segunda-feira, 26 de junho de 2017

Como combater o “Trauma da Matemática”


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por João Vinhosa

O “Trauma da Matemática” – dano emocional ocasionado pela suposta incapacidade de aprender a matéria – é um mal que, se não for adequadamente tratado, provoca o bloqueio mental e impede o aprendizado da disciplina.

Normalmente, tal trauma começa a se manifestar nos primeiros anos de estudo da Matemática. E, à medida que ele vai se agravando, a criança passa a não mais prestar atenção na aula, e a ter medo de encarar os desafios necessários ao desenvolvimento da disciplina. Para piorar a situação, quanto mais a criança se esforça, mais ela fica convencida de sua deficiência, criando, assim, uma intransponível barreira ao entendimento da matéria.

Diante dessas circunstâncias, a primeira providência a ser tomada pelo professor é convencer o aluno que ele não é o incapaz que está, erradamente, imaginando. O convencimento de que não é incapaz é um passo absolutamente indispensável para o aluno ficar motivado. E a motivação traz o sucesso, que, por sua vez, provoca mais motivação, e, em consequência, mais sucesso, formando assim um autêntico círculo virtuoso que aniquila o “Trauma da Matemática”.

Até aqui tudo bem. O diagnóstico do problema está correto. Daí, então, vem a questão principal: como convencer um aluno traumatizado que ele não é incapaz de entender a Matemática?

Com toda a certeza, um aluno traumatizado só se convencerá que é capaz de entender a Matemática quando ele compreender a resolução de um problema que julgava ser muito complicado. E, para isso acontecer, o professor terá que se colocar ao nível do aluno, e vir raciocinando junto com ele até chegar ao ponto desejado.

A propósito, para se constatar o resultado obtido quando o professor se dispõe a raciocinar junto com o aluno, basta ver o vídeo disponível no endereço https://youtu.be/U-2r-aLtRKc. Em tal vídeo, em apenas quinze minutos, um aluno que só domina as quatro operações é levado a compreender a resolução do seguinte problema: “Calcular dois números que somados dão 50, sabendo que o triplo do primeiro número menos o segundo número dá para resultado 10”.

Feitas essas considerações iniciais, passemos a outros aspectos relacionados ao mesmo tema.

Antes de tudo, uma verdade incontestável: é impossível uma pessoa entender determinada parte da Matemática sem dominar os pré-requisitos necessários a tal entendimento.

Isto, porque partes da Matemática são interligadas de tal forma que, para o entendimento de uma delas, é indispensável o conhecimento antecipado de outras partes a ela interligadas. Exemplo: é impossível uma pessoa entender equação de segundo grau sem entender raiz quadrada, que, por sua vez, depende do entendimento de potências.
 
Além disso, a interligação também existe entre os diversos níveis de uma mesma parte da matéria. Portanto, é absolutamente necessário que um determinado assunto seja gradativamente estudado a partir de seus conceitos mais elementares. Afinal, como um aluno poderá entender que “dois terços é maior que cinco nonos”, se ele não dominar os conceitos fundamentais de frações ordinárias?

Interligações como as acima citadas permitem concluir que, se um elo da corrente estiver danificado, todo o raciocínio ficará arruinado. E, por causa dessas interligações, à medida que o tempo passa, o aluno despreparado se torna ainda mais traumatizado com a matéria, criando um abismo cada vez mais difícil de ser transposto.

De tudo que foi exposto, torna-se inevitável depreender que a maneira de ensinar determinado assunto de Matemática a uma pessoa que não domina seus pré-requisitos tem que ser completamente diferente da maneira de ensinar a uma pessoa que os domina.

Por fim, outro importante detalhe tem que ser enfatizado: é impossível ensinar Matemática a um aluno que não consegue interpretar pequenos textos. Portanto, não raro, será necessária uma ação coordenada do professor de Matemática com o professor de Português.

É de se destacar que, por considerar altamente relevante o tema em questão, a UNIG – Universidade Iguaçu resolveu apoiar o curso “Matemática Básica Facilitada (professor João Vinhosa)”, que coloca em prática os princípios descritos neste texto.

Referido curso presencial, oferecido gratuitamente aos alunos da cidade de Itaperuna (RJ), é aplicado em doze encontros de duas horas cada.

Torna-se importante ressaltar que, por determinação da UNIG, objetivando estimular a diversidade, alunos de escolas públicas e de escolas privadas são colocados juntos em uma mesma turma.

Uma palavra final: iniciativas como a acima descrita têm, no mínimo, o mérito de trazer à discussão a necessidade de se resgatar a enorme dívida social que o País tem com aqueles que não aprenderam Matemática quando a mesma foi-lhes apresentada na escola.

João Vinhosa é professor de Matemática

Originalmente publicado no blog www.adilsonribeiro.net NOTA DO BLOG DO ADILSON RIBEIRO: O autor do artigo, engenheiro e professor de Matemática João Vinhosa, foi nosso entrevistado na terça-feira, 21 de Junho, oportunidade na qual falou sobre o curso "MATEMÁTICA BÁSICA FACILITADA", que ele aplicará aqui em Itaperuna (RJ) no próximo mês de Julho. Para assistir à entrevista de João Vinhosa, basta clicar em

https://www.facebook.com/BlogDoAdilsonRibeiro/videos/1101324436667197/

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