sexta-feira, 3 de março de 2017

Assassinato de um Major do Exército da Alemanha


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por F. Dumont

O 1º semestre do ano de 1968 foi um misto de continuísmo e de novidades em relação aos dois anos anteriores.
        
A luta violenta e suja continuava a ser desencadeada pelos comunistas e as forças policiais não conseguiam dar respostas adequadas. Continuaram as explosões de bombas, com algumas dezenas espalhando o terror nas principais capitais brasileiras. Continuaram, também, as passeatas estudantis, conduzidas por líderes comunistas, a causarem depredações do bem público e enfrentamentos com a polícia, com mortos e feridos de lado a lado.
        
Entretanto, um novo fator iria modificar radicalmente o quadro subversivo no País. As grandes e tradicionais organizações comunistas, atingidas pelo fenômeno da atomização, começaram a dar origem a diminutas, mas numerosas e radicais organizações, nas quais a luta armada constituía-se na única alternativa para a derrubada do regime militar. O foquismo, teoria centrada nas idéias de Regis Debray e na experiência cubana, preconizava o aparecimento de pequenos grupos, de focos, de "heróis comunistas" que, desencadeando a "violência revolucionária", fariam com que as massas os seguissem e apoiassem a revolução.
        
Desse modo, surgiram, dentre outras dezenas, a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), o Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP) de Marighella - futura Ação Libertadora Nacional (ALN), o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), a Ala Vermelha do Partido Comunista do Brasil (AV/PCdoB) e o Partido Operário Comunista (POC). Em Minas Gerais e na então Guanabara, dissidentes da Política Operária (POLOP) criaram, em abril de 1968, uma Organização Político-Militar (OPM), três meses depois oficialmente denominada de Comando de Libertação Nacional (COLINA).
        
Essas novas organizações, determinadas a deporem o governo pela força das armas e a implantarem no Brasil um regime comunista, necessitavam, além do componente político, uma estrutura do tipo militar, ágil e violenta, o que exigia um apoio logístico adequado e sistemático, alimentado por dinheiro e escudado pelas armas. Foi assim que surgiram, nesse ano de 1968, os primeiros assaltos a bancos, a carros-pagadores, a quartéis e a sentinelas.
        
Na então Guanabara, um grupo de ex-militares, que entraria poucos meses depois para o COLINA, iniciou os assaltos para roubo de armas. Em 17 Mar 68, Severino Viana Colon ("Ivan", "Viana"), ex-sargento da PM/GB, Antonio Pereira Mattos ("Ceará") e Valter Fernandes Araujo assaltaram o Museu do Exército na Praça da República, baleando o sentinela e roubando o seu FAL 7,62. Antonio Pereira Mattos, fardado de militar do Exército, não teve nenhum pejo em atirar contra seu próprio colega. Em 23 de maio, o mesmo grupo roubou a pistola .45 do sentinela da Base Aérea do Galeão.
        
E foi esse mesmo grupo que inaugurou, na luta suja contra a democracia, uma forma aviltante de assassinato: o denominado "justiçamento", eufemismo criado para tentar justificar crimes planejados, pretensamente legalizados por um pseudo "tribunal revolucionáro" e executados "a sangue frio".
        
Nessa época, começava a despontar o mito de Chê Guevara, morto em 08 Out 67, nas selvas bolivianas. E as organizações subversivas, ávidas em desencadear a "violência revolucionária", buscavam alvos compensadores.
        
Esse pequeno grupo, integrado por futuros militantes do COLINA, descobriu que o capitão do Exército da Bolívia, Gary Prado, apontado como o matador do Chê, estava estudando na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Além de um alvo compensador, seu assassinato serviria para aplacar a sede de vingança dos comunistas de toda a América Latina
        
Em 01 Jul 68, uma segunda-feira, três integrantes desse grupo, depois de um rápido e sumário levantamento, passaram a seguir, em um Volks de cor gelo, um aluno estrangeiro da ECEME, apontado como sendo o alvo Gary Prado. Na Rua Engenheiro Duarte, na Gávea, dois assassinos desceram do carro e dispararam dez tiros na vítima, que caiu de bruços na guia da calçada, em frente ao auto Chevrolet 27-42-86. Sua pasta de couro marrom desapareceu, levada pelos terroristas.
        
Morria, naquele instante, simplesmente por engano, o major do Exército da Alemanha, Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen, que também estudava na ECEME.
        
Foi o primeiro justiçamento de uma futura série de mais de duas dezenas.
        
Na época, o crime foi atribuído a marginais comuns. Só mais tarde é que veio a se descobrir que o alvo era outro e que o assalto havia sido praticado por comunistas.
        
Os três assassinos foram identificados como sendo Severino Viana Colon, João Lucas Alves Filho ("Alfredo", "Roberto"), ex-sargento da Aeronáutica, e José Roberto Monteiro ("Nei", "Bira", "Silva", "Mario"), que, não meramente por acaso, era o feliz proprietário de um Volks gelo.
        
Ao retornarem ao "aparelho", em Botafogo, lá os esperavam Amilcar Baiardi ("Baiano", "Marcos"), que havia sido convocado para redIgir o manifesto que o COLINA ia difundir, a fim de vangloriar-se de haver matado quem matara o Chê. Ao abrirem a pasta viram o erro: uma verdadeira e robusta "c......". Também não meramente por acaso, deram um destino nada glorioso ao papel do manifesto!
        
As forças policiais não conseguiam dar respostas satisfatórias à luta armada instaurada pelos comunistas no Brasil.
        
E tudo ainda era muito pouco satisfatório para uma família alemã ...


F. Dumont é Historiador.

2 comentários:

Anônimo disse...

Eis aí um belo texto para quem não viveu aquela época e desconhecia o verdadeiro acontecimento.Parabéns pela postagem e que o Brasil não regrida àquele tempo.

Anônimo disse...

Por toda informação que vimos nesse material, nos perguntamos, como uma nação ainda deixou acontecer tudo que vimos, colocando no poder comunistas que mostraram a que vieram.
Até que tudo que fizeram ao ter o poder majoritário, provaram a todos nos, que para destruir uma grande potencia e um inimigo desconhecido com vasta estenção territorial, a tática mais eficiente é implodir esse poder de dentro para fora. Tanto que umas das táticas iniciais comunistas é o infiltramento em todas instancias e desarmar a população. Espero que tenha servido de lição a todos.