quinta-feira, 8 de junho de 2017

Rússia – as etapas percorridas pela Revolução de abril e outubro de 1917


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo é um dos capítulos do livro “A Luta de Classes na União Soviética”, escrito porCharles Betelheim, editora Paz e Terra. Charles Bettelheim (20 de Novembro de 1913 20 de Julho de 2006) foi um economista historiador francês. Fundador do CEMI ("Centre pour l'Étude des Modes d'Industrialisation" - Centro para o Estudo de Modos de Industrialização) na Sorbonne;foi também consultor econômico em governos de vários países em desenvolvimento durante a descolonização. Foi muito influente na Nova Esquerda Francesa, e é considerado "um dos mais notáveis marxistas do mundo capitalista" (Le Monde4 de Abril de 1972) em França, mas também em EspanhaItáliaAmérica Latina Índia.

“Eu continuo a ser uma coisa só: um palhaço, o que me coloca em nível mais alto que o de qualquer político” (Charles Chaplin)

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Para caracterizar a nova etapa em que entrou a Revolução Russa após a Insurreição de Outubro e compreender suas peculiaridades, deve-se partir da situação existente em abril d 1917, marcada pelo entrelaçamento da revolução burguesa e da ditadura democrática revolucionária do proletariado e do campesinato pela “dualidade de Poder” que constitui, então, a particularidade da situação na Rússia.
    
A “dualidade de Poder”, significa que, em abril de 1917, “a ditadura democrática do proletariado e do campesinato” está implantada – pois “o Poder real, em Petrogrado, pertence aos operários e aos soldados” – e, ao mesmo tempo, não está, uma vez que, por intermédio dos SR (socialistas revolucionários), as massas populares apóiam, em sua maioria, a colaboração de classes, de tal modo que “a burguesia está no Poder”.
     
Essa situação de “dualidade do Poder”, altamente instável, a Rússia se acha, então, naquele estágio que Lenin de “fase de transição entre a primeira e a segunda etapa da Revolução”.
     
Semelhante particularidade da Revolução Russa é resultante do “entrelaçamento” de dois processos revolucionários: o da revolução proletária e o da revolução democrática burguesa. Após os acontecimentos de outubro, esse entrelaçamento continua, mas assume características inteiramente novas. 
    
Desde abril de 1971, Lenin prevê que “terá início uma nova etapa da revolução democrática burguesa” e que isso ocorrerá quando “o campesinato se separar da burguesia, apoderar-se das terras apesar dela, e tomar o Poder contra ela”.
    
As coisas não se passaram, na verdade, da forma como Lenin havia previsto. Retomando uma expressão que ele mesmo emprega nesse mesmo texto, a vida, ao torna realidade essa previsão, “concretizou-a e, por isso mesmo, a modificou”.
     
O que se observa, de fato, é a passagem da Revolução Russa por duas etapas distintas e complementares:
    
A) A luta revolucionária dos camponeses pela terra e a nova etapa democrática percorrida pela Revolução durante o verão de 1917.
    
A primeira dessas duas etapas assemelha-se ao que Lenin havia previsto, embora apresentasse algumas características diferentes: a partir do verão de 1917, o campesinato praticamente se separa da burguesia, pois ela começa a se apossar das terras, entretanto, ideológica e politicamente ela não rompe de modo decisivo com a burguesia. De fato, o campesinato não retira integralmente a confiança depositada nos SR  e nem coloca o problema do Poder. Isso só seria viável se ele aceitasse a liderança da classe operária e do Partido Bolchevista, fato que, então, não ocorreu.

Lenin constata isso na noite de 25 de outubro diante do Soviete de Operários e Soldados de Petrogrado, quando levanta o problema de ganhar a confiança dos operários, declarando: “Só conquistaremos a confiança dos camponeses com o decreto eu abolirá a propriedade privada das terras. Os camponeses compreenderão que sua salvação está na aliança com os operáris”.
     
A luta revolucionária travada pelos camponeses a partir do verão e durante o outono de 1917, constitui, portanto, uma nova etapa da revolução democrática burguesa, pois seus objetivos são a repartição das terras e o desenvolvimento da exploração privada do solo, o que permanece inteiramente nos limites da ordem burguesa.
     
O contexto ao qual tem lugar a divisão das terras, deveria realizar, em princípio, uma redistribuição periódica do solo entre seus membros. Tal redistribuição poderia retardar o desenvolvimento do capitalismo na agricultura, mas não impedi-lo, pois as condições em que ela se realiza são afetadas pelo desenvolvimento do capitalismo fora da agricultura e pelas desigualdades sociais engendradas por esse desenvolvimento.
    
O Poder Burguês, representado pelo governo provisório, reprime o campesinato durante o verão e no final do outono de 1917, não porque sua ação destrua os fundamentos de um desenvolvimento capitalista, mas porque os interesses imediatos da burguesia russa estão intimamente ligados aos da propriedade fundiária. É para proteger esses interesses imediatos que o governo recorre a uma repressão que ameaça todo o processo revolucionário, embora a intervenção do proletariado se imponha para permitir que a revolução prossiga e se aprofunde.

Em conseqüência dessa intervenção, ou seja, da Insurreição de Outubro, a Revolução atinge uma nova fase: a etapa proletária. Mas isso não significa que todas as tarefas democráticas da Revolução tenham sido realizadas. Pelo contrário, as relações entre as classes são de tal natureza que essas tarefas só poderão ser plenamente concluídas e ligação com o avanço e a vitória da Revolução Proletária. Isso vale também para a realização dos objetivos do campesinato, assim como para a realização dos objetivos nacionais dos povos não-russos do antigo Império czarista.

Em 1917, esses povos entram em luta para conquistar sua independência nacional. Constituindo seus próprios governos, eles se libertam da opressão estrangeira e ajudam o proletariado russo a destruir a dominação estrangeira. Lenin compreendeu prontamente a unidade dialética desses movimentos revolucionários e conseguiu convencer o partido bolchevista que - em nome do internacionalismo proletário – que se pronunciasse pelo direito dos povos à ”separação” e à formação de seu próprio Estado. Um dos méritos históricos de Lenin é o de ter compreendido a importância revolucionária do movimento dos povos outrora submetidos à dominação russa e a necessidade do partido bolchevista apoiar esse movimento.

Sabe-se que isso não foi aceito por alguns bolcheviques e nem pela facção revolucionária da social-democracia alemã; Rosa Luxemburgo, por exemplo, viu essencialmente o aspecto burguês dos movimentos nacionais e não compreendeu que o aspecto democrático desses movimentos exigia que fossem apoiados pelo proletariado, da mesma forma que os movimentos revolucionários dos camponeses em luta pela terra.

B) A luta revolucionária dos operários pela derrubada do Governo Provisório e a nova etapa proletária iniciada pela Revolução de Outubro d 1917.
    
A ascensão do movimento revolucionário camponês – com as características que acabam de ser descritas – e a do movimento revolucionário dos povos não-russos, combinados com um poderoso crescimento das forças proletárias, determinam a possibilidade e a necessidade – para a continuação da revolução – da Insurreição de Outubro.

A vitória desta modificou radicalmente as características da Revolução Russa, as condições do desenrolar da luta dos camponeses pela terra, e o caráter de classe do Poder.
    
A partir de outubro, o aspecto principal da revolução russa é o proletário. Daí em diante, a luta revolucionária dos camponeses prossegue como revolução democrática, sob a hegemonia política do proletariado, mas não efetivamente dirigida pelo proletariado e por seu Partido. Disso decorrem os traços peculiares que caracterizam o curso posterior da Revolução Russa, e também alguns caracteres específicos da ditadura do proletariado instaurada pela Revolução de Outubro.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

2 comentários:

Ultra 8 disse...

Uma ditadura teorizada pelo judeu Karl Marx,e a facção criminosa administrada por judeus,e financiada por banqueiros judeus...

Falar sobre ideologias,e dar fé como se fosse algo não artificial,é de uma idiotice abissal...

LIVRO: Antony Sutton - WALL STREET E A REVOLUÇÃO BOLCHEVIQUE -

Anônimo disse...



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acp

Desserviço.

Esquerdistas a o nazismo rechaçar.

Esquerdismo o nazismo é.

http://sensoincomum.org/2017/05/31/guten-morgen-38-nazismo-direita/

http://libertatum.blogspot.com.br/2017/05/guten-morgen-38-o-nazismo-era-quotde.html

http://www.spiegel.de/spiegel/spiegelspecialgeschichte/d-55573684.html

http://www.implicante.org/blog/o-nazismo-era-de-direita-ou-de-esquerda-confira-a-melhor-resposta-ja-dada-a-questao/

http://olharatual.com.br/os-8-fatos-que-comprovam-o-nazismo-como-um-partido-de-extrema-esquerda/
https://www.youtube.com/watch?v=EdRrO-cZqo0
https://www.youtube.com/watch?v=MoGCPbU7OOY

A aberração da esquerdista bbc:
http://www.bbc.com/portuguese/salasocial-39809236
http://www.alertatotal.net/2017/05/o-nazismo-era-um-movimento-de-esquerda.html


acp

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