segunda-feira, 26 de junho de 2017

Deserto Político e Fertilidade da Corrupção


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laureli

O Brasil necessita, mais do que nunca, de ser sacudido e levado ao ponto de equilíbrio entre as anomalias do desgoverno e luta entre classes sectárias que radicalizam o momento inoportuno. Um deserto político revestido de uma fertilidade banhada pela corrupção, e um gravíssimo caso a envolver o presidente da república a desaguar numa provável denúncia junto ao supremo tribunal federal.

Não podemos nos esquecer que sempre há um grupo contrário e refratário às reformas e que tenta desestabilizar qualquer chance de se melhorar o nível institucional do País. As notícias ruins fazem o cotidiano da perversa mídia a qual tenta levar à sociedade civil o que há de mais desagradável tanto em termos de violência, mas principalmente dados estatísticos de desemprego, miséria e da economia sem crescimento.

Fato verdadeiro e inescondível a presidente deposta em seis anos conseguiu levar o Brasil para o caos total intervindo em setores de óleo, gaz, petróleo, eletricidade, e tantos outros e mais acabou o poder aquisitivo da população. O fundo de garantia não será capaz de colocar em relevo o mercado e demonstrar a grita geral de empresários,do comércio,da indústria e do setor de prestação de serviços.

O agronegócio que nadava de braçada a partir a operação carne fraca, delação premiada e com o boicote americana amargará elevados prejuízos. A concentração em mãos de poucos expressou uma falta de controle e mostrou a insaciável pequenez de entidades governamentais criarem gigantes que se tornarão nanicos nos próximos capítulos dessa enrolada novela que tem terá final feliz, por certo.

O Brasil perdeu o foco por três motivos  essenciais, o deserto de política em prol da cidadania, o desabrido descontrole da corrupção e por último medidas governamentais que não contiveram ondas anticiclicas,para combater a recessão. E passaremos ainda pelo menos dois anos de descontrole e falta de apatia já que os mercados internacionais nos ignoram completamente e as eleições de 2018 já começaram a cerrar fileiras em torno de nomes e candidaturas.

Nem esquerda, muito menos direita, um candidato tipo Macron seria o sucesso perfeito e completo. A sociedade civil precisa desmontar a bomba relógio da radicalização, de candidatos profissionais, mediante o fim do alistamento e filiação, do término dos fundos partidários, dos partidos nanicos e fundamental da reforma a ser feita já no segundo semestre antes do pleito de 2018.

Minguada a hipótese de renuncia será muito difícil manter no cargo alguém denunciado pelo ministério público federal,fato inédito em mais de um século e meio republicano. Nessa circunstância adversa as alternativas somente poderão ser buscadas com apoio consciente e responsável dos cidadãos de bem, não nos interessa polemizar e muito menos depreciar o que tem sido feito em vários ângulos da economia que está dominada pela grave crise fiscal e  um estado generalizado de torpor e descrédito.

A sociedade precisa sacudir o congresso. A cidadania precisa mostrar
a cara, as marchas não podem ser por migalhas porém para o empoderamento do bem comum em completa revogação dos malfeitos praticados pelos governantes. O fim da reeleição é fundamental, prestação de contas a cada dois anos e o modelo de recall, acaso o político eleito por meio do voto distrital não agradasse as bases estaria revogado o mandato.

O fim do profissionalismo político no máximo poderia permancer até dez anos computados todos os exercícios fixos ou alternados. Dessa forma se daria oportunidade aos mais jovens e se acabaria com o curral eleitoral. Agregar e aglutinar os estados do nordeste em apenas 3 seria essencial rever o número de municípíos de 5200 para apenas 2700 e transformar os demais em distritos em muito nos ajudaria e o numero de deputados e senadores, a partir do unicameralismo, assim o Brasil teria 350 representantes do povo no congresso além do que órgãos importantes, como as cortes superiores funcionariam distante de Brasilia para evitar pressão e aumento de barulho das reivindicações feitas a torto e a direita.

O Brasil precisa ser sacudido e mostrar a revolta generalizada de norte a sul. O fogo que tomou Portugal e agora a Espanha precisa embeber o cidadão brasileiro para dar um basta e definitivamente matar a má política e substituí-la pela identidade com a lei maior a qual, próxima do
seu aniversário de 30 anos, dentro em breve precisa passar por uma nova assembléia nacional constituinte cuja participação dos políticos haverá de ser a minoria e não a totalidade que infelizmente prevaleceu no passado.

O Brasil não tem muitas alternativas: ou a cidadania encontra seu respaldo na sociedade civil para sair da escravidão da corrupção ou o buraco negro do futuro será salpicado de trevas.


Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laureli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

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