terça-feira, 4 de julho de 2017

2018: Constituição e Populismo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Helio Duque

Na promulgação do texto constitucional, nascido na Assembléia Nacional Constituinte, o saudoso Ulysses Guimarães anunciava a “Constituição Cidadã.” Não começava no seu capítulo I, pelo Estado, mas pela importância constitucional dos direitos humanos. Soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, além do pluralismo político é sua base introdutória. Político com P (maiúsculo), possuidor de sólida formação jurídica, o advogado paranaense, Osvaldo Macedo, foi ativo parlamentar na elaboração da Constituição.

Em encontro recente, ele destacava que deve ser missão da sociedade e dos brasileiros conscientes a defesa intransigente pelos momentos dramáticos em que estamos vivendo. A redemocratização de três décadas vem enfrentando solavancos autoritários originários dos tempos do regime militar. Ela é uma pedra no caminho dos aventureiros institucionais.

Pesquisa Datafolha apontava que 69% dos brasileiros adultos acreditam “que este País necessita, principalmente, antes de leis ou planos políticos, é de alguns líderes valentes, incansáveis e dedicados em quem o povo possa depositar sua fé.” É o populismo salvacionista em estado bruto, pavimentado no ilusionismo deslegitimador da ordem institucional. Nas eleições gerais de 2018, em momento de indignação nacional, o Estado Democrático de Direito estará no centro dos debates.

Em momento de deterioração da política partidária e o fundamental combate à agressividade da corrupção pública e privada. É nesse cenário que poderá vicejar as candidaturas que se alimentam na busca de soluções fáceis e subvertedoras dos valores democráticos. Falando ao povo o que ele quer ouvir, negando a visão estadista que precisa pensar o futuro e implementar propostas que não signifique sempre a oferta de boas notícias. A recessão brutal que vivemos tem nesse equívoco a sua origem.

Foi a visão de curto prazo e o populismo insano, os responsáveis pela maior crise política, econômica e social da história republicana. Se, nas eleições gerais de 2018, o eleitorado optar pela escolha do atraso e de uma agenda de curto prazo, ao invés de um desenvolvimento moderno e integrador, o futuro será desalentador. Vai exigir que os brasileiros votem com consciência, entendendo que a administração do País deve estar disciplinada por regras democráticas, fundamental para definir o que será o Brasil do futuro.

Mergulhado na crise política, devastado pela crise econômica e deprimido pela crise moral pelos fatos revelados de sistêmica corrupção, vivemos um cenário de devastação de valores. O mais estarrecedor é ver os responsáveis pela tragédia moral, humana, econômica, política e social que mergulharam o País, posarem por seus porta-vozes parlamentares e intelectuais como oposição a todo o quadro dramático que ajudaram a construir. Acreditam que o povo não tem memória, mentem e mistificam saídas para uma crise de incompetência  em que foram os grandes responsáveis.

Nas eleições gerais de 2018, os brasileiros precisam enxergar que a recessão econômica terá ainda um preço enorme para o futuro. Felizmente o País tem potencial de recuperação, desde que os ajustes políticos não se oponham à modernização das estruturas públicas. Ela poderá definir se a sociedade escolherá o “vôo de galinha” para a economia ou optará pelo “vôo de águia”. Fora da economia de mercado não existe alternativa para o crescimento econômico.

A rigor, o momento vivente de colapso de grande parte da classe política não pode ser argumento para nivelar as figuras públicas sérias e decentes, deixando o campo aberto para o populismo. O aventureirismo oportunista intoxica a opinião pública e trava o potencial de desenvolvimento de uma nação. Em 2018, ao comparecer às urnas, os brasileiros precisam votar com consciência, onde a visão de curto prazo não pode prevalecer. Não existem salvadores de Pátria, nem soluções fáceis para retirar o País do caos de valores em que foi levado.

É preciso dizer à sociedade que, a partir de 2019, o governo a ser eleito será obrigado a fazer reformas profundas e inadiáveis, sem as quais será impossível governar. A grande saída é fortalecer a jovem democracia brasileira e consolidar o Estado Democrático de Direito, na certeza de que poderemos ter um Brasil diferente do atual. Ou não, se a demagogia carismática de líderes irresponsáveis prevalecer no processo eleitoral. Em 2018, teremos oportunidade de proclamar pelo voto, o Brasil que queremos para os filhos e netos.


Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

3 comentários:

Maria Nirene Silva disse...

O mais intragável é ver um politico que ajudou a fundar o estado capimunista que através do socialismo criou a crise para a implantação do comunismo com requintes de crueldade, pois além de dar mais poder para os criminosos armados, traz para o país com o intuito de destruir a população, através de perseguição e estupros os defensores do islã, através liberação da permanência dos que já estão aqui (terroristas), vão trazer os muçulmanos que em sua maioria apoiam as ações dos terroristas, além de outros mercenários para compor seus exércitos comprados e mantidos com o dinheiro dos brasileiros honestos e trabalhadores, usando os confiscantes impostos que só tem a função de manter o governo a detrimento da nação, escravizando assim o POVO.
Você está se referindo ao Bolsonaro, ele não é na visão do brasileiro um populista, e apesar do que vocês digam ele tem idéias boas, a exemplo de Donald Trump.
O Brasil precisa de um guerreiro em armas para combater os terroristas no poder do Brasil.
Queremos mesmo que através de guerra civil retirar vocês do poder o quanto antes.
Mas, se for possível faremos sem precisar. Seja como for vocês não prestam e são demagogos que mais falam, apenas para tentar enganar o povo, suas táticas de dissimulação estão perdendo poder.
E, se Deus nos ajudar, vamos defenestrar vocês do poder, do jeito que der.
Nem que para isso tenhamos que morrer, eu de minha parte aprenderei a manejar armas e municiar, pois eu posso até morrer mas levarei 10 comunistas comigo.
Independência ou morte.
Ou ficar a Pátria Livre ou morrer pelo Brasil.
Demagogo, defensor de genocídio, roubo a canetada, destruidor de nações.

ALMANAKUT BRASIL disse...

Por que estamos pedindo Intervenção Militar?

Intervenção Militar Ceará

https://www.youtube.com/watch?v=0nbot6RRuOI

Anônimo disse...

"A Constituição de 1988 foi concebida como uma simples substância catalisadora, para facilitar o acesso do comunopetismo ao poder e depois ser jogada fora. E já foi." (Olavo de Carvalho)