilegal de armas e atitude impensável de sua libertação em  São Paulo.
     
3. As negociações secretas entre a Frente Patriótica Manuel Rodrigues e Agustin Edwards para o pagamento do resgate, durante o seqüestro do filho do dono do jornal El Mercurio.
    
4. A origem do plano que culminou com a morte de Jaime Guzman, aqueles que tomaram a decisão de realizar o atentado, a responsabilidade compartilhada da direção Nacional da FPMR e de seus comandantes, dentre outros de Galvarino Apablaza (“Cmt Salvador”), de Juan Gutierrez (“El Chele”), e muito especialmente a de Enrique Villanueva.
    
5. A falsidade acerca de existência da “Comandante Ana”, da FPMR (“a fancesa” Emmanuelle Verhoeven), e a verdadeira intenção dessa agente vinculada aos aparatos de segurança e a seu chefe direto, o Comissário Barranza.
    
6. Uma análise crítica das políticas militaristas da FPMR, após sua separação do Partido Comunista, e do processo de negociação política que resultou no pacto de Transição à Democracia, e uma descrição crítica do “utilitarismo do PC Chileno” que, após “preencher seu vazio histórico” nos aspectos militares da política, com a criação da Frente Zero e, mais tarde, da própria FPMR, “deu as costas a seus militantes e às forças populares que impulsionaram essas lutas, renegando a ambas”, com a finalidade de participar do que o “Cmt Ramiro” descreve como “a partilha do Poder”.
    
7. Antecedentes e relatos a respeito dos acontecimentos em Los Queñes, atentado militar que resultou na morte de Raul Pellegrin (“Comandante José Miguel”) e de Cecília Magni (“Comandante Tamara”) e o conseqüente desmoronamento da FPMR e da sua Guerra Patriótica Nacional.
    
8. Uma análise em torno da ausência de uma política de Estado para a reinserção na vida política nacional dos militantes das organizações de resistência armada à ditadura, carência que conduziu à guerra suja destinada a deter, cooptar e assassinar seus próprios membros, e, em paralelo, uma análise em torno da ausência de uma política própria das organizações de resistência armada à ditadura, para insertar-se no panorama político legal no Chile.         
    
A soma dessas carências conduziu a crimes, traições e equívocos.
    
9. Pela primeira vez “Ramiro” revela seu destino após a fuga do Carcel de Alta Seguridad, narrando sua incorporação às fileiras insurgentes do Exército de Libertação Nacional, na Colômbia, e como o objetivo do seqüestro de Washington Olivetto buscava obter recursos econômicos para a dita organização guerrilheira.       


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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